Jim Starlin é o criador do Thanos, o vilão que ganhou maior notoriedade por causa dos mais recentes filmes do universo Marvel. Então a força de Starlin no universo da Marvel está realmente em aperfeiçoar muito daquela "psicodelia espacial", aprimorando e levando a novos níveis o que havia sido feito na década de 60.
A série do Dreadstar saiu no início dos anos 80, portanto quase 10 anos antes da Guerra Infinita que cunhou na criação do Thanos. Muitos dos temas levados para os super-heróis já apareceram nessa obra, uma Space Opera de enredo cativante, protagonizada por personagens multidimensionais e parábolas pertinentes para nosso mundo capitalista, belicoso e preconceituoso.
O cerne de Dreadstar gira em torno de uma guerra mantida pelas duas maiores potências conhecidas do universo, mas não para dar vitória a um lado, e sim para manter o status quo das classes dominante, que se tornam cada vez mais milionárias. E isso ocorre em ambos os lados. Os planetas mais periféricos e de populações mais vulneráveis e empobrecidas que acabam pagando o preço. Mortes, genocídios e a destruição de planetas inteiros. Dá para ver muita similaridade com Star Wars, mas com essa dualidade política melhor empregada, mais próxima da série clássica de Star Trek.
Dreadstar foi escrito e desenhado por Jim Starlin para o selo Marvel Epic, que tinha a intenção de trazer quadrinhos com temáticas mais adultas. Uma espécie de concorrente do selo Vertigo, da DC (que acabou produzindo obras bem mais impressionantes no geral). Nesse caso aqui, não deixa nada a desejar para a qualidade do que vimos em Vertigo. Eu ainda sou certamente mais maravilhado com Sandman e Monstro do Pântano, por exemplo, mas acho que Dreadstar possui um ritmo de leitura mais cativante. É uma leitura muito gostosa para se fazer nos finais de semana. Estou pronto para ler os outros 2 volumes do omnibus.
Nesse volume 1, temos duas séries prequels de Dreadstar, mas que foram feitas depois pelo Jim Starlin. Por mais que elas contem realmente a origem da coisa toda, TALVEZ seja mais interessante começar direto pela série clássica do Dreadstar, e voltar para ler as prequels. Eu não fiz assim, mas talvez tivesse apreciado mais.