De vez em quando, a vida dá errado.
Acontece.
Não é culpa de ninguém, não faz diferença o esforço, a dedicação, o amor, a inteligência, a força, a vontade; a vida dá errado.
Esse volume é o ápice de tudo que o Byrnezão da massa vem fazendo com o Quarteto desde o início e acontece tanta coisa, mas tudo é eclipsado, porque, de vez em quando, a vida dá errado.
Eu podia escrever sobre o cotidiano de Doomstadt, apresentado pelo próprio Dr Destino, ou sobre o insidioso plano de empoderar Terrax - o ex-arauto de Galactus - com uma variação de coach neo-quântico e jogá-lo contra seu maior inimigo, o Quarteto Fantástico. Calma, com a ajuda do Surfista Prateado, eles triunfam.
Eu podia escrever sobre a morte do Dr Destino; um daqueles casos de morreu, mas passa bem da Marvel; afinal quem nunca transferiu a mente para o corpo de um Zé Mané qualquer - se ele olhasse pras esquerdas pegava na Tia May.
Eu podia escrever sobre como dói assistir o Coisa estraçalhando o coração da Alícia Masters, apenas porque ele não aceita que ela o aceite, afinal todos dizem que ele é um monstro, talvez ele seja apenas um monstro mesmo.
Eu podia escrever sobre o Pete Pote de Pasta, até ele aparece por aqui.
Eu podia escrever sobre a divertida história em que o Coisa e o Tocha se unem ao Toupeira para deter um milionário maluco.
Eu podia escrever sobre o Namor passando o xalalá na Sue, enquanto enfrenta, com a ajuda da Tropa Alfa, o Mestre do Mundo.
Eu podia escrever sobre as Guerras Secretas e a nova integrante do Quarteto, a Mulher-Hulk.
Eu podia escrever sobre o julgamento do Reed Richards por uma corte espacial composta por sobreviventes dos mundos devorados por Galactus, no que deveria ser o ápice da edição.
Eu podia escrever sobre tudo isso, mas eu não consigo escrever sobre quando a vida dá errado.
A última página da edição 267, que fecha esse volume, é, provavelmente, a página mais triste que a Marvel já publicou.
Eu só consigo pensar numa expressão do Livro do Desassossego do Fernando Pessoa; a saudade do que nunca aconteceu.
Essa saudade tão imaginária e, ao mesmo tempo, tão real é o que se sente quando a vida, irremediavelmente, dá errado.