Segundo Paulinho Assunção (escritor brasileiro):«Você pode imaginar uma esquina do mundo onde Ondjaki encontra Manoel de Barros, Luandino Vieira, Guimarães Rosa, Adélia Prado, Raduan Nassar. [...] Você também pode imaginar o que eu imagino ao ler este novo livro de Ondjaki. É um livro que tem um jeito de apalpar a língua como quem apalpa o dorso de um rio. Ou tem um jeito de escrever as palavras da língua como quem rumoreja sussurros para não assustá-las. E acho que o Ondjaki não tem medo de trazer para o seu livro os seus afetos todos literários. E faz bem o Ondjaki não ter medo disso porque é uma coisa muito bocó a gente esconder os afetos & as dívidas & os tributos aos que, também, como Ondjaki, gostam e gostaram de apalpar a polpa da língua como quem apalpa o dorso de uma fruta.»
Ndalu de Almeida (born 1977) is a writer from Angola, writing under the pen name Ondjaki. He lives in Luanda, the capital of the country, and has written poetry, children's books, short stories, novels, drama and film scripts.
Ondjaki studied sociology at the University of Lisbon, and wrote his graduation paper about Angolan writer Luandino Vieira. His literary debut came in 2002 with the novella O Assobiador (The Whistler), which was followed up with the childhood memoir Bom dia camaradas (Good Morning, Comrades) in 2003. To date (2010) he has published four novels, three collections of short stories, two collections of poetry and three children's books. His books have been translated to French, Spanish, Italian, German, English, Chinese and Swedish
Ondjaki was born in Luanda in 1977. He completed his degree in Sociology in Lisbon in 2002 with a study on the great Angolan writer Luandino Vieira. A versatile young talent and a most promising writer of the Portuguese language in Africa, he has already had paintings exhibited, given public performances as an actor, as well as published his own poems and novels. Ondjaki has been awarded the Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco 2008 by the Portuguese Writers' Association for his novel Os da Minha Rua. In 2008 he was distinguished with the Grinzane for Africa award, in the category of young writer, and recently, Ondjaki has won the prestigious Jabuti Prize 2010 with his juvenile book AvóDezanove e o Segredo do Soviético.
Decidi que, no mínimo, dez por cento dos livros lidos este ano serão de poesia. Falta-me poesia, nos dias que correm. Este livro é um docinho, Ondjaki brinca com as palavras com o primor de quem faz da língua a sua casa, homenageando artistas-irmãos, de Raduan a Jorge palma.
É um conceito original, no seguimento das "aprendisajens com o xão" que já tinha lido anteriormente. Podem ser encontrados mais alguns poemas ou "materiais" aqui: http://www.kazukuta.com/ondjaki/espan... Posso dizer que estes me servem o objetivo, mas creio que o desafio está mesmo em ir descobrindo por aí quais os materiais que mais se adequam para espanar as nossas tristezas.
Comprei esse livro pela capa, mais precisamente pelo título: “Materiais para Confeccionar um Espanador de Tristeza”. Imaginei que seria triste. Melancólico. Mas bonito. Poético. O que poderia ter num espanador de tristeza? Sonhos? Sabores? Cores? Expectativas? Leveza? Uma vontade de fazer ou ser diferente? Sei lá. Sei que eu queria saber o que o autor iria me contar. Contou muita coisa. Apesar de ser um livro de poucas páginas, Ondjaki, com muita poesia, afetos e memórias, entrega em “Materiais para Confeccionar um Espanador de Tristeza” um livro leve e melancólico. Espanar a tristeza é tentar, com delicadeza, lidar com a dor e a saudade de pessoas, de tempos e de lugares, é usar a poesia, a escrita e a imaginação para amenizar as inevitáveis tristezas da vida. Não é um livro sobre grandes acontecimentos. É sobre achar a beleza escondida nas pequenas perdas e alegrias, é saber “varrer” a tristeza com delicadeza e humor como pequenos “remédios” afetivos para o cotidiano.📚
Adoro tudo o que o Ondjaki escreve. Gostei especialmente deste livro de poesia porque é como se ele tivesse feito a síntese entre fábula e poesia. Vários poemas remetem para a sua relação com os animais e a sua própria infância. A natureza faz parte de si mesmo. Ele é como um espelho que reflecte sensações miméticas. Há uns anos na feira do livro, fui com a minha filha pedir um autógrafo a Ondjaki. Era um livro infantil. Estiveram bastante tempo a falar sobre o amor que ambos tinham pelos animais, inclusive hienas, esses bichos mal amados depois do Rei Leão. Além de ser muito simpatico, dei-me conta que ele é genuino e espontâneo. Ondjaki é naturalmente africano. Bem haja!
Ondjaki brinca com as palavras num universo repleto de pequenos seres como a lesma, a borboleta, a aranha, ... e em Luanda partilha as suas palavras, a sua poesia com outros grandes da música e das letras, como por exemplo Elis Regina, Rodrigo leão, Luandino Vieira, entre outros.