Paratii: Entre Dois Polos, conta a história de uma longa e complexa aventura: Amyr Klink, filho de um casal inesperado composto por um libanês e uma sueca, decide passar o inverno na Antártica dentro de um veleiro, tal façanha havia sido feita apenas 3 vezes até então, porém o experiente navegador brasileiro tinha algo ainda mais inédito e ousado em sua cabeça. Amyr Klink invernaria completamente sozinho na Antártica.
Em seu livro, o brasileiro narra a história desta aventura, nascida de uma simples porém muito ambiciosa ideia. Aprendemos todas as dificuldades que existem em contruir um barco do zero, barco que daria o nome para à obra, Paratii. Acompanhamos Klink na sua tão aguardada viagem em direção ao extremo sul do Atlântico. Testemunhamos, junto ao autor, todas as maravilhas e desafios de morar 6 meses no maior e mais gelado continente do mundo.
Sem entrar muito em detalhes acerca de cada capítulo do livro, importante é notar o talento de Klink de contar sua própria história, de trazer para as páginas elementos do cotidiano que por menores que sejam, tornam-se extraordinários em uma aventura tão bela quanto essa.
A maior lição desse livro, com certeza, é o valor de uma aventura sem sentido explíctio, e como as dificuldades se superam enfrentando-as. O autor ressalta inúmeras vezes a importância de continuar viajando, explorando, mesmo quando isso não se dá por uma necessidade biológica, mas sim pela simples razão de ser a forma mais genuina de se viver. E quando o assunto é autenticidade, espontaneidade, Amyr Klink é um exemplo vivo. Basta pegar o exemplo da sua visita ao Ártico após o fim da invernagem, atravessar o globo, ir de um polo ao outro, quase morrer várias vezes tentando fazer isso: tudo para realizar sua vontade mais profunda e genuína, desprovida de lógica e razão.
O livro é fácil de ler, a linguagem é fluída e a história muito interessante, é impossível terminar de ler esse livro e não ter vontade de pegar um barco e sair por aí, no horizonte infinito: que espera ansiosamente por viajantes corajosos o suficente para explorá-lo...
É difícil explicar como surgem as idéias. Às vezes, por reação a uma simples palavra: impossível. É de fato incrível a capacidade do ser humano em não acreditar. O mais religioso dos animais terrestres é o menos crente, o que mais facilidade encontra para não mudar. Opor-se, inventar obstáculos intransponíveis e fronteiras que, no fundo, têm a mesma importância que um risco de giz no chão. A maior condenação a que estamos sujeitos no futuro será por omissão, pois meios para se fazer muitas coisas lindas e impossíveis existem.
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Um dia é preciso parar de sonhar e, de algum modo, partir.