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Aristóteles em Nova Perspectiva

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Há embutida nas obras de Aristóteles uma idéia medular, que escapou à percepção de quase todos os seus leitores e comentaristas, da Antiguidade até hoje. Mesmo aqueles que a perceberam – e foram apenas dois, que eu saiba, ao longo dos milênios – limitaram-se a anotá-la de passagem, sem lhe atribuir explicitamente uma importância decisiva para a compreensão da filosofia de Aristóteles.

No entanto, ela é a chave mesma dessa compreensão, se por compreensão se entende o ato de captar a unidade do pensamento de um homem desde suas próprias intenções e valores, em vez de julgá-lo de fora; ato que implica respeitar cuidadosamente o inexpresso e o subentendido, em vez de sufocá-lo na idolatria do “texto” coisificado, túmulo do pensamento. A essa idéia denomino Teoria dos Quatro Discursos. Pode ser resumida em uma frase: o discurso humano é uma potência única, que se atualiza de quatro maneiras diversas: a poética, a retórica, a dialética e a analítica (lógica).

204 pages, Paperback

First published January 1, 1994

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About the author

Olavo de Carvalho

128 books316 followers
Olavo de Carvalho, nascido em Campinas, Estado de São Paulo, em 29 de abril de 1947, tem sido saudado pela crítica como um dos mais originais e audaciosos pensadores brasileiros. Homens de orientações intelectuais tão diferentes quanto Jorge Amado, Arnaldo Jabor, Ciro Gomes, Roberto Campos, J. O. de Meira Penna, Bruno Tolentino, Herberto Sales, Josué Montello e o ex-presidente da República José Sarney já expressaram sua admiração pela sua pessoa e pelo seu trabalho.

A tônica de sua obra é a defesa da interioridade humana contra a tirania da autoridade coletiva, sobretudo quando escorada numa ideologia "científica". Para Olavo de Carvalho, existe um vínculo indissolúvel entre a objetividade do conhecimento e a autonomia da consciência individual, vínculo este que se perde de vista quando o critério de validade do saber é reduzido a um formulário impessoal e uniforme para uso da classe acadêmica. Acreditando que o mais sólido abrigo da consciência individual contra a alienação e a coisificação se encontra nas antigas tradições espirituais — taoísmo, judaísmo, cristianismo, islamismo —, Olavo de Carvalho procura dar uma nova interpretação aos símbolos e ritos dessas tradições, fazendo deles as matrizes de uma estratégia filosófica e científica para a resolução de problemas da cultura atual. Um exemplo dessa estratégia é seu breve ensaio Os Gêneros Literários: Seus Fundamentos Metafísicos, onde se utiliza do simbolismo dos tempos verbais nas línguas sacras (árabe, hebraico, sânscrito e grego) para refundamentar as distinções entre os gêneros literários. Outro exemplo é sua reinterpretação dos escritos lógicos de Aristóteles, onde descobre, entre a Poética, a Retórica, a Dialética e a Lógica, princípios comuns que subentendem uma ciência unificada do discurso na qual se encontram respostas a muitas questões atualíssimas de interdisciplinariedade (Uma Filosofia Aristotélica da Cultura — Introdução à Teoria dos Quatro Discursos). Na mesma linha está o ensaio Símbolos e Mitos no Filme "O Silêncio dos Inocentes" ("análise fascinante e — ouso dizer — definitiva", segundo afirma no prefácio o prof. José Carlos Monteiro, da Escola de Cinema da Universidade Federal do Rio de Janeiro) que aplica a uma disciplina tão moderna como a crítica de cinema os critérios da antiga hermenêutica simbólica. Sua obra publicada até o momento culmina em O Jardim das Aflições (1995), onde alguns símbolos primordiais como o Leviatã e o Beemoth bíblicos, a cruz, o khien e o khouen da tradição chinesa, etc., servem de moldes estruturais para uma filosofia da História, que, partindo de um evento aparentemente menor e tomando-o como ocasião para mostrar os elos entre o pequeno e o grande, vai se alargando em giros concêntricos até abarcar o horizonte inteiro da cultura Ocidental. A sutileza da construção faz de O Jardim das Aflições também uma obra de arte.

É grande a dificuldade de transpor para outra língua os textos de Olavo de Carvalho, onde a profundidade dos temas, a lógica implacável das demonstrações e a amplitude das referências culturais se aliam a um estilo dos mais singulares, que introduz na ensaística erudita o uso da linguagem popular — incluindo muitos jogos de palavras do dia-a-dia brasileiro, de grande comicidade, praticamente intraduzíveis, bem como súbitas mudanças de tom onde as expressões do sermo vulgaris, entremeadas à linguagem filosófica mais técnica e rigorosa, adquirem conotações imprevistas e de uma profundidade surpreendente.

A obra de Olavo de Carvalho tem ainda uma vertente polêmica, onde, com eloqüência contundente e temível senso de humor, ele põe a nu os falsos prestígios acadêmicos e as falácias do discurso intelectual vigente. Seu livro O Imbecil Coletivo: Atualidades Inculturais Brasileiras (1996) granjeou para ele bom número de desafetos nos meios letrados, mas também uma multid

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Displaying 1 - 13 of 13 reviews
Profile Image for Jairo Fraga.
345 reviews28 followers
September 3, 2021
Pequeno livro em que Olavo de Carvalho apresenta sua tese de Aristóteles com o seguinte resumo "O discurso humano é uma potência única, que se atualiza de quatro maneiras diversas: a poética (possibilidade), a retórica (verossimilhança), a dialética (probabilidade razoável) e a lógica (certeza apodítica) ."

Parte de um ponto que eu ainda não tinha visto, que o Aristóteles que foi conhecido por muitos séculos, não se compunha também da poética e retórica, sendo em última instância, um lógico. Essa separação das áreas do conhecimento foi sucessiva, como se fossem universos estanques, tendo sido aproveitado isoladamente por grupos diferentes, que não as uniam.

É um bom livro, bem resumido. Infelizmente o autor traz uma disputa no final, a respeito da não aceitação da publicação de seu artigo em um periódico, mas que não tira o bom valor da teoria escondida em Aristóteles.

Tempo estimado de leitura: 3h30m
Profile Image for Kevin.
62 reviews6 followers
July 31, 2025
Wonderful. The first thing that makes me like and want to read Aristotle.

Olavo de Carvalho overthrows the vision of Aristotle as the "guardian of schizophrenia" and offers the view that the poetics and rhetoric should be part of the organon (as Avicenna stated). The four discourses (poetic, rhetorical, dialectical, and analytical) are integral to each other, and can be schematized like concentric circles: the analytical is a deepening of the dialectical, the latter of the rhetorical, and so on, with rhetoric coming after poetry. In his chapter on cultural history, he observes that "each of the four discourses enjoyed a period of dominance throughout history, and the order in which those discourses succeeded to dominance accompanies a rising scale of credibility, from the poetic to the analytical".
Profile Image for Tiago Sousa.
3 reviews2 followers
February 8, 2019
Nesse interessantíssimo livro, Olavo de Carvalho expõe sua teoria acerca dos quatro discursos nas obras de Aristóteles. Com base em escritos como a Poética, a Retórica, os Tópicos e Analíticas I e II do filósofo grego, Olavo tece sua tese onde "o discurso humano é uma potência única, que se atualiza de quatro maneiras diversas: a poética, a retórica, a dialética e a analítica (lógica)".

Os discursos poético e retórico têm sido, segundo o autor, desprezados nos estudos aristotélicos há séculos. Porém, os quatro discursos são dispostos em uma sequência lógica e gradual em relação à sua credibilidade.

O discurso poético, que é a "expressão de sentimentos individuais", os gostos e hábitos mentais de um determinado público, está ligado ao possível, à probabilidade e à imaginação. Nesse ínterim, a imaginação comporta-se como a ponte entre o conhecimento sensorial e o pensamento lógico; entre o mundo (percepções) e o discurso (pensamento).

O discurso retórico, que tende a "persuadir alguém a fazer ou a deixar de fazer alguma coisa", são as convicções atuais de determinado público, está ligado ao verossímil, à crença firme e à persuasão. A poesia está para a retórica assim como a impressão está para a decisão.

O discurso dialético, que pretende "convencer por meios racionais, independentemente da vontade do ouvinte ou até mesmo contra ela", e que possui premissas que podem ser incertas mas aceitas sob certas circunstâncias, está ligada ao submeter crenças à prova - trespassando-as por objeções - e à probabilidade.

Por último, o discurso lógico (ou analítico), a demonstração correta com bases nas premissas aceitas e provadas. Esse seria o processo final que "contém portanto, implicitamente, todo um modelo descritivo da história cultural, que pode ser aplicado, com bons resultados, também a outras civilizações".

Essa teoria pode ser amplamente aplicada aos discursos nas mais diversas áreas do conhecimento. Porém, sua maior contribuição, a meu ver, é a (re)descoberta da importância do discurso poético, o qual poderíamos relacionar atualmente com a literatura de modo geral. A literatura nos oferece o mundo do possível, onde a psicologia de determinados povos são expressas por meio dos romances, contos, et cetera. Essas histórias nos fornecem um mapa das possibilidades humanas que servirão para formarmos padrões de conduta moral a fim de tomarmos decisões na realidade.

Somente a literatura pode formar nossa inteligência moral sem a necessidade empírica real das situações. O famoso "o inteligente aprende com seus erros e experiências, porém, o sábio aprende com os erros e experiências dos outros". Esses "outros" são os personagens e situações fictícios nas grandes obras da literatura ocidental que apenas exprimem as mazelas, sentimentos e ações humanas no mundo real.

Nos últimos meses tenho me dedicado muito à literatura como meio de obtenção desses mapas para enriquecer meu imaginário - a ponte entre minhas sensações - e meu conhecimento lógico-analítico. Tendemos a desprezar a imaginação e a literatura ao nos aventurarmos logo em questões lógicas e abstratas (principalmente na Teologia!). Isso é deveras prejudicial. O conhecimento abstrato e lógico do pode ser construído sobre uma base imaginária bem alicerçada. Apenas a literatura, o discurso poético, fornecerá o "primeiro andar" do conhecimento, já que ele "é como uma árvore, que lança suas raízes no solo das sensações e se eleva gradativamente através da imaginação, da vontade e do pensamento até a certeza apodíctica".

Talvez esse seja o melhor livro que já tenha lido do Olavo de Carvalho e com certeza é o mais necessário visto a situação intelectual de nosso país. Indico fortemente a obra.
Profile Image for Pedro Limeira.
60 reviews5 followers
December 30, 2014
A grande ideia do livro é que todos as ciências do discurso em Aristóteles (poética, retórica, dialética e analítica), normalmente encaradas em si mesmas, devem ser encaradas como parte de uma unidade - a teoria dos quatro discursos. Tudo isso escrito de forma bem clara e concisa.

Os argumentos giram em torno de fatos históricos, desde a questão da organização da obra e o contexto das épocas em que Aristóteles foi estudado, técnicas do discurso em si e por paralelos com as linhas de pensamentos do filósofo referentes a outras questões - principalmente a da construção do conhecimento.

Não sou um grande conhecedor de Aristóteles, mas todo o livro me parece muito coerente. A grande sacada é criar as relações de sentido entre unidades que poderiam, por si só, demandar uma vida para que sejam inteiramente compreendidas: os quatro tipos de discursos são colocados em uma escala de credibilidade necessária das premissas para que a prática discursiva efetivamente aconteça - da poética (menos) para a analítica (mais).

Gosto bastante da ideia de associar os discursos ao processo de construção do conhecimento que parte do mundo real até chegar à conceitos abstratos, sendo a poética mais próxima daquele passando por retórica, dialética e, finalmente, analítica. A poética iniciaria o processo de transferência de conhecimento pelo discurso, já que trabalha a imaginação - esta inicia a transformação das sensações/percepções que temos do mundo real em imagens para que sejam posteriormente categorizados e, junto com tudo o que cai na mesma categoria, generalizados em uma espécie que, associadas a outras, criam conceitos abrangentes.

Uma lição que tiro da leitura desse livro é a de tentar sempre enxergar as relações entre as coisas. Eu tendo (talvez você também) a focar nas diferenças - ou isso ou aquilo - quando os dois extremos podem estar articulados em algo maior, fazendo com que sejam válidos dependendo das condições que regem o processo.
Profile Image for Luís Guilherme.
1 review11 followers
December 17, 2015
Livro magnífico, edição preguiçosa

A obra é basilar, abrindo uma gama de novos estudos aristotélicos e servindo de fundamento pedagógico do Seminário de Filosofia de Olavo de Carvalho.

A edição é, contudo, preguiçosa. Mantém erros das duas editoras anteriores, não adiciona os acentos gregos, plenamente possíveis com a tecnologia atual, e põe as notas de rodapé no fim dos capítulos, prejudicando a fluidez da leitura.
3 reviews
January 24, 2020
Olavo de Carvalho expõe sistematicamente a teoria dos quatro discursos que, segundo ele, representam uma unidade de diversos, logo todos os discurso retratam a realidade do seu modo. Essas modalidades, desse modo, diferem em finalidade e graus de credibilidade. Ademais, o autor indica uma possível estruturação do discurso associada ao desenvolvimento das civilizações, assim há uma evolução gradual do discurso poético oracular ao discurso analítico, caracterizado pela certeza apodíctica, no Ocidente.
Profile Image for Yuri.
5 reviews1 follower
Read
December 28, 2017
O autor apresenta como o pensamento de Aristóteles não se limitava somente a uma arte, mas abraça todas as artes liberais: gramatica, retórica, lógica e dialética (como principio), abrangendo todas as demais artes universalmente.
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