Em sua juventude, o conde Liev Tolstói (1828-1910) levava uma vida notavelmente desregrada, mesmo para os padrões dissolutos de sua classe social. Dado a frequentar bordéis, amante do jogo e da bebida, o aristocrático herdeiro de vastas propriedades no Volga não chegou a concluir os cursos de direito e letras orientais da Universidade de Kazan, onde se matriculou em 1844. Alistou-se no Exército em 1851. São dessa época seus primeiros textos literários. Após a experiência traumática da Guerra da Crimeia, viajou por diversos países da Europa, recebendo a influência marcante de Proudhon. Casou-se em 1862 com Sofia Behrs, com quem teve treze filhos e uma relação tumultuosa. Autor de romances como Anna Kariênina (1877) e Guerra e paz (1869), Tolstói já era comparado a gigantes como Goethe e Shakespeare quando se inicia a crise espiritual que culminaria com a publicação de Uma confissão (1882), livro-chave de sua conversão mística. Traduzidos diretamente do russo, os ensaios, cartas, parábolas e fragmentos de obras de Tolstói reunidos neste volume, escritos a partir de 1882, pregam contra o hábito de se comer carne, contra o sexo sem fins reprodutivos, contra a excessiva cobrança de impostos, contra o patriotismo, contra o alistamento militar obrigatório e contra os dogmas e ritos das religiões que considerava como desvios da fé (ele foi excomungado pela Igreja Ortodoxa Russa). No imaginário russo, Tolstói passou a ocupar o lugar de profeta e uma legião de seguidores, mendigos e oportunistas passou a se dirigir a Iasnaia Poliana, a grande propriedade rural de sua família. Seus famosos ensaios estéticos “O que é arte?” e “Shakespeare e o drama” completam o volume. Os textos foram escolhidos por Jay Parini, autor do romance histórico A última estação: os momentos finais de Tolstói, que serviu como inspiração para o filme homônimo estrelado por Christopher Plummer, Helen Mirren e Paul Giamatti.
Lev Nikolayevich Tolstoy (Russian: Лев Николаевич Толстой; most appropriately used Liev Tolstoy; commonly Leo Tolstoy in Anglophone countries) was a Russian writer who primarily wrote novels and short stories. Later in life, he also wrote plays and essays. His two most famous works, the novels War and Peace and Anna Karenina, are acknowledged as two of the greatest novels of all time and a pinnacle of realist fiction. Many consider Tolstoy to have been one of the world's greatest novelists. Tolstoy is equally known for his complicated and paradoxical persona and for his extreme moralistic and ascetic views, which he adopted after a moral crisis and spiritual awakening in the 1870s, after which he also became noted as a moral thinker and social reformer.
His literal interpretation of the ethical teachings of Jesus, centering on the Sermon on the Mount, caused him in later life to become a fervent Christian anarchist and anarcho-pacifist. His ideas on nonviolent resistance, expressed in such works as The Kingdom of God Is Within You, were to have a profound impact on such pivotal twentieth-century figures as Mohandas Gandhi and Martin Luther King, Jr.
There's much crammed into this little volume. Tolstoy's religious philosophy, his political, a few short stories, fables, letters, an epic takedown of the Orthodox clergy, and an epic takedown of Shakespeare. A common thread runs through all of them, the need for a moral life founded on one thing: Love. Or more accurately, the Golden Rule: "Do unto others as you would have them do unto you."
I can get behind Tolstoy's Christian anarchism. It's utopian, impossible, but beautiful. I can get behind his ideas of 'non-resistance,' ideas that inspired Gandhi (there's a letter addressing him here) and MLK. These are more practical; we've seen them work. In these pieces, Tolstoy is playing the prophet.
At 41 years of age, Tolstoy came close to death and had an epiphany. Why was he so privileged (Count Tolstoy, after all) when so many were disenfranchised? We would call this a mid-life crisis, but given that life expectancy in Russia at the time was 41 years, we should think of it more as a near-death experience. What emerged is a man committed to justice, who forsook his birthright to bring about a new world. Sound familiar?
But let's get to the Shakespeare takedown. Cripes, did Tolstoy hate Shakespeare. He refuses to call him an artist and tears him down as unrealistic, unbeautiful, and immoral. There are legions of reasons why Tolstoy may have hated the Bard, impossible to unpack here, so let me focus on one. Tolstoy is the ultimate realist, holding up a mirror to nature and depicting what he sees. But he goes deeper than that, he evaluates the psychology, puts the right words into the right mouths, understands why his characters must behave as they do.
Shakespeare, by contrast, makes the most of exaggeration, blows up ideas, magnifies character. In other words, he's not a realist. And that's at least one place where Tolstoy has his beef. The characters don't seem real to him. There's another essay in this book that discusses the nature of art. In Tolstoy's estimation, art occurs when the artist passes his emotion directly to the one who apprehends the art. For Tolstoy, Shakespeare fails at this. You can't imagine yourself to be Hamlet, or Lear, or Fortinbras. Therefore...failure.
There's so much to talk about in this book. It's not going to happen here. But, recommended!
Muito bom!! O livro reúne alguns escritos de Tolstói, que englobam desde fábulas, cartas, trechos do diário pessoal, textos sobre a religião, sobre a resistência não violenta, sobre a arte, educação, governo, Shakespeare (que ele não gostava)! Enfim, textos que resumem as principais ideias de Tolstói sobre diversos temas amadurecidos pelo autor ao longo da vida. De certa forma, uma biografia do que foi um dos maiores escritores que a humanidade ja teve.
O livro faz um apanhado do pensamento tolstoiniano, com vários recortes dos seus últimos trabalhos, notadamente os de natureza não ficcional, com destaque para seus pensamentos sobre moralidade e não violência. Vejo por aí, até mesmo nas editoras que divulgam os livros "religiosos" de Tolstói, uma tentativa de desacreditá-lo, taxando-o praticamente como um louco radical qualquer. Mesmo isso, no entanto, depõe favoravelmente a ele, pelo menos em relação à sua interpretação do cristianismo.
Se os que se reconhecem cristãos vivessem uma vida realmente de acordo com o Sermão da Montanha, por certo seriam taxados de radicais, no mínimo "exagerados". No entanto, ninguém os acusa disso. Tolstói foi um sujeito que se esforçou para viver o Sermão da Montanha, em toda a sua radicalidade. Em todo o Evangelho, só lhe interessava a dimensão ética - ele abria mão de todo aspecto espiritual. É, por certo, uma visão singular, que cria também contradições e dilemas insolúveis, mas parece-me ainda mais de acordo com a mensagem de Jesus do que o cristianismo "oficial" e "dominante" que testemunhamos aqui no Brasil.
Evidentemente, não é preciso concordar com tudo o que Tolstói diz. Suas opiniões sobre a não violência, porém, por mais impopulares que continuem sendo (a maioria das pessoas acredita que só uma violência maior é capaz de acabar com a violência dos outros), mantêm-se como um dos mais necessários contrapontos para um mundo que ainda cede a guerras estúpidas. Quando brande a sua pena contra a guerra, contra os exércitos e contra o patriotismo, é quando mais vibro com o pensamento de Tolstói, que nesse ponto tinha ideias tão avançadas que mesmo em 2024 elas não seriam aceitas senão por alguns - a maioria, certamente, cancelaria Tolstói, como na época.
Entre suas ideias que floresceram e hoje são bem aceitas está a do vegetarianismo. Outras, como a do jejum, é verdade, não encontraram campo fértil. Há a ousada crítica a Shakespeare, que não é valorizada sequer pelo carinha que fez a introdução do livro - ele a trata como uma extravagância incompreensível, como se a singularidade do pensamento de Tolstói devesse ser apagada diante do consenso que paira sobre o bardo inglês. Podemos até discordar do que ele diz sobre Shakespeare, mas não se pode deixar de reconhecer que suas opiniões nasceram de uma meticulosa experiência pessoal com cada uma de suas obras (não é, claramente, alguém daqueles que criticam sem ler). Não acho que a crítica deva ser toda invalidada só porque não se pode falar mal de Shakespeare, e acho mesmo que há pontos bem interessantes da sua análise que merecem ser considerados.
No mais, há trechos de cartas, trechos de diários e outros trechos de outras coisas, que são bons para a gente ter uma ideia, mas evidentemente seria muito melhor ter acesso à obra completa. Desde que não seja vendida por aí como os delírios de um escritor radical (há inclusive muita gente "progressista" tão comprometida com o "sistema" que acha Tolstói subversivo demais). É que falar de não violência, não como passividade, mas como resistência política ativa, continua a ser uma heresia, combatida com vigor pela esquerda e pela direita, pela igreja e pelo Estado, que tanto dependem dessa violência para o sucesso de seus empreendimentos.
Vale dar uma lida nos artigos, notadamente o do patriotismo, e depois ir atrás de outros livros "religiosos" de Tolstói, como "Minha religião" e "O reino de Deus está dentro de vós".
O livro é uma coletânea de cartas e reflexões de Tolstoi acerca de diversos temas como vegetarianismo, críticas em relação ao alistamento militar obrigatório, ao cristianismo tal como praticado pela Igreja Ortodoxa, críticas a Shakespeare, dentre outras.
Tenho dúvidas se o valor atribuído pelos leitores na avaliação da obra se deve ao conteúdo das ideias apresentadas no livro ou simplesmente advém da fama de Tolstoi como um dos maiores escritores de todos os tempos. Os textos são realmente bons ou as pessoas avaliam os textos como bons simplesmente por terem sido escritos por um gênio literário escritor de grandes clássicos como Guerra e Paz e Anna Karenina? Me parece ser o caso da segunda opção ser a melhor explicação.
A leitura vale no sentido de entender o pensamento de um grande gênio. Mas trata-se apenas de sua visão de mundo em seus últimos anos de vida. Ou seja, não fica claro como o pensamento de Tolstoi era durante a sua juventude e vida adulta, muito menos como se deu sua transformação para adoção de seus ideais quando idoso. Sabe-se que ele teve uma vida libertina enquanto jovem mas não se compreende os porquês de sua mudança. Vale como documento histórico e biográfico de sua visão de mundo em seus últimos passos, não como texto de qualidade literária.
ler esses ensaios do tolstói foi super interessante e com certeza levarei algumas passagens para minha vida toda. aqui, encontramos textos muitas vezes confessionais, e que revelavam não só as crenças e aspirações do autor, como também seus maiores medos e inseguranças.
tolstói passou os últimos anos de sua vida voltado totalmente para o que ele entendia ser um desenvolvimento espiritual, onde buscava espelhar os ensinamentos presentes no novo testamento. expressando uma visão singular do cristianismo — que eu entendo ser muito fiel às escrituras —, ele fala sobre o estado como o principal motor da perpetuação da violência dos nossos dias, da interpretação e ensinamentos deturpados da igreja a respeito dos ensinamentos de cristo, do vegetarianismo e do celibato, como maneiras de alcançar uma plenitude em vida, e de instaurar o reino de deus no plano terrestre.
embora sejam escritos que muitas vezes podem soar nocivos para os dias de hoje, pois está presente ali uma espécie de doutrinação quase que impositiva do autor russo, tolstói surpreende ao demonstrar uma extrema compaixão pelo ser humano e também muito respeito por outras religiões, como o budismo e o hinduísmo, muito citadas por ele.
aqui, acompanhamos o fim da vida daquele que, para mim, é um dos maiores seres humanos que já existiu. e nela, vemos um homem simples, que viveu atormentado por sua vida pretérita e que tentou, de todas as maneiras que conseguiu pensar, expiar seus erros e fazer deste um mundo melhor.
"Viver é sofrer; sobreviver é encontrar sentido no sofrimento." Passei cerca de 6 horas lendo Os Últimos Dias, e foi uma experiência comovente e introspectiva. Tolstói, em seus momentos finais, reflete sobre a mortalidade, a fé e a essência da vida. Que leitura...
A obra traz uma visão intimista de um dos maiores escritores de todos os tempos, revelando suas angústias e suas buscas espirituais. "Nada é tão importante quanto encontrar a paz interior." Essa frase, em meio à narrativa, me tocou profundamente e me fez pensar sobre a importância de desacelerar e buscar significado nas coisas simples.
Comparado a A Morte de Ivan Ilitch, senti que Os Últimos Dias é mais pessoal e direto, como um diálogo entre o autor e o leitor, é mais profundo, algo que alguém que, de certa forma experenciou a morte em algum sentido, se sente... compreendido... uma sensação de ler e ser lido. Honestamente, nem tenho muito a falar... foi uma leitura que me custou a terminar, não pela dificuldade da escrita, mas por precisar parar em muitos momentos para digerir e pegar um fôlego.
A capa da Penguin, com um retrato sereno de Tolstói, complementa perfeitamente a melancolia da obra. Indicado para maiores de 16 anos, por sua densidade emocional e temática profunda.
A clever compilation of Tolstoy's well noted excerpts from novels and other writings, correspondence and diary notes. The book is a delightful read for Tolstoy's admirers, a more intimate and informal peek into his soul. Tolstoy espoused vegetarianism, celibacy within marriage and self examination through Gospel teachings. He considered Jesus as a teacher without any supernatural powers, (hence he was excommunicated by the Russian 'Holy' Synod). One of the most authentic spiritual teachers, Tolstoy's teachings and his version of 'God' and/or religion should have been more widely known. If only he had a famous admirer like Einstein. ( Albert Einstein used to proclaim his belief in Spinoza' God-Pantheism).
Alguns contos. Final da vida de Tolstoi. Busca pela verdade, em arte ou religião. Verdadeiro significado da mensagem cristã (amor). Dificuldade de resistir sem usar violência. Incompatibilidades de religiões. Crença em Deus por conta da existência (analogia do barco).
Understand that Tolstoy went intellectually insane in his last years, although his writing is still genius and some of his ideas are memorable. I felt like speaking with a homeless guy that was a genius but lost everything because of mental illnesses. 5/5
Tolstoy and Shakespeare I had long known Orwell’s essay about Tolstoy before I finally, recently, read the piece to which it refers: Shakespeare and the Drama, the 60+ pages of which is the heart of this collection of late (and mostly didactic) pieces. And I must admit I was ready to assent to Orwell’s conclusions: that Tolstoy, as a non-native speaker of English, was not fully competent to judge Shakespeare, and that the surprising similarity of his personal life to that of King Lear had something to do with his opinions.
Any native English-speaker who sees no value in Shakespeare can hardly be considered fully literate, but it is understandable that others - even if, like Tolstoy, well-read in English - might fail to appreciate his finer points. Just to emphasise the breadth of his own learning and to show he knows who he’s taking on, Tolstoy quotes some formidable names in Shakespeare’s praise: Johnson, Hazlitt, Hugo. Anyone might well pause before delivering a verdict contrary, as he says, to that of the entire educated world; but Tolstoy, confident by this time in the authority of his own achievement, ploughs on. He criticises King Lear in detail; some of his comments are valid, but some are plainly unjust, and show a surprising lack of artistic nous. For instance, when he compares King Lear with its source play King Leir, it is true that (by the sound of it) the latter is more sensible and more consonant with everyday life. But it is also obviously less striking and dramatic.
To my surprise, though, I ended up feeling that Tolstoy is not entirely wrong. If every intelligent reader must at times have felt startled at the perfection of some phrase of Shakespeare’s, as at some brilliant phrase of music, the fact remains that his plays as a whole are often unsatisfactory. When all due allowance has been made for the different conventions of his time, there are faults that cannot be explained away: lame scenes of comic relief, unnecessary sub-plots, contrived plot devices. The plays can be incredibly rewarding, but they are never less than an effort.
He is also right to say that even a great reputation can be made of straw – if it is not based on the genuine personal opinion of competent judges. We see this all the time in the modern world, where almost no-one seems capable of genuinely appreciating classic literature – least of all teachers and educators – and we are content to accept, without really understanding its contents, that literature is whatever is taught by Eng Lit departments. Thus the likes of Maya Angelou are supposed to pass for literature.
Tolstoy also puts his finger on a deeper flaw, and it is here that the essay holds the key to this whole collection. For Tolstoy, art should have not only a moral but, in the widest sense, a religious purpose. As his life went on he perceived more and more clearly that this is its essence. Life, to be worthy of the name, requires meaning, and meaning comes from ‘the true religion’ which, in his mind, is a sort of abstract of the common principles of all the major world religions. All the essays in the book relate in some way to that theme.
And there can be little doubt that Shakespeare falls short in this respect. In so far as we can infer his vision of life from his work, it is dark, cynical and lacking in meaning. If it is any help to us at all, it is only by giving a name to our sufferings.
But it is asking a lot that a writer, in addition to a keen mind and creative genius, should also possess the great soul needed to affirm meaning. It is perhaps easier for artists in other fields, because they only need the latter two qualities – strength of mind is not essential to a painter or musician, but it is indispensable for a great writer. And it is hard to think of writers who combine all three of these qualities. Homer (and here I disagree with Tolstoy) did not - actually, Homer's world-view and Shakespeare's are similar. In the Middle Ages, yes, with Dante, Chaucer and the Gawain author – at that time the ‘soul work’ had been done, and it was only necessary to accept it. Since then, poets like Tennyson, Hopkins, Eliot and Yeats have come close to it at times. The closest prose writer is perhaps Hermann Hesse. But not Tolstoy – he wrote about a lot of society fiddle-faddle and politics. Maybe what he asks of Shakespeare is, in the modern world, hardly possible – in which case he should be a little more patient with the Elizabethan’s flaws.
In general I tend to agree wholeheartedly with 60% of Tolstoy's writing and disagree with 20% and on the remaining 20% I don't have a fully formed opinion yet. This particular collection tends to contain more of those writings with which I disagree or on which i hold no strong opinions. But precisely because Tolstoy is a magnificent writer I admire his stance and the firm heart with which he advocates his views. This collection includes Tolstoy's views on aesthetics, education, pacifism, religion, meaning of life, social justice, etc. It's a little repetitive (more the editor's fault) because there may be three or four separate letters all on pacifism, etc. I highly recommend this book to anyone who likes to indulge on asking important questions in life.
A nice collection of Tolstoy's later works that shows a great deal of relevance to today's social and political environment, particularly in the examination of how the Nation-State is constructed. What is most fascinating is that he comes at this from a religious perspective (although unorthodox), rather than an atheistic one. Of course, most people get a least a little pissed off at Tolstoy's attitude, though one must put him into his historical context. The letters and diaries toward the end really help put a more human face on this great writer.
Coletânea de textos (ensaios, artigos, contos, cartas) dos últimos 28 anos de vida de Tolstoi. Um apanhado bom das ideias do autor, mas um tanto desigual. De qualquer maneira, é possível ter uma ideias dos interesses do Tolstoi, em especial das suas perspectivas religiosas ou filosóficas na fase final de sua vida.