Definido por Tolstói como "escritor do futuro", chamado de "mestre" por ninguém menos que Tchekhov, apontado por Walter Benjamin como exemplo de narrador e considerado por Górki o mais autêntico dos escritores russos, Nikolai Leskov (1831-1895) e sua importante obra permaneceram, porém - talvez justamente por esta última característica -, menos conhecidos mundo afora do que seus pares. As sete histórias reunidas nesta coletânea, em esmerada tradução de Noé Oliveira Policarpo Polli, abarcam as principais facetas da produção do autor: o motivo natalino ("A fera"), a figura do justo ("O papão") e os contos desenvolvidos a partir de acontecimentos de sua época ("A sentinela") - todas profundamente enraizadas no solo russo, em suas tradições, linguagens e figuras humanas. Arrematando o volume - a primeira reunião de contos de Leskov lançada no país, juntamente com A fraude e outras histórias -, o leitor encontrará um alentado ensaio de autoria do tradutor, que, para além do recorte biográfico e interpretativo, versa sobre as peculiaridades do estilo leskoviano e os desafios de sua tradução.
also: Николай Лесков Nikolaj S. Leskow Nikolai Leskov Nikolai Lesskow Nikolaj Semënovič Leskov Nikolaĭ Semenovich Leskov Nikolai Ljeskow Н. С. Лѣсков-Стебницкий Микола Лєсков
Nikolai Semyonovich Leskov (Russian: Николай Семёнович Лесков; 16 February 1831 — 5 March 1895) was a Russian novelist, short story writer, playwright, and journalist who also wrote under the pseudonym M. Stebnitsky. Praised for his unique writing style and innovative experiments in form, and held in high esteem by Leo Tolstoy, Anton Chekhov and Maxim Gorky among others, Leskov is credited with creating a comprehensive picture of contemporary Russian society using mostly short literary forms. His major works include Lady Macbeth of Mtsensk (1865) (which was later made into an opera by Shostakovich), The Cathedral Clergy (1872), The Enchanted Wanderer (1873), and "The Tale of Cross-eyed Lefty from Tula and the Steel Flea" (1881).
Leskov was born at his parent's estate in Oryol Gubernia in 1831. He received his formal education at the Oryol Lyceum. In 1847 Leskov joined the Oryol criminal court office, later transferring to Kiev where he worked as a clerk, attended university lectures, mixed with local people, and took part in various student circles. In 1857 Leskov quit his job as a clerk and went to work for the private trading company Scott & Wilkins owned by Alexander Scott, his aunt's English husband. He spent several years traveling throughout Russia on company business. It was in these early years that Leskov learned local dialects and became keenly interested in the customs and ways of the different ethnic and regional groups of Russian peoples. His experiences during these travels provided him with material and inspiration for his future as a writer of fiction.
Leskov's literary career began in the early 1860s with the publication of his short story "The Extinguished Flame" (1862), and his novellas Musk-Ox (May 1863) and The Life of a Peasant Woman (September, 1863). His first novel No Way Out was published under the pseudonym M. Stebnitsky in 1864. From the mid 1860s to the mid 1880s Leskov published a wide range of works, including journalism, sketches, short stories, and novels. Leskov's major works, many of which continue to be published in modern versions, were written during this time. A number of his later works were banned because of their satirical treatment of the Russian Orthodox Church and its functionaries. In his last years Leskov suffered from angina pectoris and asthma. He died on 5 March 1895. He was interred in the Volkovo Cemetery in Saint Petersburg, in the section reserved for literary figures.
Ta drobna powieść oferuje spojrzenie w przeszłość i wgląd w stosunki panujące w carskiej Rosji około połowy XIX w. (...) Nie to mnie jednak zainteresowało w całej historii, lecz ukazany na jej marginesie stosunek Rosjan do Polaków. (...) U Rosjan - nie tylko wśród aparatu carskiego (w tym popów), ale i wśród prostych ludzi ("Nie wierz Polakowi!", "Polak człek niepewny" i podstępny s. 84) - widoczna jest wielka nieufność i niechęć wobec Polaków. "Przecież zniesławić nas leży w interesie jego ojczyzny". (s. 85) A więc wiedzą, że są ciemięzcami. I mam wrażenie, że także dlatego czują się od Polaka gorsi...(...)
Este é meu primeiro contato com Leskov, sendo que já conheço um pouco de literatura russa de outros mais conhecidos (como Tolstoi e Dostoievski). Mas é interessante perceber que esta coletânea de contos foi a situação que me senti mais perto das pessoas comuns. Me surpreendeu positivamente o conto "papão" que inclusive fala um pouco de velhas crendices do povo russo pre-ortodoxismo.
Basicamente todos os contos são casos provocados por confusões e diversos tipos de falhas de entendimento. Os contos são assim, relatos de algo que se passa, sem precisar guardar significado maior do que representar o que acontece e pode acontecer em meio à sociedade russa. Achei representativo o comentário do autor em um dos contos "e assim terminou a nossa triste história. Nela não há ideias que possam valer alguma coisa, e contei-a só pela sua natureza interessante."
Meu resumo em spoiler dos contos: A sentinela - Consequências inusitadas de salvar outrem O velho gênio - Como uma senhora enganada lutou para reaver seu dinheiro Homens interessantes - Confusões demasiadas por honra desmasiada. Expele diabo - Um dia ao lado de um rico esbanjador O artista dos topetes - O sofrimento dos servos na russia, cuja vida é a posse dos senhores A fera - Quando o urso é uma fera menor que o boiardo O papão - Julgamentos precipitados de pessoas preconceituosas
A sentinela Em "A sentinela" vemos um pequeno caso de confusões. Em que a mentira acaba sendo mais útil que a verdade para deixar todos satisfeitos. Não gostei das consequências para o soldado. E as justificativas com respeito ao que acontece com ele me soaram bem fracas. Mas, de modo geral, cômico.
O velho gênio Em "o genio" vemos um aproveitador trambiqueiro e depois as tentativas de, em meio à burocracia russa, fazer justiça. A necessidade de "dar um jeitinho " é latente aqui. Dando uma sensação de que o poder público não é lá de grande auxílio.
Expele diabo Não entendi bem o expele diabo. A história da mãe é comum, perder o dote e ser quase expulsa da família é consequência de seguir a própria vida O dia passado com o tio parece um ato de esbanjar dinheiro sem receio e sem motivo. Estaria ensinando alguma lição? Se sim, não captei.
O artista dos topetes "A vodca é um desgosto amargo, mas o veneno do desgosto é ainda mais amargo. " Um 'leve' incentivo ao alcoolismo para aguentar as tristezas. E é o que é esse conto, um compilado de tristezas do povo comum, que é visto como propriedade dos senhores.
A Fera Gostei em "A Fera" das várias mensagens ali. A fera é tanto o urso quanto o boiardo, e isso fica ainda mais evidente ao fim ao anunciar Ferapont como "amansador de feras". Ferapont consegue levar uma certa humanidade tanto ao urso quanto ao terrível senhor das terras. A parte inicial do conto é mais bruta, e é triste ver os maltratos aos animais. Ao mesmo tempo que vemos essa curiosa sociedade russa, onde a caça ao urso é vista com toda naturalidade. Depois, somos apresentados a um urso domesticado, e ele nos parece ser um animal tranquilo, mesmo evocando temores devido à sua força. Quando o urso é colocado a ser punido, e daí vem a maldosa punição ao seu treinador, chegamos no ponto mais triste da trama. No qual até as crianças ficam tristes e preocupadas. A ideia de rezar pelo urso deixa isso muito bem representado. Daí vamos acompanhar as punições. E, como esperado, as coisas não saem como planejado. O narrador nos diz no inicio que as coisas "sempre acontecem de tal modo". Então, é naturalmente imaginarmos aqui que tudo ocorrerá de modo diferente, e o é. Gostei particularmente do Cap 11, onde vemos de modo mais intenso o carinho entre o urso e o treinador e tal como alguns personagens, queremos desviar os olhos caso realmente tentem matar o urso. E depois, em uma trajetória heroica, o urso se desfaz um a um dos perigos. Não que tenha sido algo trivial para ele. O fechamento do conto o unifica como um conto natalino. Pois fornece o conceito de perdão. Claro que aqui ele está distorcido à realidade de servidão daquele período.
O papão Neste conto gostei particularmente do inicio, mostrando algumas credinces do povo russo pre-ortodoxismo. Mas a figura do "papão" foi bem interessante também. Enquanto vão descrevendo ele vou pensando continuamente que tudo ali parece simplesmente gente julgando demais sabendo de menos. Um quase linchamento comunitário sem motivação real, só baseado em boatos e achismos.
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Último russo do ano e uma feliz descoberta. Leskov tem se convertido em um potencial novo favorito pessoal em literatura russa. Menos lembrado do que os nomes mais correntes como Dostoiévski, Tolstói, Turgueniev e Tcheckov, Leskov se destaca por oferecer uma escrita que demonstra uma faceta menos arquetípica do povo russo e uma linguagem carregada de oralidade. Destaco os contos "O Artista dos Topetes" e "A Fera" como os pontos altos, mas nenhum dos contos aqui contidos é dispensável. Os ensaios apresentados pelo tradutor Noé Oliveira Policarpo Polli também elucidam o contexto em que os contos desta coletânea foram escritos, como também nos faz entender de maneira mais ampla o universo leskoviano. Uma grata surpresa.
Não à toa Nikolai Leskov é considerado o melhor narrador da literatura russa - e um dos melhores do mundo. Nestes contos, o autor aborda com singeleza plena, tal qual um contador de causos, temas profundos e instigantes, de modo bastante acessível e saboroso. Indiscutivelmente, uma obra esplêndida, de um escritor que mereceria mais destaque entre os gigantes das letras.
Tudo que os contos de Tchekhov têm de perfeição "inacabada", os de Leskov têm de vivacidade. É realmente uma pretensão muito única de "viver" o povo, sem necessariamente abordá-lo de uma forma idealizada como Turguêniev faz. As narrativas têm sua forte marca de oralidade e narração, não só com as falas dos personagens, mas com o próprio narrador, que parece quase ser alguém que conta uma história em uma roda em volta da fogueira: "Tal pessoa me contou que..." Disso provém o que eu acho que é uma experimentação bastante interessante no conto "O Artista dos Topetes", onde a voz da narração varia entre a do narrador e da ama de seu irmão, que de fato conta a (lindíssima) história.
Assim adentramos no folclore russo, nas narrativas profundamente morais e moralizantes, que tanto têm a ver com o próprio Leskov — apesar de crítico às elites dominantes e da servidão, tinha ideias de mudança social a partir das pequenas mudanças individuais e da bondade. É um universo de Bem e Mal, de compaixão, bondade e egoísmo, maldade...
É interessante que não haja uma ideia de que o povo é inerentemente bom. Ele é diverso e há os "justos", como são chamados por Leskov, mas há também a falta de compaixão, o egoísmo, a maldade pura e simples... O resultado é um universo rico, com causos e narrações que tocam o sobrenatural, que, por vezes, discorrem sobre ele e sempre se usam de sua estrutura, mas que, no caso dessa coletânea, nunca têm um elemento em si sobrenatural ou fantástico. Como o tradutor Noé Oliveira Policarpo Polli afirma no posfácio, é antes o improvável que acontece do que o impossível. O que seriam os elementos sobrenaturais e fantásticos nos tradicionais contos de natal são aqui, nos contos de sviátki (o período de natal, ano-novo e outras festas), os elementos imponderáveis das próprias pessoas, como o tio aprender a bondade no natal, no conto "A Fera", por exemplo.
É, enfim, essa riqueza profunda o que mais me atrai no Leskov. Há um mergulho em um universo frequentemente infantil, bastante particular e sempre ligado à forma da narrativa popular e/ou aos seus motes tradicionais, que mistura brilhantemente diversas linguagens e cria algo que é, de fato, distante para nós que vivemos em um mundo, como Benjamin coloca, apartado da tradição e da narrativa folclórica. Tendo isso em mente, é interessante pensar Leskov como alguém que acredita que os mais pobres são oprimidos, mas não acredita em uma mudança sistêmica, vendo que o povo não tem condições ou vontade dessa mudança. Ele é, assim, afeito às mudanças sociais (graduais e a partir das mudanças individuais e da caridade, sim), mas não a uma ideia de progresso tão discutida e, por vezes, "na moda" nessa época. É uma manutenção de uma tradição popular e o mundo carregado e criado por ela.
Os contos que mais me marcaram foram "A Sentinela", pela compaixão e singeleza da narrativa; "O Artista dos Topetes", pela interessantíssima narração e pela história triste e belíssima, e "O Papão", pela capacidade de criar tão bem a ambientação do vilarejo e da narrativa de terror com um desfecho tão simples e moral — não julgar os outros sem saber —, mas a partir de algo que é, na verdade, mais complexo — não podemos confiar nem nos nossos próprios olhos (a mulher morta na floresta), pois eles nos enganam se não estivermos constantemente prezando pela compaixão e pela bondade.
Рассказ “Интересные мужчины” – любопытен по содержанию и сложен при непосредственном чтении. Лучше с ним удаётся ознакомиться через сторонние источники, на свой лад излагающие содержание. Дабы далеко не ходить, достаточно повторить вслед за другими, призвав читателя на несколько мгновений отложить знакомство с Лесковым, чтобы переключиться на Куприна. Получается подобие басни: кто-то когда-то сложил удачный сюжет, а потомки повторили, рассказав о том же, только приятнее для восприятия. Схожая ситуация и с рассказом “Интересные мужчины”.
Não foi por acaso que Walter Benjamin homenageia Leskov em seu famoso ensaio "O narrador." Leskov guarda o jeito simples e instigante de se contar uma boa história. Permeando o discurso de "mistério" e "o fato aconteceu de verdade", embarcamos em contos que falam muito sobre o que é ser humano. Destaque para "O papão."