Paulo José Miranda, o primeiro poeta e escritor a receber o prémio literário José Saramago, regressa com "Filhas", uma profunda reflexão acerca do sexo e da arte do romance e um sublime hino à Mulher, à Palavra e à História que une Portugal e o Brasil.
Memórias e segredos num ziguezague que intercala o romance histórico e o presente, como o tempo de um jogo de futebol. 1746. O rei D. João V anuncia aos habitantes das ilhas dos Açores que a Coroa concede benefícios a quem decidir emigrar para o litoral sul do Brasil. Ao embarcar nesta aventura, João Cabral cruza-se com Maria de Fátima, uma mulher fascinante e invulgarmente emancipada para época. Desta união nasce uma descendência que marcará a saga da família Oliveira Cabral e a origem da colonização do Sul do Brasil, Florianópolis, antiga Ilha do Desterro. Paulo José Miranda conduz-nos pela intimidade desta família através de uma empolgante viagem pelos laços que unem pai e filhas, Portugal e o Brasil.
Paulo José Miranda (n. 1965) recebeu o novo galardão do Círculo de Leitores para jovens autores, o Prémio José Saramago, atribuído ao seu romance "Natureza Morta" (1998). Este prémio no valor de 5 mil contos, com periodicidade bianual, distingue uma obra literária de ficção, de autores com idade até aos 35 anos, cuja primeira edição tenha sido publicada numa língua de um país da lusofonia.
Este é já o segundo prémio com que Paulo José Miranda, licenciado em Filosofia, é contemplado. O seu primeiro livro, "A Voz que nos Trai" (1997) ganhou o 1º Prémio de Poesia Teixeira de Pascoaes. No ano seguinte o escritor faria a sua incursão pelo romance, com "Um Prego no Coração", em torno de Cesário Verde, primeiro título de um tríptico continuado com "Natureza Morta", sobre a obra e a figura do compositor português do séc. XIX Domingos Bomtempo, e que terminará com a obra que actualmente se encontra a escrever, um diário dos últimos três meses do poeta Antero de Quental. Quando lhe foi entregue o Prémio pela mão de José Saramago, que considerou "Natureza Morta" «um livro muito bem escrito, que revela um mundo ficcional muito próprio», Paulo José Miranda disse em entrevista ao "Público" que, mais do que uma trilogia romanesca de recorte histórico, este tríptico é um projecto que tenta olhar a relação dos seus autores com as suas próprias obras e as interrogações que elas nos levantam a nós próprios.» E acrescentou: « Aliás, não conheço nenhuma obra que não se interrogue sobre os problemas do seu próprio autor.»
Paulo José Miranda publicou ainda um outro livro de poemas "A Arma do Rosto" e uma peça de teatro, "O Corpo de Helena".
"Paulo José Miranda, o primeiro poeta e escritor a receber o prémio literário José Saramago, regressa com "Filhas", uma profunda reflexão acerca do sexo e da arte do romance e um sublime hino à Mulher, à Palavra e à História que une Portugal e o Brasil. Memórias e segredos num ziguezague que intercala o romance histórico e o presente, como o tempo de um jogo de futebol. 1746. O rei D. João V anuncia aos habitantes das ilhas dos Açores que a Coroa concede benefícios a quem decidir emigrar para o litoral sul do Brasil. Ao embarcar nesta aventura, João Cabral cruza-se com Maria de Fátima, uma mulher fascinante e invulgarmente emancipada para época. Desta união nasce uma descendência que marcará a saga da família Oliveira Cabral e a origem da colonização do Sul do Brasil, Florianópolis, antiga Ilha do Desterro. Paulo José Miranda conduz-nos pela intimidade desta família através de uma empolgante viagem pelos laços que unem pai e filhas, Portugal e o Brasil".
Viviana
"Intercalando o passado e o presente, o autor revela-nos não só a ligação existente entre Portugal e o Brasil, como a relação entre pais e filhas ao longo de várias gerações. Em 1746 João Cabral embarca para o Brasil em busca de uma vida melhor para si e para os seus. Cedo alcança o sucesso que pretendia mas está longe de saber que toda a sua descendência será marcada por relações conturbadas entre pais e filhas. No presente, e entre relatos de futebol, desenrola-se a história de Artur, um viúvo de 53 anos que é pai de uma jovem de 20 anos. Ao longo do livro somos conduzidos ao longo destas duas histórias diferentes, uma no passado e outra no presente, mas ligadas entre si pelo amor e desamor entre pais e filhas. É através dessas duas histórias que nos vamos apercebendo que o amor de um pai por uma filha pode ser um sentimento agridoce, cheio de alegrias (a filha é a reprodução da mulher amada e prematuramente perdida) mas também de medos e incertezas pois a filha é também um ser ser frágil que o pai tem o dever proteger. Ao olhar para a mulher adulta que é a filha, o pai nunca consegue esquecer a criança que embalou nos braços enquanto criança. Mas a filha é também uma mulher bonita e atraente, na flor da idade e nem um pai pode negar a atracção que esta desperta aos outros homens. Explorando a dinâmica das relações entre pais e filhas, ora no presente ora no passado, o autor apresenta-nos que os sentimentos das filhas pelos pais nem sempre são consensuais: pode-se amar um pai a ponto de ter ciúmes da relação dele com outras mulheres, mas pode-se também, com a mesma intensidade, odiar o homem que a gerou. Apesar de ter gostado do livro pela forma como explora os diferentes sentimentos que podem surgir entre pais e filhas, por várias vezes dei comigo perdida entre o passado e o presente, entre discussões ora contra ora a favor da escravatura e relatos de jogos de futebol. Achei o discurso um pouco repetitivo tanto no uso das palavras "pai" e "filha", como na exposição das ideias do autor. Visto que na parte da história que decorre no presente se "fala" Português do Brasil houve algumas expressões que não consegui compreender plenamente. Ainda assim vale a pena ler este romance que mostra-nos, a nós filhas, a perspectiva de um pai que vê a filha crescer e a afastar-se de si para se "perder" no mundo".
Ana Luisa
"Um livro que nos coloca uma perspectiva interessante na relação entre pais, filhas e hereditariedade. Esta história encontra-se dividida em duas fases, passado e presente, em que o presente se passa durante os noventa minutos de um jogo de futebol e o passado nas três primeiras gerações da família Cabral. Confesso que fiquei muito fascinada com toda a história passada no séc. XVIII, o fenómeno da imigração dos portugueses para as terras brasileiras sempre foi um assunto que me despertou a atenção, juntando a isso o romance entre João Cabral e Maria de Fátima tornou-se numa receita um pouco difícil de deixar de lado. Mas como em tudo na vida, nada é perfeito e apesar da miragem de perfeição, toda essa alegria se torna em tragedia. A partir da morte da matriarca da família Cabral, toda a família se vê vítima de sentimentos de ódio, guerra e inúmeras tragedias se vão passando ao longo dos anos e que apenas acalmam com a volta da família a Portugal. Em relação ao presente, confesso que acabou por ser lido um pouco na diagonal. Tudo é contado de forma bastante confusa e o tema começa a ser muito repetitivo logo o partir das primeiras páginas. Já no final do livro passado e presente juntam-se, contando-nos a razão de Artur ter voltado ao Brasil. Apesar disso, é um livro marcante, que recomendo a todos os amantes de Historia e a todos os pais e filhas deste nosso país".
Intercalando o passado e o presente, o autor revela-nos não só a ligação existente entre Portugal e o Brasil, como a relação entre pais e filhas ao longo de várias gerações. Em 1746 João Cabral embarca para o Brasil em busca de uma vida melhor para si e para os seus. Cedo alcança o sucesso que pretendia mas está longe de saber que toda a sua descendência será marcada por relações conturbadas entre pais e filhas. No presente, e entre relatos de futebol, desenrola-se a história de Artur, um viúvo de 53 anos que é pai de uma jovem de 20 anos. Ao longo do livro somos conduzidos ao longo destas duas histórias diferentes, uma no passado e outra no presente, mas ligadas entre si pelo amor e desamor entre pais e filhas. É através dessas duas histórias que nos vamos apercebendo que o amor de um pai por uma filha pode ser um sentimento agridoce, cheio de alegrias (a filha é a reprodução da mulher amada e prematuramente perdida) mas também de medos e incertezas pois a filha é também um ser ser frágil que o pai tem o dever proteger. Ao olhar para a mulher adulta que é a filha, o pai nunca consegue esquecer a criança que embalou nos braços enquanto criança. Mas a filha é também uma mulher bonita e atraente, na flor da idade e nem um pai pode negar a atracção que esta desperta aos outros homens. Explorando a dinâmica das relações entre pais e filhas, ora no presente ora no passado, o autor apresenta-nos que os sentimentos das filhas pelos pais nem sempre são consensuais: pode-se amar um pai a ponto de ter ciúmes da relação dele com outras mulheres, mas pode-se também, com a mesma intensidade, odiar o homem que a gerou. Apesar de ter gostado do livro pela forma como explora os diferentes sentimentos que podem surgir entre pais e filhas, por várias vezes dei comigo perdida entre o passado e o presente, entre discussões ora contra ora a favor da escravatura e relatos de jogos de futebol. Achei o discurso um pouco repetitivo tanto no uso das palavras "pai" e "filha", como na exposição das ideias do autor. Visto que na parte da história que decorre no presente se "fala" Português do Brasil houve algumas expressões que não consegui compreender plenamente. Ainda assim vale a pena ler este romance que mostra-nos, a nós filhas, a perspectiva de um pai que vê a filha crescer e a afastar-se de si para se "perder" no mundo.
Um livro que nos coloca uma perspectiva interessante na relação entre pais, filhas e hereditariedade. Esta história encontra-se dividida em duas fases, passado e presente, em que o presente se passa durante os noventa minutos de um jogo de futebol e o passado nas três primeiras gerações da família Cabral. Confesso que fiquei muito fascinada com toda a história passada no séc. XVIII, o fenómeno da imigração dos portugueses para as terras brasileiras sempre foi um assunto que me despertou a atenção, juntando a isso o romance entre João Cabral e Maria de Fátima tornou-se numa receita um pouco difícil de deixar de lado. Mas como em tudo na vida, nada é perfeito e apesar da miragem de perfeição, toda essa alegria se torna em tragedia. A partir da morte da matriarca da família Cabral, toda a família se vê vítima de sentimentos de ódio, guerra e inúmeras tragedias se vão passando ao longo dos anos e que apenas acalmam com a volta da família a Portugal. Em relação ao presente, confesso que acabou por ser lido um pouco na diagonal. Tudo é contado de forma bastante confusa e o tema começa a ser muito repetitivo logo o partir das primeiras páginas. Já no final do livro passado e presente juntam-se, contando-nos a razão de Artur ter voltado ao Brasil. Apesar disso, é um livro marcante, que recomendo a todos os amantes de Historia e a todos os pais e filhas deste nosso país.