A amizade entre dois escritores brasileiros reflete-se nas cartas trocadas por eles entre 1946 e 1969 contidas nesta obra. Separados pela distância, os autores demontram admiração e proximidade através de sua correspondência.
Fernando Sabino (October 12, 1923 - October 11, 2004) was a Brazilian writer and journalist. Sabino was born in Belo Horizonte, Minas Gerais, where he lived until he was twenty, when he moved to Rio de Janeiro. Sabino was the author of 50 books, as well as many short stories and essays. His first book was published in 1941, when he was just 18 years old. Sabino vaulted to national and international fame in 1956 with the novel A Time to Meet, the tale of three friends in the inland city of Belo Horizonte. The book was inspired by Sabino's life history. Sabino also enjoyed commercial success with The Great Insane and The Naked Man, which were made into films. Sabino considered friendship to be one of the most important things in life. His circle of friends included Hélio Pellegrino, Otto Lara Resende, Paulo Mendes Campos, Rubem Braga, Clarice Lispector, Vinicius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade, Mário de Andrade, and Manuel Bandeira. In the last ten years of his life, Sabino was distant from the media. Many of his close friends died before him. Two years before his death, Sabino was diagnosed with cancer. Following a prolonged illness, he died one day before his 81st birthday in his Rio de Janeiro home.
Tudo que eu precisava e nao sabia que precisava era ler dois escritores jovens compartilhando suas angústias e impressões sobre o ofício para poder olhar e pensar "Olha, eu sinto tudo isso também" e me sentir menos só nas minhas angústias e impressões sobre o ofício.
livro incrível que te faz ter vontade de mostrar tudo pro mundo todo.
os dois fazem arte com as palavras, mesmo sem essa pretensão, afinal eram só cartas cotidianas entre eles - que agora se tornaram esse livro lindo que é um presente pro mundo.
eu amo como vc vai vendo os anos (os ultimamentes deles) passarem atraves da sensibilidade dos dois. adorei ver esses grandes autores trocando ideias, conselhos, angustias e desejos. ver A clarise lispector se queixar das suas escrita e da sua vida no exterior. como disse clarice, queria escrever mais sobre, mas sou muito preguiçosa ...
Que coisa linda é esse livro. Que amizade bonita foi a desses dois. Livro que é para ser devorado aos pouquinhos. Algumas cartas merecem que sejam lidas várias e várias vezes, de tanto sentimento que há nelas: saudade, angústia, admiração, incertezas.... uma lindeza!
Me senti amiga deles, incrível poder testemunhar uma amizade tão bonita entre dois grandes escritores e fazer parte, mesmo que posteriormente, dos seus relatos, angustias e alegrias. Até na simplicidade e coloquialidade de uma carta, foram capazes de criar arte. Fiquei com vontade de escrever cartas também. Amo Clarice, amo Fernando.
acho que eu poderia falar horas e horas sobre esse livro, ao mesmo tempo me faltam palavras para descrever essas cartas. por isso, vou deixar a passagem que despertou a minha curiosidade e me fez ler.
“clarice lispector é uma coisa escondida sozinha num canto, esperando, esperando. clarice lispector só toma café com leite. clarice lispector saiu correndo correndo no vento na chuva, molhou o vestido perdeu o chapéu. clarice lispector é engraçada! ela parece uma árvore. todas as vezes que ela atravessa a rua bate uma ventania, um automóvel vem, passa por cima dela e ela morre. me escreva uma carta de 7 páginas, clarice.”
“Viver devagar é que é bom, e entreviver-se, amando, desejando e sofrendo, avançando e recuando, tirando das coisas ao redor uma íntima compensação, recriando em si mesmo a reserva dos outros e vivendo em uníssono. Isso é que é viver, e viver afinal é questão de paciência.” Fernando Sabino
“Que coisa está me acontecendo não sei dizer. Já me perdi em tantos pensamentos que se afinal eu pudesse fazer uma confissão que salvasse tudo, não saberia fazer. Era preciso que alguém desse as primeiras palavras ou todas por mim.” Clarice Lispector
Ler as cartas trocadas entre esses grandes escritores me fez sentir tão íntima deles, saber um pouco sobre como pensam, uma parte de suas angústias, de seus cotidianos, o imenso carinho e a admiração que tinham um pelo outro foi uma experiência linda.
Foi daqueles que eu não queria parar de ler mas também não queria que acabasse. Já estou sentindo falta.
As cartas do Fernando Sabino me impressionaram muito, achei ele um ótimo amigo em diversos momentos.
E Clarice é sempre Clarice. Um tanto quanto complicada, com uma cabeça que não se compara a de ninguém, mas ao mesmo tempo me lembra tanto minha avó q tenho um carinho como se fosse da família.
Este livro é muito interessante para se pensar em amizade entre homem e mulher, cartas, presença e ausência na amizade, literatura, morar fora, escrever, criar, melancolia, ter alguém pra falar disso tudo... Foi uma delícia.
acredito que esse livro a partir de agora será a minha bíblia. clarice e fernando vocês são minha religião!!!!!!!
dois gigantes que em muitos momentos mostram as fragilidades e inseguranças que conseguem perturbar até os mais geniais como eles. é um livro que lembra que o amor é uma das coisas mais bonitas que existem no mundo. é um livro que faz você se identificar, que te conforta e que humaniza pessoas que por vezes parecem intocáveis. é um livro que você lê a última página e pensa que precisa ler de novo.
"Depois te escrevo mais, uma carta realmente, contando coisas, ou não dizendo nada, pelo simples consolo, ainda que à distância, de te saber existente e convivermos."
depois de muito tempo admirando e desejando um exemplar desse livro, finalmente ganhei o meu, e acontece que faltam palavras para descrever o sentimento proporcionado por essas cartas, uma pequena invasão no meio de uma bela amizade, uma espiada na troca de pensamentos e palavras de conforto entre dois amigos que nos faz perceber que nenhum sentimento é único, que a formação de vínculos é o que move nossa existência.
Ah, as cartas. E entre amigos. Amigos que compartilham um amor genuíno pelas palavras, pela literatura. Como é bom confirmar que existem amizades assim, que lutam pelo sonho e pelo trabalho do outro. Amar é querer o bem do outro, já diria Domingos Oliveira, no filme Separações. Voltando para cá. Clarice mostra-se mais humana, insegura, mas também aberta ao outro, mais do que parece ser aquela visão de vídeos que temos dela. É interessante que mesmo casada e com filhos, o foco das suas palavras é sempre a literatura, sua e de seu amigo. O livro, então, é uma ode à literatura e à amizade.
“Por ora preciso que você me escreva, preciso que você mande notícias suas, que você diga que não ficou zangada comigo por causa do meu silêncio e conte bastante coisas daí. Para que eu saiba afinal se você continua vivendo, se continuamos vi-vendo, porque viver é de graça, de favor, ninguém pediu licença para nascer nem pagou entrada no mundo, e já que não temos a quem agradecer tanta gentileza, agradeçamos mutuamente. Muito obrigado, Clarice.”
Li esse livro ao longo dos últimos 7 meses. Uma carta por noite, mais ou menos. Me sinto um intruso nessa bela amizade de dois dos meus escritores favoritos, porque cada sentimento compartilhado por eles me tocou muito, especialmente a angústia. De certo modo, é reconfortante ler que duas pessoas tão especiais também passaram por tanta dúvida e confusão. O que prevalece mesmo é o amor de amigo, que nunca deixa de aparecer em uma carta sequer.
Interessante para perceber os sentimentos de dois grandes escritores a respeito da escrita. Não é um guia, não são dicas, são cartas. É mais uma forma de consolo para quem escreve e se sente intimidado e assustado do que qualquer outra coisa. Tem um fator muito intimo também, obviamente. Gostei de notar o quanto Clarice estava tão mais próxima de mim quanto eu imaginava.
"O mal é que a minha esperança ou é inexistente ou forte demais - esperança demais é infantil." mais uma obra finalizada e sinceramente me choca essas cartas seres "casuais"; são ricas em poesia e em aprendizados que mudam completamente a visão do que é vida, ciclos, amor... enfim, uma amizade linda, muito linda
Preciso falar sobre o sentimento! O que me causou ler palavras tão íntimas. Sinceramente me sinto meio que fora do meu corpo, o ar no peito é pesado. Foi muito além. É íntimo, pessoal, delicado. É um daqueles livros que leio e me sinto apaixonada pela palavra, pela escrita, pela minha língua.
que livro lindo! é muito bom acompanhar aqui essa amizade tão rica, você também se sente um tanto amiga deles dois na troca de cartas. livro maravilhoso!
Fui falar pruma amiga que o livro era Clarice e Sabino falando bobagens um pro outro. kkkkkkkk Talvez não é exatamente isso, falam de um monte de coisa séria também: De projetos literários, de obras de outros autores (incluindo Guimarães Rosa!) mas o que mais fica comigo é o lado cômico. ❤️
É maravilhoso! Que doação de amizade dos dois escritores, empenhados em que cada um cresça nesse ofício que é a escrita. Vemos a evolução de dois escritores em início de carreira. Sem inveja, competição e boicote. E os diálogos nas cartas são pura poesia e de uma inteligência sem igual. Caminhos diferentes mas importantes para nós brasileiros, com muita perseverança e fé na arte. Tudo começa quando Fernando Sabino recebe o livro Cartas Perto do Coração, da autora Clarice Lispector, que ele nunca tinha ouvido falar. E fica tão intrigado e emocionado com o livro, que começam a trocar correspondência para falar da vida, das obras, dos problemas da existência, da família, enfim, tornam-se amigos, presenciais ou por carta, ao longo de muitos anos, com alguns intervalos, mas sempre presente um na vida do outro. Clarice morou em Berna e depois em Washington, já que seu marido Maury era diplomata. Muitas vezes, por problemas de viabilidade, Fernando se disponibilizava a resolver junto a editores e editoras, publicações de Clarice, e a viabilidade de ela escrever para jornais. Fernando também foi uma época para os Estados Unidos a trabalho, junto com sua esposa e filhos, depois se separou. Todos tinham amigos em comum e se falavam e se visitavam com frequência. É muito interessante como ajudavam um ao outro na sua escrita, como aceitavam a opinião do outro às vezes como verdade, como trocavam ideia sobre livros e amigos, e livros de amigos e sugeriam leituras um ao outro, como a leitura de Grande Sertão Veredas e suas impressões, e a amizade com Érico Veríssimo. São tantas citações interessantes que é impossível falar sobre todas, são de uma beleza e uma profundidade, que vemos já desde os primórdios de suas escritas o que mais tarde se tornou a característica de cada um dos autores das cartas.
“Viver devagar é que é bom, e entreviver-se, amando, desejando e sofrendo, avançando e recuando, irando das coisas ao redor uma íntima compensação, recriando em si mesmo a reserva dos outros e vivendo em uníssono. Isso é que é viver, e viver afinal é questão de paciência”. (Carta para Clarice 6 de julho de 1946)
“Nosso livro é o nosso testemunho, Clarice, é a única coisa que nós temos. Nele é que aprendemos a viver nascendo, nele é que vivemos, viajamos, amamos, temos filhos, amigos – é a nossa realidade, nosso testemunho. Às vezes contra nós mesmos. Ele é que vai viver sozinho, vai agir pró ou contra, vai ter uma individualidade da qual não participamos, de filho pródigo que não retorna. Nós não, nós perdemos. Nós perdemos sempre, Clarice”. (Carta para Clarice 3 de agosto de 1946)
“Fernando, estou lendo o livro de Guimarães Rosa e não posso deixar de escrever a você. Nunca vi coisa assim! [] Estou até tola. A linguagem dele, tão perfeita também de entonação é diretamente entendida pela linguagem íntima da gente – e nesse sentido ele mais que inventou, ele descobriu, ou melhor, inventou a verdade. Que mais se pode querer? Fico até aflita de tanto gostar”. (Carta para Fernando 11 de dezembro de 1956)
“Sofrimento não é caminho, sofrimento como caminho só pode se falar no passado, dizendo o sofrimento foi caminho, só se torna “caminho” se levou a alguma coisa”. (Carta para Fernando 24 de janeiro de 1957)
E por fim, a maior prova de amizade entre os dois foi Clarice aceitar, quase que sem ressalvas, sugestões apenas sugeridas por Fernando Sabino, nas provas finais de seu livro “A Maça no Escuro”. Apesar de interessante, foi a parte que achei mais arrastada desse livro de cartas. Recomendo muito!
Acabei de descobri um novo estilo de livro que amo, o que temos dois personagens trocando cartas, ou será que eu amei por ser esses dois? Que livro lindo, eu peguei essa leitura por um pedaço que vi, e pensei “preciso ler”; e eu precisava mesmo. Ver esses dois jovens escritores trocando experiências, angústia, conhecimento e companheirismo é tão marcante, toca no fundo da alma. Eu amei, e agora quero ler mais desses autores. Se alguém quiser me indicar por onde começar Clarice Lispector inclusive, aceito!
Li com o coração na mão, mas no bom sentido. é muito emocionante acompanhar um pouco dessa amizade entre fernando sabino e clarice lispector e, através dessas cartas, conhecer um pouco mais do íntimo de cada um. o livro é um compilado de cartas dos dois, pode parecer chato, mas é fascinante mergulhar na vida dos dois e imaginar o que eles sentiram enquanto escreviam. se identificar é inevitável.