Sobre o título, o autor comentou em "Parece um título doido". Que bom que ele sabe, não é!? Mas a explicação vale. Há os pensamentos diurnos, aqueles que a gente pensa porque tem de pensar. Incluem obrigações, raciocínios matemáticos, históricos, conjunturais. Análise das circunstâncias em que estamos mergulhados no dia-a-dia, esforços variados para compreender os outros e suas atitudes. Mas, felizmente, há também aqueles pensamentos que surgem do nada. Em geral, além de imprevistos, eles são divertidos, frutos de uma observação de um outro Eu que vive escondido dentro de nós. São imagens que nos levam por caminhos nunca dantes trilhados, que tangenciam nossa atenção desperta. Esse livro traz uma reunião de idéias e pensamentos nascidos assim, num golpe de vento, num estalo.
Rubem Alves é um psicanalista, educador, teólogo e escritor brasileiro, é autor de livros e artigos abordando temas religiosos, educacionais e existenciais, além de uma série de livros infantis. Durante sua infância, enfrentou os problemas comuns ocasionados pelas freqüentes mudanças de estados e de escolas. Tais mudanças influenciaram sua atitude de introspecção que o levou à companhia dos livros e ao apoio da religião, base de sua educação. Presbiteriano, tornou-se pastor. Teve três filhos, e entrou numa crise de fé decorrente de um problema de saúde na família, tendo assim de abandonar o pastorado. Apóstata do cristianismo, tornou-se crítico da religião organizada. É considerado persona non grata na Igreja Presbiteriana, pelas suas posições liberais e anticlericais. De volta ao mundo secular, tornou-se escritor e acadêmico.
Ainda me surpreendo em como ler Rubem Alves me faz bem! Concordo com a maioria das ideias que ele propõe e essas reflexões produzem um quentinho no meu coração. O título deste livro já havia aguçado minha curiosidade, mas a explicação para o título é ainda melhor! Bom, não adianta, vou continuar lendo tudo do Rubem Alves que chegar nas minhas mãos! E ainda são ótimas leituras pra dar um alívio das ressacas literárias.
do texto que o Rubem Alves fala que montar um quebra-cabeça é um exercício de meditação, pois "...esqueço-me de tudo. não percebo a passagem do tempo" e é essa a exata sensação que sinto lendo qualquer livro dele