Afinal, viver em paz não é viver sem problema, sem encrenca, sem dificuldade. Viver em paz é viver com a certeza de que não está vivendo de forma morna! (...) Felizes são os humanos, pois não são felizes sempre – mas, quando o são, podem fruir a felicidade com grande intensidade.
“Qual é a tua obra? Quando você se for, o que vai ficar? Como nada vamos levar, o que vamos deixar que não estrague, não apodreça e não seja objeto de disputa odiosa? Porque tem muita gente que deixa coisas que geram fratricídio. É por isso que Benjamin Disraeli disse e eu repito sempre para mim e para outros: “A vida é muito curta para ser pequena”! Já basta que ela curta seja para que nós a apequenemos. O que apequena a vida? O desperdício de convivência, a incapacidade de ter algo que não seja superficial, a possibilidade de esquecer as noções importantes de vida que são: fraternidade, solidariedade, amorosidade. Aquilo que eu sou, a minha capacidade humana de conviver, ela precisa do ter. Mas o ter não é decisivo. O ter é como uma escada. Ninguém tem uma escada para ficar em cima dela ou grudado nela. Você tem uma escada para ir a algum lugar. E o lugar que o ter deve nos levar é o ser. Se ele não nos leva a sermos solidários, a sermos fraternos, a sermos amigos, a sermos decentes, então, para quê? É preciso pensar nisso e fazer-se importante, para viver e morrer em paz…”