Nestas três novelas, publicadas quando tinha 60 anos, Paulo Emilio busca liberar sua imaginação, na expressão de Antonio Candido, ao escrever estas histórias que se nutrem de elementos retirados do cotidiano próximo. Assim, 'Três mulheres de três PPPês' procura passar a impressão de divertimento, mas, por trás dos jogos, das inversões, das reviravoltas do entrecho, oculta-se um profundo mal-estar com a convivência inevitável da burguesia paulista. Suas três mulheres são anti-heroínas superiormente dotadas, que submetem os parvos PPPês aos seus caprichos e os subjugam, por força de sua progressiva - e assumida - traição.
Paulo Emílio Sales Gomes foi um historiador, crítico de cinema, professor, ensaísta e militante político brasileiro. Foi figura central na fundação da Cinemateca Brasileira, na criação do Festival de Brasília e dos cursos de Audiovisual da Universidade de Brasília e Universidade de São Paulo, onde lecionou até o final de sua vida. Paulo Emílio transformou-se também em defensor ferrenho do Cinema Brasileiro após uma conversão que chamaria de "descolonização" contra a cinefilia estrangeira. Sua defesa foi pioneira em favor de políticas culturais que sustentassem a produção cinematográfica brasileira, como o financiamento estatal. Sobretudo, sua influência como crítico de cinema e ensaísta inspirou os diretores do movimento cinematográfico brasileiro Cinema novo. Foi casado com a escritora Lygia Fagundes Telles.
Paulo Emílio Sales Gomes was a Brazilian historian, professor, essayist and political activist. He was also considered to be the greatest film critic to have emerged from Brazil. In 1977, he wrote P's Three Women; he died shortly after its publication. This was his only novel. And what a novel! This was an entirely original experience and is highly recommended.
"P" is Polydoro and this poor gentleman hates his name, so let's be respectful and stick with P. He recounts three stories about three of his romantic partners: Helena, Ermengarda, and a young woman known only as "Her." And so this novel is essentially three unconnected novellas, only linked by sharing the same protagonist. P as a young man flirted with fascism, but by the time he shares these stories, has mellowed into a contemplative, erudite old man and former businessman.
Helena was the first love of his life and what a tangled web she wove. Ermengarda was his wife during his middle years and what a tangled web she wove. "Her" was his last wife, a December-May romance, and what a tangled web she wove. Poor P! Destined to be taken in by women whose cunning often easily fooled his book-smarts.
I loved these three tales. They proceed similarly: P recounts the story of a relationship, one in which he often comes across as seeing both sides of that relationship. And then he pulls back the curtain to reveal that each of these women have their own quite separate existence and he is but a pawn in their often shocking schemes. Helena has a passionate love of her life, but as P comes to learn in his later years, it was certainly not him. Ermengarda rules their married life with an iron hand until she insults his poetry (LOL), after which P decides to set some boundaries; Ermengarda has a particularly devious plan to win back ownership of their marriage. And "Her".... let's just say, still waters run deep, and a young lady may not be so enchanted by a much older man after all. Poor P, a born cuckold!
Gomes is a fantastic writer. Such vibrant and eloquent prose. The characterization is rich and surprising, the plot twists even more surprising. What a heady, multi-leveled, yet still somehow light and fun experience this novel turned out to be. Is it all an allegory for 1980s Brazil?
I still can't get over how that one character accidentally died. Oops! Planning a dramatic fake-suicide while depending on servants to revive you in the nick of time, when those servants have also been warned not to disturb your precious rest... is not a nice way to go. Sad LOL.
Paulo Emílio (1916-1977) é conhecido principalmente pela crítica de cinema, mas também foi historiador, pensador, marido da Lygia Fagundes Telles e escreveu apenas um romance, Três Mulheres de Três PP-Pês. Tem uma escrita clássica, cheia de críticas, ironias e humor.
O livro é composto por três contos/novelas, contadas pelo narrador. Polydoro pertence à burguesia de São Paulo e engana-se redondamente sobre as mulheres com quem se envolve.
Só mesmo um corno como Polydoro
“Duas vezes com Helena” - Polydoro ainda jovem é seduzido pela mulher do seu querido e respeitadíssimo professor. O sentimento de culpa é enorme, até que trinta anos mais tarde volta a encontrar-se com Helena e fica a saber das verdadeiras razões da sedução.
“Ermengarda com H” - Polydoro já é quarentão, está no meio de uma guerra conjugal e tenta infernizar a vida da esposa para conseguir o divórcio, até que encontra o caderno azul de Ermengarda.
Duas vezes Ela - Já setentão, Polydoro regista num diário a sua felicidade conjugal, mas é surpreendido com o pedido de desquite da mulher.
Reconheço que as mulheres da minha vida foram todas mais inteligentes que eu (…)
Que coisa, esse livro...um daqueles que deixa muito claro pro leitor que tal leitor só saberá o que leu - seu impacto, contorno, Sentido - após um certo tempo...quando tudo estiver decantado.
Coisa curiosa que posso dizer desde já que chamou minha atenção: em minha leitura, previ todas as reviravoltas - e isso não prejudicou em NADA o prazer desse texto. Aqui, o autor deixa claro: larga dessas de reviravoltas, "plot twists" e afins; o foco é o percurso, um percurso escrachado. O autor claramente escreveu rindo, se divertindo.
esse livro é muito bom!!!! superficialmente, é simplesmente muito DIVERTIDO de ler. só o corno do polydoro mesmo. mas em questões de MORDACIDADE, e COMENTÁRIOS acerca da burguesia paulistana = tudo. meu deus. como que pode um livro tão curto e tão perfeito em Tudo o Que se Propõe. toda vez que eu lembrava que o polydoro era um fascista e outros comentários como os de ODIAR a construção de hospitais etc etc... sabe o que dá vontade de comparar a? o graciliano escrevendo o paulo honório. só que o graci é da seriedade, e o paulo emílio é da seriedade por debaixo da galhofa...
mais um adendo. se tem uma coisa que eu gosto do polydoro é em como ele ADORA uma boa história. o jeito que ele reage a helena contando tudo - e ela o ordena a ficar calado até o fim, tem a mesma absorção dos cadernos da h/ermengarda e da história de Ela...
Paulo Emílio “dá continuidade a Macunaíma e oferece uma resposta ao moralismo burguês de Nelson Rodrigues”. Para Roberto Schwarz, ele é a maior supresa da litetura brasileira desde Guimarães Rosa.
Nesta novela, os três Polydoros (o Jovem, o Homem de meida idade e o idoso) respectivamente PPPês protagonizam e narram as três novelas em que se envolvem com Helena, Hermengarda e Ela, três mulheres fortes, de traços de classe inferior e vontade insuficientemente controlada de ascensão social. Nelas são latentes as dosagens de crueldade e hipocrisia da provinciana vida paulistana. Na primeira prosa, Helena representa a submissão feminina, que neste caso é desvirtuada levando o leitor a confundir-se no estabelecimento das fronteiras existentes entre os interesses do marido-mestre, personificação do patriarca, e de Helena, figuração da mulher submissa, porém, operadora da função ambivalente de instrumento ativo e passivo na prática do plano impetuoso e insano. Em Emergada sem H ganham relevo na personalidade do narrador, antes de tudo, a preocupação de ser um bom marido para a esposa, mais adiante sua vaidade intelectual perante a reação de sua esposa ao seu “Louvor à dama paulista”, e depois seu egoísmo dotado de uma demasiada capacidade de conviver passivamente por muito tempo com o comodismo, já que são nulas as tentativas de alterar o status quo de seu casamento falido. Em duas vezes Ela, os conflitos conjugais sensivelmente causados pela diferença de idade, e conseqüentemente pelo caráter dos envolvidos, elemento que para Paulo Emílio parece intrinsecamente ligado à classe social a que o indivíduo pertence o que leva Ela a se revelar como sempre foi longe dos olhos de Polydoro: suas traições, suas mentiras, seus desvios de caráter e sua dissimulação. Entretanto, o que deixa o narrador mais perturbado é que conhecera sua esposa somente no momento exato de uma inevitável separação. Nela é manifesta uma suposta “fibra paulista” em acumular capital, emblemática na figura do médico amante de Ela ostentação de uma vida superficial em si mesma, ou seja, mais uma vez emerge a crítica à burguesia paulista ostentadora ridicularidade da vida hipócrita e imoral ditada por discursos de bons costumes, mas sensivelmente muito longe de seu alcance prático cotidiano.
I think I had a sweet little wonka bar :p Purple notebook possessed by Ermangarda containing the story of her life was the most meticulous and scrumptious detail I enjoyed really very much, also implying to the several ironic upshots it brought about with itself in Polydoro’s life. Sound of Polydoro becoming a rabid jackal for P could become as much fascinating for the reader as it is terrifying for himself. How much the poor man suffered at the hands of the people whom he actually loved the most.
A feather-light and mostly interesting distraction about a self-obsessed man's struggle with three different women. Gotta love Dalkey for keeping this stuff in print.