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Vagão "J"

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"Vagão J", de 1946, cuja origem do título é mantida em mistério até aos últimos parágrafos do romance, é o romance neo-realista, dos poucos que Vergílio Ferreira escreveu. É a história da família Borralho, família representativa do patamar mais baixo da escala social, numa vila rural no princípio do século XX. A obra transmite uma realidade sem qualquer encenação artificial da cruel forma de viver desses tempos, das assimetrias das classes sociais, dos padrões de comportamento e da psicologia individual e colectiva representativa desses tempos. Mas os Borralho também são “uma família de degenerados, sem escrúpulos, sem carácter, sem dignidade”, escreveu o Capitão Borges Ferreira no seu relatório de censura. “O romance gira todo em volta destas misérias sociais (...) sou de opinião que o livro não deve ser publicado”.

Unknown Binding

First published January 1, 1944

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About the author

Vergílio Ferreira

65 books308 followers
VERGÍLIO FERREIRA nasceu em Gouveia, a 28 de Janeiro de 1916. Seminarista no Fundão, licenciou-se depois em Filologia Clássica na Universidade de Coimbra e foi prof. liceal em Faro, Bragança, Évora e Lisboa (desde 1959). Ficcionista e pensador, estreou-se com o romance O Caminho Fica Longe (1943) e o ensaio Sobre o Humanismo de Eça de Queirós (1943). Escritor dos mais representativos das letras portuguesas da segunda metade do séc. XX, a sua vivência fechou-se no labirinto do existencialismo sartreano. Entre as suas obras destacam-se: Manhã Submersa (1954), adaptado ao cinema por Lauro António e vencedor do Prémio Femina para o melhor livro traduzido em França em 1990, Aparição (1959, Prémio Camilo Castelo Branco), Cântico Final (1960), Alegria Breve (1965, Prémio da Casa da Imprensa), Nítido Nulo (1971), Rápida a Sombra (1974), Signo Sinal (1979), Para Sempre (1983, Prémio Literário Município de Lisboa), Espaço do Invisível (1965-87), em quatro vols., Até ao Fim (1987, Grande Prémio de Novela e Romance da APE), Em Nome da Terra (1990), Na Tua Face (1993, Grande Prémio de Novela e Romance da APE). De assinalar são também o diário publicado a partir de 1981 (Conta Corrente) e o vol. de ensaios Arte Tempo (1988). Em 1991 ganha o Prémio Europália, pelo conjunto da sua obra, e em 1992 é-lhe atribuído o Prémio Camões. Foi condecorado pela Presidência da República com o Grande-Oficialato da Ordem de Sant’Iago da Espada, em 1979 e, em 1985, foi nomeado para o Prémio Nobel da Literatura. Faleceu em Lisboa, a 1 de Março de 1996.

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Displaying 1 - 8 of 8 reviews
Profile Image for Luís Paulino.
79 reviews13 followers
October 22, 2014
É quase uma ofensa deixar de mencionar a edição do Público, que reproduz a edição original fac-similada, juntando-lhe o relatório da PIDE/DGS que motiva a censura: A prova em como não tem de ser caro republicar um livro e ainda mais fazê-lo bem.

Este Vagão J pertence à fase primária da escrita de Vergílio Ferreira. Muitas vezes autonomizado da veia existencialista que o caracteriza, inserindo-se no contexto literário neo-realista, cuja conotação política pode condicionar a perspectiva destes livros. Acresce pois, que o próprio autor também tinha uma relação difícil com o livro, talvez por não ter ainda encontrado o veículo ideal para a sua expressão. Seguindo a família Borralho, os mais reles, ladrões e desgraçados da aldeia, conhecemos as motivações das classes baixas de Portugal, nos anos 30 ou 40.

Com efeito, Vagão J começa com a afirmação do discurso oral popular como estilo narrativo, impondo desde logo a aparente democratização da sua escrita. A escrita falada resulta como aproximação do Portugal rural, parente pobre e esquecido de Lisboa, Porto ou Coimbra. Ainda assim, a fama dos Borralhos deve ser diluída no meio onde se insere, de rico a pobre as diferenças esbatem-se: se Maria roubou foi pela necessidade, o Senhor Joãozinho aproveita auxílios estatais para benefício próprio e utiliza Manuel para rentabilizar a terra. A família infâme apenas se distingue por agir pelos seus instintos - não com inteligência e em por consciência (o professor)- e assim a sua face animalesca é a mais pura. Ao invés de outros habitantes que se deixam corromper pela riqueza, por luxuria e por estatuto.

Enfim, Vagão J caiu nas minhas boas graças. Vale a vontade de contar uma história e mostrar o lado “duro” do país. Tem defeitos, um deles corrigido em Manhã Submersa, onde se desenvolve o personagem de António Borralho. Os laivos da fase posterior do autor fazem-se notar, ainda que algo desenquadrados. É uma espécie de filho perdido, mas o talento estava lá e sem os devaneios filosóficos, por vezes cansativos.
Profile Image for João Mendes.
299 reviews18 followers
March 29, 2024
Vagão J descreve a vida numa aldeia do interior durante a ditadura do estado novo. Explora a fome e a miséria passada pela população, contrariando a ideia da família pobre mas feliz que o regime vendia.

Por isso mesmo, o livro foi proíbido pela censura fascista, que escreveu o seguinte:

"(…) De vez em quando o autor salienta a questão social, pondo em destaque a diferença entre ricos e pobres e mostrando bem o rancor que se apodera dos segundos pelos primeiros, quando postos em presença uns dos outros.(…) Em vista do exposto, sou da opinião que o livro não deve ser publicado."
Profile Image for André.
114 reviews75 followers
October 24, 2016
Só alguém dotado de uma insensibilidade extrema poderia não sentir compaixão pela desgraça dos Boralhos. Pobres, ladrões, miseráveis – sim, mas humanos. Com sentimentos e tudo. Com ambições oprimidas, frustradas, negadas pela condição. Uma história dura, mas incrível.

Vergílio Ferreira é um escritor e tanto.
Profile Image for Joao.
198 reviews4 followers
May 6, 2016
Bom livro do VF, bem diferente existencialismo do autor, estamos a tratar de puro realismo um romance que remonta aos anos 40 na beira interior norte! A miséria é tal a fome abundante e a classe superior dominante de uma classe dominada em larga maioria dá-nos a percepção como era construído o Portugal Rural onde a Jorna imperava (faz lembrar alguns casos escandalosos dos actuais abundantes recibos verdes). Recomendo a todas e a todos os saudosistas dos tempos daquele cujo o nome não poder ser pronunciado!
Profile Image for Raquel.
166 reviews52 followers
September 7, 2014
Um dos livros de Vergílio Ferreira censurados durante o Estado Novo, sobretudo pela exposição da miséria social e da categorização da sociedade. Gosto que esta edição, para além de ser a original, contenha o relatório de censura e nos transporte de forma tão vívida, através de uma escrita limpa, simples e realista, para a realidade desta família pobre. São os Borralhos, sabe-se lá porquê.

Crítica em
http://leiturasmarginais.blogspot.pt/...
Profile Image for Maria.
35 reviews2 followers
July 29, 2016
O livro onde nasce o meu querido António Borralho - que é como quem diz: como não sentir uma triste mas sempre bela comoção ao lê-lo? Em Vagão J Vergílio Ferreira- sentimos- , está ainda a encontrar-se e também isso é belo e importante.
Profile Image for Maria Rosário.
2 reviews
Read
December 17, 2024
Gostei da descrição da organização da vida dos que não têm quaisquer privilégios, que são sujos e roubam porque não conseguem fazer outra coisa.
A escrita muto próxima da oralidade foi também um aspeto que me pareceu muito bem conseguido e finalmente fez-me lembrar algumas histórias de família.
Displaying 1 - 8 of 8 reviews

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