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La Coca

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«O Minho mostrou-se idílico apenas no exterior e durante o dia. A noite era povoada de sombras, de vultos fugidios, ouviam-se os assobios dos espias, apareciam fogueiras a dar sinais.»

Manuel Galeano - que sempre «tivera o contrabando no sangue» - desapareceu antes do segundo encontro. Inesperadamente, como cruzara o caminho do seu velho conhecido em Amsterdão. O primeiro encontro, seguido de uma conversa saborosa no bar de um hotel, cheia de memórias de juventude e de algumas confidências do presente, é o ponto de partida para uma longa evocação e uma viagem tão sentimental como perigosa em busca da história do tráfico entre o Minho e a Galiza. Há tráfico de cigarros, whisky, barras de ouro, gado e café; mas, depois, chegam as drogas duras e os protagonistas de histórias ainda mais carregadas de morte e aventura: Diogo Romano, El Min, Sito Miñanco, o Pardal, o Pepe, Mustafá, Zé Luís e o Laurestim, que durante décadas enformaram o imaginário pícaro local.

Sendo uma viagem de revisitação do autor aos lugares da infância e da primeira idade adulta, La Coca é também uma investigação literária e um pequeno tratado sobre os mecanismos da memória. Um romance breve, profundamente irónico e terno. E a escrita clara, brilhante, de Rentes de Carvalho.

200 pages, Paperback

First published January 1, 1994

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About the author

J. Rentes de Carvalho

34 books102 followers
De ascendência transmontana, J.Rentes de Carvalho nasceu em 1930, em Vila Nova de Gaia, onde viveu até 1945. Frequentou no Porto o Liceu Alexandre Herculano, e mais tarde os de Viana do Castelo e de Vila Real, tendo cursado Românicas e Direito em Lisboa – onde cumpriu o serviço militar. Obrigado a abandonar o país por motivos políticos, viveu no Rio de Janeiro, em São Paulo, Nova Iorque e Paris, trabalhando para jornais como O Estado de São Paulo, O Globo ou a revista O Cruzeiro. Em 1956 passou a viver em Amesterdão, na Holanda, como assessor do adido comercial da Embaixada do Brasil. Licenciou-se (com uma tese sobre Raul Brandão) na Univ. de Amesterdão, onde foi docente de Literatura Portuguesa entre 1964 e 1988. Dedica-se desde então exclusivamente à escrita e a uma vasta colaboração em jornais portugueses, brasileiros, belgas e holandeses, além de várias revistas literárias. A sua bibliografia inclui romances (entre eles, Montedor, 1968, O Rebate, 1971, A Sétima Onda, 1984, Ernestina, 1998, A Amante Holandesa, 2003), contos, diário (Tempo Contado ou Tempo sem Tempo), crónica (Mazagran, 1992) e guias de viagem. O seu Portugal, een gids voor vrienden (Portugal, Um Guia para Amigos), de 1988, esgotou dez edições. Com os Holandeses (Waar die andere God woont, publicado originalmente em neerlandês, em 1972, e um sucesso editorial na Holanda) é a primeira obra de J. Rentes de Carvalho no catálogo da Quetzal. O mais recente título de Rentes de Carvalho é Gods Toorn over Nderland – A Ira de Deus sobre a Holanda.

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1 star
3 (2%)
Displaying 1 - 15 of 15 reviews
Profile Image for Rui Torres.
141 reviews37 followers
July 19, 2023
Ora bem, como a série Rabo de Peixe está na moda como aquela música dos Cuca Monga, nada melhor que trazer um livro que aborda temáticas semelhantes.

La Coca, terá como Manuel Galeano o seu porta-voz. Ele que, em conversa com um velho amigo, se viu perante um mar de memórias e pronto... foram na onda. E é aí, que ambos recordam os tempos de tráfico dos mais variados produtos, entre o Minho e a Galiza.
Por produtos, entenda-se: tabaco, café, gado, uísque, barras de ouro, e muito mais. Este "e muito mais", foi muito de campanha publicitária promocional de supermercado.

Vão existindo inúmeras referências aos mais variados contrabandistas. Fica-se a conhecer o funcionamento, de perto, desta que é a arte do tráfico. É preciso ser artista.

O autor faz uma digressão pela sua infância, em plena vida adulta, para nos inundar com uma história repleta de curiosidades e, passo a redundância, rica em histórias.

Uma escrita descomplicada, sem manobras de diversão. Um exercício de memória!
Profile Image for Natacha Martins.
308 reviews34 followers
January 1, 2014
Gosto muito de J. Rentes de Carvalho, não é novidade para ninguém. Mas este La Coca não me encheu as medidas. Achei-o um pouco desligado e a história pouco fluída. Está lá o cunho de J. Rentes de Carvalho, que não existam duvidas em relação a isso, não deixou de ser um livro que se leu muito bem e com gosto, só não será dos mais inspirados dele. :-)

Feita esta parte difícil da opinião, a de dizer que não amamos um livro de um escritor que nos diz muito, passemos ao livro propriamente dito.

La Coca é, à semelhança de outros livros de J. Rentes de Carvalho, um livro de memórias, nostálgico por natureza e, por isso, é muito mais do que um livro sobre os contrabandistas minhotos e galegos do século passado e dos traficantes deste século. A história inicia quando o nosso escritor, a viver em Amesterdão, reencontra um amigo de longa data, um daqueles que fazem parte das nossas brincadeiras de infância. Desse encontro inesperado, nasce no narrador (que supomos ser o próprio escritor) uma vontade de revisitar os lugares que o viram crescer.
Sob o pretexto de um trabalho de investigação acerca do novo contrabando praticado na fronteira, parte para Portugal. Lá encontra, para além do rastro perdido e incerto dos amigos de outrora, as memórias das paixonetas, as angústias da adolescência e lugares que já não são exactamente como se recorda deles. Mudanças que doem, que põem em causa toda uma vida estruturada em função de memórias que sempre acreditou serem concretas e reais.

J. Rentes de Carvalho vai, desta forma, relatando as vivências dos minhotos y sus hermanos galegos numa época onde quase tudo era proibido. Recorre às suas próprias recordações e às conversas que vai tendo com quem faz, hoje em dia, a história da região.

Enfim, gostei mais uma vez da escrita de J. Rentes de Carvalho, da familiaridade que os lugares nos transmitem e da história. Não me identifiquei muito com a forma com é contada, achei-a menos envolvente, talvez porque ele acaba por não aprofundar o tema do narcotráfico e este acaba por ser pouco mais do que o fio condutor das memórias do escritor.

Recomendo por ser um livro do J. Rentes de Carvalho, o que quer dizer que, mesmo menos inspirado, vale a pena ler! ;-)

Boas leituras!
2 reviews
August 27, 2012

Terminei este curto romance há alguns dias e algumas coisas ficaram comigo.
Uma escrita clara e competente e um olhar autobiográfico sobre as partes mais obscuras de uma zona que conheço, ou que afinal não conhecia assim tão bem.

A narrativa, a princípio, segue uma linha interessante em que se aborda o tráfico mais ou menos escondido nas margens do rio Minho desde os antigos contrabandistas até aos modernos narcotraficantes, vistos a partir do ponto de vista do autor e das suas memórias de juventude, ligadas de forma íntima a essa realidade. Nada melhor que quem lá esteve para nos falar do que se passava.

A escrita é clara, ao mesmo tempo bela e simples, e o registo anda algures entre o romance e a crónica jornalística de investigação.
Pena que praticamente nenhuma das personagens, do metier digamos, que o autor entrevista acabem por falar de algo real sobre aquele mundo e sobre suas actividades. Todos acabam por negar o seu envolvimento. O que acabamos por saber é o que o autor se lembra e o que outro jornalista e um polícia lhe transmitem. Nunca conseguimos obter o ponto de vista e as histórias daquelas personagens cinzentas, que tornariam o livro realmente interessante e são afinal o "isco" apresentado ao leitor.

Talvez por isso antes do final, o tema escolhido é abandonado e a narrativa segue colada a outras memórias, desta vez da passagem do autor pela casa senhorial onde descobriu a leitura e pelas idiossincrasias sexuais de um qualquer lorde inglês desterrado no Minho.

Agradável leitura, mas não valeu os 11€ que custou.
No entanto, não deixarei de procurar outros títulos deste autor, de quem gostei da escrita, mas aos quais desejo que sejam mais bem conseguidos.
Profile Image for César.
230 reviews55 followers
March 23, 2016
Uma fantástica escrita, despojada, sem tiques mas com a capacidade de dizer muito com muito pouco. Define um personagem ou um ambiente numa frase.
Acima de tudo dá imenso gozo a ler. JRC é um dos maiores escritores portugueses.
Profile Image for Rita Moura de Oliveira.
416 reviews34 followers
May 9, 2018
Continuo a perguntar-me: como é que este senhor escrevia há 40 anos, publicando e sendo seguido na Holanda e, até há cerca de 2 anos, era um quase completo desconhecido em Portugal? Mais um livro que devorei de J. Rentes de Carvalho, um paralelo entre o contrabando praticado durante a sua infância na zona raiana minhota – à base de tabaco e bebidas alcoólicas – e o «contrabando» bem mais lucrativo mas também bem mais nocivo que se pratica nos dias de hoje – o das drogas pesadas. Em La Coca, mais uma vez encontrei uma linguagem limpa, numa viagem ao Portugal profundo e de outros tempos.

Vantagem: que bom é descobrir um «novo» autor com mais de 80 anos e saber que ainda há tanto dele para ler...
Profile Image for José.
11 reviews
December 16, 2018
Foi o primeiro livro de Rentes de Carvalho que li e gostei imenso.
Já há algum tempo que tinha curiosidade pela escrita deste autor e decidi-me a começar por La Coca, um pouco pelo título e bastante por parte da temática se desenrolar à volta de histórias de tráfico e contrabando passadas no Minho e na Galiza em que muitas vezes a realidade ultrapassa ficção. A forma como intercala estas com recordações de diferentes épocas da sua juventude é notável.
Profile Image for Joao Gomes.
20 reviews1 follower
June 8, 2013
Um amigo, fã do Rentes de Carvalho, que me emprestou este livro, disse-me que não era o seu preferido, mas dado passar-se na zona da minha infancia e adolescência, poderia ser interessante para mim. Assim foi e, não sendo um livro arrebatador, fiquei com vontade de explorar outras obras do autor e a sua fluida escrita.
Profile Image for Cris Félix.
209 reviews
January 29, 2013
Foi o meu primeiro contacto com Rentes de Carvalho e fiquei "agarrada"!
Muito bom!
28 reviews2 followers
July 11, 2017
Não gostei deste livro. Provavelmente ia com uma expectativa demasiado elevada mas fiquei realmente desiludido. Não achei cativante
Profile Image for Dália Da Silva.
122 reviews1 follower
March 20, 2023
"A memória que nos põe em palcos onde nunca estivemos, fazendo-nos ouvir o aplauso nunca recebido. A memória, com os seus sobressaltos e mistérios, as suas sombras, cheia de ziguezagues, reviravoltas, impasses. Cheia também de armadilhas em que de boa vontade caímos, a tecer a interminável teia do que não foi mas podia ter sido, da ficção tornada real à força de sonhada. A memória e o seu comparsa, o esquecimento.
"E eu fantasia ali o Raffles de Singapura, entristecia de que tais vidas existissem sem mim, que em vez de me ofertar a esplêndida realidade alheia o destino me tivesse condenado a viver de pequenos sonhos.
"Veja como a vida de certas pessoas escapa ao entendimento de quem vive dentro da lei.
"Várias vezes, sem que isso me surpreenda, irei encontrar outros exemplos de ambiguidade, de pessoas tentando conciliar os sentimentos do seu íntimo com o desejo de respeitabilidade e as tentações da fortuna fácil.
"Mas no correr dos anos eu raras vezes encontraria uma sageza como a sua, quem soubesse compreender e desculpar com tanta generosidade as poses arrogantes da juventude, ou fosse capaz de, com elegância igual, escamotear o abismo que separa o verdadeiro saber das pretenções da ignorância.
"Provavelmente residia aí também a causa de a todo o momento me refugiar nos livros, onde criara o universo da minha realidade, encarando o que me cercava como uma desagradável e maléfica ficção.
"Julguei viver. Tive aventuras e medos, conheci alegrias, conheci paixões. Tudo fugidio, curto demais. Fundido o ontem no hoje o tempo negou-me o espaço onde eu me pudesse reencontrar, tornou hostil o que pelo hábio dos anos me deveria ser querido, levou-me a olhar com indiferença o que foi familiar. E agora, constrangido dou-me agora conta de que na minha vida nunca realmente houve partidas nem chegadas, nem pessoas, lugares ou eventos. O que nela existiu e se prolonga ainda são cenários e personagens, sombras, as imagens desordenadas da memória que, presas a uma narrativa, se tornam uma dupla ficção."
Profile Image for Joaquim Margarido.
299 reviews39 followers
January 14, 2022
Quando, há pouco menos de três anos, com ele me cruzei pela primeira vez, J. Rentes de Carvalho constituiu uma extraordinária descoberta. “Montedor”, “O Meças” ou “Ernestina” deram-me a ver uma escrita cuidada, marcadamente autobiográfica, muito generosa do ponto de vista cénico, a vida olhada sob o filtro da memória e transformada em paisagens romanceadas de uma enorme consistência e verdade. Vieram depois “Com os Holandeses”, “Mazagram” e, muito recentemente, “No Pais do Solidó”, e fui sendo tomado pela desilusão. Destas leituras sobraram ideias repisadas sobre o inevitável embate entre portugueses e holandeses, deixando a descoberto a visão de um homem aparentemente mal-humorado, desagradável, agastado com ninharias, pouco à vontade com a realidade do presente, conservador, retrógrado. “La Coca”, porém, veio reconciliar-me com o autor.

Percorrendo os meandros do contrabando que, ainda hoje, unem o Minho e a Galiza, o livro remete para uma investigação jornalística levada a cabo pelo próprio autor. Narrado na primeira pessoa, “La Coca” vem mostrar-nos como se passou do tabaco e do whisky para o narcotráfico, a ganância a determinar esse desvio. Sem rodeios, aproximamo-nos de nomes como o Feio, o Tito Cadafé, Sito Miñanco, Oubiña, Galeano, o Zézé Cadaval, o Pepe Mustafá, o Laurestim, os Viriatos, os Charlines, todos iguais, todos parentes de sangue, tendo na vida apenas um fito, a riqueza, reconhecendo uma única lei, a sua própria. Viajando entre os dois lados da fronteira, o autor mostra-nos as casas luxuosas de quem, ainda ontem, esmolava pelas ruas, leva-nos a uma sala de audiências onde decorre o julgamento de um suspeito de narcotráfico, faz-nos perceber de que forma os traficantes exploram as falhas na lei, apresenta-nos as “voadoras”, os locais de embarque e desembarque da droga, os pontos de encontro dos indivíduos ligados ao tráfico, as artimanhas para ludibriar a vigilância da polícia.

Esta vertente de investigação na qual o livro assenta, bem como as revelações que encerra, não são, porém, os grandes trunfos de “La Coca”. Visitando os “locais do crime”, o autor reencontra-se com o seu próprio passado, a aventurosa adolescência entre Lanhelas e Gondarém, o Minho espraiado aos seus pés, os relâmpagos de memória “tão vivos como se os factos acabassem de acontecer”. Nessa viagem no tempo encontra o leitor o melhor de J. Rentes de Carvalho, as versões do passado agora “meigas como ternura de amante, embelecendo a lembrança, colorindo e tornando duradouro o que foi cinzento, o que foi fugaz”. Habilmente construído, “La Coca” vive de constantes saltos no tempo, confrontando versões antigas e modernas da mesma história, o passado desfilando em cenas que não são de vida vivida, antes painéis desbotados num panorama de artifício. O lado jornalístico deste livro dificilmente resistirá ao passar do tempo. Mas a ficção, tornada real à força de sonhada, essa subsistirá, trazendo-nos um sorriso ao rosto de cada vez que pronunciemos “La Coca”.
Profile Image for Rui Ferreira.
28 reviews
September 13, 2023
Sobretudo um exercício sobre a memória e sobre o fracasso de fazer reviver o passado e as suas sensações.

Uma viagem também pelo submundo do crime, começando no "romântico contrabando do tabaco" até ao brutal tráfico de droga.

Uma viagem também pela brutalidade e pobreza de um Portugal miserável, acabrunhado, desconfiado e impenetrável para a mudança (demasiado actual nalguns pontos).

Escrita sem merdas.

Gostei
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