Primeira peça teatral escrita por Ariano Suassuna, a tragédia "Uma Mulher Vestida de Sol", de 1947, apresenta como temas centrais o conflito pela delimitação de terras, a questão da palavra de honra e o amor impossibilitado pela luta entre clãs. Já nessa primeira incursão pela dramaturgia, o autor deixa bastante claras as influências recebidas do Romanceiro Popular Nordestino, bem como do teatro espanhol, de Calderón a García Lorca, e da tragédia elisabetana, sobretudo com a inclusão de dois personagens risíveis ? o juiz e o delegado ? que proporcionam instantes de leveza à atmosfera predominantemente pesada da peça. O texto original, reescrito em 1958, teve sua primeira edição apenas em 1964. Depois da adaptação assinada pelo próprio autor para uma versão televisiva, levada ao ar em 1994 pela Rede Globo, novas alterações foram feitas. A partir daí, o texto foi finalmente liberado para as edições que vêm se sucedendo até os nossos dias, demonstrando a sua alta voltagem poética e o poder de encantamento que tem exercido sobre os leitores.
Ariano Suassuna (born João Pessoa, 1927) is a Brazilian playwright and author. He is in the "Movemento Amorial". He founded the Student Theater at Federal University of Pernambuco. Four of his plays have been filmed and he is considered one of Brazil's greatest living playwrights. He is also an important regional writer doing various novels set in the Northeast of Brazil. He received an honorary doctorate at a ceremony performed at a circus. He is the author of, among other works, the "Auto da Compadecida" and "A Pedra do Reino". He is a staunch defender of the culture of the Northeast, and his works deal with the popular culture of the Northeast.
É bastante diferente do famoso Auto da Compadecia, a primeira peça de Ariano Suassuna, Uma mulher vestida de Sol. Escrita quando ele tinha 20 anos, em 1947, e revisada uma década depois, essa tragédia nordestina tem um quê de Romeu e Julieta, com um casal apaixonado, e a rivalidade pela disputa de terras. Não tem, por ser uma obra da juventude, o mesmo esmero do Auto, mas há força, e belos momentos – especialmente de poesia, como o próprio autor ressalta. Fora isso, há também a imagem bíblica poderosa que o título evoca.
"(...) - Ó de Casa! - Ó de fora! - Minervinha, o que me guardou? - Eu não lhe guardei mais nada: nosso amor já se acabou. * Na primeira apunhalada Minervinha estremeceu na segunda, o sangue veio, na terceira, ela morreu.
Eita, que sol!"
... ôÔÔÔôô teatrin trágico! Ultimante tem sido bem triste o que tenho lido da literatura brasileira! ai meu coração.
É um "Romeu e Julieta" no sertão no meio de uma disputa por terras. É uma peça e as coisas parecem ser meio corridas, tudo se passa basicamente em dois dias, mas ao mesmo tempo são essas sequências rápidas de disputa e ações que fazem a história do segundo ato em diante ficar "eletrizante".
Leitura rápida, personagens bem expressivos, aqui já vemos inclusive traços de vários outros arquétipos que o Ariano vai utilizar nas suas outras peças, inclusive em O Auto da Compadecida. Mas aqui a comédia tem pouco espaço.
As influência do "romanceiro ibérico" do autor fica clara (a dizer, conhecendo Dom Quixote e não mui versado em romances de cavalaria - se é só a isso que se entende pelo termo em aspas), mas tal não tira o mérito, muito pelo contrário. Ri com o juiz e o delegado, torci por Rosa e Francisco e me irritei com Joaquim. Interessante como aqui temos o marco inicial, em letras, do que o autor construiu em um universo popular.
No geral, gostei muito da peça. Fico muito encantado com a habilidade que Suassuna tem para retratar tão detalhadamente os valores culturais de um contexto. Nenhuma das falas parece exagerada, ainda que sejam todos os personagens bastante caricaturados. Iniciei a leitura sem ideia do que aconteceria e me surpreendi muito positivamente ao me deparar com um Romeu e Julieta à brasileira.