Relato do pós-25 de Abril. Documento histórico editado poucos dias depois do golpe de estado de 25 de Abril. 1ª edição - editada a 5 de Maio de 1974 2ª edição (revista e aumentada) - editada a 16 de Maio de 1974
É difícil achar um livro que fale sobre história e que não sinta que estou a fazer um tpc ao lê-lo, mas este livro conseguiu superar as expectativas. Não só tem documentos bastante importantes do MFA, mas mostra mesmo o que o público via na altura nos rádios, jornais e nas suas televisões. Não só isso, mas também como a comunidade internacional reagiu e como o processo de independência de outros países sucedeu. É um livro bastante importante e adorei as fotografias.
Como documento histórico organizado logo após o 25 Abril é fascinante. Mostra a incerteza acerca dos dias que se seguiram de uma maneira que descrições atuais não conseguem.
Há um certo tom contagiante de esperança por um país melhor e de desdém pela ditadura que os autores dão ao documento.
Descobri este livro em casa dos meus pais, de resto, só é adquirível em antiquários ou nalgum leilão online. Foi escrito logo a seguir à revolução. A 1ª edição data de 5 de maio de 1974; a 2ª edição, revista e aumentada (a que li), de 16 de maio, saiu depois de ter sido anunciada a constituição do I Governo Provisório. Foi coordenado pelos jornalistas Afonso Praça, Albertino Antunes, António Amorim, Cesário Borga e Fernando Cascais.
Apesar de, à altura da revolução, eu ainda não ter completado os 9 anos, é incrível como este documento me avivou a memória. Lembro-me de muito mais do que imaginava e foi muito interessante, às vezes até emocionante, ver de repente imagens a passarem-me diante dos olhos, vivências a tornarem-se atuais, como se não existissem quase quatro décadas a separá-las de mim.
Sensibilizou-me alguma ingenuidade. Tendemos a limitar o júbilo da revolução à liberdade adquirida, mas havia igualmente uma crença muito grande num país melhor, mais justo, em que ninguém passasse necessidades, nem fosse obrigado a emigrar, um aspeto que atualmente se torna muito significativo.
Há passagens que são verdadeiras pérolas. Transcrevo duas (para não me alongar):
«[Mário Soares] afirmou que, no esquema do socialismo democrático, ninguém se poderia considerar mais à esquerda do que o Partido Socialista, pelo que a chamada Esquerda Socialista também teria nele o seu lugar, de modo a fazer dele um partido forte, capaz de equilibrar forças com o Partido Comunista (…) Em resumo, considerou que existem três grandes forças com expressão política – os centristas, os socialistas e os comunistas».
Nota: centrista era, por exemplo, o PPD. Naquela altura, ainda não se falava em partidos de direita, conotada com o fascismo.
«O grupo constituído, entre outros, por Diogo Freitas do Amaral e Alberto Xavier, de que falámos no número anterior, continua em intensa actividade, de colaboração com Veiga Simão. Parece terem preparado em conjunto um “Programa de Governo” de 15 extensas páginas. Se é embrião de partido ou não, continua sem se saber, até porque eles preferem manter-nos confusos».
Um importante documento histórico, do qual sempre me lembro de ter em minha casa desde há muitos anos. Interessante, por tem sido produzido em cima do acontecimento, apenas uns dias depois da revolução. A segunda edição tem alguns acrescentos que a valorizam face à primeira. Devido à proximidade ao dia da revolução, alguns acontecimentos já indiciadores do Processo revolucionário em Curso são referidos de modo não muito pormenorizado, mas que tenta mostrar de modo geral os primeiros focos de mudança na sociedade à procura da democracia. Em suma, um bom livro, e um documento histórico importante.
Documento muito completo sobre a revolução de 25 de Abril de 1974, os seus antecedentes, os movimentos políticos e sindicatos que apareceram, a questão da censura nos jornais, a questão do colonialismo e o primeiro Governo Provisório. Contém também documentos e transcrições importantes.