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Bola com Feitiço, antecedido de Mestre Tamoda

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Follows the adventures of Mestre Tamoda, an archetypal bush lawyer and mock rhetorician from Angola.

79 pages, Paperback

First published January 1, 1974

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Uanhenga Xitu

4 books1 follower

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Displaying 1 - 6 of 6 reviews
Profile Image for Nicholas Beck.
385 reviews13 followers
November 9, 2024
This one is an absolute riot. Uanhenga Xita's (literally Hanging Meat) political satire hits even harder considering he wrote these stories in jail. It's at first read a genial, tread softly softly, satire poking fun at Upper Portuguese society in Angola and their social prejudices. Make no mistake though they are the Colonial masters of the time and soon after this book was written, Angola was to descend into a vicious Civil War. Xita's characters are the vanguard of a society about to be turned upside down.
Profile Image for Daniel Polansky.
Author 38 books1,267 followers
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January 10, 2022
Rabelesian fables about a fast-talking good-for-nothing and post-Colonial Angola. Despite being written while the author was imprisoned by the Portuguese regime, they possess an earthy joy at the daily realities of Angolan existence. Fun and strange.
Profile Image for Maria Luísa.
11 reviews
January 29, 2020
Sobre o Autor: Uanhenga Xitu é o pseudónimo em kimbundo de Agostinho André Mendes de Carvalho. Numa entrevista à União dos Escritores Angolanos (U.E.A) em 2006, o próprio explicou: "(...) Uanhenga é pendurar e Xitu é carne. Na sanzala diz-se: “uanhega xitu ku mu nja u mundo”, o que significa, ele levou a carne e passa pela cidade fora, ninguém gosta deste homem, porque ele vai comer sozinho.".
Nasceu em 1924 na sanzala de Calomboloca, pertencente ao concelho de Catete, em Angola. Estudou enfermagem, profissão que viria a exercer. Membro do MPLA desde a sua fundação, foi julgado e esteve preso no âmbito do “Processo dos 50” no Tarrafal na ilha de Santiago em Cabo Verde, desde 1959 a 1970, período durante o qual terá escrito a novela "Mestre Tamoda". Em 1977 publica "Bola com Feitiço", em 1978 "Manana", em 1979 "Maka na Sanzala", em 1980 "Os sobreviventes da Máquina Colonial Depõem...", ainda no mesmo ano, "Os Discursos do Mestre Tamoda", em 1989 "O Ministro" e em 1997 "Cultos Especiais". Após a Independência assume cargos como o de Comissário Provincial de Luanda e de Ministro da Saúde. Foi Embaixador extraordinário e plenipotenciário de Angola em Varsóvia e em Berlim-Leste, onde acabou por estudar Ciências Políticas. Além de cargos no executivo exerceu ainda funções de presidente em algumas associações filantrópicas, desportivas e literárias, nomeadamente na Cruz Vermelha de Angola, na União dos Escritores Angolanos, e foi Presidente da Assembleia Geral do Clube 1º de Maio de Benguela e do Sporting Clube de Luanda.
Embora tenha escrito poemas, destacou-se sobretudo pela prosa, fundamentalmente através da escrita de contos.

Este livro é composto por dois pequenos e extraordinários contos. No primeiro:

«O novo intelectual, no meio de uma sanzala em que quase todos os seus habitantes falavam quimbundo e só em casos especiais usavam o português, achou-se uma sumidade da língua de Camões. Ao dicionário apelidava: o ndunda – aliás, termo também aplicado, em quimbundo, a qualquer livro volumoso e de consulta. Nas reuniões em que estivesse com os seus contemporâneos bundava, sem regra, palavras caras e difíceis de serem compreendidas, mesmo por aqueles que sabiam mais do que ele e que eram portadores de algumas habilitações literárias. Quando em conversa com moças analfabetas e que mal pronunciavam uma palavra em português, o «literato», de quando em vez lozava os seus putos. Porém, alguns deles nem constavam dos dicionários da época.”

O Mestre Tamoda é a personagem principal do primeiro conto que constitui este livro. Nascido na sanzala de Colomboloca, emigra para a cidade de Luanda onde, em virtude da convivência com os filhos dos patrões para quem trabalhou, adquire conhecimentos da língua portuguesa e de direito. Regressado à sanzala, por apresentar um comportamento, quer na roupa que veste, quer na postura que apresenta, bem como na linguagem e escrita que utiliza, tal valeu-lhe a alcunha de Mestre. E se por um lado isso lhe trouxe o respeito e fascínio de uns, provocou igualmentente a repulsa de outros habitantes bem como das autoridades coloniais. Este conto é uma crítica à vida colonial e o Mestre Tamoda a caricatura do angolano, sujeito à hipocrisia dessa mesma vida colonial.

No segundo:
«O dia do jogo chegou. Tudo estava preparado. O árbitro apita, e começa a partida. De um ao outro lado, a bola rola, e os feiticeiros contratados os velhos quimbandas, Ndunda e Kudima, de vez em quando sacudiam os cachimbos que continham produtos mágicos, batendo-os com força ora na palma da mão ora no joelho descarregando emissões mágicas que iam atuar no corpo dos jogadores adversários, inferiorizando-os.».

No outro conto, “Bola com feitiço”, o narrador conta-nos a história de um jogo de futebol entre as equipas das povoações de Nganga e Calomboloca. Para que este jogo corresse bem cada equipa arranjou um feiticeiro com intuito de ganhar o jogo. Contudo, o jogo de futebol acaba por terminar num desastre. O motivo? Excesso de feitiçaria. Ou então porque, alguns dos jogadores da equipa de Calomboloca, por serem cristãos, se recusaram a participar nos rituais, porque estes eram contra a sua fé. Demarca-se a ideia de que pelo facto dos jogadores cristãos não se terem aliado aos rituais tradicionais todos teriam sido amaldiçoados.
Profile Image for Tony.
1,775 reviews99 followers
January 20, 2026
I picked this up while seeking out fiction from Angolan writers who weren't as culturally linked to Portugal as most appear to be. Originally a nurse by profession, the author became active in the anti-colonial movement and started writing during his twelve years in prison. Upon Angola's independence from Portugal in 1974, his writing began to be published, including the initial section of this book.

That first section is "Mestre" (Master) Tamoda, and is the surviving fragment of a prison manuscript. In it, we meet the titular character who is a parody of a certain colonial-era archetype -- the colonized who takes on the dress, manners, and language of the colonizer in an attempt to project a status cannot hope to achieve. Tamoda is renowned for having an apparently impressive grasp of Portuguese vocabulary, and doesn't stint on deploying his arsenal of $10 words, even if they don't always suit the occasion. The twenty or so pages abound in farce, as Tamoda strives to impress the local youth with his dictionary, resulting in an unfortunate misuse of the word "libidinous."

The next part of the book was written later, in response to the popularity of the initial Tamoda tale. The first fifty or so pages are titled "The Village" and provide encore appearances of Taomda, first at a funeral and then at a soccer match. These are again, quite farcical set pieces -- and are interspersed with a few other short tales, such as that of Tamoda's cousin's remarriage and the precise definition of the word "deflowering" and Tamoda's train ride to Luanda. The final eighty pages, titled "The Town" is a more complete narrative, abandoning vignettes of the previous pages for a tale of forbidden interracial love between a black tennis instructor and the beautiful daughter of Portuguese bourgeois. As in the other two stories, this leads to farce as the townspeople mock the parents' racism by putting on a mock wedding of the couple.

The overall effect is interesting if not cohesive, but the comic tone is a nice change of pace from the tough realism or didactic call-to-arms that often features in post-colonial fiction.
Profile Image for Paulo Teixeira.
977 reviews14 followers
March 24, 2019
(PT) Meste Tamoda era um discursador que fazia-se presente em toda a qualquer algomeração existente em Luanda e arredores - desde inaugurações a funerais, passando por casamentos e jogos de futebol - onde fazia o discurso mais solene e com as palavras mais complicadas existentes no vocabulário, quer português, quer em kimbundo. E aqui estão um compilação de alguns dos discursos mais memoráveis captadas em tempos de Angola colonial.

Estes "Discursos do Mestre Tamoda" são historietas contadas por Uanhenga Xitu (1924-2014), nome kimbundo de Agostinho André Mendes de Carvalho, que foi enfermeiro nos tempos coloniais, combatente do MPLA e prisioneiro politico, para depois da independência ser deputado, governador, ministro e embaixador na RDA, estando ativo até aos seus últimos dias, com quase 90 anos de idade.

Os discursos e as histórias que os acompanham têm o seu quê de insólito e são contados de uma maneira que nos faz recordar escritores como Jorge Amado ou "Gabo" Marquez, num realismo algo mágico, num país e num continente onde a magia é algo bem importante, como é Angola e África, mas por vezes, como no caso da Arlete e do Marajá, a história ser por vezes arrastada e algo aborrecida.

Mas isto serve para mostrar que quando se fala da escrita e de escritores angolanos, existe mais do que Pepetela, Luandino Vieira ou José Agualusa, embora Uanhenga Xitu não seja assim tão conhecido nos dias de hoje.
Profile Image for Rowan Sully Sully.
271 reviews6 followers
December 20, 2020
Loved the character of Tamoda. Unfortunately after a few chapters he disappears from the novel and it focuses on a scandalous interracial relationship. A fun read nevertheless.
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