Este livro pretende ser apenas uma achega para um «dossier» que o futuro, mais friamente, saberá completar. Com ele, apenas se deseja, sem ódios, mas clamado por aquela justiça que sempre nos foi sonegada, recordar ao povo português o capítulo doloroso de um tempo que importa não deixar repetir.
"Se um dos seus torcionários estivesse agora à sua mercê, que lhe fazia?
Nada. Lutámos sempre por ideais nobres, procurando sempre e agora a construção de uma sociedade justa, de uma sociedade mais humana, mais livre e mais igual. Nessa sociedade que nós desejamos construir não cabem ódios nem desejos de vingança. Para os meus carrascos, que a Justiça se encarregue deles, oferecendo-lhes os meios de defesa que eles nos negaram (Palma Inácio ao Jornal do Fundão, em 26-05-1974)".
O livro é de junho de 1974, e isso sente-se. Os testemunhos que compõem grande parte do livro são em muitos aspetos idênticos, mas é impossível habituarmo-nos, principalmente quando são escritos na primeira pessoa.
O livro está a servir para o estudo de um texto que ando a escrever. As descrições das torturas vão-me ser bastante úteis, mas gostava que o livro tivesse explorado mais a organização deste polícia, métodos de investigação, documentos que ainda hoje existem.
Não nos podemos esquecer que é um produto da época em que foi feito (1974), e que talvez por isso tenha sido menos "científico".