Um psicanalista desencantado de sua profissão encontra o caso da sua vida: dois adolescentes que sintetizam os principais problemas de uma época, e são submetidos aos equívocos dos tratamentos tradicionais. Ao redor dessa situação, desfila a comunidade intelectual e de classe média da São Paulo dos anos 60, sem cacife suficiente para lidar com os próprios problemas. Cleo e Daniel causou um bom estrago nas cartas marcadas da percepção oficial sobre o comportamento da juventude da época, que forçava a barra em busca de novos caminhos. Pela primeira vez se descortinava um mundo subterrâneo e emergente, circunscrito às conversas e tragédias pessoais de um país sob o tacão da ditadura. O choque de gerações era confundido com um embate ideológico tradicional, entre a ruptura e o acomodamento, e não o acúmulo de problemas humanos intensificados pela urbanização caótica e a escassez econômica. Era um desencontro de culturas, que tentava colocar debaixo do tapete o vulcão de problemas coletivos como internamentos, choques elétricos, drogas.
Roberto Freire foi um médico psiquiatra e escritor brasileiro, conhecido por ser o criador de uma nova e heterodoxa técnica terapêutica denominada Soma (somaterapia). Foi também diretor de cinema e teatro, autor de telenovela, letrista e pesquisador científico.
Entre suas obras literárias mais importantes figuram Cléo e Daniel (história que foi levada ao cinema, com Myriam Muniz, Sônia Braga e John Herbert, entre outros), Sem entrada e sem mais nada, Coiote e os ensaios Utopia e Paixão, Sem Tesão Não Há Solução e Ame e dê Vexame. Escreveu também contos eróticos, literatura policail e infantil.
Na televisão, teve quadros em programas como TV Mulher e escreveu os primeiros capítulos da fracassada telenovela O Amor é Nosso, exibida em 1981, com Wilson Aguiar Filho. Posteriormente ambos seriam substituídos por Walter Negrão.
Autor de vários livros, escreveu para o teatro, cinema e televisão. Entre suas obras mais conhecidas estão Sem Tesão Não Há Solução, Coiote e Cleo e Daniel, que ganhou versão para o cinema em 1970, com Sônia Braga, dirigida pelo autor. Na TV, escreveu para os programas A Grande Família e TV Mulher.
Em 2003 lançou a autobiografia Eu é um outro.
Roberto Freire foi o criador da somaterapia, terapia corporal baseada nas teorias psicanalíticas do austríaco Wilhelm Reich e de conceitos anarquistas. Freire se apresentava como "anarquista, escritor e terapeuta". Sua princiapal criação, a Somaterapia, vem sendo desenvolvida e praticada no Brasil e na Europa pelo Coletivo Anarquista Brancaleone.
Li esse livro quando adolescente. Foi um das viagens na literatura mais surpreendente pra mim na época. A algum tempo ganhei esse livro e de repente estava fazendo a releitura do mesmo, e sinceramente foi uma DECEPÇÃO. 😁 Não me despertou o mesmo sentimento, acho que a idade me deixou mais ranzinza. Ou talvez leituras permanecem sempre surpreendente, porém nós como leitores evoluímos e não nos causa mais o mesmo efeito.
Um romance que para época que foi escrito, contém informações bem picantes, talvez até questionáveis, adolescentes e seu romance tipo Romeu e Julieta. Não sei bem explicar o livro, mas o sentimento que sinto a cada leitura.
Um psicanalista em crise, Rudolf Flugeman, é o ponto de partida para 'Cleo e Daniel'. Roberto Freire inspirou-se na tragédia 'Daphnis e Chloe' do poeta romano Longus para escrever sua história. Cleo e Daniel são pacientes do dr. Rudolf e ambos tem entre 15 e 17 anos. Ela, Cleo, se recupera de um aborto imposto pela mãe. Ele, Daniel, é um jovem revoltado e agressivo. Ao se encontrarem, eles iniciam um romance repleto de sonhos de liberdade, sexo e conflitos.