Plano Nacional de Leitura Livro recomendado para a Formação de Adultos, como sugestão de leitura. Amílcar Cabral nasceu em Bafatá, Guiné-Bissau em 1924 e morreu em Conacri em 1973. A partir dos oito anos de idade viveu em Cabo Verde onde fez os estudo
Recomendo este livro, especificamente porque compila discursos e documentos com as palavras do Amílcar Cabral. Não é um recontar por de terceiros, mas sim um livro que nos guia, inevitavelmente, a pensamentos próprios sobre as visões de alguém que deu a vida contra o colonialismo e o imperialismo.
“Vendo-vos” este livro, mas acima de tudo a figura de um homem, aquele que sabia que um país, em 1960, com 40% de analfabetos não tinha legitimidade para afirmar “vocês precisam que vos eduquem”. A ideia racista de “assimilação” foi combatida todos os dias por Amílcar, um defensor da cultura e da educação, sem deixar de admitir, de forma realista, que não se combate o opressor com paz. Nas suas palavras: “a nossa resistência armada é também uma expressão da nossa resistência cultural […] embora sejamos homens como todos os homens, ligados profundamente à humanidade, o nosso destino está primeiro ligado à África”.
Amílcar, na clandestinidade, lutou pela independência da Guiné e de Cabo Verde, sendo assassinado mais tarde. Era deveras inteligente; em discursos, explicava de forma simples o puzzle ocidental e o seu imperialismo, como a abolição formal da escravatura foi uma jogada estratégica na corrida do poder entre os países brancos: a Inglaterra tinha de agir, de forma a impedir o avanço do desenvolvimento da América, que lucrava incessantemente com a mão-de-obra escravizada.
Era um anticapitalista, crente numa solução socialista e focado na “ação recíproca entre a cultura e a luta”.