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Rostos

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118 pages, Paperback

First published January 1, 2001

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Rui Nunes

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Escritor português e professor de Filosofia, Rui Nunes nascido em Novembro de 1947. Licenciou-se em Filosofia pela Universidade de Lisboa e enveredou pela actividade de escritor em paralelo com a de professor de Filosofia, na Escola Secundária Rainha D. Amélia, em Lisboa.
Na década de 60, passou pelos jornais, tendo visto censurados muitos dos trabalhos.
Com muitas dificuldades, publicou o seu primeiro livro As Margens em 1968, tendo que suportar as despesas da edição. Contudo, a sua actividade literária só assume continuidade a partir de 1976, quando, depois de ter regressado da Austrália, em 1974, publica Sauromaquia.
Imprimindo à sua escrita um discurso de características próprias, Rui Nunes não nega a influência de escritores que a vida lhe foi permitindo conhecer, nomeadamente Kafka. Temas como a dor, a doença e a morte são recorrentes nos seus livros.
Porém, e apesar desta temática recorrente que flúi na sua obra, o autor assume o acto de escrita como uma forma de sublimar a dor e com preciosos e comprovados (por ele) poderes terapêuticos. Por isso, gosta e tem prazer em escrever.
Leitor da obra de Agustina Bessa-Luís, Maria Velho da Costa, Maria Gabriela Llansol e de José Saramago, entre outros. Rui Nunes aprecia também outros géneros artísticos, nomeadamente o cinema (Bergman) e a música (Barroca e Jazz), admitindo que estes podem suscitar-lhe o gosto pela escrita. Premiado, em 1992, com o Prémio do Pen Club Português de Ficção, atribuído ao seu livro Osculatriz, os seus novos títulos foram sempre, saudavelmente, apreciados pela crítica literária.
Considerado por Manuel Frias, membro do Júri que atribuiu ao seu livro Grito, em 1998, o Prémio GPRN (Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (APE)), "uma das estrelas mais brilhantes da constelação literária portuguesa - ocultada, tantas vezes pelas nuvens do fácil e do óbvio", Rui Nunes entende que o sucesso de um livro não se prende com a quantidade das vendas, mas sim com o "espaço de cumplicidade" entre autor e leitor que é capaz de criar.

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Profile Image for Lee.
171 reviews
December 9, 2017
"são poucas as palavras onde a história se concentra. De vez em quando, sentimos o peso de uma delas e repetimo-la durante uns dias: é uma palavra que parte as nossas frases, que interrompe os nossos silêncios com a sua violência, às vezes ergue-nos a mão para um gesto, para um rosto, e subtrai-nos o gesto que vemos realizar-se à nossa frente, há palavras por onde toda a memória passa como por uma porta que abra para o terraço: o gafanhoto esmagado, seco e cheio de pontas aceradas de quitina, rodeado de formigas que o devoram. Quando dizemos uma dessas palavras, todo o tempo se torna simultâneo, elas são o lugar onde se realiza a promessa. Há palavras que se abrem para um olho cego e obrigam o corpo a virar-se para si, a comer as suas fezes e a beber as suas lágrimas, há palavras que brilham como o frio percutido pelo ódio, uma lâmina come a sua fulguração. Há a palavra enorme, de uma mudez terrível, que virou o vazio para si e construiu com júbilo tudo o que morre,
toda a palavra morre,
falamos e vemos a morte: a palavra que queremos prolongar, essa morte que nasce da nossa boca: povoamos então o mundo do que vai morrer, se nos calamos é porque não suportamos o holocausto,
a morte pode vir para um tempo que já não lhe pertence"
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