O incrível livro no qual o prefácio dá uma surra nos poemas, é realmente impressionante a diferença na qualidade (ao menos pra mim). Essa introdução é quase como um manifesto modernista por si só, com o grato adendo da posição pessoal do autor em meio a todo o contexto artístico, político e editorial em que se vê. Me agradou muito que ele não tenha criticado só aos seus desafetos, mas também aos seus amigos e a si mesmo, assim como o auto-elogio: o poema introdutório que Andrade dedica a si mesmo, se chama de Mestre e se agradece por tudo, é muito difícil conseguir sustentar algo assim sem que soe narcisista e Andrade o escreve dando gosto de se ler, com uma ironia que funciona muito bem. Essa autocrítica dá o tom para a quebra de um decoro gasto que engessa a arte, personificado nas Senectudes Tremulinas. Gosto também de como a nova arte é assumida na sua essência incerta, desvairada e errante, num experimentalismo eufórico e um tanto carente de consistência. O título Ode ao burguês, dito rápido, é um poema escrito com uma reórica do ódio. Esse e Anhangabaú, somente, são os que gostei do volume todo, mas não posso dizer que desgostei da leitura, foi uma experiência interessante, um pouco mais narrativa do que poética, eu diria... me incomodou um tanto o excesso de pontuação, principalmente das reticências, mas acho que foi uma escolha para a constiruição dessa escrita mais narrativa e, talvez mais oralizada, propositada para a leitura dramática, dada a grande quantidade de diálogos. Talvez um dia faça essa releitura em voz alta.