O protagonista desta história é um Homem plano que vive num mundo de duas dimensões. Um dia, ele encontra uma impressão digital numa das páginas de um livro e fica obcecado por esta estranha "letra". Depois de intensas investigações, apercebe-se da existência de um mundo muito diferente do seu: um mundo com três dimensões; quando tenta divulgar a sua espantosa descoberta junto ao resto do povo plano, é acusado de delito de opinião, de perturbação da ordem pública e é preso. Mas não desiste e, quando sai da prisão, consegue descobrir um meio de passar para o mundo de três dimensões. Já deste "lado", e sabendo que só pode se manter por aqui se estiver permanentemente a ser "visto", opta por raptar leitores, espectadores e observadores em geral...
Cresceu em Lisboa, Macau, Utrecht, Helsínquia. Trabalha em teatro, dança e cinema. Quase sempre nos bastidores. Vive entre Paço de Arcos e Antuérpia.
Tem 34 anos. Publicou "Operação Cardume Rosa"; "Se Não Bigo Não Digo" (ambos na Fenda); "Odília ou a história das musas confusas do cérebro de Patrícia Portela" (Caminho) e "Escudos Humanos" (Culturgest). Fez o curso de realização Plástica do Espectáculo e esteve no Teatro da Garagem, O Olho e Projecto Teatral. Escreveu diversas peças, como one spoke, one smoked, one died; Operação Cardume Rosa; T5; Banquete ou a Trilogia Flatland. Recebeu os prémios ACARTE/Madalena Azeredo Perdigão; Revelação de teatro pela Associação de Críticos de Teatro Portugueses e Navegadores Portugueses 94 de BD, pelo CNC.
Me ha gustado. Un libro divertido que me sacó un poco de lo que acostumbro a leer.
La historia de un hombre plano y su camino hacia la tridimensionalidad. Explorando conceptos de manera simpatica y ligera que en verdad te dan para pensar un rato. Un poco Gerónimo Stilton, eso sí, con paginas de letras repetidas o con una sola palabra que también le dan un toque, no sé si por nostalgia.
Quando um Homem Plano intui a existência de um Mundo ExtraPlano, habitado por Homens Espaciais capazes de contactarem directamente com o Mundo Plano, decide mudar o mundo que habita. Confrontado com a resistência dos concidadãos, o Homem Plano opta por se alterar a si próprio. Esta é a história dos seus esforços para se tridimensionar. Logo desde a maravilhosa dedicatória, Para cima e não para norte propõe-se pensar, de forma algo alegórica e certamente não linear, sobre a ficção e a sua influência. Durante a primeira parte o Homem Plano apresenta a realidade que habita e explora-a, desconstrói-a, já não se limitando a deslizar por letras e palavras mas atribuindo-lhes também um significado, aprendendo a ler a diferentes níveis. Apesar de tanto as experiências que elabora como as descobertas a que chega serem menos inovadoras do que supõe, estas provam-se essenciais à sua evolução, mesmo quando o conduzem a erros de percepção. E progressivamente passa-se da esfera individual para a social, dos efeitos que a ficção pode exercer sobre cada um para as suas diversas e vastas influências nas civilizações. Se a segunda parte se revela uma delicada e intrincada reflexão sobre as consequências de querer ser visto e receber atenção, estabelecendo ligações quer com a televisão quer com o terrorismo, a terceira avança por uma situação desenfreada com todas as subtilezas, reviravoltas e conclusões tragicómicas da contemporaneidade. A partir de um discurso televisivo tão hilariante quanto preciso, surgem ecos das reacções da opinião pública, das instituições governamentais, dos políticos, dos académicos, dos anónimos apanhados no fluxo dos eventos; espelha-se toda a sociedade que nos forma e somos. Patrícia Portela apresenta desde o início as premissas que sustentam a vida do Homem Plano e não só as explica bem como as desenvolve e distende. Além disso, serve-se activamente do grafismo do livro para auxiliar a compreensão e enriquecê-la. Para cima e não para norte afirma-se pleno de originalidades, diversões, diferentes leituras, e termina a sugerir novos princípios. (Resenha originalmente publicada em Março de 2012 na Revista Bang! 12.)