César Mariano é alguém que admiro, desde há muito tempo, como artista. Sempre o tive como uma pessoa reservada, que pouco se relacionava para além do círculo de pessoas mais próximas. Qual foi minha surpresa ao ver ele publicar um livro de memórias, e ele explica isso um pouco na introdução. Embora ele mencione outros grandes nomes da música com quem conviveu, o texto não é pretensioso; pelo contrário, parece mesmo uma conversa com o leitor. Um bom livro para quem quer conhecer um pouco sobre esse período musical, especialmente em São Paulo.
A raridade mais bonita que eu poderia encontrar. César é, possivelmente, ao lado de Tom Jobim, o maior músico da história da MPB. Sua personalidade reservada e profundamente emocionada está na paixão pela música instrumental, e nas palavras com as quais evoca suas memórias - tão recheadas de respeito, carinho e admiração por quem cruzou sua trajetória impressionante. “Solo” é uma ode ao seu legado - dos arranjos aos filhos que deixa - e um livro escrito com propósito. Após quase 15 anos de sua primeira (e única) edição, deveria ser republicado.