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Downspiral #1

Prelúdio

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Dinheiro. É tudo o que Alleth Vairs necessita e tudo o que o levou a juntar-se ao Serviço de Reconhecimento Amorsleano. O trabalho de espião paga bem, mas a nova missão pode trazer-lhe mais do que uma recompensa avultada. E os deuses, dizem, são graciosos...

O duque Rehnquist Alvaro sonha com uma Amorslea forte e unida. Para se certificar que certos obstáculos são removidos desse caminho, terá que operar nas sombras, manipulando os destinos do reino com jogos de poder.

Stephan Kallistos é atirado à força para o comando de um regimento destroçado após uma esmagadora derrota da Confederação. A promoção não lhe agrada, de todo. De facto, o avanço na carreira pode revelar-se terminal.

Do Norte Gelado os Crentes lançam-se uma vez mais contra os hereges do sul, e Quanon da Chama avança com os seus irmãos de templo nas fileiras da frente, pronto para a batalha.

Neste primeiro volume da saga Downspiral, a primeira saga steampunk em português, o leitor percorrerá por terra, água e ar os territórios dos Reinos de Vapor, acompanhado por várias personagens cujos destinos se entrecruzam - e, mais importante de tudo, começará também ele a questionar-se: o que é o Sopro, para que serve, e porque tantos o procuram?

400 pages, Paperback

First published September 30, 2012

13 people want to read

About the author

Anton Stark

19 books7 followers
Anton Stark is the pseudonym of a Portuguese lad who dreams more than it's advisable with steam contraptions and worlds that don't exist. A student of languages by vocation, he has from an early age cultivated a fascination with all that's Speculative Fiction, and the Steampunk sub-genre in particular (a source of many a headache, when he has to explain the concept to someone else). His most striking features include a hilarious and innate ability to be misinterpreted and a deathly hatred of both beaches and small dogs.
-------------
Anton Stark é o pseudónimo de um rapaz português que sonha mais do que é saudável com máquinas a vapor e mundos que não existem. Estudante de línguas por vocação, desde cedo cultivou um fascínio pelo Fantástico e o subgénero Steampunk em particular, o que lhe granjeia frustrações imensas quando o tem de explicar a alguém. Entre as suas características mais marcantes contam-se uma habilidade inata e hilariante para ser mal-interpretado e um ódio de morte a cães demasiado pequenos. Gosta de chapéus, livros, gomas e cachimbos (apesar de não fumar), não gosta de praia porque a areia se enfia em todo o lado. É com a escrita que ocupa a maior parte do tempo quando não está a ler, a ver filmes, ou a contemplar a tinta do tecto. Dizem as más-línguas que se fosse uma fruta, seria um ananás.

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Community Reviews

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4 stars
7 (38%)
3 stars
6 (33%)
2 stars
2 (11%)
1 star
2 (11%)
Displaying 1 - 9 of 9 reviews
Profile Image for Lady Entropy.
1,224 reviews47 followers
August 26, 2014
Antes de começar a minha crítica, vou ter que fazer alguns disclaimers:

1 - Fui forçada a ler este livro por ter perdido uma aposta com a Moggo. Note-se que, na altura, aceitei fazer esta leitura de bom grado visto que a alternativa original era ter que escrever uma fanfic de Twilight. Arrependi-me grandemente de não escolher a fanfic.

2 - Parte de mim está intimidada por ser a única pessoa que deu uma estrela ao livro. Várias vezes quase hesitei, duvidando de mim mesma, mas a verdade é que não poderia dar um dois. 1 estrela = I didn't like it. 2 estrelas = it's OK. Este livro não está OK, a não ser que antes de o ler, bebesse uns quantos shots de vodka. Não quero acusar ninguém de ter dado 5 estrelas por "amizade" ao autor, nem de tentar seguir cegamente a ideia do "O que é nacional é bom", mas os meus gostos não me permitem dar mais que 1,5 estrelas a este livro.

3 - Eu não tenho grande respeito ou apreço pelo António\Anton\Antão (começando pelo facto que ele disserta alto e bom som contra vanities e quem nelas publica, mas foi ao extremo de criar uma editora para publicar o seu próprio livro -- e também o facto de ter acusado uma amiga comum de lhe ter metido gralhas na capa que ela lhe fez POR FAVOR a correr quando o texto já vinha com erros), mas sempre fui capaz de distinguir o meu gosto pelo livro e pela pessoa. Vejamos, não suporto o Terry Pratchett mas adoro os livros dele; acho a Madalena Santos uma pessoa muito simpática, mas o 1º livro dela das Terras de Corza levou um mero 2 estrelas quando o li.

4 - Leio muito. Mesmo muito. A minha lista de "Read" aqui contém menos de metade dos livros que li toda a minha vida (esqueci-me de muitos dos títulos, outros foram dados, outros foram para a faculdade, etc.) logo sou muito rodada nisto. Ou seja, é preciso MUITO para me impressionar. Igualmente sou uma roleplayer, logo, é preciso settings épicos, e worldbuild digno de Tolkien e das Crónicas de Amber para eu gostar. Acredito sinceramente que para pessoas com menos vício por ler, o worldbuild desta série seja fantabulástico. Para mim, não é, e vou tratá-lo da mesma forma.

5 - Não me interessa que o Anton seja português\jovem\amigo de amigos. Estou a analisar a obra e não a pessoa. Pela vossa rica saúde não me venham ameaçar por ser má ou por estar a atacar o vosso amigo, porque ele podia ser a Madre Teresa de Calcutá que ia ouvir as mesmas coisas. Peço um bocado de tolerância para os meus devaneios nos updates. Estava a escrevê-los enquanto lia, logo são bastante mais emocionais do que deveriam ser para uma análise devida.

6 - Prometi a mim mesma que não ia atacar gramática\gralhas\erros ortográficos que abundavam -- um grande número de outros reviewers já os apontaram, e, francamente, parecia-a um ataque demasiado fácil.

Com estes pontos fora do caminho, quero agradecer à Ana Ferreira por me ter emprestado a cópia dela. Quero agradecer também à Moggo, por me fazer ler este livro. E, neste caso, por agradecer, quero dizer, arrancar-lhe o nariz à dentada. E por fim, quero agradecer à outra Ana e à Mar por partilharem o tormento comigo, sobretudo à Ana que facilitou comentários sobre os paralelos entre Downspiral e Game of Thrones -- sei muito pouco do mundo\série\livros e ela facultou informações que eu não tinha.

Fui avisada, também, que devo preparar-me para o autor tentar refutar ponto a ponto todas as minhas críticas. Ei, enquanto não for ameaçada como a Ruiva foi pelas fangirls do Soberba Tentação, estou bem.


+++

EDIT: Aparentemente, um terço dos status updates ficou comido nesta view da critica. Para os ver todos - http://www.goodreads.com/user_status/...

Passando então à crítica em si: decidi fazer uma crítica geral -- se querem saber exactamente os detalhes, leiam os meus status updates, escritos enquanto lia. Não há forma de o por gentilmente: eu não gostei deste livro. Nada. Nem sequer chegava ao nível do Filho de Odin ou Soberba Tentação que, sim, são piores, mas pelo menos eram estupidamente divertidos (com ênfase no estupidamente). Ri-me que nem perdida a lê-los - mas não este livro, que era pretensioso, maçudo e MUITO MUITO aborrecido.

Quem me conhece sabe que, em princípio, não gosto de fantasia medieval, logo para eu gostar tem que ser muito boa. Isto coloca a minha barra muito alta, e a minha tolerância muito baixa -- e analiso os livros em três categorias: História/Plot, Personagens, Setting\Worldbuild (complementadas pela categoria menor - Estilo de Escrita, mas já lá vamos).

Consigo gostar de livros que apenas são excelentes numa das categorias, e muitos dos meus favoritos apenas se destacam numa -- se bem que o ideal é que o sejam nas três -- coisa rara mas apreciada.

História\Plot: Este livro não tinha uma história bem feita. Aliás, tinha tantos buracos, o pobre plot, que um elefante conseguia saltar entre eles. O nosso suposto "Protagonista" Aleth (que eu carinhosamente apelidei de Alex) muitas vezes é retirado de cena para dar lugar a informação, personagens e outras cenas que nada contribuem para o plot central. Aliás, nem sei bem qual era. Supostamente era seguir o Aleth pelas suas peripécias que se encaixavam sem rei nem roque. Acho que o autor tinha neste livro material para cortar e dividir e escrever mais 3 outros livros, um para cada um dos personagens grandes (Stephan, o Justiciar e o seu Amigo Padre, o Lobisomem, etc.) unidos por um fio condutor que, parece-me, era a demanda de Renquist pelo Sopro (um misterioso artefacto que dá vida às máquinas) e para se tornar rei. Em vez disso, temos cenas desconexas, com pouca relação entre elas e grande vontade tive de pegar numa caneta vermelha e cortar a eito. Parece-me que o autor está demasiado apaixonado pela sua própria escrita para ver que muitas das coisas poderiam e deveriam ter sido removidas.

Vejamos, o plot penso que, vai na linha de: Aleth, um agente secreto, recebe uma missão que o envia para um reino, onde tem que fingir ser um nobre e depois roubar algo importante, e, em seguida completar outra missão para poder, com o dinheiro de recompensa, pagar os tratamentos do irmão. É capturado por agentes inimigos, torturado, e depois com a ajuda de amigos\ladrões escapa. Note-se que nunca nos é explicado como descobrem onde ele está, nem como descobrem que está em perigo. O plot parece simples, certo?

Deveria ser. Mas não é, porque para além do gigantesco plot hole\quase Deus Ex machina do salvamento do protagonista, o plot principal é constantemente interrompido por cenas secundárias centradas em personagens que nada me interessam nem deviam estar ali metidas -- regra número 1 de escrever sideplots: os plots secundários têm que servir\ajudar\completar SEMPRE o plot principal, ou são só palha. Não quero saber que vamos saber mais sobre estas personagens no próximo livro: se não serve para ESTE livro, não deveria estar aqui.

A Moggo, que leu comigo, tem uma opinião que acho muito interessante e acho muito provável: a história do Aleth parecia ser uma história anterior que o autor teria já na mente escrever. Mas depois de ler os livros da série do Game of Thrones, quis tentar escrever no mesmo estilo, e por isso tentou forçar essa história para dentro de um mundo à game of thrones. Como indiquei, nunca li GoT e vi apenas alguns episódios, por isso tenho que seguir as opiniões de outros nisso. Mas faz um certo sentido. Parece haver uma certa dissociação entre Aleth e o que o rodeia, e o mundo em geral com as suas conspirações\politiquices. Aleth parece-me mais um herói de Victoriana\Steampunk, enquanto que os outros gritam Fantasia Medieval. Em suma, quase todas as partes envolvendo os heróis secundários podiam ser cortadas sem afectar em nada o plot central.


Personagens
As personagens são igualmente fracas. Tinham tanta personalidade como uma pedra-pomes, e soltavam clichés a torto e direito. Aleth parecia quase uma personagem de comédia, enquanto que os outros pareciam tirados de Game of Thrones (segundo os comentários da Ana, muitas personagens tinham características dolorosamente semelhantes, indo até ao ponto de terem nomes decalcados directamente de Game of Thrones que o autor claramente adora. Em excesso.).

O nosso protagonista Aleth irritou-me de sobremaneira desde o início - a sua motivação era cliché, mas aceitável. Gostei que se esforçava pelo irmão em vez da namorada\amante\mulher\objecto de osculação. Mas o crime maior que cometia era ser estúpido. PAra mim, Aleth devia ser o arquétipo do trickster, alguém que se safa por esperteza e inteligência, mais que por força ou poder, o eterno underdog. Em vez disso, cai, atabalhoadamente, em todas as armadilhas e acontecimentos que sejam necessários para fazer a história acontecer - tomando decisões estranhas e se não mesmo estúpidas. Aleth é um protagonista passivo - ele nunca toma acção nem faz o plot avançar pelas decisões que toma: as coisas acontecem-lhe e ele apenas reage. Bella Swan e outras protagonistas femininas de hoje em dia também sofrem deste problema, e é ligeiramente estranho ver um escritor homem cair nas mesmas armadilhas que o que eu estava convencida era uma mania feminina.

Stephan é um caso estranho. Nota-se desde o momento em que ele entra, que ele é o Tyrion deste autor - por isto digo, o personagem ainda que não principal, que o autor usa como projeção para o mundo do livro. No início, gostei dele apesar de ser o "fófinho" do autor. Mas conforme o tempo ia passando e mais via o Jon Snow nele, e me apercebia que ele apenas estava ali para satisfazer o ego ao autor e para nada realmente servia comecei a desencantar-me. E depois ele ordena ao seu subalterno (por quem se estava a sentir atraído) que se dispa, apesar do rapaz estar claramente desconfortável. Eu sei que se calhar estou a ser um bocado sensível e que a cena era suposto ser romântica (mais tarde, Stephan oscula-lhe a mão! Sexy!), mas abuso de autoridade, sobretudo para assédio sexual, é um dos meus trigger buttons que me faz entrar em berzeker mode, e a partir daqui, nunca mais consegui perdoar ao personagem.

O vilão... nem era assim tão mau, só queria ser rei, e tendo em conta que o rei era uma besta, acho que ia ser uma melhoria. Certo, ele ordenou uma série de chacinas, mas todos os outros "heróis" tinham as mãos manchadas de sangue, por isso não consegui odiar tanto o senhor Alvaro como devia, e chegou a um ponto que queria mesmo que ganhasse.

Os personagens secundários e os extras são fracos. Não têm quase personalidade nenhuma, e por consequência, misturava-lhes os nomes TODOS. Já não sabia quem eram os bons, os maus, os assim-assim. Dava-me a impressão que o autor se tinha de tal forma apaixonado pelo seu setting\worldbuild que achava que só com isso podia escrever um livro, descurando plot, e, ainda mais, personagens. O love interest do Aleth chegava mesmo a parecer bipolar (amo-te, traio-te, bato-te); enquanto que os personagens do templário e do padre, e do lobisomem Magnus me eram totalmente indiferentes. Podiam viver ou morrer que não me importava.



Setting\Worldbuild
Esta é a parte mais forte do livro. Nota-se o trabalho massivo do autor e a paixão (excessiva) que este tem por ele. Infelizmente, não é assim muito bom - as inspirações são ou tão batidas ou óbvias que não consigo achar nada que me interesse. Gosto que o meu steampunnk seja mais que só Setting de Fantasia Chapa 4 com mechs visivelmente inspirados por Final Fantasy e alguns elementos tecnológicos metidos ao barulho. E depois temos a incongruência constante: o nível da tecnologia é suficientemente avançada para ter revolveres e armaduras de combate a vapor, mas temos guardas de um museu a fazer rondas de tochas na mão (psssst, velinhas já existiam na nossa Idade Média). Debaixo da sua cobertura de novidade, temos pássaros-montadas que são apenas Chocobos, Lobisomens que são Escoceses-Dothraki, Cidades com os nomes de cidades Middle-earth, até a ideia de trazer máquinas à vida me lembra de um anime qualquer, etc. Ou seja, este mundo nada é mais que uma manta de retalhos reaproveitada e repintada com elementos de outros livros e mundos. O Setting politico em si será o mais original, mas, francamente, sou uma roleplayer. Sempre que mestro um jogo que não venha com este tipo de coisas pré-feito, eu tenho que fazer o mesmo e depois de ler settings políticos como o de Legend of the Five Rings, World of Darkness, 7th Sea, ou Houses of the Blooded etc. este é algo que em nada me impressiona ou interessa. Novamente, o mal pode ser meu, porque sei que o leitor médio não é como eu.

Admito sim que é um trabalho massivo, e isso terá sempre o seu valor, ainda que eu tenha perdido muito tempo com o jogo "Find the Reference" mostrando que o mundo não é tão original como poderia ser (ou o autor não é assim muito bom a esconder as suas fontes). Note-se que isto apenas é confirmado pelo facto que no site dedicado ao mundo do livro (Os Mundos De Eos), a entrada sobre os Quipos\Chocobos (http://chroniclesofeos.wordpress.com/...) é ilustrada por um screenshot tirado de Final Fantasy 11, cortado e editado para ter o olho roxo -- o que, tenho a certeza, é ilegal, visto que isto não é um fansite e é sim o site oficial de uma série de livros. A partir do momento que nomes, ideias, criaturas, tecnologia são tão livremente utilizados eu passo a ver isto mais como algo perto de ser fanfiction, um trabalho claramente amador, e não como algo criado para ser um mundo original.



Estilo de Escrita
Não. Os erros e gralhas não me interessam. Sim, apanhei vários, mas já estava avisada e deixei passar. Por um lado, tenho pena do autor: o português é das línguas mais belas quando bem escritas; infelizmente, é preciso ser-se um mestre para escrever bem português. Qualquer infeliz que tente escrever em tuga sem ser um génio vai dar-se mal. O autor não é um génio, logo a escrita dele é manca, esquisita e nada atraente, por muitas palavras caras que nos atire à cara a tentar esconder este facto. Oscular, por exemplo. Canto obscuro. E muitas outras. A prosa vai do verde ao purpura com uma facilidade de meter medo,forçando-nos a ler linhas e linhas sobre tópicos desinteressantes como o porto, as fachadas de casas, etc.

Outra coisa que me fez ranger os dentes é o facto que o livro, ainda que escrito em português, soe frequentemente a mal traduzido do inglês. Como? Bom, o autor parece ter um certo fetiche pela lingua inglesa, aportuguesando palavras e expressões (como Chave-esqueleto em vez do tuga Chave-mestra), e até caindo em False Friends, (como Compass\Compasso em vez do tuga Bússula). Como alguém que é uma devota anglófila, entendo fascínio, mas não a niveis em que o livro parece que foi atrozmente traduzido de uma língua estrangeira.



Acho que se este autor tentasse mais procurar o seu estilo pessoal (que me parece que está ali, algures, sob as camadas de JRRMartin-Wannabe) e parar de se apaixonar tanto pelo o que escreveu e ter coragem de kill his darlings, e deixar de fugir dos beta readers e da ideia de revisão, poderá tornar-se um bom autor. Todo este livro me soube a First Draft, a precisar de revisão massiva quer a nível de estrutura, personagens e, por favor, diálogo.

Não acho que deva desistir, tem potencial, etc etc. mas, francamente, se eu perder outra aposta, e tiver que escolher no futuro ler o livro 2 ou escrever fanfic erótica de Teletubbies, fico-me pela fanfic. Acho que sofro menos assim.

Por fim, tenho que dizer que isto ser o primeiro livro de Steampunk português não é exactamente correcto, porque pelo que sei um dos quatro livros da Madalena Santos passa-se num setting revolução-industrial\steampunk e foi publicado à muito mais tempo.

Por falar nisso, não posso recomendar este livro para entrar nas listas de fantasia nacional a ler. Se querem algo melhor dentro do mesmo género, virem-se para a série Terras de Corza da Madalena Santos -- só li o primeiro livro, e até foi aceitável -- e muito superior a este. Toda a gente que leu os outros me garante que como o primeiro livro foi escrito quando ela tinha 16 anos, ainda não estava no seu melhor, e que os livros que se seguem são muito mais interessantes e complexos. Se esse é o caso, sem dúvida que será uma melhor escolha para leituras de fantasia made in Portugal.
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Profile Image for Artur Coelho.
2,602 reviews74 followers
April 16, 2014
Tendo o trabalho deste escritor já cruzado o meu radar em contos publicados online e em revistas, tinha algumas expectativas elevadas quanto a este Prelúdio. Queria perceber se a elegância literária e a solidez da construção de mundos ficcionais que noto nos contos escalava bem para algo com mais fôlego. Uma das coisas que me intrigou ao lê-los foi o parecerem fragmentos de algo mais elaborado. Num livro há mais espaço para o desenvolvimento de ideias.

Após a leitura o que surpreende é a notória ambição da obra. Não se trata de uma história contida nos limites de um livro, antes, é o primeiro de uma trilogia proposta. Este lado ambicioso é ao mesmo tempo uma virtude e um embaraço. A tarefa não é fácil. Stark cria e estabelece um mundo ficcional muito coerente, cheio de pormenores intrigantes e de vasta amplitude, largo panorama ou tabuleiro de jogo onde poderá dispor as peças que entender. Estabelece as diferentes linhas narrativas de uma teia complexa que, neste primeiro volume, têm poucas intersecções aparentes. E é aqui que as coisas se embaraçam um pouco. Sabemos que há aqui pano para mangas, espaço para continuidade narrativa, mas será que virão a existir um segundo e terceiro livros que sigam com as aventuras, deslindem as intrigas e nos ofereçam uma conclusão para as tribulações do azarado e levemente inepto espião Alleth, fio condutor das intrigas que torneiam a vontade de um reino em dominar os seus vizinhos?

Os ventos de guerra percorrem a terra de Eos. Dominada por um aristocrata de ambição desmedida, o reino de Amorslea move-se para dominar os seus vizinhos. São os exércitos da confederação Gunnlander quem mais tem sofrido a pressão das espadas e dos robots a vapor amorsleanos. O conflito alastra, envolvendo uma ordem monástica de cavaleiros e, através das maquinações dos nobres amorsleanos, uma raça de homens-lobo que nada mais quer do que viver em paz nas suas terras. Neste turbilhão move-se Alleth, mercenário e espião ao serviço dos serviços secretos de Amorslea, cujos objectivos nem sempre são nítidos mas que revela uma divertida inépcia nas suas missões. Está sempre em apuros e é invariavelmente capturado. Este Alleth não pode ser acusado se ser nenhum Bond.

Não sendo um livro perfeito, agradou-me muito. Mesmo para um assumido desconhecedor do que se faz em fantasia épica como eu perceberam-se no livro as influências que animaram o autor. A curiosa mistura de medievalismo com steampunk funciona, se não formos puristas dos géneros e soubermos apreciar as delicadas bizarrias das zonas de fronteira. Neste quadro conceptual o livro está muito no limite do equilíbrio entre influências literárias e a voz do imaginário do autor, como até é de esperar de uma jovem voz que está em franca formação. O anglicismo do título é um óbvio indicador desta ambivalência, que no entanto ao longo do livro se estabelece com firmeza para o lado do imaginário pessoal. O estilo literário é o que esperava do autor, mas ou obrigado a assinalar que tem bastantes momentos que precisariam de melhor afinação. Também é algo que vai melhorando ao longo do livro.

Honestamente, o que me chateia neste livro é chegar ao seu final e ficar sem conclusão. Está prevista, mas estamos em portugal, país pouco motivador para a publicação de ficção de género, e esperemos que Stark insista, melhorando, nesta trilogia. Admiro a ambição narrativa, um risco muito grande corrido pelo autor que se nem sempre se sai bem é, no cômputo geral, bem conseguida. As descrições intrigam e encantam, as das cidades, fervilhantes de vida e do exotismo que associamos a este género ficcional, ou das batalhas que formaram na minha mente um misto de soldados setecentistas com armas medievas e enormes robots a vapor. Os personagens assumem-se dentro dos estereótipos da fantasia épica, distinguindo-se um vulpino comandante pela complexidade com que está retratado. Neste primeiro volume é frustrante seguir fios narrativos que só se irão enredar na continuidade, caso dos monges marciais, que não colidem com as restantes linhas da história.

No global, foi uma leitura interessante. Ambiciosa, nem sempre bem conseguida, a mostrar o peso das influências iconigráficas e a precisar de alguns retoques estilísticos. Mas, depois de terminada, as imagens mentais suscitadas pela sua leitura persistem e continuam a intrigar a imaginação. Se houver segundo volume cá estarei para apreciar a continuação das aventuras no mundo ficcional de Eos.
Profile Image for São.
105 reviews
November 20, 2012
Uma verdadeira surpresa, um mundo que se desenrola diante dos nossos olhos cheio de intrigas, conspirações, espiões e desafios à nossa imaginação. Quando começamos a ler, ficamos agradavelmente meio baralhados com um conjunto de personagens que nos são apresentadas num mundo próprio sem qualquer, aparentemente, elo de ligação entre elas. As personagens são cheias de vidas e levam-nos a querer saber mais sobre quem são e qual o seu papel no Mundo de Eos.
Gostei muito do que li, a escrita é agradável e cativante. O Mundo que nos é apresentado tem uma estrutura própria que de inicio se custa a perceber, mas no final todas as ligações são perceptíveis e aí queremos conhecer ainda mais.
O volume I de Downspiral é primeiro livro de um jovem escritor português que se revela como o primeiro escritor de steampunk em Portugal.
Recomendo vivamente.
Só apresenta um pequeno problema, é que quando chegamos ao final, tudo fica em aberto e não temos ainda o volume II para continuar.
Dou 4 estrelas, são merecidas.
Profile Image for Pedro.
Author 51 books61 followers
March 11, 2015
A parte do Alleth é desnecessariamente engraçada e demasiado inverossímil. O tom dessa linha não é compatível com o resto do livro. Não gostei do final ser aberto, nem das mudanças de perspectiva à la carte. Dava jeito uma lista de personagens, visto que quando cheguei ao fim das primeiras 100 páginas já não sabia quem era quem. A descrição nalgumas partes cheira a info dump. Há gralhas e erros de paginação.

Agora que já apontei os pontos maus, vou passar aos bons. O universo criado é imenso e consistente. Nota-se que o autor teve bastante empenho. A maioria das personagens é interessante e tem reacções compatíveis com o que se esperava delas, sem se tornarem muito previsíveis. Não há momentos mortos, se bem que questiono a utilidade de algumas cenas para a trama. Há alguns Easter Eggs.

Só me resta esperar pelo segundo volume!

Recomendo a quem gostar de Steampunk e quiser descobrir um promissor jovem português.
Profile Image for Carina.
Author 46 books87 followers
February 11, 2015
Com uma prosa muito boa (por vezes demasiado), a história desenvolve-se a um ritmo mais ou menos rápido, com bastantes cenas de acção. O maior problema notado foi com as personagens em si. Tirando uma excepção ou outra, ao longo do texto, não conseguem criar empatia com o leitor (falo por mim), só transmitindo um pouco mais de emoção e sentimento nos últimos capítulos. Também senti falta de uma personagem feminina "forte".

Quanto à revisão, precisava de uma mais atenta no que diz respeito à detecção de gaffes. Encontrei demasiadas. E se há quem diga que não se importa, para mim é como ter uma mosca no prato: não estraga a comida, mas dá uma impressão péssima.

Em todo o caso, foi uma leitura agradável que deixou vontade de descobrir o que se passará com as personagens no próximo livro.
Profile Image for Pedro Pacheco.
131 reviews22 followers
January 13, 2013
Um dos melhores livros que já li? Sem dúvida!
"Prelúdio" de Anton Stark é um daqueles livros que é praticamente impossível de resumir ou de "criticar" pois revela uma história tão complexa e tão intrigante que para fazer uma opinião completa iria demorar dias a escrever. Mas mesmo assim, vou tentar o meu melhor.
"Prelúdio" é o primeiro volume de uma saga de fantasia com uma mistura de steampunk denominada de "Downspiral" e lança-nos para os Reinos de Vapor, um mundo fascinante e completo que nos deixa a desejar por mais. Seguimos a história de diversas personagens que, no início, parecem estar completamente separadas umas das outras mas que, mais para o fim, descobrimos que sempre estiveram ligadas. A personagem central é Alleth Vairs, um amorsleano, ou melhor, um espião, que trabalha para o Serviço de Reconhecimento Amorsleano e se no início não percebemos o porquê da vida que leva, no fim descobrimos que as suas intenções vão muito para além do fútil. A história começa com Alleth a chegar a Drimwall de uma maneira um tanto ou quanto excêntrica e o seu destino cruza-se com o de um bando de ladrões e assassinos ao serviço do Sindicato, uma rede criminosa espalhada por todos os Reinos Unidos de Amorslea. Nev, Beltais, Russ e Leman assaltam-o brutalmente e, quando se apercebe, Alleth lança-se numa aventura que não estava nos seus planos. Depois conhecemos Quanon da Chama, um templário de Hlal, o seu deus. Quanon luta lado a lado com o Justiciar Drandon (uma personagem que me fascinou bastante)nua jornada para levar Hlal aos hereges do sul. Um vasto elenco é-nos apresentado, todos eles envolvidos numa grande teia de expiação, morte, intrigas e poder. O Duque Rehnquist que joga um jogo de poder e tece uma grande teia que pode desabar com um simples passo em falso. Stephan (outra personagem fascinante) que se vê atirado para o cargo de um pequeno exército e que luta ferozmente pela sua pátria. Alemburn,um membro do Serviço infiltrado no Sindicato mas cujas acções passam para lá da simples infiltração...

Para além das personagens acima referidas (que não chegam a um terço do total de personagens neste livro), creio que o que mais me fascinou neste livro foi o world-building, um dos melhores que alguma vez tive o prazer de ler. Feliz a hora em que li este livro. Creio que posso comparar este mundo, este world-building, ao do próprio mestre da fantasia, J.R.R. Tolkien. Complexo, completo, fascinante e que simplesmente nos deixa a querer saber mais. Percebe-se, ao longo do livro, que o autor está bem ciente do seu mundo, sabe a sua história e como chegou aos dias em que se desenrola a acção. Falta mesmo um livro complementar com todos estes extras e mais!
Outro ponto essencial e maravilhoso neste livro é a escrita que é bastante diferente daquela a que estou habituado. Sempre pensei que a escrita na 1ª pessoa ou por POV's era a melhor para retratar cenas de acção ou para nos fazer compreender a mentalidade das personagens. No entanto, este livro, que se encontra escrito na 3ª pessoa, fez tudo isso e mais. A forma como o autor quebra o ritmo inesperadamente para nos mostrar o que se passa noutro lugar ou junto de outra personagem faz com que a história se desenrole na nossa cabeça como um filme.
As personagens foram um dos outros pontos fortes do livro mas que, mesmo assim, creio que necessitam de mais trabalho. Certo que é apenas o primeiro volume de, supostamente, quatro. Simpatizei com a maior parte delas e odiei aquelas que era suposto odiar. Houve algumas que senti emoções mistas (amor e ódio) como o Alemburn ou o Rehnquist e outras ainda que me fizeram rir, ficar triste ou até mesmo tremer com arrepios. As principais (mais o Stephan e o Alleth) têm direito a passagens do seu passado que nos dá a conhecer mais sobre estas personagens, mas creio que isto é preciso para mais personagens. Precisamos de perceber mais sobre as intenções e os porquês das personagens terem chegado ao ponto onde chegaram.
O último ponto forte que quero referenciar são os plot-twist, os momentos em que pensamos que a história ruma para um ponto mas depois sofre uma alteração e segue um rumo completamente diferente. As revelações que nos são feitas, as máscaras que são retiradas, os destinos que se cruzam, tudo isso contribui para que este seja um livro que nos faz querer virar a próxima página.
Agora para os pontos negativos (que são poucos). O primeiro será mesmo os erros e gralhas ao longo do livro mas sei de fontes seguras que estes já foram reparados para as edições mais recentes. Isto foi algo que me distraiu um pouco e que me confundiu pois certas personagens que eram masculinas viram femininas de um momento para o outro, nomes são trocados (ou letras nos nomes). Mas nada de pânico, já foi tudo reparado.
A seguir são as personagens que, como já referi, precisam de mais um pouco de back-story, mas nada de alarme porque mesmo assim as personagens são brilhantes e este é só o primeiro volume (como já referi também).
O último ponto negativo é o final que é demasiado em aberto. Parece que o livro simplesmente acabou ali, como se fosse um intervalo num filme quando vamos ao cinema ou algo do género. Algumas pontas deviam ter sido atadas e aparadas mas a história central (que gira em volta do Sopro) deve ser deixada em aberto para cativar os leitores para o próximo volume. Mas compreende-se pois para ter um final conclusivo e perfeito, o livro teria de ter mais de mil páginas devido às personagens e às sub-histórias contidas na história central.

No final, um livro quase quase quase perfeito com alguns problemas mas que mesmo assim não são suficientes para retirar uma estrela às cinco que atribui ao volume. Recomendo vivamente para os amantes de fantasia e de drama e para aqueles que nunca leram steampunk (como eu) ou para aqueles que já leram mas que querem ver o género misturado com a fantasia.

Até à próxima e... boas leituras!
Profile Image for Mónica Silva.
272 reviews45 followers
April 13, 2013
Opinião no blog http://howtoliveathousandlives.blogsp...

Foi com grandes expectativas que iniciei esta leitura, particularmente por saber que seria o meu primeiro contacto com o género Steampunk. Mesmo assim, fui tomada de assalto por uma obra verdadeiramente estimulante, que me deixou surpresa pela sua qualidade e originalidade.

O Mundo de Eos é incrivelmente bem delineado, com algumas semelhanças ao mundo real mas bastantes particularidades interessantes e inovadoras. O autor apresenta conceitos novos a todo o momento, o que pode ser um desafio para o leitor. Por vezes, tive a necessidade de reler algumas passagens, saboreando toda a complexidade deste world-building fenomenal. Por conseguinte, este não é um livro que se possa ler na diagonal, requer tempo, disponibilidade e uma mente aberta. Um dos aspetos mais positivos neste domínio é o facto de o autor não recorrer ao infodump para descrever este mundo, colocando cada pedacinho de informação nos locais ideiais.

Outro aspecto que me deixou encantada foi a forma como as estórias individuais, introduzidas em cada capítulo, se interligam no final. Inicialmente, tudo parece aleatório e fragmentado, acabando por quebrar um pouco do ritmo da narrativa. Contudo, à medida que a estória se desenrola, os elos de ligação tornam-se visíveis e a narrativa adquire um ritmo dinâmico e viciante. Em particular, adorei o ambiente de segredos, intrigas e manipulações constantes que domina este reino.

Quanto às personagens, penso que algo falhou neste domínio. Enquanto leitora, não me identifiquei nem criei empatia com grande parte dos protagonistas, talvez excetuando Stephan, cujo carácter e motivações me pareceram bem construídas. Compreendo, porém, que com um rol tão grande de personagens seja uma tarefa árdua desenvolver minuciosamente cada uma, até porque algo terá que sobrar para os restantes volumes, certo? Ainda assim, gostaria que Nev tivesse sido abordada de forma diferente, pois adorei a sua introdução na estória, os seus feitos enquanto ladra, mas rapidamente se tornou numa personagem demasiado secundária. De igual modo, Rhenquist foi uma personagem que me intrigou, os seus jogos de poder e manipulações secretas deixaram-me ansiosa por saber como a sua estória se desenrolará nos próximos volumes.

Em relação à escrita, o autor apresenta uma capacidade bastante polida, utilizando um vocabulário complexo mas sempre num contexto facilmente identificável pelo leitor. Na verdade, nota-se o perfeccionismo e minuciosidade do autor, que não se poupou a esforços para nos trazer a sua estória contada da melhor forma possível. Assim, penso que estamos indubitavelmente na presença de um prelúdio para uma saga com grande potencial!
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