No início deste século tive o privilégio de ler a pentalogia “Ramsés” de autoria do francês Christian Jacq. Com mais de 1200 páginas a série tem como personagem principal o icônico Ramsés II que reinou de 1279 A.C. até 1213 A.C. e praticamente formatou o Egito antigo que conhecemos, admiramos e que, até os dias de hoje é um prato cheio para mídias como cinema, séries de TV, RPG e livros. O tom grandiloquente da série que mescla fantasia, história, mitos e lendas torna a leitura bastante fluida e os ganchos ao final de cada volume funcionam esplendidamente como um poderoso incentivo para passar o mais rápido possível ao volume seguinte. Sempre quis ler mais da produção do autor, nascido em 1947, que além de romancista de sucesso é egiptólogo agraciado pela academia francesa, ou seja, ele tem vastos conhecimentos acerca do contexto histórico em que ele ambienta seus romances. No entanto os caminhos e descaminhos do universo da leitura me afastaram da obra do autor. Em 2021 pude ler outro livro por ele elaborado, o ótimo “O faraó negro” e agora, em fevereiro de 2024 chegou às minhas mãos este “Contos e lendas do Egito Antigo”.
Este breve mas caprichado volume, lançado originalmente em 2006, é parte da coleção “Contos e lendas” da editora Martins Fontes que fez aqui um belo trabalho com uma bela capa e belas ilustrações a cargo a artista Claudia Scatamacchia.
Os onze contos compilados por Christian Jacq foram retirados da riquíssima literatura produzida no Egito Antigo e fascinam pela sua diversidade e por serem expressões de uma sociedade que, a despeito de suas injustiças e distorções, defendia valores que estão fazendo falta hoje como bem demonstra essa afirmação, lúcida e fascinante, de Christian Jacq na introdução:
“Para ouvir a voz das divindades, é preciso respeitar a natureza, amar os animais, tentar compreender o que se passa no coração dos outros e, em qualquer situação, sempre fazer prevalecer a verdade sobre a mentira e a justiça sobre a injustiça”.
Todos os contos merecem uma atenta conferida mas, em especial, chamaram a minha atenção os fantásticos “O faraó Djêser e a cheia do Nilo”, “Um cão por toda a eternidade” e “A sandália de Nitócris” que, sem dúvida alguma, é uma das mais antigas versões da história que hoje chamamos de “Cinderela”.
Excelente!