Este romance de Luís de Sttau Monteiro foi editado em 1961, em pleno Estado Novo, e demonstra os hábitos sociais e os preconceitos que existem em torno da divisão de classes e o que é suposto cada indivíduo ter como papel definido pela sociedade.
Através da narração de acontecimentos banais e dos vícios que caracterizam a vida social lisboeta dos anos 60 do século XX, o narrador faz desfilar um conjunto de personagens que se vão cruzando entre si, revelando conversas de grupos de estudantes de esquerda; o comportamento de um indivíduo de classe média-alta que tem esposa e filhos já adultos e noutra casa sustenta a amante, e de quem a esposa tem conhecimento; a diferença de mentalidade e atitude entre jovens e a geração dos seus pais já conformados com a realidade vigente; etc.
Começa a narrativa com o habitual jantar mensal entre dois ex-colegas de liceu. Gonçalo, um empresário rico e burguês,e António, empregado de escritório e pobre, jantam juntos na mesma mesa, no mesmo restaurante, sempre ao dia 15 de cada mês,apenas por uma questão de hábito, já que intimamente se odeia e nada têm em comum senão terem sido, há mais de 30 anos, colegas no liceu.
A história desenrola-se com o cruzar da vida de António com a da amante de Gonçalo, com a tentativa de António se tentar vingar das humilhações que o ex-colega o fez passar ao longo dos anos, ao deixar sempre bem claro que pertenciam a classes sociais diferentes e que por isso mesmo tinham privilégios diferentes.
Termina com um jantar organizado por Gonçalo, em que aproveita para apresentar António ao seu jovem filho Pedro, que tem ideias revolucionárias, e a quem Gonçalo quer ensinar uma lição ao demonstrar que cada indivíduo é o que é conforme o ambiente em que cresceu e foi educado. Sendo Pedro criado numa família de posses, não pode enveredar por caminhos revolucionários, mas sim preocupar-se com manter a indústria da família e fazer o que é suposto na sua classe. Para essa lição vai usar a figura de António, a quem vai provocar sucessivas humilhações, para demonstrar que pessoas pobres como ele não se sabem comportar num restaurante nem comer determinados pratos "especiais".
O final sucede após a morte de António, com a misteriosa marcação de mais um jantar no dia 15 do mês seguinte. Gonçalo comparece pensando ter sido marcado pela ex-amante. Gonçalo tinha terminado a relação com ela no seguimento do envolvimento que ela teve com António e tinha-a deixado sem forma de sustentar as despesas. Como forma de derradeira humilhação, faz-se acompanhar por uma outra mulher, mas nesse momento que o espera no restaurante é o filho Pedro, que com isso lhe prova que a lição quanto aos preconceitos sociais serve para o pai e não para ele.