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Foi Machado de Assis (1839-1908) quem elevou a literatura brasileira ao nível das melhores do mundo na sua época. Sua obra reflete a sociedade burguesa do final do século XIX, um Rio de Janeiro provinciano submetido às novidades de Portugal e da Europa. Universal, como toda a grande literatura, a prosa de Machado (um dos maiores nomes do Realismo brasileiro) aliou o estilo impecável e a ironia à crítica mordaz e ao humor. Construiu personagens imortais como Capitu e Bentinho, entre outros, e escreveu alguns dos maiores livros da literatura brasileira, como Dom Casmurro, Quincas Borba e Memórias Póstumas de Brás Cubas.
Seu estilo está presente também nos contos, gênero que dominou e no qual produziu verdadeiras obras-primas da literatura brasileira. Este volume reúne as principais histórias curtas do autor, cada uma acrescida de um breve comentário que explica os principais aspectos do texto.
Contos:
"Missa do galo" "O espelho" "A cartomante" "Um homem célebre" "O caso da vara" "Pai contra mãe" "Capítulo dos chapéus"
Joaquim Maria Machado de Assis, often known as Machado de Assis, Machado, or Bruxo do Cosme Velho, (June 21, 1839, Rio de Janeiro—September 29, 1908, Rio de Janeiro) was a Brazilian novelist, poet, playwright and short story writer. He is widely regarded as the most important writer of Brazilian literature. However, he did not gain widespread popularity outside Brazil in his own lifetime. Machado's works had a great influence on Brazilian literary schools of the late 19th century and 20th century. José Saramago, Carlos Fuentes, Susan Sontag and Harold Bloom are among his admirers and Bloom calls him "the supreme black literary artist to date."
I am reading this in translation on my kindle, not this edition. Sometimes the translation seems a little off, but the stories are good. They remind me of those in Joyce's "Dubliners" in the way that some of them have conflicts between propriety and feelings, and regrets when either wins. People make promises they don't keep, struggle with life and love, fail or succeed, laugh and cry, all the vast spectrum of human emotions are here. Some of the later stories also have surreal aspects, while the earlier ones are realistic. I have reduced the rating by one star because of the patchy quality of the translation. It would almost certainly get more stars if I could read it in the original Portuguese.
The advantage of reading short story collections is that you can get a feel for an author's style quite quickly. This is not as evident in translation. It is also very useful for anyone who never seems to get more than an hour or so to read at a time or wishes to dip into a variety of different styles, countries and authors.
O livro eh bom, mas podia ser melhor. BEM MELHOR, a iniciar deveria ter o mapa da cidade do Rio na época, algumas fotos da indumentária e ruas da cidade. Lembrem-se que foi editado por um catedrático da Usp com nome persa. A minha critica aqui justamente cai as somente sobre ele e não sobre a obra de Machado. 1) Por que "PAI CONTRA MAE" nao esta nessa curadoria? 2) O professor informa repetidamente que a praia da Gamboa, localizada as margens do bairro da Gamboa, subúrbio do centro, seria a praia de Botafogo. Isso eh absurdamente incorreto. Isso gera uma série de más interpretações as personagens e o desenrolar do conteúdo geral. As localizações são a chave mestras da personalidade das personagens. Por exemplo, se sao eles negros, mesticos ou palidos. Certamente o Massaud Moisés nunca se deu conta disso pois não entendia muito bem o urbanismo carioca do segundo império. Fora o tempo de acontecimentos, uma charrete levaria bem menos tempo à praia da Gamboa se estivesse nas imediações da praça XI ou da praca da Republica (ambos os lugares servem de palco para alguns dos contos nesse livro) do que para se despencar até a praia de botafogo (nao tinha tunel St. Barbara naquela epoca). Obviamente a praia da Gamboa não existe a mais de 100 anos. 3) A lenda do Barba Azul, esta foi recitada em francês e novamente o curador não consegue nos informar o porque dessa ilustracao. Triste, viu. Desconfio que boa parte das outras informações decorrentes sobre jogos e musicais da época podem estar erradas. Percebi como elas são essenciais na trama num lente paralela artistica, como no caso do santinho que uma lá levava. E como no geral a cultura carioca do século xix eh outra mas ao mesma tempo igual em essência. As operetas de outrora sao bandas de rock hj em dia, isso decifra muito que tipo de pessoa gastou do seu bom hábil tentando se acultura num modo ocidental padrão mais que aqueles do centrais a essa mesma cultura. Os santos catolicos, talvez tenha sido substituídos por personagens de novela. Botafogo virou Barra e Copacabana (que nem tinha esse nome) o Recreio. O resto ta mesmo igual.
A maioria dos contos já me eram familiares da adolescência, quando precisava ler para as aulas de literatura, inclusive o conto que me fez ter ranço de Machado de Assis, A cartomante. É o conto que inicia essa seleção (direcionada para alunos), então pude logo me deparar com esse evento traumatizante, só para constatar que é um conto normal, de uma traição, de uma dúvida, do místico. Enfim, não era o conto, era a repetição que me incomodava, e agora na vida adulta, me permiti encontrar a obra de Machado e descobrir que tem tanta coisa mais interessante, que me faz incompreensível por que perdíamos tanto tempo revendo as mesmas coisas.
Comprei esse livro por impulso, há muito tempo. Queria voltar a ler Machado, depois de décadas, e não sabia se seria capaz. É fato que o cérebro muda sob o assalto das novas tecnologias digitais. Ficamos mais "preguiçosos". Nem vou dizer que troquei a leitura pelos vídeos porque não é o caso. Ainda leio bastante, mas não "fluentemente". Optei por contos, que pela própria natureza, são leituras curtas, e dá pra tomar fôlego, caso avance com muita dificuldade. Surpreendi-me. Como diz o excelente Massaud Moisés, "no balanço geral, raro será o leitor capaz de resistir ao fascínio dos contos de Machado de Assis, graças a encerrarem os ingredientes que procuramos na obra de arte em geral: uma visão do homem e da vida que, transcendendo o plano cotidiano, nos transporte para esferas de superior beleza estética e ética." Apesar de tratarem de um modo de vida que já está muito distante, há um elemento de humanidade atemporal nas histórias relatadas. E além da escrita maravilhosa de Machado, há a nostalgia de um Rio de Janeiro que já passou. É hora de reler Memórias Póstumas ou Dom Casmurro.
A seleção de contos da série Bom Livro era voltada para o vestibular, logo contém as histórias mais famosas ou mais emblemáticas do estilo machadiano.
Estão aqui presentes características típicas do Realismo, como o intimismo e o tema psicológico - ambos são casos de amor ou ódio entre leitores, pois não há nenhuma trégua nas obras. Esqueçam a "literatura de terapia" moderna, Machado escreve sobre sadismo, lubricidade, horror, dependência... ele não está interessado em curar alguém ou mesmo em compreensão, sua meta é a observação.
Em sua grande maioria, são trabalhos curtos nos quais a narrativa brilha. Sem desmerecer seus romances, é impossível negar a qualidade técnica desses escritos.
Esta review, centra-se exlusiavmente nos contos "A Vida Eterna", "Um esqueleto" e " A Causa Secreta".
Contos rapidos que abordam alguns temas sinistros e estimulam o imaginativo, mas que não conseguem fazer nada mais, nomeadamente falar de tematicas mais complexas da natureza humana e refeltir sobre ela. No fundo, as histórias nao passam de uma sucessão de eventos sem impacto forte sobre os personagens através de uma eventual transformação e, portanto, sem impacto no leitor. Os cenários e acontecimentos são caricatos para tornarem ligeiramente memoráveis, mas pouco há mais do que isso. Confesso que esperava um pouco mais.
Adoro os romances Dom Casmurro e, especialmente, Memórias póstumas de Brás Cubas. É muito bem feita a brincadeira de falar com o leitor imaginário e o jogo quase moderno da segunda obra é interessantíssimo, mas os contos... Não que sejam ruins, mas falta algo. São contos cotidianos, geralmente, com alguns poucos casais, que não se casam, nunca, além de algumas anedotas que mais parecem piadas com fraquíssimo punch line. Na coletânea que li, estão reunidos vinte e dois contos, dos quais poucos ficarão na memória, merecendo destaque Missa do galo (que eu já conhecia), Frei Simão, O enfermeiro e O caso da vara. Quase se pode dizer que, na maioria dos contos, nada acontece, se tratando de um homem querendo conquistar uma mulher, que pode ou não corresponder, mas que tem sua relação interrompida. Isso acontece em Frei Simão, em Noite do almirante, em Mariana e em Maria Cora, tornando-se um tema bem repetitivo. Desses, o potencialmente mais interessante (pois é tediosamente longo) é Maria Cora, que conta a história de um homem que se apaixona por essa tal Maria Cora devido a uma casualidade, que é o fato de não ter dado corda em seu relógio. A fim desse amor, ele trava uma guerra, literalmente, mas o fim do conto revela um contratempo previsível, mas muitíssimo interessante, que leva a uma impossibilidade da união dos dois. Teria sido muito melhor se enxugadas algumas páginas. Frei Simão pega pela curiosidade das palavras finais do Frei: "Morro odiando a humanidade". Mariana é apenas enfadonho, com uma cena de delírio que muito se assemelha a um capítulo de Brás Cubas quando seu espírito vai encontrar o de Virgília. Noite do Almirante só é banal demais. Alguns outros contos dessa coletânea cansam devido ao excesso de citações, que por vezes me tiraram da leitura para as notas de rodapé, abundantes e desfavoráveis à narrativa. É o caso dos contos Aurora sem dia, Conto Alexandrino e Um cão de lata ao rabo (esse último, aliás, é potencialmente muito bom, especialmente em sua primeira parte, mas se perde nas duas seguintes. Trata-se de um concurso de escrita cujo tema é "um cão de lata ao rabo". Assim, narram-se as histórias de três alunos, das quais, uma é excelente, outra é bacana e a última é chatíssima). Enfim, poderia falar dos outros contos, e esse era meu plano, mas o tempo que levei lendo esse livro foi mais que suficiente gasto nele. Repito, não são contos tecnicamente ruins, mas agradarão mais os gostos de contos cotidianos, sem grandes reviravoltas ou explosões sentimentais, diferentemente do que se espera de um conto mais contemporâneo.
Mastiguei a ortografia da edição brasileira a contragosto, mas li os contos, apesar desta aversão. Li e gostei. Não estranhei. O português de Machado de Assis é português escorreito, e por tanto, não causa estranheza a nenhum «reinol» como eu; nada de ênclises ou endorreia; só raros lhe achei salpicos de trejeitos tropicais, como p. ex. o v. «cansar» sem conjugação reflexa, no conto da «Missa do Galo». Mais um caso ou outro do género e parece-me que é tudo. Como se dão os brasileiros hoje em dia com tal escrita, nem imagino. Talvez achem arcaizante. Talvez não leiam e se envaideçam só dum escritor seu de nomeada… Acho bem!… Os contos são bons, prendem fàcilmente o leitor: os primeiros, mais consistentes; uns outros, um tanto menos, mas ainda assim… A edição de bolso da L. & P.M. (Porto Alegre, 1998) traz cada conto seguido duma notinha explicativa por autoridades «do universitário». O genuíno português do A. contrasta com os textículos explicativos de «cheiro» claramente brasileiro exalado pelas tais autoridades, a quem o idioma sai eivado das marcas do actual vergão que o português leva pelas bandas de Santa Cruz. Cheira-se aqui bem o «português» tropical, acrioulado. Não já bem o português do autor nem o dos portugueses, que são um só e o mesmo; é outra coisa a que se teima não dar nome e que até na onomástica se percebe, pois que as personagens de Machado de Assis têm nomes característicos da língua em que escreveu, como Conceição, Rita, Nogueira, Vilela, Damião, João Carneiro, Camilo, Pestana &c.; e as autoridades modernas «do universitário» que o comentam chamam-se Roger, Enilda, Everson…
Bonito óleo na capa de A. Q. de Monvoisin, com uma vista da Igreja da Glória e da Baía de Guanabara tomada de St.ª Teresa em 1850.