Em que esquina se dará o encontro de Maria e Marita, as personagens principais de Duas Praças? É com essa persistente pergunta na cabeça que o leitor atravessa o romance de Ricardo Lísias. Duas narrativas paralelas são construídas ao longo de 90 capítulos curtos, com um texto discursivo, para falar de duas mulheres e caminhos aparentemente opostos.
Maria amarga os dissabores dos desfavorecidos. Pena nos pontos de ônibus de São Paulo, trabalha feito condenada e, como ninguém vive sem ilusões, abre um sorrisão quando pensa em Manequim, o marido que prometeu levá-la ao altar. Marita nasceu na Argentina e carrega as cicatrizes da repressão. Estudante de pós-graduação na capital paulistana, ela sumiu. Um acaso faz um outro acadêmico transformar a descoberta do seu paradeiro em um objetivo tão importante quanto a finalização da tese.
Ricardo Lísias nasceu em 1975, em São Paulo. Estreou na literatura em 1999 com o romance Cobertor de estrelas, traduzido para o espanhol e o galego. Publicou as novelas Capuz e Dos nervos. Lísias também é autor de Duas praças, Anna O. e outras novelas, finalista do Prêmio Jabuti de 2008, e do romance O livro dos mandarins, vencedor da Copa Brasileira de Literatura de 2011. Publicou os livros infantis Sai da frente, vaca brava e Greve contra a guerra. Graduado em letras pela Unicamp, é mestre em Teoria Literária pela mesma universidade e doutor em Literatura Brasileira pela USP. Em 2012 foi selecionado pela revista Granta como um dos vinte melhores jovens escritores brasileiros.
É difícil não ver nesse livro uma espécie de exercício simultâneo para os dois narradores aos quais Lísias irá retornar posteriormente. Fiquei com a impressão de que o desenvolvimento do narrador em primeira pessoa estava mais avançado, em comparação com o que narra em terceira (porém estou virando fã dos cortes abruptos nas frases). Pesa um pouco também o enredo: o de Maria é bem mais arrastado que o de Marita.