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Viagem a Ver o Que Dá

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"Viagem a ver o que dá narra sarcasticamente as aventuras insólitas de dois indivíduos num ronceiro calhambeque. Ao longo de ruas, estradas e caminhos cada vez mais primitivos, Hipólito e o senhor Mirales, sem nada em comum a aproximá-los, vão-se despojando da rotina urbana e descobrem outros ritmos, novas temporalidades, num percurso de surpresas conducente a um desenlace bíblico."

244 pages, Paperback

First published February 1, 1983

9 people want to read

About the author

Altino do Tojal

18 books3 followers
Jornalista, tradutor e ficcionista, consagrado com a colectânea de contos 'Os Putos'. A novelística de Altino do Tojal mistura recursos que se diriam da literatura infantil como a descrição do quotidiano filtrado por uma perspectiva mágica e fabulosa do universo, com um realismo de intenção social e com evocações memorialistas, numa escrita em que o poético não exclui a ironia ou a notação amarga da realidade.

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Displaying 1 - 6 of 6 reviews
Profile Image for Fátima Linhares.
952 reviews340 followers
October 18, 2021
Este autor, com um nome que poderia perfeitamente ser de uma qualquer aldeia perdida do interior do país, era-me totalmente desconhecido. E afinal ele até era aqui da cidade vizinha, Braga.
Neste livro temos Hipólito, que um dia é desafiado pelo vizinho, deixando temporariamente a cidade de Lisboa, o meu quarto alugado, a cadeira rangente onde o meu cu já quase ganhou raiz, a secretária de pinho onde desovo os livros que me asseguram pratadas de carne de porco, rum da Jamaica e excelente tabaco holandês.

- Quer ir comigo por aí acima, vizinho?
Olhei-o com todo o desdém de que fui capaz:
- Ir consigo por aí acima? Essa é boa! Para onde?
E o senhor Mirales, de novo entretido com a mala:
- Sem destino, ao direito do nariz, a ver o que dá...


E o que é que deu?

Porque eu ardia em febre, primos. Agitavam-me calores e arrepios, o que nem era de admirar - como salientara o senhor Mirales -, depois de uma cavalgada nocturna com as pernas à vela, do murro na tasca, do tombo de cima da vaca e da cabeça rachada, isto sem falar da cólica renal e duma semana a caldinhos.

Melhor sorte teve o seu vizinho Mirales, que, volvidos 50 anos, finalmente tirou a barriga de misérias com a professora Domicília! :D

Achei imensa piada ao narrador, o Hipólito. A forma como relata os acontecimentos, a ironia, sarcasmo, falta de entusiasmo com a vida, mordacidade e resmunguice são deliciosos. A segunda parte da viagem a ver o que dá parece uma grande viagem na maionese, mas não deixa de ter graça.

Foi uma ótima descoberta. Obrigada, Thomé, pela recomendação! :)

Refiro, a propósito, que pesava praí quilo e meio quando nasci. Fui extraído a ferros, pois resisti bravamente. Consta também que, já cá fora, em vez de berrar, como fazem todos, franzi a testa e, grave, silencioso, rolei os olhos desconfiados pelos circunstantes. Já me cheirava, primos, que isto não era mundo para mim, não me convinha. Mas, posto em circulação, dei de ombros e deixei-me crescer.
Profile Image for Artur Coelho.
2,607 reviews75 followers
October 10, 2021
Mais uma etapa na minha viagem inesperada de descoberta de Altino do Tojal, e, novamente, um mergulho num mundo de inesperado onirismo. Mas, também, a descoberta de um lado mais ácido no autor, algo que se vislumbra noutras obras, mas aqui é um dos elementos estruturais. 

Apesar dos seus sucessos, comerciais  e amorosos, um escritor vive uma vida amarga num quarto alugado. Contempla o suicídio, dando uso ao revolver que herdou do avô. É aí que intervém um vizinho de casa, homem anónimo cuja vida de solidão nunca o levou a lado nenhum. O desafio é o de partir, ir estrada fora, sem rumo ou destino, a ver onde se chega. Apesar de todas as suas reticências, o amargo escritor faz-se à estrada com o inesperado companheiro. 

Não há destino, mas há uma paragem final. Há limites para o que um carro aguenta. É assim que os viajantes acordam numa serrania coberta de neve, acordados por um jovem com um burro que contrabandeiam bacalhau. É o ponto de partida para o mergulho numa aldeia bizarra, dominada por um monarca e sua corte, sempre em guerra contra a aldeia vizinha que é uma república. Estes são os mundos surreais onde há um rei agricultor, um presidente alfaiate, uma intratável professora primária que se suaviza ao apaixonar-se pelo companheiro de viagem do escritor. Ou uma velhota viúva depois de se casar já idosa com o homem que sempre amou, e um jovem contrabandista com o seu inteligente burro. Há até um amor interdito entre os filhos do rei e presidente desavindos, que se deslinda numa natalidade num casebre de montanha. 

A depressão da vida urbana é contrastada pela bizarria fantástica do ambiente da aldeia. Aqui o lado de fantasia é assumido, mais pelo lado surrealista do mundo inesperado que se encontra no fim da viagem. É também um livro ácido e algo cáustico, a personagem principal esforça-se em toda a linha por ser desagradável e execrável. Algo constante nalgumas personagens masculinas do escritor, que são mostradas como pessoas intratáveis, cujas ações são repugnantes. 
Profile Image for Vasco Ribeiro.
408 reviews5 followers
February 13, 2016
Gosto de livros homogéneos e coerentes, ora este tem duas partes muito distintas, em que a primeira é pretexto da segunda e até compreendo que seria uma artifício necessário. Mas para mim é diferente demais.
Hipólito é um escritor de cerca de 40 anos que vive em Lisboa (infância em Braga, juventude no porto, trabalhando em jornais) muito misógino e resmungão, muito de mal com o mundo, e que é quem nos conta a história da sua vida cheia de tédio em Lisboa, chamando-nos primos ao longo do livro, como poderia chamar-nos manos. Na mesma casa noutro quarto alugado vive um cinquentão careca e pouco falador, o Senhor Mirales que, em certo dia o desafia a ir por Portugal acima no seu velho carro, que ele trata por camelo, sem rumo concreto a ver o que dava. Apesar de antes quase não terem falado um com o outro, vão. Viajam de noite até ao porto e depois por aí acima até ao alto minho barrosão. O que parecia ser um livro da viagem na velha carripana, torna-se então, depois de arrumado o carro no barracão junto à igreja numa amostra de vida selvagem (as falas das gentes locais, são escritas de acordo com a sua fonética: "sabença - sua bênção", "bou" "zicute-se", etc) na luta entre duas povoações em que uma se diz o reino (de D. Aurélio I) e a outra a república do presidente Celestino (alfaiate e que prometeu fazer umas calças para hipólito que lhe tinham sido tiradas pela professora estando ele doente). alguma aventuras picarescas em que se conclui que o senhor mirales se apaixona pela professora solteirona Domicília, que lhe corresponde e este casal destrona o rei velho. Enfim, na viagem tinham passado por um alemão apocalíptico que pregava num trator que no fim ao ver nascer um menino do casal de José (filho do celestino) e Maria da Glória (filho do rei Aurélio), desterrados na montanha, como o bébé se chama Jesus, hipólito sente-se um rei mago, até porque há um burro bacalhau, pertencente ao miúdo barnabiças, protegido do "espanhol". Hipólito sente-se um rei mago, em que mirales é o rei herodes, prometendo ao regressar a lisboa proteger sempre o menino se os pais tivessem de fugir das perseguições do rei novo, que ficara no Barroso a reinar.
Profile Image for Paulo.
8 reviews
July 31, 2015
Amazing road trip to a place that still exists but can´t never be found again.
Displaying 1 - 6 of 6 reviews

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