Um dos melhores livros que já li? Sem dúvida!
"Prelúdio" de Anton Stark é um daqueles livros que é praticamente impossível de resumir ou de "criticar" pois revela uma história tão complexa e tão intrigante que para fazer uma opinião completa iria demorar dias a escrever. Mas mesmo assim, vou tentar o meu melhor.
"Prelúdio" é o primeiro volume de uma saga de fantasia com uma mistura de steampunk denominada de "Downspiral" e lança-nos para os Reinos de Vapor, um mundo fascinante e completo que nos deixa a desejar por mais. Seguimos a história de diversas personagens que, no início, parecem estar completamente separadas umas das outras mas que, mais para o fim, descobrimos que sempre estiveram ligadas. A personagem central é Alleth Vairs, um amorsleano, ou melhor, um espião, que trabalha para o Serviço de Reconhecimento Amorsleano e se no início não percebemos o porquê da vida que leva, no fim descobrimos que as suas intenções vão muito para além do fútil. A história começa com Alleth a chegar a Drimwall de uma maneira um tanto ou quanto excêntrica e o seu destino cruza-se com o de um bando de ladrões e assassinos ao serviço do Sindicato, uma rede criminosa espalhada por todos os Reinos Unidos de Amorslea. Nev, Beltais, Russ e Leman assaltam-o brutalmente e, quando se apercebe, Alleth lança-se numa aventura que não estava nos seus planos. Depois conhecemos Quanon da Chama, um templário de Hlal, o seu deus. Quanon luta lado a lado com o Justiciar Drandon (uma personagem que me fascinou bastante)nua jornada para levar Hlal aos hereges do sul. Um vasto elenco é-nos apresentado, todos eles envolvidos numa grande teia de expiação, morte, intrigas e poder. O Duque Rehnquist que joga um jogo de poder e tece uma grande teia que pode desabar com um simples passo em falso. Stephan (outra personagem fascinante) que se vê atirado para o cargo de um pequeno exército e que luta ferozmente pela sua pátria. Alemburn,um membro do Serviço infiltrado no Sindicato mas cujas acções passam para lá da simples infiltração...
Para além das personagens acima referidas (que não chegam a um terço do total de personagens neste livro), creio que o que mais me fascinou neste livro foi o world-building, um dos melhores que alguma vez tive o prazer de ler. Feliz a hora em que li este livro. Creio que posso comparar este mundo, este world-building, ao do próprio mestre da fantasia, J.R.R. Tolkien. Complexo, completo, fascinante e que simplesmente nos deixa a querer saber mais. Percebe-se, ao longo do livro, que o autor está bem ciente do seu mundo, sabe a sua história e como chegou aos dias em que se desenrola a acção. Falta mesmo um livro complementar com todos estes extras e mais!
Outro ponto essencial e maravilhoso neste livro é a escrita que é bastante diferente daquela a que estou habituado. Sempre pensei que a escrita na 1ª pessoa ou por POV's era a melhor para retratar cenas de acção ou para nos fazer compreender a mentalidade das personagens. No entanto, este livro, que se encontra escrito na 3ª pessoa, fez tudo isso e mais. A forma como o autor quebra o ritmo inesperadamente para nos mostrar o que se passa noutro lugar ou junto de outra personagem faz com que a história se desenrole na nossa cabeça como um filme.
As personagens foram um dos outros pontos fortes do livro mas que, mesmo assim, creio que necessitam de mais trabalho. Certo que é apenas o primeiro volume de, supostamente, quatro. Simpatizei com a maior parte delas e odiei aquelas que era suposto odiar. Houve algumas que senti emoções mistas (amor e ódio) como o Alemburn ou o Rehnquist e outras ainda que me fizeram rir, ficar triste ou até mesmo tremer com arrepios. As principais (mais o Stephan e o Alleth) têm direito a passagens do seu passado que nos dá a conhecer mais sobre estas personagens, mas creio que isto é preciso para mais personagens. Precisamos de perceber mais sobre as intenções e os porquês das personagens terem chegado ao ponto onde chegaram.
O último ponto forte que quero referenciar são os plot-twist, os momentos em que pensamos que a história ruma para um ponto mas depois sofre uma alteração e segue um rumo completamente diferente. As revelações que nos são feitas, as máscaras que são retiradas, os destinos que se cruzam, tudo isso contribui para que este seja um livro que nos faz querer virar a próxima página.
Agora para os pontos negativos (que são poucos). O primeiro será mesmo os erros e gralhas ao longo do livro mas sei de fontes seguras que estes já foram reparados para as edições mais recentes. Isto foi algo que me distraiu um pouco e que me confundiu pois certas personagens que eram masculinas viram femininas de um momento para o outro, nomes são trocados (ou letras nos nomes). Mas nada de pânico, já foi tudo reparado.
A seguir são as personagens que, como já referi, precisam de mais um pouco de back-story, mas nada de alarme porque mesmo assim as personagens são brilhantes e este é só o primeiro volume (como já referi também).
O último ponto negativo é o final que é demasiado em aberto. Parece que o livro simplesmente acabou ali, como se fosse um intervalo num filme quando vamos ao cinema ou algo do género. Algumas pontas deviam ter sido atadas e aparadas mas a história central (que gira em volta do Sopro) deve ser deixada em aberto para cativar os leitores para o próximo volume. Mas compreende-se pois para ter um final conclusivo e perfeito, o livro teria de ter mais de mil páginas devido às personagens e às sub-histórias contidas na história central.
No final, um livro quase quase quase perfeito com alguns problemas mas que mesmo assim não são suficientes para retirar uma estrela às cinco que atribui ao volume. Recomendo vivamente para os amantes de fantasia e de drama e para aqueles que nunca leram steampunk (como eu) ou para aqueles que já leram mas que querem ver o género misturado com a fantasia.
Até à próxima e... boas leituras!