Ao falar de sua infância José tem que recorrer à sua memória e sabe que ela o trai, pois muita coisa está sendo relembrada de maneira inexata, ou foi esquecida. Mas ele gostaria de concluir, ao fim dessas lembranças tumultuadas, que a memória pode ser uma aliada da vida. Sabe que todo relato autobiográfico é um amontoado de mentiras - o autor mente para o leitor, e mente para si mesmo. Mas aqui, se alguma coisa foi esquecida, ele se esforçou para que nada fosse inventado. José cita Proust: «a lembrança das coisas passadas não é necessariamente a lembrança das coisas como elas foram.»
He is an important brazilian writer (novelist, short story writer and screenwriter), born in Juiz de Fora, state of Minas Gerais, but he lived for most of his life in Rio de Janeiro. In 1952, he started his career in the police and became a policy commissioner. Even though, he refuses to do interviews and is a very reclusive person, much like Thomas Pynchon, who is a personal friend of Fonseca. His writing is pretty dark and gritty, filled with violence and sexual content, and it usually happens in a very urban setting. He says that a writer should have the courage to show what most people are afraid to say. His work is considered groundbreaking in Brazilian literature, up until then mostly focused on rural settings and usually treating cities with a very biased point-of-view. Almost all Brazilian contemporary writers acknowledge Fonseca's importance, and quite a few authors from the newer generation, such as Patrícia Melo or Luis Ruffato, say that he's a huge influence. He started his career with short stories, and they are usually considered to be the best part of his work. His first popular novel was "A Grande Arte" (High Art), but "Agosto" is usually considered to be his best work. In 2003, he won the Camões Prize - considered to be the most important award in the Portuguese language - and the Juan Rulfo Prize - award for Latin American and the Caribbean literature.
Rubem Fonseca nunca desilude. José foi o último romance escrito pelo autor, de pendor autobiográfico. Com o fabuloso estilo de escrita que o carateriza, o livro retrata a vida de José, desde os primeiros tempos, em Minas Gerais, até ao seus vinte e poucos anos, já há muito no Rio de Janeiro. Para mim foram ainda particularmente deliciosas as descrições do Rio de Janeiro de finais da primeira metade do século XX.
Achei a leitura tranquila e bem agradável. A nostalgia do rj bateu forte cada vez que um dos locais que eu conheço eram mencionados 😭 Amo livros que não são autobiografias mas são claramente inspirados na vida do autor
Reviso la obra publicada de Fonseca y recuerdo haber leído más de los 3 libros que tengo hasta ahora comentados en Goodreads, así que dejaré a mi mente vagar y perderse en los laberintos de la memoria para comentar todo lo que haya leído de Rubem.
José es una miniatura deliciosa. Brevísima novela pero de un encanto soberbio. Nada queda al azar, no es rimbombante, solo lo necesario es contado, lo necesario ocultado, sobreentendio, silencios, retazos de luz y rincones oscuros que se respetan.
Quase a cumprir-se um ano sobre o falecimento de Rubem Fonseca, debruço-me pela primeira vez sobre a obra daquele que é visto como o mais importante escritor brasileiro da segunda metade do século XX. Entre as mais variadas escolhas, caiu-me no regaço este “José”, acabando por descobrir nele uma espécie de fim e de princípio. Fim, visto tratar-se do último romance no conjunto de mais de três dezenas de títulos, publicado já aos 86 anos de idade, dele se derramando uma extraordinária maturidade e vitalidade. Princípio porque, além de ser o primeiro dos muitos livros que espero vir a ler de Rubem Fonseca, a narrativa revela-se por inteiro dum ponto de vista autobiográfico, remetendo para os primeiros vinte e poucos anos de vida do seu autor. Como que a querer dizer-nos que a sua vida, pelo menos na parte que verdadeiramente importa, cabe por inteiro naquela parcela de tempo.
Citando Proust, Rubem Fonseca – o próprio José que empresta o nome ao título do livro – adverte que “a lembrança das coisas passadas não é necessariamente a lembrança das coisas como elas foram.” Esta ressalva revela-se importante no momento de relativizar muitos dos factos narrados, mostrando o quão estreita pode ser a linha que separa a realidade da ficção. Entre a mineira e tranquila Juíz de Fora, cidade onde nasceu a 25 de Maio de 1925, e o fascinante e sedutor Rio de Janeiro, a “cidade maravilhosa” que o acolheu aos 8 anos de idade, vagueia José nas suas lembranças. Nelas se percebe um olhar atento e repleto de fantasia, ao qual não será alheio o apego precoce às letras, bebendo as suas influências, primeiro, em autores como Edgar Allen Poe, Emilio Salgari, Ponson du Terrail ou Julio Verne, para depois se centrar nos clássicos (Homero, Virgílio, Dante, Shakespeare, Cervantes) e nos primeiros modernos (Dostoieviski, Maupassant, Proust).
Desperto para o mundo em volta, sentidos sempre alerta e uma enorme vontade de aprender e experimentar, de viver, o autor dá-nos a ver a sociedade brasileira, em particular a carioca, tal como ela era nas décadas de 30 e 40 do século passado. Precocemente sensível aos encantos femininos, José guia-nos pelos interiores ricamente decorados da confeitaria Cavé, “que parecia ser frequentada apenas por mulheres bonitas”, pelas praças repletas “de mulheres lindas fantasiadas de odaliscas, colombinas, tirolesas, índias, ciganas que pareciam ter vindo de outro mundo” por alturas do Carnaval ou pelas ruas de que não se fala e onde negras senegalescas, caboclas franzinas ou croatas obesas esperam os fregueses. Mas isto não são senão episódios avulso numa sociedade polarizada onde o glamour e a miséria constituem faces duma mesma moeda. O melhor será o leitor descobrir por si.
"Na realidade, como diz Singer, “a história verdadeira da vida de uma pessoa jamais poderá ser escrita. Fica além do poder da literatura. A história plena de qualquer vida seria ao mesmo tempo absolutamente aborrecida e absolutamente inacreditável”.
Esta é a prova de que se pode escrever a história verdadeira da vida de uma pessoa. Está aquém do poder de uma porem além do poder de qualquer outro. Falta checar o Pedro Nava, eu sei.
Desafortunadamente, no me pareció de lo mejor de este gran autor brasileño. Sí hay mucho de su estilo, pero pareciera más bien escrito por cumplir que por una ferviente devoción por contar la historia propia. Pero es ameno, ni duda cabe.
entramos na cabeça de josé e vemos o mundo pelos olhos de outra pessoa. as viagens que faz dentro dos livros quando criança, os truques do amor na adolescência, o primeiro carnaval no rio de janeiro, e os outros que se lhe seguem.
um belo olhar de um brasileiro apaixonado por literatura portuguesa que, tal como todos nós, vai aproveitando as oportunidades da vida, não deixando de estar sujeito às suas voltas e reviravoltas.
"[...] o autor mente para o leitor, e mente para si mesmo. [...] José cita Proust: " a lembranca das coisas passadas não e nessariamente a lembrança das coisas como elas foram.""
Pequenas memórias que nos mostram uma face de uma pessoa, que raramente temos a oportunidade de conhecer.
Um livro "brasileiro" no real sentido do termo. Embora dois terços do mesmo falem de facto do Brasil e seus costumes o ultimo terço é do melhor que já li. Entre a graça e o verdadeiro passa as mensagens que quer subtilmente e de uma forma verdadeiramente gratificante. Um belíssimo livro!