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À Espera de Moby Dick

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Um desgosto avassalador leva um lisboeta a refugiar-se numa enseada perdida dos Açores para cumprir um velho sonho: avistar baleias. Enquanto espera pela chegada dos gigantes marinhos, ocupa os dias naquele lugar dominado pelo ruído do oceano a tentar reencontrar-se e a escrever cartas para o seu melhor amigo, contando-lhe o fio dos seus dias no exílio, mas também para destinatários tão improváveis como o Instituto Nacional de Estatística, o boxeur português com mais derrotas acumuladas ou um guru de auto-ajuda de sucesso planetário.

À medida que o tempo passa, consegue vencer a solidão absoluta que impôs a si próprio e estabelece contacto com os seus poucos vizinhos, como um alemão bem-humorado, que todos os dias sai sozinho para o mar, e um casal de reformados oriundo do continente, que recebe cartas do filho dos mais variados lugares do mundo. Depressa descobre que, naquela enseada, todos têm qualquer coisa a esconder e nada é exactamente o que parece.

À Espera de Moby Dick é um romance grandioso e envolvente que nos fala do amor, da perda e da extraordinária capacidade de regeneração do ser humano perante as maiores adversidades.

243 pages, Paperback

First published August 21, 2012

5 people are currently reading
124 people want to read

About the author

Nuno Amado

12 books25 followers
Nuno Amado nasceu em Lisboa, onde se licenciou em Psicologia Social e das Organizações e Psicologia Clínica. É doutorado em Psicologia do Desenvolvimento pelo Instituto Superior de Psicologia Aplicada/Universidade Nova.
Actualmente divide a sua actividade entre a prática clínica e o ensino, ocupando a posição de Professor Adjunto no Instituto Superior de Educação e Ciências. As suas actividades de investigação têm-lhe permitido publicar e participar em vários congressos científicos em Portugal e no estrangeiro. No nosso país, é pioneiro no estudo da Psicologia do Amor.

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12 (7%)
1 star
6 (3%)
Displaying 1 - 30 of 38 reviews
Profile Image for Inês.
217 reviews65 followers
January 5, 2013
Escrevo assim que acabo de virar a última página. Há livros que me pedem ensurdecedoramente para o fazer. Não sei se vou gostar tanto dele amanhã como gosto hoje, por isso é justo que lhe dê uma palavrinha antes de saber se as saudades apertarão ou não quando os dias se sucederem à nossa despedida.
Não podemos aclamar Nuno Amado como um Escritor. Ainda. Não irei correr para as livrarias sempre que lançar um novo romance, mas afirmo que correrei para as caixas registadoras sempre que a sinopse me agradar. Como esta.
A história deste romance é cativante e a forma como ela se desenrola aos nossos olhos também. Vejo-a transformada num filme com uma fotografia espantosa que saltaria dos Açores às capitais europeias, que guardaria no tempo as expressões destas personagens, ora melancólicas ora eufóricas. Personagens que dão sentido à expressão popular "de génio e louco todos temos um pouco".
"À espera de Moby Dick" faz o que tem de fazer: comove quando tem de comover, faz-nos sorrir quando é preciso e surpreende-nos várias vezes. Sabe-me bem confessar que a 20 páginas do fim tive de parar para recuperar o fôlego e só depois continuar a ler.
Se me obrigarem a apontar defeitos foco-os na quantidade descomedida de metáforas, em algumas frases demasiado longas que não acrescentam nada a esta belíssima história e talvez nos demasiados clichés. E quando me preparava para acrescentar à lista o exagerado turismo por cidades mundiais também elas clichés, o autor dá-me uma boa razão para retirar o pensamento antes de o dizer em voz alta. Touché!
Não estou rendida ao escritor mas faço vénias ao contador de histórias. Este é um livro que se recomenda a curiosos. A quem quer saber "em que ecossistema se confundiria uma vaca preta e branca com o seu habitat" ou "quantas lágrimas por dias chora um português" e se este valor "é superior ou inferior à média europeia". Não vão encontrar as respostas, mas ao menos vão saber que houve alguém que deixou estas perguntas imortalizadas num livro.
Profile Image for Lénia.
Author 6 books767 followers
October 24, 2012
Para mim, foi um livro inesperado. Não esperava gostar tanto da escrita do autor, não esperava enlear-me tanto nesta história. É um daqueles livros que se lê de um fôlego e que fica a remoer por dentro. Apesar disto, é uma história simples, e o autor não se perdeu em salamaleques desnecessários nem em prosa supérflua. Gostei muito, muito mesmo.
Profile Image for João Carlos.
670 reviews316 followers
September 23, 2015

Praia dos Moínhos - Porto Formoso - S. Miguel - Açores

O romance do escritor português Nuno Amado (n. 1978) ”À Espera de Moby Dick” começa com uma carta ”Querido melhor amigo,
Não me vou matar. Sei que há quem tema que, depois do que aconteceu, seja esse o meu desejo. Não é. Por mais estranho que pareça é verdade o que disse: vim para os Açores para ver uma baleia. O isolamento, o clima melancólico, a distância de todos os que me são queridos, o tempo semelhante ao londrino e a ausência de Internet são apenas vantagens adicionais.”

O narrador, sem nome, sofre um desgosto avassalador, refugiando-se nos Açores, nas proximidades de Ponta Delgada, na Ilha de S. Miguel, um romance epistolar, numa narrativa que vai sendo construída “unindo” histórias fragmentadas decorrentes: das cartas que escreve para o seu amigo que reside em Lisboa, ; das cartas que escreve para várias pessoas, entidades e/ou instituições, ; e das cartas que escreve aos seus pais,
A premissa inicial de “À Espera de Moby Dick” é interessante, um evento dramático, que provoca uma ruptura emocional, originando uma fuga, um exílio açoriano, um “silêncio” e um isolamento em busca da redenção e de um reencontro existencial – mas no contexto geral fiquei desiludido com a localização da narrativa em S. Miguel (por vários factores, incluindo o avistamento das baleias e o isolamento geográfico, a Ilha do Pico, fazia, eventualmente, mais sentido); fiquei decepcionado com a ambiguidade e a incoerência das personagens secundárias (o alemão e o casal Viana – incluindo as “cartas” do filho do casal), estranhas e improváveis coincidências; não gostei da dispersão geográfica das cartas para os pais (Paris, Goa, Florença, Praga, Marraquexe, “Local Desconhecido, Amesterdão, Madrid e Nova Iorque), nem do texto nem do tipo de escrita, demasiado rebuscada e artificial; fiquei desapontado com o “pouco” desenvolvimento sobre as vivências culturais e ambientais dos micaelenses; e…
Esperava mais, muito mais…
Profile Image for Tânia.
483 reviews
July 26, 2015
"Uma melancolia nascida da finitude da vida. De saber que, por mais que viva, muito mais ainda fica por viver. Que, por mais sítios que visite, muitos outros mais ficam por visitar. Que tentar apreender a beleza do mundo é como querer recolher toda a água do mar com um dedal."
Profile Image for Telma_Txr.
116 reviews81 followers
May 21, 2015
Finalmente terminado. Há tanta coisa que eu não gosto neste livro que nem sei onde começar.
Nada a apontar em relação à escrita ou prosa. E por isso talvez merecesse 2 estrelas. Só que 1 estrela significa que não gostei e é isso o que sinto ao terminar este romance.
O livro parecia interessante, principalmente por ser um romance epistolar mas rapidamente perdi o interesse quando percebi que a perspectiva da correspondência era unilateral. E o personagem principal, o autor da maioria das cartas é um tipo tão beto, urbano e chato que incomoda. Um verdadeiro hipster. Ai que coisinha tão lamechas-pseudo-intelectual que acabei de ler. A sério, com tantas opiniões positivas de certeza que o problema com este livro fui eu mas achei-o um autêntico Margarida Rebelo Pinto no masculino.
Depois a temática: uma tragédia acontece e alguém "foge do mundo" para fazer o luto. É tão banal e desinteressante que nem sei explicar. Se tivesse sido escrito por uma mulher teria sido imediatamente rotulado de "livro de gaja" mas como o autor é um homem é "opá, aqui está uma análise profunda sobre a dor e a perda e o recuperar o amor à vida." Balelas! Há outras cartas, escritas por outros personagens, que soam todas ao mesmo. A voz do personagem não muda e isso significa, que por muito boa que seja a ortografia e gramática do autor, falta de talento. Esta é a minha opinião.
Podia ter desistido da leitura aos 30%, momento em que percebi os mistérios que a história continha mas continuei por teimosia e vontade de estar errada. Desejei que, de alguma forma, a história ia dar a volta e surpreender, largar o marasmo e ladainha em que tive enfiada durante mais de 200 páginas e dizer-me: "Vês?! Valeu a pena apostares num autor português desconhecido!". Só que isso não aconteceu.
Aliás, não deixei esta opinião em bruto como estava ontem, que escrevi quando terminei de o ler, porque acho que, apesar da nota negativa merecia uma opinião mais construtiva e menos impulsiva. Além disso a comunidade do Goodreads é uma aldeia e antes que esta estrela vire polémica, decidi elaborar um pouco mais nos "porquês". Assim, após reflectir um pouco sobre o assunto percebi que:
- Poderá ter sido o livro errado para o momento que estou agora a viver, que é feliz e excitante e longe de tristezas de mortes e outras perdas.
- Porque não acredito em fugir do mundo. Fugir dos amigos, da família, dos deveres. Acredito sim na incapacidade em lidar com eles naquele momento mas não na fuga como uma espécie cura.
- Porque foi uma fuga descomplicada: Uma pessoa com uma profissão de horários flexíveis e vida boémia, com dinheiro no banco, sem necessidade de regressar. Demasiado bom para ser verdade.
- Porque glorifica a vida boémia e demonstra um certo desprezo pelas profissões mais convencionais. Eu desprezo quem pensa assim. Não gosto, não entendo, não quero saber.
- Porque todos os envolvidos eram demasiado bons, principalmente o protagonista. Onde está o conflito, a raiva, o medo, o quebrar e revoltar-se contra a vida, contra o mundo, odiar tudo e todos e a sim mesmo também? Preferia mil vezes ter lido isso. Porque é no conflito e na resolução do mesmo que se constroem boas histórias. Mas pronto, lá está: isto nem foi bem uma história, foi apenas um narrar de eventos.
Profile Image for Carmen.
74 reviews14 followers
November 12, 2012
Há muito tempo que um livro não me entrava assim devagarinho, quase sem dar por ele, e se entranhava em mim.

São cartas, apenas cartas, que contam da vida, de emoções mais do que de actos, cartas que nos agarram, logo desde a primeira.

Muitas vezes tive desejos de solidão, de me afastar de todos para fazer as pazes comigo e com os outros e acabei por nunca o fazer. Mas nunca me imaginei a escrever do exílio para alguém, talvez para mim apenas. Se calhar é aí que está o segrego, o passo que marca a passagem do caminho na escuridão, para o lusco-fusco, em direcção novamente à luz.

E descobrir que afinal o segredo está nas pequenas coisas, não é isso que acabamos sempre por concluir?

Profile Image for Carla Faleiro.
235 reviews28 followers
October 1, 2015
Só lendo se poderá ter uma ideia do que é este livro.
A beleza das palavras, a melancolia, a solidão... Quantos de nós não quisemos já exilar para esquecermos o que perdemos, para esquecermos quem perdemos? Um exílio de redescoberta.

Este será seguramente, um dos livros mais belos que já li, muito bem escrito, cheio de imagens, cheio de sentimentos, cheio de passagens sublinhadas... Senti-me tocada por ele.
Profile Image for Marta Mesquita.
39 reviews5 followers
May 6, 2013
Gostei muito!! Um livro que nos prende e que nos 'ensina' a olhar com olhos novos para o mundo, para o nosso mundo.
Bem escrito, sem grandes floreados e com algum humor à mistura, é um livro que se entranha na alma. É uma obra com a qual qualquer pessoa facilmente se identifica, mas que também nos transmite aquela sensação de que foi escrita para nós.
Um livro que entrou para o meu Top 10!
Profile Image for Célia | Estante de Livros.
1,189 reviews277 followers
January 27, 2016
Finalmente, uma opinião sobre um livro que tinha pensado ler para o mês temático de autores portugueses (que, como já devem ter percebido, está a correr miseravelmente). À Espera de Moby Dick suscitou-me interesse pelas boas opiniões que tenho vindo a ler, e o facto de ser de um autor português que ainda não tinha lido aguçou-me ainda mais a curiosidade. É ainda importante referir que este foi um livro lido no âmbito de uma leitura conjunta.

Romance escrito na forma epistolar, contém uma série de cartas escritas por um homem que se refugiou num local recôndito nos Açores, depois de uma grande perda – de que, curiosamente, o exilado (sem nome) raramente fala, mas que ainda assim permeia todas as cartas que este homem envia a um seu amigo do continente.

E assim o livro vai avançado, com o narrador a relatar ao amigo a vida pacata que leva, as pessoas com quem se cruza, a sua luta para encontrar a redenção – que ele pensa estar, de certo modo, relacionada com o avistamento de baleias. Mas nem só das cartas da personagem principal vive o livro, porque temos também acesso a algumas cartas escritas pelo filho viajante de um casal que também se refugiou nos Açores e mora perto do nosso narrador principal.

Parece-me ser um livro que será tanto mais apreciado quanto o leitor se identifique com sentimentos de perda, de solidão e da busca incessante pela vontade de viver. Porque me identifiquei com várias coisas que esta personagem vai descrevendo, foi um relato que teve significado para mim, ainda que a imagem que passa não seja a de uma pessoa de quem seja muito fácil gostar.

O facto de o livro tratar basicamente de correspondência unilateral pareceu-me uma forma de o autor demonstrar que estava mais interessado em mostrar ao leitor quem era esta pessoa e deixar-nos entrar na consciência dele do que propriamente contar uma história com princípio, meio e fim. Ainda assim, penso que este livro tinha mais para dar; gostava de ter continuado a acompanhar esta personagem, de ter sabido mais sobre ela.

Gostei bastante da escrita de Nuno Amado; foi daqueles textos que me deu vontade de guardar várias passagens por terem significado para mim. Fiquei com muita vontade de ler mais coisas deste escritor.

A única vingança que há perante a morte, como já alguém disse, é viver. E viver com os mortos e os vivos dentro de nós. Viver num mundo que, apesar de já não conter o que nele eu mais amava, ainda tem muito para ser amado.
Profile Image for Ana.
753 reviews114 followers
June 10, 2016
Este livro foi uma descoberta muito agradável. Foi uma surpresa recebida através do Bookcrossing, numa "lotaria" organizada por um dos membros em que o feliz contemplado (neste caso eu) recebe livros escolhidos pelos restantes participantes. Neste caso, não conhecia nem nunca tinha ouvido falar do livro ou do autor e descobri uma história muito bem escrita, contada através de cartas. E apesar de lá mais para o fim ter descoberto um pequeno mistério antes do tempo, o livro não perdeu nunca o interesse.
Profile Image for Mª João Monteiro.
962 reviews81 followers
September 29, 2022
Gostei muito da primeira metade. A escrita, o mistério que o protagonismo transmite. A última parte já não me entusiasmou tanto. Alguém resolve ir viver para S. Miguel para ultrapassar uma perda que não é mencionada. Mantém contacto com a realidade anterior através de cartas para um amigo e para algumas entidades. Entretanto conhece algumas pessoas que também ali estão confinadas, por um motivo ou outro. Para além desse conhecimento que se aprofunda, fazemos viagens pela ilha, vamos ver baleias, lemos livros com o protagonista. Ficamos próximos dele e criamos empatia. Gostei muito da escrita e das ideias. O final, não tendo nada de especialmente estranho, não me cativou tanto.
Profile Image for Cristina.
45 reviews2 followers
February 3, 2021
Procurei este livro depois de ter lido "Parem todos os relógios" que tinha adorado. Este é um livro diferente, escrito algum tempos antes e aliás, o primeiro do autor. Naturalmente, as minhas expectativas estavam altíssimas e só por isso lhe atribuo esta classificação.
Profile Image for Tita.
2,216 reviews233 followers
May 13, 2015
o nosso protagonista (de quem não sabemos o nome), resolveu ir para os Açores, após um acontecimento trágico. E lá, vai escrevendo cartas para o seu melhor amigo e não só.
O formato epistolar, e sendo na sua maioria cartas curtas, permite-nos ir avançando rapidamente na história. A maioria são cartas suas para para o seu melhor amigo, mas temos também cartas para outras entidades. Gostei particularmente da carta para o jornal sobre spoilers em opiniões/críticas. E no final de algumas cartas conseguiram-me deixar curiosa para saber o que viria na carta seguinte.
No entanto, só temos acesso às cartas escritas pelo nosso protagonista, e apesar de em cartas seguintes termos um "vislumbre" do que o amigo terá escrito, às vezes gostaria de ter a própria resposta, tornando talvez o livro com um tom menos "triste".
Temos ainda cartas de uma outra personagem, um filho que anda a viajar pelo mundo, para os seus pais, e apesar de algumas serem algo interessantes a descrever os locais, na sua maioria achei-as demasiado sentimentais.
Sendo que achei que todas as cartas estavam muito floreadas, tornando-as algo impessoal, e que ninguém escreveria assim para um melhor amigo. E a apesar de termos duas pessoas diferentes a escrever as cartas, não houve diferenças de escrita e deu-me a sensação que eram escritas pela mesma pessoa.
A história tem um tom algo fatalista e triste. E fiquei sempre com a sensação que não iria terminar bem e que haveria por acontecer a morte de alguém.
Apesar de ter achado a escrita competente e de lermos rapidamente, não consegui "sentir" a história.
Profile Image for Maria.
648 reviews109 followers
May 8, 2015
"Uma melancolia nascida da finitude da vida. De saber que, por mais que viva, muito mais ainda fica por viver. Que, por mais sítios que visite, muitos outros mais ficam por visitar. Que tentar apreender a beleza do mundo é como querer recolher toda a água do mar com um dedal. E como eu a amo, a vida, o mundo, tudo! E quero-a como é, sem depurações, com toda a fealdade, desilusão, desespero e horror, quero o sublime e o atroz. Mas, se me é impossível consumi-la na sua totalidade, e só às vezes me apercebo disso, só às vezes tomo consciência de que a vida é uma amante partilhada e nunca possuída senão fugazmente, então tenho de aprender a aceitar o meu quinhão e a apreciá-lo sem remorsos."

Adoro encontrar um livro que me faça ler mais devagar. Este pode ser terminado em horas, mas eu fiz questão de esticar cada palavra, cada parágrafo, cada carta, até chegar à última página. A melancolia e a esperança são tão palpáveis quanto as páginas da edição impressa que seguro. É uma saudade imensa de tudo.

Uma surpresa absolutamente deliciosa. Não conhecia o autor, mas fiquei fã da sua escrita tão bem temperada de um humor muito próprio.

Agora, com a vossa licença, vou ali pesquisar voos para os Açores.
Profile Image for Maria Inês Serrazina.
49 reviews5 followers
October 18, 2025
Não sei do que estava à espera, mas acho que não era do que acabou por ser.

Somos levados para um enseada nos Açores mas as cartas são janelas pequeninas do que por lá se passa. Faltam pormenores, faltam mais histórias e mais contexto para as pessoas com quem o narrador (de quem nem o nome sabemos) se cruza. E tudo isso faz sentido porque não é central, ou porque também o deixaríamos de fora se escrevêssemos uma carta sobre a nossa vida.

Profundamente comovente mas sem o ser de forma clara e piegas. Muito inteligente, deixando-nos pendurados num mistério que sendo a coisa mais central acaba por ser semi tratada como secundária. E muito divertido. De um humor mordaz e discreto, entre o gozo e a provocação.

Senti que passei uma semana a querer não sair dos Açores, mesmo que os relatos tenham pouco de insularidade e muito mais daquela profundidade que afinal existe nas coisas banais.
Profile Image for Mady.
1,393 reviews29 followers
November 5, 2017
This was more like a 3,5 stars for me.
A book written in epistolary style always appeals to me and this was no exception! The letter writer guy moves to Azores and there he tries to figure out a meaning for his life after an event that changed his life.
In the beginning I got easily addicted but half way got a bit bored as nothing seemed to be happening.
Overall a good read and a new author I'll be curious to read more of!

Obrigada D! :)
Profile Image for Tiago.
34 reviews3 followers
September 4, 2020
Não percebi se é um livro exagerado e cheio de metáforas cansativas ou um livro cansativo e cheio de metáfora exageradas.
Profile Image for Patrícia Chandelier.
41 reviews1 follower
May 25, 2013
Este livro foi uma boa surpresa. Maravilhoso! Muito bem escrito, com uma história cativante, triste, real e cheia de sentido de humor. Adorei e recomendo.
Profile Image for Susana.
6 reviews16 followers
July 16, 2018
Nunca fiz comentários a livros mas senti necessidade de o fazer neste livro, talvez mais para alertar os futuros leitores do que outra coisa, embora não saiba bem se alguém lê estes comentários ou não. Comecei com grandes expectativas em relação a este livro e foi acabando por me desiludir. Achei, no entanto, que atribuir apenas uma estrela não fazia jus à história que tem tudo para ser uma boa história. Desiludiu-me o facto do objectivo do narrador ser o de ver uma baleia nos Açores e ter escolhido a ilha de S. Miguel, ao invés da ilha do Pico, muito mais propícia também ao isolamento que a personagem desejava. Desiludiu-me na referência à baleação ter dito que "há pouco mais de um século, o seu esperma iluminava as cidades europeias" quando se referia ao uso do cachalote. O que era usado na iluminação era o óleo de um órgão que estes animais possuem na cabeça designado por espermacete. (Spermaceti o que originou o nome em inglês sperm whale). No entanto, não é esperma e sim óleo. Os cachalotes fêmeas possuem igual órgão cheio do mesmo óleo embora de menor tamanho. Desiludiu-me a conversa que teve com uma senhora no supermercado em que quando questionada sobre que peixe recomendaria comprar fresco esta lhe responde "talvez o robalo". Nenhuma açoreana de gema iria recomendar um peixe tão pouco habitual nos Açores. Recomendaria sim, garoupa, veja, abrótea ou congro (designado por safio no continente). Não sou açoreana, mas como continental que habita nos Açores há tanto tempo fiquei desiludida e frustrada com estas referências que me pareceram evitáveis com um pouco mais de pesquisa anterior à escrita do romance. Poderia ainda escrever sobre as referências ao plástico / uso de plástico nos dias de hoje, absolutamente evitáveis também mas achei que já seria demasiado picuinhas. Gostava só que o autor também tivesse tido o cuidado de quando escreve como narrador e quando escreve como "filho dos Viana" tivesse feito mais distinção entre as duas personagens pois no início achei que era o narrador a escrever cartas aos pais sobre sítios onde havia estado há muito tempo. Não consegui ver diferença na escrita e nas personagens. Embora adore o facto da insistência em escrever cartas, coisa que já ninguém faz hoje em dia, não me parece provável que o filho relatasse em pormenor as experiências sexuais que tinha com as raparigas que ia conhecendo nos vários sítios por onde ia passando. Completamente desnecessário, esses relatos não acrescentaram nada à história. Peço desculpa o desabafo mas tenciono escrever uma carta mais detalhada ao próprio autor.
Profile Image for Pedro Ferreira.
68 reviews4 followers
November 14, 2023
Quando selecionei este "À espera de Moby Dick", fi-lo sem grandes espectativas, até porque nunca tinha lido nada do Nuno Amado, nem me recordo de ter lido algum artigo de opinião acerca deste autor, talvez pura distração minha. Simplesmente achei piada ao título e segui a intuição que me dizia que talvez esta fosse uma leitura interessante...

Esta é a história de um lisboeta que se refugia no isolamento da ilha açoriana de São Miguel, com o intuito de avistar baleias, como fuga a algo que o marcou de forma muito negativa no continente.

Todo livro acaba por seguir uma sequência de descrições e desabafos, em forma de cartas, que o nosso protagonista vai dirigindo ao seu melhor amigo, bem como a outras pessoas/entidades.
Na ilha, vai conhecer algumas personagens, cada uma com as suas particularidades e segredos, cuja interacção acaba por ajudá-lo a despertar para novas realidades.

Não querendo revelar mais, só posso dizer que adorei a estrutura da narrativa, bem como a forma magnífica com que o autor nos transmite os detalhes da história. Fiquei mesmo com aquela sensação de que Nuno Amado só pode ser uma excelente pessoa para ter imaginado uma história como esta. Foi de terminar a leitura com um "Uau!"
Vou certamente querer ler mais deste autor.
Profile Image for Ana Paulino.
83 reviews12 followers
March 1, 2021
Enseada:
Pequena reentrância no traçado da linha de costa, em forma de arco, aberta ao mar, sendo normalmente limitada por dois promontórios. O termo deriva da palavra seio, em latim sinus que se refere a curva, ou dobra, à qual foi adicionado o prefixo in: in seius, enseada.

Nuno Amado é licenciado em Psicologia Social e das Organizações e Psicologia Clínica e doutorado em Psicologia do Desenvolvimento. Exerce psicologia clínica e é professor no Instituto Superior de Educação e Ciências. Destaca-se em Portugal por ser pioneiro no estudo da Psicologia do Amor. “À Espera de Moby Dick” é o seu terceiro livro.

Muitos de nós temos uma “baleia branca” e, na maior parte das vezes, essa baleia não passa de uma ilusão que fomos construindo, sozinhos e/ou através de projecções nos outros, e alimentando até que ela se torne num monstro. Mas não vale a pena entrar na ligação com o clássico de Melville, ou mesmo com a referência bíblica a Jonas, porque elas se tornam evidentes pelos títulos, até mesmo para quem não leu nenhum dos livros.

O narrador, de quem nunca sabemos o nome, foge de Lisboa para se refugiar numa enseada de uma ilha dos Açores, com um punhado de casas como vizinhos. Do conforto do todo urbano, passa agora para um nada simples e rural. Sem internet e sem telefone, corresponde-se com o seu melhor amigo através de cartas, a quem vai dando conta dos seus dias e pedindo que lhe envie livros, a única necessidade que sente da urbe. Foge d’ “aquilo que aconteceu” e escolhe aquele sítio em específico para se encontrar com baleias, mas para isso terá de esperar. E, enquanto espera, escreve. Escreve não só ao amigo, mas a várias outras pessoas, relembrando também cartas aos pais das viagens que fez em tempos. Não chegamos a saber o que “foi que aconteceu”, mas isso não interessa para o desenrolar da história. O que nos interessa é a procura deste homem por um género de redenção para com ele próprio, a procura pela sua baleia. “Se vim para aqui retirar o véu ou esconder-me definitivamente por detrás dele, ainda não sou capaz de dizer.” Mas ao longo do texto vamos encontrando várias solidões, incluindo a de um casal vizinho e a do seu filho.

Durante a leitura não consegui parar de pensar se tudo aquilo existia, se aquele amigo existia ou se a solidão e algum desespero, alguma loucura derivada d’ “o que lhe aconteceu” lhe despertaram alucinações que o levaram a jorrar cartas cujas respostas só apreendemos nas suas missivas.

“Quem como eu faz da sua vida uma viagem cedo percebe que o tempo se divide em dois: a permanência e a deslocação.” – escreve dos Açores, de Goa, de Paris, de Amesterdão, percorre o mundo inteiro, parecendo não sair do mesmo sítio, física e emocionalmente. As personagens mais exploradas, o narrador e o amigo, não têm nome, as restantes, na sua maioria, aparecem quase como acessórias à narrativa, o tempo em que a acção decorre não é relevante, apenas o espaço é importante e descrito com pormenor.

Como já disse, o livro constrói-se a partir de cartas e é através delas que vamos percebendo a evolução emocional deste narrador, desde o momento em que chega, à espera de ver as baleias, até ao momento em que as vê e decide regressar, pois a sua decisão de exílio nunca foi definitiva, o tempo seria apenas o de “endireitar as peças de dominó”.

É muito interessante a escolha da carta, neste caso unidireccional, como estrutura de um romance, pois transporta-nos para o universo do diário, no qual colocamos as questões que, mais tarde, vamos ver respondidas por nós próprios. A forma como me relacionei com este livro tem mesmo que ver com a sua estrutura, pois para mim, a melhor maneira que tenho de estruturar os meus pensamentos é escrevendo, sabendo que é numa exaustão desse exercício que irei encontrar o que procuro. Todos nós escrevemos diários em qualquer momento das nossas vidas, ou cartas que sabemos que não vamos enviar, como forma de nos manter em contacto connosco próprios (nos diários) e com os outros (nas cartas). A técnica de escrever uma carta a alguém com quem se tem algo pendente, a partir da premissa de que essa pessoa nunca a irá ler, é muitas vezes usada em psico-terapia. Salvaguardados pela segurança de que a pessoa nunca saberá o que pensamos, podemos, finalmente, dizer tudo o que nos vai na alma e, desta forma, abrir feridas que fecharam infectadas, para que possam agora, com ajuda do psicólogo, sarar sem problemas de maior. O papel que se fecha no envelope que se espera não mais se abrir pode ajudar a retirar muito peso morto das nossas almas. Sempre funcionou comigo, a escrita como um desabafo.

O nosso narrador, que insiste em exilar-se e separar-se do mundo de modo a tentar ultrapassar “o que aconteceu”, acaba por passar, todo o tempo que vive na enseada dos Açores, dedicado à comunicação com o mundo do qual quis fugir, o que me leva a crer que foi por isso mesmo que o autor escolhe a enseada, para reforçar a ideia de, apesar do isolamento, o narrador manter uma estreita relação com o que tentou deixar para trás. Quis correr atrás das baleias, e o que conseguiu foi fazer delas uma desculpa para tentar fugir de si próprio, até perceber, ao encará-las, que nada disso adiantava e que, a única forma que tinha de se redimir, era enfrentar o mundo do qual tinha fugido: o que seria o equivalente no processo terapêutico ao decidir enviar a carta que se escreveu!
Profile Image for Ema.
822 reviews82 followers
June 30, 2023
3,5*

Acho que o livro teria ganhado mais consistência se fosse mais pequeno, senti que se perdeu um pouco ali no meio e que as suas atenções dispersaram. Contudo, gostei da "espera", gostei do "encontro" e gostei das conclusões a que o protagonista chega nos entretantos. Todos temos o nosso Moby Dick, mas será que é Moby Dick quem nos vai salvar? Ou essa salvação está dentro de nós e nenhum cachalote traz consigo o mapa do nosso destino?
Profile Image for Manuela.
174 reviews
March 20, 2022
Sobre o trauma, a dor da perda, o amor, a amizade e a ideia da busca de redenção numa geografia propícia ao isolamento, ao silêncio e  à cura. Tudo isto afigurou-se interessante mas fui perdendo o interesse na leitura,  muito fruto de uma certa sensação de repetição e previsibilidade do conteúdo das cartas que vão sendo escritas pelo narrador.
Profile Image for Raquel Silva.
127 reviews15 followers
May 28, 2018
Aquele livro que terminamos com um sorriso doce e completo nos lábios. Tão, tão bonito. Palavras doces, humor acutilante. Às vezes hilariantemente disparatado. Outras, profundamente desconcertante e triste. Mas sempre fabulosamente rico em emoções honestas.
Profile Image for Prapti  Panda.
293 reviews3 followers
December 29, 2021
Calhou-me este livro mesmo na altura certa. Estava a precisar muito de parar e pensar sobre a vida depois de passar por uma fase difícil, e acho que consegui fazer as pazes com muitos dos bichos da minha cabeça ao lado do narrador deste belíssimo livro.
Profile Image for Sandra Cardoso.
57 reviews1 follower
July 6, 2022
Muito bem escrito, com requintes de humor que adorei. Finalmente um bom livro este ano!
Profile Image for Inês Valentim.
13 reviews
June 18, 2022
Um livro onde a identidade do personagem é oculta, não conhecemos o nome ou idade, mas isso para a história é irrelevante. É uma história sobre luto, renascimento e aceitação, com alguns momentos cómicos pelo meio. Mais um livro favoritado.
Displaying 1 - 30 of 38 reviews

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