Este livro é um passeio pela Antiguidade, seguindo um itinerário subjectivo e livre de qualquer constrangimento. Portanto, não é um trabalho de investigação, nem um ensaio académico. O objectivo deste passeio: procurar junto dos Antigos as regras de vida e de pensamento que nos fazem falta. Não se trata de perguntar a Sócrates para que lado devemos dormir, nem a Epicuro o que devemos comer de manhã, nem a Séneca como gerir as economias. Proponho-me, em vez disso, abordar algumas experiências de existência e de pensamento, centrais para os gregos e os romanos. Cada um de nós, hoje em dia, se poderá inspirar nelas para elaborar o seu trajecto pessoal. Uma vez que as mutações em curso tendem a fazer esquecer as humanidades, os encontros com a humanidade antiga deverão multiplicar-se. Pois estes périplos pelo passado condicionam, em grande parte, o nosso futuro.
- Conceção da antiguidade como multicolorida e agitada, em contraste com a ideia romântica "simples e calma"; as reconstituições das cores dos frescos "mostram que o azul-ultramarino, os amarelos-vivos e os vermelhos garridos cobriam o mármore branco" (V. Brinkmann fez a análise a partir de luz ultravioleta); - Tempo: entre o séc.VIII a.c. e VI d.c.; - Consideração pelos palïoï - os antigos Egípcios - assim denominados por Platão, os guardiões da memória da humanidade (Re. Platão, Crítias); - Permanente reinvenção dos clássicos e da antiguidade: "é impossível escapar ao anacronismo"; - "Pensa-se como se vive" diz Demóstenes na "Segunda Olintíaca"; Cesare Pavese e o "ofício de viver"; - "(...) nunca se trata de considerar que a vida seja uma questão acabada (...) o destino mais do que cumprir, importa desafiar"; "aperfeiçoar a vida significa, em primeiro lugar, educar-se", um segundo tipo de aperfeiçoamento surge no seio da própria educação grea: a vida sem perturbações, serena e soberana". - Isócrates e o "Panegírico" (conceito a explorar); - Ref. a Homero int. "A nostalgia não é um sofrimento que suprime uma deslocação no espaço. É uma dor sucitada pela resistêrncia do tempo às nossas trajectórias."; imp. dos conflitos e do tempo. Imp. do mento e figura paterna, da passagem à vida adulta; Legitimação das origens dos conflitos dos Gregos; Homero foi continuamente imitado - as epopeias são um elemento estratégico de legitimação na criação das identidades nacionais (n.m.); - Ref. a Jordanés e a Ronsar; - Os Romanos refizeram a Grécia, mas à sua maneira; - Geórgicas de Vírgilio: elogio da vida campestre, evocação das estações e paisagens, guia para os agricultores; - "A versificação é um dos principais meios para conservar qualquer coisa na memória"; - Ataraxia: a = ausência + taraxos = problema, perturbação; Epicuro e a Carta a Meneceu: acalmar a tempestade da alma. - Apatia: ausência de pathos: emoções; - Demócrito e Epicuro têm semelhanças; "não há nada no mundo (...) senão os átomoso e o vazio." - Epicuro e o carpe diem; não sofrer; "(...) nos ancoremos ao tempo presente"; - Zenão de Cício; origem do estoicismo: stoa = pórtico e poïkilè = pintado; invenção de palavras novas; ponto de partida: vontade; importância da relativização: as circunstâncias são imprevisivéis. - Diógenes de Sinope e os cínicos: "Não sou nem ateniense nem grego, mas sim um cidadão do mundo.") a afirmar, "Sou uma criatura do mundo (cosmos), e não de um estado ou uma cidade (polis) particular", "apenas a natureza os podia tornar felizes."; vive como pensa,
Os autores com que fiquei com mais vontade de ler foram Diógenes e Demócrito.
- Pírron e o cepticismo como via para a libertação das perturbações; - "Aporia": uma situação desprovida de saída, um impasse; "aquilo que não tem solução não engendra tormentos e angústias; - "Neuter": o céptico fabrica uma almofada mental. Ela protege-o do mundo, dos outros e de si mesmo. - Modificar a sua vida é modificar o seu pensamento. Pensar de forma diferente é viver de forma diferente. - Heraclito e De rerum Natura: tudo flui "panta rheï"; "não te banharás duas vezes no mesmo rio" - "Logos" - palavra e razão; - Demócrito: Átomos: o que é impossível de cortar, indivisivél; "a realidade encontra-se desprovida de sentido (...) os homens existem sem motivo, a sua vida é um acidente "saíram da terra, como pequenos vermes, sem nenhum autor nem nenhuma razão. Por outro lado, interessa-se por tudo e tem uma grande fome de saber, o desejo de tudo observar, de tudo ter econtrado. Um polumathos: possui conhecimentos diversos e variados sobre todos os domínios das realidades física e humana. "as leis são uma má invenção e o sábio não deverá obedecer às leis, mas viver livremente." Hipócrates sobre Demócrito e o seu riso: "não é a loucura é o vigor excessivo da alma que se manifesta neste homem."; - Cícero, De oratore. - Platão, Fedro e Alegoria da caverna. - Aristóteles e as regras lógicas, categorias do pensamento, princípio da não contradição. Fundamentos da filosofia ocidental. - Sexto Empírico e o cepticismo. Os esboços pirrónicos; - Tragos: o canto do bode. - FALTA-ME LER: Os Persas, Electra, Filoctetes, As nuvens; Obra de Luciano de Samosata - Aristofanes e a demagogia; - Sócrates e a importância do trabalho manual, da habilidade manual. "Sem essa liberdade de reflectir, de criticar, de procurar qual a melhor vida e de se dedicar a ela, sem essa busca a que chamam "filosofia", nada vale a pena ser vivido". - "Aporia / Aporético": sem saída ; - Cícero e o discurso político; - Herodoto e a invenção da história: um dos primeiros etnólogos da cultura ocidental. - Tucídides e a história da batalha do Peloponeso; - Calano, Séneca e as formas de morrer;
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Ainda que não seja difícil de perceber, a linguagem utilizada no livro pelo autor é um pouco prolixa, não fosse Roger-Pol Droit um filósofo. Sendo assim, este é um livro que julgo que não será apreciado por toda a gente. No entanto, isso não significa que não seja um livro interessantíssi mo de se ler. Quando o escreveu, Droit pretendeu fazer uma breve reflexão sobre as razões por que se foi deixando de estudar os autores clássicos, gregos e romanos, nos tempos mais recentes. Surge então uma súmula dos principais "ensinamentos" que podemos retirar dos textos desses autores e que, sem sombra de dúvida, ao longo dos tempos, cimentaram um dos mais importantes pilares da chamada cultura ocidental, o da matriz greco-romana.
Depois de ter lido este livro, posso afirmar que me sinto enriquecido do ponto de vista cultural, pois aqui me foi dado a conhecer a filosofia, a tragédia, a comédia, no fundo, a mundividência clássicas, as quais não deixaram de me surpreender. Gostei de ler e recomendo o livro a todos os que gostarem destes temas!
Este livro deveria servir de material didático para estudantes do ensino público brasileiro de tão bem escrito e simplificado, sem ser reducionista. Aborda os grandes filósofos e pensadores da Antiguidade sem passar aquele ar de coisa velha e monótona. Sensacional!