"A Desobediência Civil é e continuará a ser o livro-guia de todos os que, aqui e agora, têm consciência das injustiças a que estão sujeitas as minorias, num tempo em que os cidadãos são incitados a prestar culto ao dinheiro, porque o Estado sabe, como Thoreau denuncia, que o dinheiro silencia muitas perguntas que o homem de outro modo seria obrigado a fazer. Martin Luther King leu e releu A Desobediência Civil e nela aprendeu a estratégia da não-violência; Gandhi trazia sempre um exemplar na bagagem e leu outros ensaios do autor; Tolstoi aprendeu também em Thoreau a desobedecer e a organizar a resistência ao poder. O segundo texto de Thoreau, sobre John Brown, é límpido, torrencial, violento, mas profundamente humano e poético. A revolta é nele a consequência lógica dum desejo de harmonia."
Henry David Thoreau (born David Henry Thoreau) was an American author, naturalist, transcendentalist, tax resister, development critic, philosopher, and abolitionist who is best known for Walden, a reflection upon simple living in natural surroundings, and his essay, Civil Disobedience, an argument for individual resistance to civil government in moral opposition to an unjust state.
Thoreau's books, articles, essays, journals, and poetry total over 20 volumes. Among his lasting contributions were his writings on natural history and philosophy, where he anticipated the methods and findings of ecology and environmental history, two sources of modern day environmentalism.
In 1817, Henry David Thoreau was born in Massachusetts. He graduated from Harvard University in 1837, taught briefly, then turned to writing and lecturing. Becoming a Transcendentalist and good friend of Emerson, Thoreau lived the life of simplicity he advocated in his writings. His two-year experience in a hut in Walden, on land owned by Emerson, resulted in the classic, Walden: Life in the Woods (1854). During his sojourn there, Thoreau refused to pay a poll tax in protest of slavery and the Mexican war, for which he was jailed overnight. His activist convictions were expressed in the groundbreaking On the Duty of Civil Disobedience (1849). In a diary he noted his disapproval of attempts to convert the Algonquins "from their own superstitions to new ones." In a journal he noted dryly that it is appropriate for a church to be the ugliest building in a village, "because it is the one in which human nature stoops to the lowest and is the most disgraced." (Cited by James A. Haught in 2000 Years of Disbelief.) When Parker Pillsbury sought to talk about religion with Thoreau as he was dying from tuberculosis, Thoreau replied: "One world at a time."
Thoreau's philosophy of nonviolent resistance influenced the political thoughts and actions of such later figures as Leo Tolstoy, Mohandas K. Gandhi, and Martin Luther King, Jr. D. 1862.
Civil Disobedience I find it challenging to write a post about this Civil Disobedience. I postponed the moment, but wanting to leave a trace of each of my readings, I started! Henry David Thoreau wrote this pamphlet in 1846 after his stay in prison. The reason for his confinement was that the professor and writer had refused to pay a tax in protest against slavery and the Mexican War. Thoreau wonders about the role of governments, the respect for the law that he opposes to respect for moral good, and the usefulness of the vote. However, what struck me the most was his thoughts on how many people complain but don't do anything concrete to change the world. I felt targeted, and it hurt me. When faced with an unjust law, three choices are possible: obey, obey until redress is obtained, or disobey immediately. Thoreau chooses without hesitation the third, but I still too often get stuck in the second. Even if I have sometimes been puzzled by Thoreau's theory that each individual should enjoy absolute freedom, I passionately embraced his dream of resistance through small everyday acts. I'm going to try to put it into practice! Three & 1/2 Stars.
The Defense of John Brown That's considered an emblematic figure of nonviolent disobedience. It is interesting to know that Henry David Thoreau was also an ardent defender and supporter of armed actions: "He had his doctrine, according to which a man was perfectly the right to intervene by force against a slave owner, in order to save them. I agree with him. Those who are permanently shocked by slavery have the right to be shocked by the violent death of the slave owner, but not others. " Five Stars
"Una persona sabía no dejará lo justo a merced del azar" "Cómo no podían alcanzar mi alma, resolvieron castigar mi cuerpo" "Ningún Estado podrá jamás ser realmente libre e ilustrado sino hasta que reconozca al individuo como un poder superior e independiente, del que deriva su propio poder y autoridad, y lo trate en consecuencia"
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Segue-se uma crítica pobre, demasiado longa mas afiada, propositadamente bipolar e desorientada para melhor encarnar os dilemas do cidadão europeu, mimado, confuso, sentado num divã forrado com as peles das costas dos escravos dos segundos e terceiros mundos, a ler Desobediência Civil, a biografia do Che e o catálogo do IKEA. Na verdade, tenho a consciência tranquila. Isto não passa de um exercício pessimista que termina em optimismo.
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Este livro merece o mais profundo e respeituoso agradecimento - pela sabedoria que encerra, pela forma magistral e poderosíssima como denuncia a hipocrisia dos EUA e do mundo, e pela sua afiadíssima actualidade. A mensagem de Thoreau é à prova de erosão porque a injustiça é igualmente resiliente. Haverá sempre injustiça, ganância e ignorância, e no meio desse mar de merda pouquíssimos se atreverão a navegar. Pouquíssimos estão dispostos a transformar as suas palavras e ideais em acção. Thoreau conseguiu elevar a palavra a um patamar superior que, pela sua inflamabilidade, se transforma em acção. Expressa-se com uma poesia tão admirável e sintética, tão demolidora, que estas minhas toscas palavras se tornam insultuosas. Leiam o livro, gente, pois este é, possivelmente, o mais importante livro jamais escrito. Leiam, por favor.
Lembra-me The Many Headed Hydra, os fulminantes discursos dos Levellers americanos e a sublime parte sobre a Hidrarquia, sobre a rebeldia no atlântico, sobre os barcos piratas onde negros, índios, brancos, fossem homens ou mulheres, podiam ser democraticamente elevados à chefia. Faltou tão pouco, tão pouco, para que os EUA fossem derrubados mesmo antes de solidificarem as suas sangrentas raízes.
E que sublime a forma como Thoreau evita as tretas religiosas (até John Brown, esse titânico homem, acabou por misturar os poderosos discursos fraternais e igualitários da Bíblia com as lenga-lengas sagradas).
Mas se o tempo não roeu minimamente as páginas deste manuscrito, veio contudo mostrar-nos que a desobediência civil, em si, não chega. Uma escravatura deu lugar a outra, e a outra, e a outra. A liberdade não chegou a todos os cantos. Na Mauritânia conheci, em pleno terceiro milénio, dezenas de escravos. John Brown continua a ser enforcado, todos os dias, e as correntes continuam a fechar-se nos tornozelos mais pobres. O "primeiro mundo" vive na opulência, no desperdício, num conforto mórbido e insultuoso que escraviza a todo o instante - em cada bolachinha trincada e em cada app instalada - o "segundo" e "terceiro" mundo. Este meu laptop, quase tudo o que me rodeia neste quarto, está ensopado em sangue. Tenho a consciência, o dever de abdicar deste luxo que não me pertence, mas sou demasiado fraco para o fazer. E deixo John Brown ser enforcado, cada dia, e cada dia nascem mais pobres acorrentados aos meus vícios de puto mimado.
Ó, meu deus, mas qual deus? Temos a Síria, o Iémen, temos centenas de Iémenes. Temos os sabujos da guerra e do capital a serem alimentados sempre que nos movemos no ventre ensanguentado de uma máquina. Temos a ignorância a permitir eleger quem decide sacrificar a Amazónia em troca de iates, drogas e meretrizes. Temos o futuro do planeta preso por um fio e já cortámos o fio que sustentava milhares de espécies sobre o abismo da extinção. Onde andam os deuses? Em 1849 podemos permitir a invocação de entidades divinas. Hoje em dia, com o potencial educativo e igualitário que herdámos da arte, da ciência e dos seus gigantes, tínhamos o dever de haver descartado os nossos putrefactos e pestilentos mantos religiosos - sejam os velhos mantos monoteístas, sejam as modernas teorias xamânicas e energéticas que, invariavelmente, criando os seus próprios preceitos e preconceitos, nas suas ânsias pela pureza e pela luz, acabam por cair numa obscuridade medieval.
Mas pronto, subitamente sacudo a cabeça e lembro-me que não posso carregar fardos que não me pertencem. Foco-me nas minhas humildes vitórias: plantar a minha própria comida; acordar todos os dias a sorrir, agradecido por tudo o que tenho; ter a capacidade de ajudar qualquer pessoa que se cruze no meu caminho; não julgar os outros e saber que devo parar de me julgar a mim próprio; ser capaz de reconhecer o valor dos outros, mesmo quando as suas escolhas me parecem tão estranhas. A vida é uma coisa bela. A gratidão é uma conquista redentora. Ir morrer para a Síria, ou para as águas do Mediterrâneo, não iria mudar nada. Mas se nós moderarmos o nosso consumo desenfreado as correntes partem-se e John Brown não tem que morrer.
Contudo, é preciso que nos lembremos que a distância entre a coerência e a incoerência, entre a gratidão e a preguiça, é muito curta e enevoada. É muito fácil tabelar por essas fronteiras ao sabor do nosso interesse (quase sempre ao sabor de instintos primordiais). É preciso, portanto, uma constante vigília dos nossos impulsos - uma vigília pacífica, sem nos criticarmos a nós próprios ou aos demais. Se não formos honestos com os nossos impulsos a infelicidade triunfa. Mas se não soubermos domar e escolher sabiamente os nossos impulsos, então, serão a ignorância e a barbárie a triunfarem; e o ódio, o medo, a guerra, a violência, o estupro. Precisaremos, mesmo, de ter um carro e um computador por pessoa? Precisaremos mesmo de comer dez vezes mais do que o necessário para sobrevivermos? Será necessário passar os dias como servos de substâncias químicas? O conteúdo mais procurado na internet consiste em vídeos de homo sapiens a copularem de formas completamente doentias e desrespeitadoras - deveria isto sequer ser considerado normal? É para embarcar nestes vícios doentios que mantemos tantos países na servidão? É para manter estes vícios que negamos a entrada nos nossos países cristalinos, supostamente civilizados, daqueles que nós roubamos descaradamente?
Desobediência civil é um bom começo, mas é igualmente importante desobedecermos aos impulsos malsãos que nos consomem - porque se durante o século XIX a Europa não comprasse milhares de toneladas de algodão, açúcar, café e borracha, para que seriam necessários os escravos? Porque haveriam sido esquartejadas milhões de baleias se as cortes europeias não implorassem por velas para iluminar as suas cortes e casas senhoriais? Digo isto sem negar, de forma alguma, a importância das palavras de Thoreau. Se Jiddu Krishnamurti e The First and Last Freedom propõem uma liberdade muito mais poderosa e revolucionária, devo reconhecer que neste momento, diante desta colossal máquina capitalista que nos devora a alma, talvez precisemos mais de acção do que de instrospecção.
Entretanto, enquanto esperamos pela acção, John Brown sobe ao cadafalso. Os cadeados dão um estalido. A minha consciência está tranquila porque descobri que pertenço aonde nasci. E é aqui que tenho de travar a batalha - não com armas, nem pedras, mas a cantar, a conversar de olhos nos olhos, a gerar abundância de uma forma respeituosa e consciente. E tu, tens a consciência tranquila? Não? Não faz mal, porque John Brown, ao contrário do mártir nazareno, não morreu pelos nossos pecados. Não estamos presos a dívidas. Não estamos presos a nada e não nos podemos esquecer disso. Não estamos presos nem a patrões nem a bancos - as correntes que nos escravizam, a nós que somos simultaneamente escravizadores e escravos, são uma mera ilusão. Esquecendo o ontem e o amanhã, conseguimos peneirar para fora desta confusa vida um sublime e sagrado hoje. Agora mesmo. O amanhã ainda não nos pertence.
Primeiro contacto com Thoreau, apesar de ter o livro debaixo de olho há algum tempo, graças à sua enorme reputação. Confesso que conseguiu superar as expectativas, no que me toca.
A DESOBEDIENCIA CIVIL: Incrível ensaio filosófico, mais ao jeito de um manifesto, que apesar dos seus quase dois séculos de idade, consegue manter um cariz pertinente e intemporal. Thoreau aponta, sem escrúpulos, o dedo a uma democracia que prioriza a conveniência e a opinião de massas ao invés de uma consciência de justiça. Faz-nos reflectir sobre a nossa própria integridade moral e social. Lembra-nos ainda que a possibilidade de uma resistência pacífica (a tal desobediencia civil) existe e, pode/deve ser usada, quer para denunciar, quer para não fazermos parte integrante de actos governamentais condenáveis. Ainda assim, não é de todo um apelo a uma forma de anarquismo, mas sim, talvez, mais um grito à liberdade individual e à justiça. Curto e de leitura fácil, no entanto, profundo. Um livro para ser ruminado no interior das meninges, enquanto acto reflexivo.
DEFESA DE JOHN BROWN: Um exemplo mais que perfeito de resistência pacífica à escravatura e ao Estado; contado por um Thoreau ora indignado pela incompreensão e injustiça da qual o Capitão Brown fora alvo, ora orgulhoso dos feitos incríveis do mesmo e do impacto que tanto os seus actos como o seu trágico final teriam. Nesta defesa afincada tive tempo de praticamente me conseguir apaixonar pela coragem e lucidez de John Brown. Um espírito indomável mas nobre. A cópia dos documentos deixados no final, ao ligarem-nos mais directamente à realidade daqueles acontecimentos, vieram para mim, dar um toque especial e enaltecer o livro.
Esses que subavaliam uma obra tão ousada quanto lúcida como essa, não conseguiram compreender sua profundidade, ou ainda, são motivado por uma visão política diferente da que fica clara no livro. Indico esse livro como a fagulha indignante que muitas pessoas precisam para entender como funcionam as instituições públicas na sua forma nua e crua.
Cheguei nesta leitura porque descobri eventualmente a história de um cara que abandonou o convívio social para viver apenas com o necessário, longe das necessidades e vaidades mundanas.
Thoreau era um certo espírito indomável. Crítico ferrenho de políticas injustas do governo americano no século 19, não ficou apenas nas críticas. Também não fez revolução como havia sido tradicionalmente feita. Por não concordar com os rumos da política americana, como ainda aceitar escravidão, apoiar a invasão de outras nações -- algo que ainda não mudou muito, optou por não pagar impostos.
O imposto, segundo ele, era uma forma do Estado alienar o cidadão para realizar ou ajudar a realizar injustiças. Discorre diversos argumentos e pontos de vista que são plausíveis para evidenciar o quanto o Estado é impostor e faz a fundamentação de sua principal bandeira: que cada homem deve ser livre e só por meio dessa liberdade, sendo tratado e respeitado cada um como Estado, que a sociedade seria verdadeiramente livre.
O episódio da sua prisão o serviu como colírio potente que o fez ver limpidamente o quanto a sociedade de Massachussets em 1800 era iletrada, no sentido de pouca leitura, falta de uma cultura de sabedoria, sendo majoritariamente fazendeiros e comerciantes preocupados principalmente com seus labores, sendo poucos os adultos que se dedicavam à educação após a educação básica que era oferecida.
É curioso e impressionante o quanto os males da sociedade ocidental se repetem eras após eras. A falta de conhecimento, da busca pelo conhecimento, que nos leva, fatalmente, ao comportamento de manada frente aos primeiros obstáculos em uma vida não-binária. Poucos são os homens que criam sua própria verdade, que vivem seus próprios valores e conceitos. Na sociedade do mostrar, é muito difícil ser. A atitude de Thoreau em ir para a cadeia em solidariedade aos negros escravos que lutam pela liberdade, aos mexicanos que lutavam pela sua soberania, aos índios que lutavam pela sua sobrevivência, e sua incansável consternação frente a esses absurdos ainda em 1800 nos mostra que poucos foram os homens de espíritos que realmente lutaram contra esses males que até hoje se perpetuam.
Em pouco mais de 57 páginas, nesta edição, os escritos de um revoltado ecoam bastante dentro de mim. Eu sinceramente acredito que toda revolução começa no indivíduo. Este, e apenas neste, é que a verdadeira revolução pode acontecer: pois é impossível mudar o meio para melhor se não se muda para melhor. Se não se é crítico das suas próprias ações, ideias. E para isso as armas são o conhecimento e o fortalecimento do espírito: a educação. Esta, que pouco tem a ver com as formalidades e academias, mas mais com atitude perante a vida e seus mistérios e desafios.
Frases:
"O governo em si, que é apenas a maneira escolhida pelo povo para executar sua vontade, está igualmente sujeito ao abuso e à perversão antes que o povo possa agir por meio dele" Pág. 8
"Não é desejável cultivarmos pela lei o mesmo respeito que cultivamos pelo direito. A única obrigação que tenho o direito de assumir é de fazer a qualquer tempo aquilo que considero direito. (...) A lei jamais tornou os homens mais justos, e, por meio de seu respeito a ela, mesmo os mais bem-intencionados transformam-se diariamente em agentes da injustiça." Pág. 11
"A grande maioria dos homens serve ao Estado desse modo, não como homens propriamente, mas como máquinas, com seus corpos. São o exército permanente, as milícias, os carcereiros, os policiais, os membros da força civil etc. Na maioria dos casos não há um livre exercício, seja do discernimento ou do senso moral, eles simplesmente se colocam ao nível da árvore, da terra e das pedras" Pág. 12-13
"Vim a este mundo não, principalmente, para fazer dele um bom lugar para se viver, mas para viver nele, seja bom ou mau. Um homem não tem que fazer tudo, mas algo, e não é porque não pode fazer tudo que precisa fazer este algo de maneira errada." Pág. 27
"Aqueles que não conhecem fontes mais puras de verdade, que não seguiram seu curso até mais alto, apoiam-se, sabiamente, na Bíblia e na Constituição, e bebem-na ali com reverência e humildade; mas aqueles que contemplam o lugar de onde ela verte para este lago ou aquela lagoa, arregaçam as mangas mais uma vez e continuam sua peregrinação até suas nascentes" pág. 54
Há milhares de pessoas cuja opinião é contrária à escravidão e à guerra; apesar disso, nada fazem de efetivo para por fim a ambas; [...] mas ficam sentados com as mão nos bolsos, dizendo não saber o que pode ser feito e nada fazendo; chegam a colocar a questão do livre comércio à frente da questão da liberdade, e ficam quietos lendo as cotações do dia junto com os últimos boletins militares sobre a campanha do México; é possível até que acabem por adormecer durante a leitura. * Eles hesitam, arrependem-se e às vezes assinam petições, mas nada fazem de sério ou de efetivo. Com muito boa disposição, preferem esperar que outros remedeiem o mal, de foram que nada reste para motivar o seu arrependimento. * Mas é precisamente o governo o culpado pela circunstância de o remédio ser de fato pior do que o mal. É o governo que faz tudo ficar pior. Por que o governo não é mais capaz e se antecipa para lutar pela reforma? Por que ele não sabe valorizar a sua sábia minoria? Por que ele chora e resiste antes de ser atacado? Por que ele não estimula a participação ativa dos cidadãos para que eles lhe mostrem as suas falhas e para conseguir um desempenho melhor do que eles lhe exigem? * Se um homem sem propriedade se recusa pela primeira vez a [pagar noventa reais] aos cofres do estado, é preso por prazo cujo limite não é estabelecido por qualquer lei que eu conheça; esse prazo é determinado exclusivamente pelo arbítrio dos que o enviam à prisão. Mas se ele resolver roubar noventa vezes nove reais do estado, em breve estará novamente em liberdade. * O que preciso fazer é cuidar para que de modo algum eu participe das misérias que condeno. * Um homem não carrega a obrigação de fazer tudo, mas apenas alguma coisa; e só porque não pode fazer tudo não é necessário que faça alguma coisa errada. * A melhor coisa a ser feita em prol da cultura do seu tempo por um homem rico é realizar os planos que tinha quando ainda era pobre * Se um homem é livre de pensamento, livre para fantasiar, livre de imaginação, de modo que aquilo que nunca é lhe parecer na maior parte do tempo, governantes ou reformadores insensatos não são capazes de lhe criar impedimentos fatais.
Um texto que nos faz pensar a politica e o governo. Henry David Thoreau defende que o governo deve interferir o menos possível na vida dos indivíduos, além disso faz-nos repensar se afinal a ideia de maioria é realmente o caminho para a justiça, na verdade não tem de existir, nem existe uma relação linear entre este dois pontos. Os indivíduos não devem permitir que existam leis que perpetuam as injustiças (como por exemplo a escravatura e, nos dias de hoje, injustiças para com outros grupos) e devem resistir de forma pacifica a essas leis. Desta forma, tudo isto aumenta a importância das nossas escolhas como indivíduos na sociedade e a nível politico, uma vez que muitas vezes as nossas escolhas podem apoiar leis injustas.
-"Mas para falar na prática e enquanto cidadão, ao contrário daqueles que se consideram antigovernamentais, não peço que não haja de imediato nenhum governo, mas que haja de imediato um melhor governo."
- "Afinal, a razão prática pelo qual o povo, quando o poder está nas suas mãos, permite que uma maioria domine, e o continue a fazer durante muito tempo, não é porque a maioria tenha provavelmente razão, nem porque pareça mais justo à minoria."
- "Não posso, por um instante sequer, aceitar como meu governo uma organização politica que é também governo dos escravos."
- "Mas é seu dever, pelo menos, lavar as mãos dessa injustiça e, caso não queira pensar mais no assunto, não lhe dar, de forma prática o seu apoio. Se me dedicar a outras atividades e projetos, devo primeiro assegurar-me, pelo menos, que não o faço passando por cima de outro homem."
- "O que me devo fazer é assegurar-me, a qualquer custo, de que não me prestarei à injustiça que eu próprio condeno."
- "Exerçam integralmente o vosso direito de voto, não apenas através de um papel, mas através de toda a vossa influencia."
- "Será a democracia, tal como a conhecemos, a ultima melhoria possível no que diz respeito ao governo?"
Achei muito interessante a perspectiva individualista que ele traz sobre como o comando da sociedade pode estar em nossas mãos, e como, por meio de cada cidadão, é possível promover mudanças. Seu texto inspirou grandes pacifistas, como Gandhi e Martin Luther King, o que torna impossível não admirar suas ideias.
No entanto, uma frase dita no próprio livro resume bem o que penso sobre Thoreau: falta-lhe ação. Ele não demonstra ambição de transformar a sociedade, e por isso nunca liderou ativamente nenhum movimento, nem sequer tentou. Suas ideias são excelentes em teoria, mas seu argumento se enfraquece pela ausência de provas, testes e ação.
Uma citação que resume a ideia do livro - mas não é suficiente para entender sua complexidade - é: “A autoridade de um governo, mesmo de um governo ao qual estou disposto a obedecer (…) é, ainda assim, uma autoridade impura” Thoreau não confia ao estado a si mesmo, além de criticar a hipocrisia dos que “dão o voto barato” e esperam que o melhor seja feito. Uma ótima oportunidade para autocrítica. Ideias que se encerram no anarquismo, mas deixam espaço para dúvida de qual dos tipos de governo é melhor a todos.
This book is a motivation to get out there and change the world. Thoreau's voice is important more than ever, especially in a world where disease, inequalities, climate change are realities, not even mentioning racism, the loss of women's rights, and xenophobia. This word should be spread and encourage us to find our own opinions and to live more in tune with nature: nature also means absolute freedom. I like Thoreau's notion that plants grow using their own resources, meaning that makes them more independent and free than humans.
"Assim, o estado agride o sentido moral ou intelectual dum homem, mas somente o corpo e os sentidos. Não possui inteligência superior, nem honradez, dispõe apenas de mais força física. Eu não nasci para ser forçado. Hei de respirar sempre à minha maneira."
Em tempos de escravatura legalizada, Thoreau justifica moralmente e logicamente a desobediência às leis que são injustas.
(PT) Escritos políticos de Henry Thoreau na década de 50 do século XIX, numa altura em que a América estava dividida sobre o assunto da escravatura, e especialmente, sobre John Brown, que em 1859, assaltou o depósito de armas de Harper's Ferry, com o objetivo de armar os escravos e causar a guerra civil.
Thoreau neste livro critica o conformismo da sociedade americana perante à injustiça, barbaridade e imoralidade da escravatura no séc. XIX.
É um livro que denuncia a injustiça social e que acaba por defender que nós como indivíduos ao vermos uma injustiça perpetrada por alguma instituição, por exemplo governamental, devemos tomar ação, de qualquer maneira possível.
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Eis um texto curioso considerando a época em que foi escrito. Um texto subversivo em que o autor instiga à rebeldia e ao não cumprimento de algumas obrigações como cidadão. Esta seria uma forma de mostrar quebra em relação ao Estado, não o reconhecendo como instituição suprema – não só porque algumas leis não são justas, mas porque parece agir de uma forma mecânica que não dá espaço à evolução legal.
«Não será possível que o indivíduo tenha razão e que o governo esteja errado? Aplicam-se leis pelo simples facto de terem sido feitas? Ou porque um certo número de pessoas as declararem boas, quando não o são de facto?»
Questiona-se, sobretudo, o sistema legal e a sua cegueira – lá porque alguém redigiu uma lei, não quer dizer que esta seja justa e deva ser aplicada. Questiona-se, acima de tudo, o sistema de escravos, base de sustentação de um sistema económico que, na prática, é a verdadeira razão para se manterem, sob clausura, seres humanos.
Este texto, bem como o que se segue, no mesmo livro, Defesa de John Brown, terá tido raízes, não só na ideia de que as leis servem, por vezes, propósitos menos nobres e parcelas menos pobres da sociedade, mas também na prisão de John Brown, um homem que, tendo passado a vida longe das armas, não hesita em pegar numa para defender a fuga de escravos.
Chamado de loucos por muitos, menos nobres e rectos, John Brown, com os seus filhos e outros homens que alistou na sua causa, defendem, contra o estado, os ex-escravos, homens que fugiram dos seus donos e que procuram a liberdade.
Louco, não porque os princípios que expressa não sejam reconhecidamente correctos pela maioria, mas louco por ousar desafiar a autoridade ao invés de permanecer no conforto do lar, concordando silenciosamente com o texto escrito por alguém que defende o fim da escravatura.
«Os homens, habitualmente, vivem segundo uma fórmula, e sentem-se satisfeitos desde que a ordem legal seja respeitada; neste caso, porém, voltaram aos preconceitos originais, dando-se assim um ligeiro reavivar da antiga religião.»
De louco passa a julgado e condenado, morto pelo estado na aplicação do sistema legal existente, ainda que o seu discurso atordoe a mente de muitos que com ele concordaram.