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A Moeda

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Kartopeck, homem rude, avesso à cidade, vê o seu rosto desfigurado por manchas enigmáticas que lhe causam um enorme desconforto. Pensa que vai morrer. A prostituta que lhe vende os serviços conta-lhe as moedas, mas também as manchas. E ri-se.

9 pages, ebook

First published November 10, 2012

38 people want to read

About the author

Gonçalo M. Tavares

113 books980 followers
Gonçalo M. Tavares was born in Luanda in 1970 and teaches Theory of Science in Lisbon.
Tavares has surprised his readers with the variety of books he has published since 2001. His work is being published in over 30 countries and it has been awarded an impressive amount of national and international literary prizes in a very short time. In 2005 he won the José Saramago Prize for young writers under 35. Jerusalém was also awarded the Prêmio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa 2007 and the LER/Millenium Prize. His novel Aprender a rezar na Era de Técnica has received the prestigious Prize of the Best Foreign Book 2010 in France. This award has so far been given to authors like Salmon Rushdie, Elias Canetti, Robert Musil, Orhan Pamuk, John Updike, Philip Roth, Gabriel García Márquez and Colm Tóibín. Aprender a rezar na Era da Técnica was also shortlisted for the renowned French literary awards Femina Étranger Prize and Médicis Prize and won the Special Price of the Jury of the Grand Prix Littéraire du Web Cultura 2010. In 2011, Tavares received the renowned Grande Prêmio da Associação Portuguesa de Escritores, as well as the prestigious Prémio Literário Fernando Namora 2011. The author was also nominated for the renowned Dutch Europese Literatuurprijs 2013 and was on the Longlist of the Best Translated Book Award Fiction 2013.

Gonçalo M. Tavares nasceu em 1970. Os seus livros deram origem, em diferentes países, a peças de teatro, peças radiofónicas, curtas-metragens e objectos de artes plásticas, vídeos de arte, ópera, performances, projectos de arquitectura, teses académicas, etc.
Estão em curso cerca de 160 traduções distribuídas por trinta e dois países. Jerusalém foi o romance mais escolhido pelos críticos do Público para «Livro da Década».
Em Portugal recebeu vários prémios, entre os quais, o Prémio José Saramago (2005) e o Prémio LER/Millennium BCP (2004), com o romance Jerusalém (Caminho); o Grande Prémio de Conto da Associação Portuguesa de Escritores «Camilo Castelo Branco» (2007) com Água, Cão, Cavalo, Cabeça (Caminho). Recebeu, ainda, diversos prémios internacionais.

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Displaying 1 - 18 of 18 reviews
Profile Image for André.
Author 4 books75 followers
December 24, 2012
Gonçalo M. Tavares, do qual já tinha lido Histórias Falsas, traz-nos A Moeda, um conto pequeno e de leitura rápida, com uma escrita seca e directa, sem grande floreado, mas denso em food for thought e eficaz a transmitir mensagem. A história segue um indivíduo, Vass Kartopeck, um labrego que detesta ter que viver na cidade, que não se conforma àquele estilo de vida como a massa amorfa que o rodeia e que tem manchas estranhas a aparecer-lhe na pele da face. O que nos é mostrado aqui é a sua interação com uma prostituta, com pessoas numa sala de espera e com um médico. Um dos seus hábitos, que mostra a sua desadequação ao meio, é o do andar sempre com moedas com as quais espera pagar os favores que lhe fazem. A simbologia da moeda como meio de troca e transacção, chama logo à atenção numa história que explora a comunicação entre um indivíduo e a sociedade e a tentativa desta última de uniformizar os indivíduos (e as trocas) e talvez por isso seja ela a dar nome ao conto. Em contraponto com a moeda está a face, que no caso de Kartopeck, por estar manchada, o torna impróprio para comunicar com a sociedade. O seu valor é de tal forma diminuído que acaba por ser ainda mais incomodativo para as pessoas do que a presença da prostituta, que chega a gozar com ele. A sala de espera do consultório torna-se o cúmulo desta situação, no momento em que as pessoas abandonam o local e esquecem o que as levou lá por não quererm estar com ele. A figura do médico serve várias funções. Por um lado, ele permite o desenlace da metáfora das manchas na pele, no momento em que informa Kartopeck que ele não está doente, que as manchas não refletem nenhum problema orgânico - dando aqui a entender que um indivíduo que não de adapta, que não se conforma completamente, que é diferente das "massas", não tem necessariamente a culpa ou sequer um problema intrínseco, apontando de certa forma o dedo à sociedade, às suas convenções impostas. Por outro lado o médico é também representante dessa mesma sociedade e do poder, mostrando a típica reacção social à diferença quando diz a Kartopeck que dado não ter nenhuma doença, se ele se chateia por causa das manchas, problema dele, ele que resolva, que se adapte. É também possível ver aqui uma referência ao paradigma da medicina tradicional, em que o que não é orgânico não é doença e o médico dá a entender que se ele não consegue lidar com as suas manchas (representativas de uma desadequação social, de certa forma uma objectivação de um problema psicológico) então é fraco, que se amanhe, que se conforme porque "o que tem que ser tem muita força".
Esta é uma história pejada de simbologia, onde não é por acaso que só a personagem principal tem nome, e todos os restantes funcionam principalmente como representantes metafóricos para se contrapor a ele. Só perde pela escrita pouco embelezada, algo seca e por isso menos empolgante do que poderia ser. Uma boa forma de mostrar a qualidade deste conto, é o facto de ter passado quase uma hora a discutir a sua interpretação e as temáticas que traz à luz.

Os meus comentários a todos os contos da colecção estão publicados no meu blog.
Profile Image for Maria Espadinha.
1,162 reviews519 followers
September 10, 2016
O Conto-Moeda, uma Alegoria da Repetição


Ele entretinha-se a oferecer moedas e ela deleitava-se a contá-las!
Uma complementaridade simples com um eventual significado especial. Teriam nascido um para o outro? ;)

Este conto tem uma estrutura circular, pois começa e acaba com uma moeda que cai. Dir-se-ia que o autor se propôs encontrar uma representação literária tão próxima quanto possível da Moeda. Como se também ele nos estivesse a oferecer uma moeda!

Além deste pormenor peculiar, que terá sido ou não voluntário, o que retirei desta minúscula estória, foi que os socialmente rejeitados tendem a procurar conforto entre si e que tudo se dissolve nas águas tranquilas da repetição.
Será este um projecto de vida a considerar?
Só se admitir a repetição da mudança! ;)


O conto pode ser lido aqui: http://agrupamento-fajoes.pt/ficheiro...
Profile Image for Susana.
542 reviews179 followers
October 13, 2016
Não vejo qual o interesse que este conto possa despertar...

E não é com isto que me vou convencer a ler alguma coisa substancial deste autor...
Profile Image for Célia | Estante de Livros.
1,188 reviews275 followers
January 20, 2013
De todos os autores que participaram nesta iniciativa dos contos DN, Gonçalo M. Tavares era dos que mais ansiava por finalmente conhecer, tendo em conta que tenho “Jerusalém” por ler há uns tempos, mas como tantos outros tem estado a aguardar pacientemente a sua vez. Não posso dizer que me tenha desiludido, mas estava à espera de um pouco mais.

O conto foca-se em Vass Kartopek, um homem avesso à vida citadina, que se vê subitamente acometido por uma série de manchas na cara. Um médico que consulta acalma-o dizendo-lhe que não tem nenhuma doença grave. Mas as manchas alastram, e Vass sente-se cada vez mais excluído e volta a consultar o médico, que novamente lhe diz que fisicamente não tem qualquer problema. A moeda que dá título ao conto é a moeda que Vass oferece ao médico para agradecer a consulta – mas é também, pareceu-me, um símbolo da tentativa de integração da personagem principal na sociedade que lhe é alheia, por contraposição às manchas na cara, que o afastam dessa mesma sociedade, apenas preocupada com as aparências.

Gostei do estilo direto da prosa de Gonçalo M. Tavares, mas a história não me cativou por aí além. Fica a vontade de conhecer narrativas mais longas de sua autoria.
Profile Image for Sara.
614 reviews67 followers
August 19, 2015
Vass Kartopeck vê nascerem-lhe no rosto umas manchas que com o tempo se vão alastrando, assim como a sua distância da sociedade vai crescendo à medida que estas crescem. Este faz-se sempre acompanhar por um prostituta que em troca dos seus serviços recebe uma moeda.

Há um conjunto de metáforas que podem ser encontradas neste conto de Gonçalo M. Tavares e acho que são essas mesmas que dão valor ao mesmo. É preciso pois saber interpretá-las.

Gostei bastante da escrita do autor, sendo esta a primeira experiência com ele. Um pouco redutora, necessito de ler mais qualquer coisa dele para saber se gosto realmente ou não.
Profile Image for Bioquímica da Leitura.
213 reviews8 followers
May 2, 2020
http://bioquimicadaleitura.blogspot.c...

Opinião:
Um homem preocupa-se com manchas que tem no rosto, julgando estar relacionado com algum problema de saúde vai ao médico. Este assegura-lhe que não tem que preocupar-se. Apenas a prostituta é quem as conta, bem como as moedas.
Ao ler este conto parecia que estava a entrar em algo que já tinha sido iniciado antes. Achei meio estranho, por um lado ele, a mãe doente e o seu aspecto, por outro lado a prostituta que lhe conta as manchas e as moedas do pagamento. Não achei lá muita piada à história.
Profile Image for São.
105 reviews
April 14, 2013

Um homem cujo rosto se vai desfigurando, para além do admissível socialmente, acreditando que lhe resta pouco tempo de vida, vê-se confrontado com a noticia de que se encontra de perfeita saúde, sendo o seu problema apenas um factor externo ao organismo. Pouco habituado aos costumes da cidade, encontra-se desenquadrado e irritado consigo próprio por não conseguir integrar-se neste meio.
A escrita é fluida e bem delineada, mas a história não apresenta nada de novo, um pouco sem interesse.
Profile Image for Manuel Alves.
Author 31 books90 followers
January 13, 2013
Uma metáfora de qualquer coisa que não chega a ser tão óbvia como, a bem do razoável entendimento, a metáfora deve ser. A sensação que me ficou depois desta leitura foi a de que me ofereceram um pacote das bolachas mas, quando o abri para tirar uma, estava vazio.
Profile Image for Isabel.
210 reviews27 followers
April 18, 2013
"São manchas, simplesmente, que quer que faça? Se considerar que a boa apresentação física é sintoma de saúde, então vossa excelência estará doente. Se não, esqueça: as manchas são feias, é claro, mas há quem, sem elas, esteja mais marcado.”

Este pequeno conto aborda o tema da inadaptação social, por parte desta personagem de nome estranho (Vass Kartopeck). Inadaptação esta não só, em termos de integração/sentido de pertença ao meio que o rodeia (Kartopeck é avesso a tudo aquilo que tenha que ver com a cidade, autodenominando-se de labrego), mas também física, já que o mesmo apresenta manchas no rosto que o tornam repugnante para aqueles que o rodeiam.

Reforça-se assim, nesta narrativa, o paradigma da rejeição por parte da maioria da sociedade de todos aqueles que não se comportam de acordo com os padrões vigentes e não são «perfeitos» fisicamente.

A simbologia da moeda parece dar a entender que o dinheiro é, muitas vezes, aquilo que permite a um inadaptado integrar-se, ainda que de modo fútil e falso. Porém, ainda que algumas pessoas (por exemplo a prostituta) aceitem tal «pagamento», o certo é que nem todos o aceitam, facto demonstrado pela comportamento do médico que, ao não aceitar a moeda, não só rejeita Kartopeck ressalvando a sua inadaptação ao meio que o rodeia, referindo mesmo que o comportamento do mesmo é provinciano, como também o rejeita fisicamente empurrando-lhe o braço.

A título de nota final cumpre referir que gostei do modo despretensioso como escreve este autor, ainda que a mensagem transmitida seja uma de fatalismo social de rejeição de tudo e todos aqueles que não são «normais».

2.5*
Profile Image for Margarida.
461 reviews43 followers
August 6, 2013
Sempre tive curiosidade sobre a escrita deste autor, mas penso que este não foi o melhor texto para me iniciar. A pequena narrativa conta a hist��ria de um homem a quem aparecem umas inestéticas manchas na cara, mas a quem o médico informa que não tem nenhum problema de saúde. Parece ser uma metáfora para a inadequação social do homem na sociedade/cidade onde vive. A escrita é escorreita, fluída, sem grandes floreados, mas a narrativa não cativa por aí além.
Profile Image for Silvéria.
498 reviews237 followers
December 30, 2015
Estava à espera de mais de Gonçalo M. Tavares. A ideia da moeda, que dá nome ao conto, se bem desenvolvida poderia ter melhorado em muito o texto!
Displaying 1 - 18 of 18 reviews

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