Em um edifício onde é proibida a presença de animais, Pai Diogo, um dia, leva um leitão vivo para seu apartamento. O plano é engordá-lo o suficiente para, no carnaval, a familia se empanturrar de carne de porco. Em meio a diversas tramas e planos para encondê-lo do restante dos moradores e do administrador, Zeca e Ruca, filhos de Diogo acabam afeiçoando-se ao animal e farão de tudo para impedir o trágico destino que o espera. Uma bela e tocante história de como uma amizade entre duas crianças e um porco pode mudar a vida de tanta gente.
Poeta, contista, ensaísta, crítico literário, Manuel Rui Alves Monteiro nasceu a 4 de novembro de 1941, em Nova Lisboa, Angola. Desde cedo se envolveu política e emocionalmente com a causa do seu povo.Vem para Portugal fazer os seus estudos universitários onde fica durante alguns anos, dedicando-se à sua profissão (advocacia) e à luta pelos seus ideais, que eram os mesmos do povo angolano, que há muito tinham despertado e cada vez mais se intensificavam.Manuel Rui permanece em Portugal até à Independência de Angola, optando depois por regressar ao seu país natal e levar em frente as suas intenções de continuar uma luta por uma Angola livre. Tal como este escritor, muitos outros da sua época, e outros ainda que se lhe seguiram, tinham em mãos a nobre tarefa de dar voz aos angolanos, falar - através da literatura, a sua melhor forma de manifestação - da nova forma de ser angolano. A explosão cultural que Angola passou a viver logo após a Independência propicia o aparecimento de uma vaga de novos escritores, novas vozes de toda uma "jovem" cultura angolana que se vai, então, manifestar nas suas mais diversas formas. Manuel Rui é uma dessas "novas" vozes que, através da literatura, tenta contribuir para a afirmação de uma cultura de raiz verdadeiramente angolana. A sua expressão assenta, sobretudo, no uso de expressões e vocábulos surgidos na dinâmica da guerra. É uma literatura marcada pelos anos de luta armada, de reivindicação por uma independência, por uma voz própria. Como tal, o seu conteúdo, a sua temática, as suas preocupações são as de falar e dar vida à expressão nova de um povo recentemente libertado.
Quem me dera ser onda e correr mundo e mares e rebolar na areia transformada em espuma e esquecer que o mundo é dos adultos...
O tom sensível de “Quem me dera ser onda” é exclusivo das crianças para quem Carnaval da Vitória não é apenas um porco que o pai trouxe para casa para engordar, matar, comer.
Carnaval da Vitória é amor desinteressado.
Carnaval da Vitória é a inocência perdida de um país.
Stufo di mangiare solo pesce Diogo decide di allevare un maiale al settimo piano del condominio dove risiede. Non saranno solo le consuete regole di convivenza a rendere tutto difficile ma la società stessa. La storia, difatti, si svolge nell'Angola post- coloniale e comunista dove tutto è soffocato dal rigido pensiero burocratico che vive di slogan preconfezionati.
Quello di Diogo è dunque un atto ribelle contro il "pescefrittismo". Il governo non riesce a far decollare l'economia e il popolo ne risente soprattutto a tavola dove manca tutto tranne il pesce. Dogo vuole la carne e si ribella ad ogni "ismo" imposto come dogma.
Sono gli occhi dei bambini di Zeca e Ruca- figli di Diogo- che vedranno le cose in modo diverso. Nati e cresciuti nel regime si esprimono con quel linguaggio militante con cui stati allevati ma che stride col loro essere sempre bambini.
I sogni di Diogo sono semplici: che un giorno la vita sia libera dai coltellacci e dalle catene; libera come quella schiuma bianca che increspa il mare e che fa dire "magari fossi un'onda".
Lo scrittore angolano Manuel Rui, pur aderendo agli ideali rivoluzionari, se ne distacca per sottolinearne le contraddizioni. Quelle evidenti discrepanze tra gli idealismi importati da occidente e la realtà del suolo africano. Racconto breve che meriterebbe più attenzione da parte dei lettori.
Um livro muito delicioso de ler! Narra a história de um pai de família que decide criar um porco no apartamento. Seus filhos Zeca e Ruca se afeiçoam ao bicho e fazem tudo para impedir sua morte. É uma história simples que retrata um amor desinteressado. Uma amizade entre duas crianças e um porco. Cheio de humor e boa disposição. Com uma linguagem simples, também demonstra a luta para a liberdade do povo angolano.
Por extenso e respeitável que seja o currículo de Manuel Rui, nada neste livro me motiva a querer voltar ao autor. Entendo um certo fascínio pela metáfora,pela mensagem pungente e agridoce,mas comigo,da linguagem ao enredo, infelizmente,não resulta.
Efficace parodia della società angolana comunista dove i puri ideali si scontrano con le mancanze degli individui. Che siano corrotti, guidati da cieco zelo o legati dai bisogni materiali creano nella società inevitabili storture. Le speranze per il futuro risiedono negli occhi dei bambini e il loro sguardo nuovo ancora capace di immaginare una realtà alternativa.
Uma história aparentemente simples, quase infantil, mas que aborda temas sérios presentes na sociedade angolana, após a independência: as consequências da guerra, a condição humana, as classes sociais, a corrupção, os preconceitos e a liberdade.
Gostei bastante, eu adoro a maneira como os autores angolanos e brasileiros escrevem sobre as crianças e as suas aventuras . É um livro bastante engrançado e recomendo a quem quiser uma leitura rápida e divertida .
A comoção foi tão forte que me transportou à minha infância. A figura do pai mais autoritária e completamente cega aos sentimentos dos filhos, que acabaram por criar um vínculo com Carnaval da Vitória (a forma de se chegar a este nome, para mim, foi perfeita), a postura de um militar em casa… foi-me familiar. Vários foram os momentos em que desejei estar noutro lado, ser outra coisa. Faltou-me, talvez, a força de uma onda para ser escutado.
Posto isto… só leiam! É delicioso, a escrita é de fácil leitura e perfeita para uma tarde. Levantou-me várias questões, no entanto, a conclusão que tirei em grande parte delas foi a mesma: que nunca estamos bem. No fundo, seremos sempre pessoas a lidar com outras pessoas. O que tem de complicado também tem de bonito e necessário ♥️
Una piccola casa editrice specializzata in opere di varia lusofonia. Come posso restare indifferente? (domanda più che retorica, quasi ironica per non dire auto-sarcastica).
Nell'Angola comunista di fine anni 70 o forse primi anni 80, insomma subito dopo l'indipendenza da Lisboa. Un uomo porta a casa un maiale, con l'ovvia intenzione di allevarlo e mangiarlo per la festa nazionale dell'indipendenza, a Carnevale. Il tutto evidentemente in maniera clandestina, cercando di eludere la sorveglianza del compagno Faustino e degli altri funzionari di partito. Peccato però che i suoi bambini si affezionino alla bestiola e vogliano evitargli il crudele destino di vettovaglia... Come in altri romanzi e racconti che castigant ridendo ogni socialismo reale, l'autore si diverte con le burocrazie e le "mitologie" di ogni comunismo, dal Maestro e Margherita in avanti. Come si dice in quarta, si può sorridere delle tragedie della storia, senza rinunciare per questo a denunciarne gli orrori.
Um livro que se lê num ápice. Conta a história de pai Diogo que leva um porco para o sétimo andar de um apartamento com o intuito de o engordar para posteriormente o matar e comê-lo. No entanto, os filhos afeiçoam-se ao porco e fazem de tudo para impedir o pai de concretizar o seu objectivo. É um conto simples que retrata o amor das crianças pelo seu amigo porco ao mesmo tempo que retrata a sociedade angolana nos a seguir à independência. Delicioso.
Um livro leve e suave como as ondas do mar. Fez-me relembrar a leveza que é ser criança e a forma simples como estas olham para o mundo e para as coisas. Nós adultos, por outro lado, complicamos demais e tendemos a olhar mais para a satisfação das nossas necessidades…mais do que olhamos para o nosso coração. Suave foi também a forma como, num livro como este, o autor deixou um retrato da sociedade angolana. Recomendo para uma leitura sem pressões.
é uma história muito simples e muito querida. é um livro que gostei mas que não me comoveu. mas é uma leitura muito rápida e fofinha ehehe! quem me dera mesmo ser onda <3
Quem me dera ser onda é uma novela deliciosa. Conta as peripécias de uma família angolana que, farta da mesma comida, resolve criar um porco no apartamento para poder usufruir da sua carne por altura do carnaval. E esse fica o nome do porco, Carnaval.
A história é por si só engraçada e mais se torna pela escrita de Manuel Rui. Toda a narrativa está escrita em "português angolano", lê-se como se estivéssemos a ouvir. Uma delícia! Os diálogos são alegres e cheios de ritmo, ritmo africano.
Dou-vos um pequeno exemplo:
"A dona virou os olhos para o leitão. Magicava nessa duvida. Como era possível criar assim um porco num sétimo andar? Prédio tudo de gentes escriturária, secretária. Funcionários de ministérios. Um assessor popular, e até um seguras num carro com duas antenas, fora os militantes do Partido?
- Isto ainda vai dar uma maka com o Instituto de Habitação? "
É uma novela que se lê num instante e que nos anima num prazer gostoso de espreitarmos a cultura angolana e de "ouvirmos" a história do porco Carnaval.
Num prédio onde é proibido ter animais, o pai Diogo leva um leitão vivo para o seu apartamento no sétimo andar, com o objectivo de o engordar até ao Carnaval, para depois o matar. No entanto, os dois filhos, Zeca e Ruca, afeiçoam-se ao porco e começam a fazer planos para evitar a morte do Carnaval da Vitória (nome do porco). Este é um pequeno mas grande livro. Uma história aparentemente simples e até infantil, com cenas bem divertidas mas que nos desvenda muito. Um livro cheio de metáforas que representam as várias classes e os problemas sociais e políticos, tudo apresentado numa linguagem simples mas típica angolana, valendo-nos as várias notas de rodapé. A forma magistral como cada personagem representa ideais diferentes e que caracterizam a sociedade angolana. O amor desinteressado das crianças. A ingenuidade. A liberdade... Não vou desvendar mais nada do livro mas que vos peço que lhe dêem uma oportunidade. Um livro que, assim que o terminei, tive vontade de o voltar a ler.
quem me dera... avere finalmente un'africa raccontata che non è solo magia, viaggio esotico, animali strani o storie di pirati. è città, suburbio, pochezze, la vitalità di due bimbi e la storia di un maiale che è cibo, simbolo politico, animale da compagnia.
Ignorando as normas do condomínio, Diogo dispõem-se a criar um porco no seu apartamento, um sétimo andar de um prédio no centro de Luanda. O propósito é simples: cevá-lo bem para depois o transformar em fêveras, costeletas e afins e, dessa forma, poder fintar a inevitabilidade de comer peixe frito todos os dias. Empolgados com a ideia, Zeca e Ruca, os filhos de Diogo, começam por baptizar o porco com o surpreendente nome de “Carnaval da Vitória” (data prevista para passar o porco a torresmos), mas rapidamente mudam de ideias, encontrando nele uma inesperada fonte de descobertas e aventuras e a mola propulsora de uma popularidade crescente entre os seus colegas. Diogo, porém, não esquece o festim carnavalesco que se avizinha, no pressuposto de que porco é porco. Dessa forma, as crianças vão ter de se mobilizar com vista a impedir que o seu mais novo amigo vá parar à mesa de refeições.
Verdadeiro marco da literatura angolana contemporânea pós-Independência, “Quem Me Dera Ser Onda” espraia-se por terrenos da sátira política, do humor e da ironia, dando a ver as instituições sociais, as organizações, as pessoas e os costumes que, no seu todo, ajudam a compor uma sociedade angolana profundamente dividida e a viver os efeitos de uma guerra civil que se prolongou por vinte e sete anos, deixando um legado de dor, carências, angústias e corrupção. Comprometido com a crítica e as reformas sociais, mas sem descurar jamais a ideia de uma certa utopia libertária, Manuel Rui explora a vasta gama de comportamentos sociais, profissionais, familiares e políticos, ao encontro da chamada pequena-burguesia urbana onde pontifica uma vasta panóplia de “camaradas”, do burocrata ao carreirista político, do pseudo-intelectual ao operário alienado.
Caminhando ao lado de outros grandes nomes da literatura angolana, como António Jacinto, Luandino Vieira, Pepetela, José Eduardo Agualusa ou Ondjaki, Manuel Rui traz-nos esta história muito simples mas imensamente bela, fundada nos mais nobres ideais da amizade e da solidariedade. Desta forma, a narrativa toma um cariz chaplinesco, o leitor forçado a rir das situações mais inesperadas mas, ao mesmo tempo, incapaz de não chorar. Entre “fenelás” e “ó-dê-pês”, “karcamanos” e “embambas”, “berenguéis simonescos” e “ramalhos eanes”, “Quem Me Dera Ser Onda” traz com ele a denúncia dos sistemas ineficazes, dos inconcebíveis autoristarismos ou das terminologias desadequadas, mas não esquece a alegria e a inocência das crianças, nas quais toda a esperança se encontra depositada. Delas é o futuro de um mundo que se quer renovado e justo, poder-se-á concluir.
Na minha opinião é um livro bastante interessante por várias razões. Primeiro, a escolha do título é surpreendente, pois durante toda a narrativa parece não fazer sentido e só no final da história é que é justificado. Em segundo lugar, somos remetidos para a ideia de que esta poderá ser uma história infantil, quando na realidade é muito mais do que isso. É uma crítica à sociedade angolana, à forma excessiva da utilização de poder, ao sistema educativo e às condições precárias em que as pessoas vivem. O livro está escrito com recurso frequente ao humor, o que torna a sua leitura muito agradável.
O pai Diogo, a Mãe Lolita, os filhos, Ruca e o Zeca. Tal como, os outros personagens refletem e caracterização o povo angolano. O calão caracterisco de Luanda estava presente durante toda obra, o que torna ainda mais rica a narrativa. Angolano mente fácil, mesmo com pouco faz a festa e prefere não pensar no dia de amanhã, reclama da sua realidade consistentemente. O pai angolano faz tudo pela sua família, respeita a sua esposa e os seus filhos. A mãe angolana é piedosa, ama e dedica-se a família. Vive dividida entre os filhos e o marido
Uma crítica voraz à corrupção e às deturpações que os homens tão facilmente cometem em nome de alguns ideais político-sociais. Ideais esses que só se mantêm puros através do olhar e dos corações das crianças.
- Vocês não gostavam de ser onda? - Deve ser bom. Assim por cima da água nem é preciso saber nadar. Quem me dera ser onda! - o Beto abria os braços. - Mas, Ruca - considerou Zeca -, não se pode ser onda. Ainda se uma pessoa fosse entrava com essa força do mar onde a gente queria. Onda ninguém amarra com corda.
"-- Desculpe camarada Nazário, mas suíno é com ésse, disciplina é antes de vigilância e antes da luta continua tem de pôr pelo Poder Popular e no fim acaba ano da criação da Assembleia do Povo e Congresso Extraordinário do Partido!"
"(...) Diogo ligou no rádio, pegou o auscultador pequenino na outra extremidade, meteu na orelha do porco colando seis tiras de adesivo como se fosse um penso. "Carnaval da vitória" permaneceu como que anestesiado. -- Conquistas da revolução! -- rejubilou Diogo de braços abertos. -- Estás politizado! Isto é que a comissão de moradores devia ver."
Uma história divertida sobre uma família que decide criar um porco no seu lar, ultrapassando as proibições da comunidade. O porco passa a ser tratado como animal de estimação pelas crianças. Um relato encantador para jovens e menos jovens. Como vemos e tratamos os nossos animais? Assunto para refletir.
É impossivel ler este livro e nao se apaixonar por todas as personagens, principalmente os dois irmãos que nao querem que Carnaval da Vitória, que é um porco, seja comido na Páscoa. Este livro é um retrato humanista da sociedade angolana, pós -guerra e pós -independência, muitas vezes hilariante e outras simplesmente realista. Adorei.
Um livro espetacular, uma escrita doce e muito engraçada. O relato, com identidade cultura angolana, de um pai que leva um porco para o apartamento, onde não é permitido. Os filhos acabam criando laços afectivos com o animal, que para o pai era apenas para servir de carne num futuro breve...
Uma história brilhante, onde destaco a inocência e o amor das crianças...