"Cerromaior é o nome do primeiro romance de Manuel da Fonseca, publicado em 1943. Cerromaior é o nome da (pequena) cidade onde decorre a acção do romance. Se bem que sendo uma cidade imaginária são notórias as semelhanças com a terra natal de Manuel da Fonseca, Santiago do Cacém. Aliás, o facto é referido pelo próprio logo no prefácio da obra «Cercado de cerros, que vão de roda em anfiteatro com o lugar do palco largamente aberto sobre a planície e o mar, o cerro de Santiago é de todos o mais alto. Daí o título: Cerromaior. Vila que me propus tratar...» À sua Santiago, Manuel da Fonseca apenas retirou a proximidade do mar. Assim, Cerromaior retrata-nos uma cidade cercada pelo campo e a realidade alentejana dos anos trinta e quarenta. São focadas todas as classes sociais: a família de latifundiários que dominam toda a cidade (os primos de Adriano, a figura central do romance); o herói Adriano, filho da burguesia local mas com problemas financeiros; o proletariado rural, objecto da exploração económica; o Doninha, figura típica de Cerromaior dominada pela loucura; a Guarda Nacional Republicana, aliada dos poderosos. A trama de Cerromaior gira em torno de Adriano, dividido entre as suas origens e a consciência que toma da verdade da sua terra, e que acaba por tomar a defesa dos mais desprotegidos. Literariamente, este romance descreve um círculo, sendo a cena inicial em que encontramos Adriano na prisão local o termo da trama."
MANUEL DA FONSECA nasceu em Santiago do Cacém, a 15 de Outubro de 1911. Tendo feito estudos secundários em Lisboa, deixou colaboração dispersa em revistas literárias (designadamente na Atlântico) e fez parte do grupo do "Novo Cancioneiro", com a publicação de Planície (1941). Poeta e ficcionista, estreou-se com o volume de poemas Rosa dos Ventos (1940), e os livros de contos Aldeia Nova (1942) e O Fogo e as Cinzas (1942). Entre os seus romances avultam Cerromaior (1943) e Seara do Vento (1958). Integrado de início na corrente neo-realista, enveredou depois por um regionalismo expresso simbolicamente através da vegetação castigada e das pessoas sem fortuna nem esperança. Foi condecorado pela Presidência da República com a Comenda da Ordem de Sant’Iago da Espada, em 1983. Faleceu em Lisboa, a 11 de Março de 1993.
The story of Cerromaior, the first and only novel by Manuel da Fonseca that was subject to prior censorship, begins before its publication in 1943 by Editorial Inquérito, with a cover by Manuel Ribeiro de Pavia. The newspaper O Diabo published two excerpts from the book in 1939 and 1940. This was no surprise: this was a central periodical of the neo-realist movement that had established itself throughout the 1930s in the youth and regional cultural press and that, around 1937, brought together intellectuals and artists around the Marxist and anti-fascist ideological and aesthetic-cultural horizon.
Do autor de «Seara de Vento» que é, provavelmente, a sua narrativa mais conhecida e estudada, «Cerromaior» é um romance rural de Manuel da Fonseca, onde várias temáticas são postas em confronto num Alentejo atrasado, conservador e onde estranhas pessoas, com vidas estranhas, deambulam pela aldeia que dá nome ao livro, e em outras que a rodeiam. Esta obra foi ainda alvo de uma adaptação cinematográfica, da autoria de Luís Filipe Rocha, estreada no ano de 1981, e que teve algum considerável sucesso. «Cerromaior» é a história de Adriano, um rapaz que vive na aldeia mas que ambiciona regressar a Lisboa para completar os seus estudos, coisa que os seus familiares e as suas obrigações patrimoniais o impedem de executar. E em Cerromaior conhecemos todo um rol de personagens que conhecem Adriano, ou trabalham para os seus primos, ou que simplesmente habitam o mesmo espaço que este moço, que deambula pelas ruas da aldeia desgostoso da sua vida. «Cerromaior» é também uma crítica política, tendo sido, por isso, um romance impiedosamente cortado pela Censura, e que o autor tentou reconstituir, na sua originalidade, nesta edição da Caminho. Uma obra interessante, com alguma chama literária e situações muito bem relatadas e escritas, mas que sabe a pouco. Mas felizmente ficamos com a memória viva destas personagens que, felizmente, estão muito bem e credivelmente construídas (não fosse este um romance neorrealista - aliás, Manuel da Fonseca é um dos nomes maiores desse género na literatura portuguesa), num ambiente tão tipicamente português, numa região do país que foi e continua a ser, de maneiras diferentes obviamente, vítima de certos atrasos que o progresso do resto da "Lusitânia" não consegue trazer para o Interior e para as zonas mais rurais...
(PT) Adriano, de 19 anos, quer seguir os estudos em Lisboa, mas a morte do pai e da mãe obriga-o a ficar em Cerromaior, no meio do Alentejo. No meio disto tudo, observa a vida no campo e vê a imprensa pobreza dos camponeses, a indiferença dos senhores da terra e a arbitrariedade de outros, perante certas situações.
Mesmo tendo Adriano como protagonista, o livro centra-se no quotidiano de Cerromaior, uma aldeia tão desinteressante como o resto da obra. Manuel da Fonseca acaba por bem conseguir retratar a vida quotidiana numa aldeia alentejana comum (ou, pelo menos, a sua visão pessimista da mesma), e, por vezes, até consegue captar o charme da vida numa aldeia pequena, tradicional e bastante comunitária que, para alguém a viver na cidade de Lisboa, onde Adriano tanto queria morar, certamente faz falta. Este "charme" é rapidamente interrompido, em várias partes da obra, por descrições de pobreza ou classes elevadas socialmente negligentes, assim como membros da polícia que têm um gosto por abusos de poder. Estas descrições e críticas são o ponto mais alto do livro; é pena as virtudes resumirem-se a isso.
A personagem Adriano é sumamente desinteressante, tendo poucas qualidades que realmente me fizessem preocupar pelo protagonista - este é um problema recorrente por todo o livro. A história em si não tem muito que se lhe diga: no fundo, Adriano é um adolescente aborrecido, frustrado com a sua situação, excitado, que eventualmente vai tendo algumas ideias alteradas mas cuja história nunca serve para captar a atenção do leitor. Um ponto positivo do livro é que não se foca apenas nesta personagem, tendo desenvolvido a história de algumas outras, todas na sua situação particularmente precária que requeria algum tipo de desfecho. Infelizmente, repito: os problemas com a personagem Adriano eram recorrentes por todo o livro.
Compreendo que o livro tenha sido bom como retrato de uma aldeia negligenciada na época do Estado Novo, que isto tenha o seu apelo em si, e que seja por isso que tenha sido censurado. Apenas não considero este ponto como forte o suficiente para recomendar o livro, até porque nem o estilo de escrita do Manuel da Fonseca tem qualquer característica fora do normal. Realmente, foi uma pena ter sido censurado, porque foi uma pena a censura ter existido, mas quem não leu não perdeu muito.
Adriano serpa, jovem de 19 anos, morrem os pais, e fica cheio de dívidas a viver com avó e irmã Júlia, na vila de Cerromaior (que na realidade será Santiago cacém). Na primeira cena aparece na prisão, local onde assiste à morte de Doninha, um antigo carteiro que endoidecera. O livro é contar o ano que fez com que ele ali chegasse, e é a monotonia da vilória, e as atitudes dos seus primos os Runas (Carlos e Álvaro) que são os que administram a sua herdade Casa Vã, até ele atingir a maioridade. história dos ganhões explorados da terra - O maltês, Tóino Revel, o , a Bia Rosa, a Inácia, o Valmansinho. os amores com uma quarentona casada mas ainda apetitosa, D Céu e o não namoro com a prima Lena. Carlos Runa é o pior de todos e numa Pândega mata uma cadela caçadora de um caçador só porque este lha não vende. Perante os comentários do maltês, despede este e o Tóino. Estes acabam por se querer vingar, o Runa parece e leva uma cacetada. quando a guarda prende o maltês, adriano dá uma cacetada no polícia e permite a fuga do maltês. É por isso que está preso.