Aclamado romance que marcou a estréia da autora na literatura. Narra a viagem de retorno de Rísia à terra onde sua mãe nasceu, a lendária Tijucopapo. No trajeto, ela relembra sua infância no Recife e a adolescência em São Paulo.
Marilene Felinto (Recife, 1957) é escritora e crítica. Vive em São Paulo desde 1968, onde formou-se em letras pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. Em 1982, publicou seu primeiro romance, As mulheres de Tijucopapo (relançado por ocasião da Flip), ganhador prêmio Jabuti na categoria “Autor Revelação”. Foi colunista no jornal Folha de S.Paulo e na revista Caros Amigos. Em 2019, lança Fama e infâmia: uma crítica ao jornalismo brasileiro, Sinfonia de contos de infância: para crianças e adultos, Contos reunidos e Autobiografia de uma escrita de ficção (sua dissertação de mestrado) todos em edições de autora.
Que incrível descobrir Rísia indo para Tijucopapo, achando que não tem voz quando sua enunciação se mostra mais potente que uma carta. Um livro tenso, forte e que mostra o quanto de mítico há nas narrativas de mulheres brasileiras, filhas do exílio e êxodo fazendo a trajetória de volta, caminho que muitos homens nunca querem fazer. Bela reedição da UBU (terceira edição, o livro é de 82 originalmente e levou Jabuti na época, porém quantas de nós já viu o livro em em ementas e bibliotecas?) com um projeto editorial caro à crítica feminista: com boa introdução e paratextos, incluindo um pouco da recepção na época.
Ouso dizer que é um livro que se re-constrói em cada época, ganhando um status de atemporal. Rísia é o tipo de personagem fundamental como Macabéa, mas aqui não é escrita por mão de um escritor e sim se inscreve escrita por uma mulher negra e nordestina.
"Minha solidão também dói – disse ele. – Mas também ama. Também dorme. Come. Anda. Chora. Canta. Na verdade, a solidão não existe. Porque nossos pensamentos nunca estão sozinhos, há sempre um monte deles dando volta por aí. Se solidão existisse, solidão não falava. Mas ela fala. A solidão fala tão alto, que fala pelos cotovelos, pelas flores, pelos peixes, transborda por cabelos, transtorna tudo à tona d’água."
O romance As Mulheres de Tijucopapo de Marilene Felinto, de 1980 é representante típico do fenômeno editorial que . . . τώρα ελληνικά.
Αυτό το μικρό βιβλίο ήταν το πρώτο βιβλίο που διάβασα από Βραζιλιάνα συγγραφέα που διαδραματίζεται στη Βραζιλία. Γράφτηκε το 1980 και εκδόθηκε το 1982. Είναι μόλις 120 σελίδες αλλά η ανάγνωσή του θέλει προσπάθεια.
Είναι μια κατακερματισμένη (fragmented) αφήγηση.
Είναι βασικά ένας μονόλογος μιας νεαρής μαύρης Βραζιλιάνας που φεύγει από την πόλη της το Σάο Πάολο για τον τόπο γέννησης της μάνας της, το Τιζιουκοπάπου, 2.000km απόσταση από το Σάο Πάολο.
Σε όλη αυτή τη διαδρομή η νεαρή Ρίσια μας τα πρήζει αφηγείται τη σκληρή ζωή που πέρασε με τη αδιάφορη καθολικιά μάνα της, τον άθεο βίαιο πατέρα της, τα σαν όρνεα που πέφτουν να την φάνε αδέρφια της, τον έρωτα, τη παιδική ηλικία, την αναζήτηση του ούτε κατάλαβα τι.
Η αφήγηση όπως ανέφερα είναι κατακερματισμένη, παρελθόν, μέλλον, παρόν, μέλλον, παρελθόν και τούμπαλιν, φράσεις από την αρχή μέχρι το τέλος που επαναλαμβάνονταν όπως:
A herd of tame animals. I spit. We are animals. I expectorate. We are animals. I vomit. We are animals. . . ή When I remember Lita. When I remember my aunt. When I remember Lita. When the days stretched out. . .
Μου θύμηση την αβάν-γκαρντ ποίηση της Gertrude Stein (Rose is a rose is a rose is a rose)
Στην αρχή το βρήκα ενδιαφέρον ύστερα άρχισε να με κουράζει και τέλος δεν κατάλαβα βασικά γιατί όλη αυτή η διαδρομή; Να πάει στη γενέτειρα της μάνας της. Πήγε. Και; Κάτι δεν κατάλαβα απ' ότι φαίνεται.
Ποιητικά είναι ωραίο αλλά σαν ιστορία σέρνεται και επαναλαμβάνεται.
Η μάνα η αδιάφορη μπορεί να είναι και η ίδια η Βραζιλία με τη δικτατορία της (1960's-1980's) εποχή που διαδραματίζεται η ιστορία. Η κόρη μπορεί να είναι όλες οι γυναίκες της Βραζιλίας που νιώθουν παραμελημένες από τη μάνα Βραζιλία.
Μην περιμένει κάποιος ιστορία/ύμνο αγάπης για τη μητέρα. Το ακριβώς αντίθετο γίνεται.
Έχασα και τις σημειώσεις όπου είχα σημειώσει τις σελίδες που ήθελα να αναφέρω, και είναι και αυτή η κριτική σαν πρωτοετούς φοιτητή, αχταρμάς, ακριβώς όπως και το βιβλίο. 3 estrelas
Não fluiu pra mim, não consegui me envolver com a história, com a protagonista, principalmente pela maneira como é contada. Há muita repetição de frases, meio que numa ideia de poema ou poesia, e quase tudo acontece na menta da personagem, reflexões, lembranças. Depois que a história termina, há vários textos apontando a importância do livro, e acredito que seja mesmo relevante, só não foi pra mim.
Resulta difícil acreditar que o livro de Marilene Felinto tenha sido publicado em 1980. A contemporaneidade da temática, do tom e da linguagem do livro, tornam a escritora e jornalista pernambucana numa precursora da literatura brasileira do século XXI.
Escrito como um fluxo de consciência da protagonista, com uma estrutura narrativa cíclica e deliberadamente repetitiva, pois mostra o pensamento de uma mulher em desespero, o livro foca mais no retrato das emoções e dos atravessamentos vitais e sociais do que em estabelecer uma narrativa sequencial.
Pouco acontece no livro, e muito acontece na mente e na voz da personagem, que foge de São Paulo à procura da terra natal de sua mãe, Tijucopapo, em Pernambuco, para se encontrar após algumas frustrações amorosas e vitais.
Ouvi na plataforma Audible, e a leitura da atriz Roberta Estrela D’alva é um grande ganho para o texto, que na sua voz se converte numa performance poética.
só se tendo uma infância envolta pelo Rio capibaribe e suas incertezas que se é capaz de escrever com tamanha ferocidade, clareza sobre a existência humana e injustiças com apenas 18 anos. mulheres pernambucanas ressoando clássicos femininos e feministas. atual como o que será escrito nos próximos 100 anos. entre Macábeas e Rísias, a gente segue sobrevivendo, apesar e por causa de tudo.
"Ana que, no árabe, quer dizer: eu. As Mulheres de Tijucopapo, esperança adulta e amorosa lembrança infantil, é a procura de Nema, a do único abraço, a que desapareceu na mata, rumo à Pedra Branca. Nema, nemo, neminis: ninguém. A busca da origem é busca de si rodopiando entre dois polos – eu, a doida; ninguém, a amante amada. Somente ao cabo da procura Rísia há de rir, na pura celebração de si." - "Mas de que me adianta evitar? Eu não tenho mais esse começo que acho que tenho. Meu começo se perdeu serras lá para trás, não vou iniciar ninguém em nada. Não sei iniciar. Só sei terminar. Mas é muito difícil chegar ao fim também. Sei que do começo não me resta mais nada e que devo prender todas as esperanças ao final. Seria fácil se eu não estivesse exatamente no meio. Estou no meio, na metade. De que me adianta evitar? Isto é uma estrada de ninguém por onde vou já a 250 mil milhas. E estou aqui porque não mais pude telefonar. Porque não mais pude falar. Porque o meu é um caso de perda de amor. Eu fui, vez por todas, esculhambada. A desgraça deu um pulo medonho para cima de mim, me deu um pontapé no toitiço. Eu mal acredito, tonta, abestalhada. Às vezes eu paro e me escoro numa pedra ou numa árvore do caminho porque quase desfaleço andando sem querer crer. Filhos-da-puta. Pois eu amava esse homem e, de repente..." - "O meu salário era o mais alto de minha casa e minha mãe depositava todas as esperanças em minha pessoa. Eu não aguentei, pois, o sufoco e saí por aqui. Saí de casa porque nos dias de domingo as pessoas jogavam relances na cara uma da outra tentando descobrir o que é que elas não tinham para dizer. Como isso eu não suportava, e como sou tão inteligente que o que me aparece são mulheres perdidas querendo os meus conselhos sobre a dor de amar um amante, como sou muito inteligente e vomito com extrema facilidade diante duma casa assim em dias de domingo, e de uma cidade de mulheres perdidas como São Paulo, eu me retirei. Eu me retirei e quero compor uma ária que recomponha em retrospectiva a minha retirada."
Por algum motivo, depois de fazer uma viagem para rever alguns parentes, esse livro me bateu muito forte e acho que no final consegui pegar o que talvez estivesse me faltando. Ganhou uma estrela ⭐️
—————- Esse vai ter que entrar na lista de “Releituras que com certeza serão melhores aproveitadas”.
Esteticamente me pegou demais. Marilene escreve com uma sensibilidade que muita gente tenta e no final fica forçado, artificial. Para invejinha dessas pessoas, a autora tem muita facilidade de transmitir umas emoções tão fortes com o texto, que mesmo me perdendo algumas várias vezes no fluxo de consciência, me deixaram impactado.
Em questão de história, é difícil de explicar o que aconteceu aqui, já que o livro é a transcrição de todos os pensamentos da personagem principal, então o tempo passa de um jeito diferente, nem sempre as coisas se conectam e tem um elemento caótico presente por toda a narrativa. Em alguns momentos foi difícil manter a concentração nesse fluxo e aí pra retomar era mais difícil encontrar um ponto de retorno, do que quando você está lendo Saramago.
Resumindo: em leituras futuras acho que vou aproveitar mais!
Fascinante. A exploração da raiva apaixonada de Risia me ganhou. Uma raiva tão coberta de afeto, tão intensa mas também complexa. É de uma beleza maravilhosa. Meu primeiro contato com o livro foi em uma mesa da FLIP em que ele foi lido em voz alta. Jurava que era poesia, agora tenho certeza que é, mesmo sendo prosa.
Fecho o ano com a leitura de Mulheres de Tijucopapo, uma narrativa-carta-viagem de uma mulher de volta à terra em que sua mãe nasceu — mas de onde não guarda muitas recordações e características —, a mítica Tijucopapo, terra de mulheres guerreiras. Em um movimento oposto ao êxodo Nordeste - São Paulo de sua infância, Rísia volta ao passado em busca de um futuro. Essa descrição é extremamente rasa para tudo que esse livro se propõe a abarcar. É lindo como Marilene, com seus vinte e poucos anos colocou tanto de sua alma nessa jornada de retorno à dor e à força que transmite o passado. É uma jornada que retrata um pouco do que tenho começado esse ano, ainda tão embrionariamente (ou ainda longe de ser embrião). É uma premissa incrível, mas que nem sempre me envolveu. Algumas passagens muito marcantes, outras, não sei dizer se não gostei ou se foram indiferentes. Não é o melhor livro que eu já li sobre a temática, mas é certamente um importante, ainda mais considerando a localização da importância dele na literatura brasileira. Muito a elogiar a edição da Ubu, cujas fortunas críticas, prólogos, epílogos e ensaios (que pretendo voltar ainda para entender melhor) enriquecem extremamente a experiência da leitura. Acredito que foram essenciais na minha experiência.
Um livro precioso e lento, de retorno à si mesma, mas também pra uma terra já desconhecida onde estão suas origens. Me pareceu muito uma leitura poesia, toda atravessada por metáforas das relações de Risia com Tijucopapo, São Paulo, Jonas, sua mãe e pai. Por fim, todas essas figuras reais ou imaginadas em uma grande guerra no que pra mim parece ser a personagem tentando definir seu futuro.
Além disso tudo, a emigração nordestina para São Paulo é parte constituinte da cidade, São Paulo é negra e nordestina em todos seus bares e periferias, no entanto, poucas vezes essa travessia traz como personagem principal as filhas e esposas, mulheres negras que atravessaram o país pra solidão da metrópole. O que torna o livro ainda mais necessário.
A edição feita pela Ubu contém uma série de textos de apoios que contextualizam a recepção do livro, mas também da obra de Marilene Felinto, e apoiam o entendimento da obra. Um primor!
Um livro com valor representativo cultural e literário, de épocas,presente e passado. Mesmo que sua mensagem com forte oralidade,assim como de outras minorias na América Latina se perca um pouco na trama,que parece dispersa e repetitiva. Se centra na protagonista Rizia, uma jovem negra,que decide voltar a sua terra natal, onde sua mãe nasceu, Tijucopapo,o palco de guerra, de seu amor e de seu ódio, como toda mulher ela carrega uma chama irascível contra toda injustica que sofre na sociedade. Durante a viagem começa a desenterrar memórias de um típica família disfuncional, além de patriarcal e tradicional nordestina, do qual "fugiu" pra encontrar sua identidade.
Uma volta pra casa . Talvez um paralelo com exilados da ditadura.
É um livro muito bonito para quem quiser ler literatura Brasileira e acompanhar uma heroína nada convencional em busca de auto-conhecimento. Ela também, ao longo da jornada tenta se reconectar com uma passado que não traz boas memórias. Enfim, não é que eu adorei a personagem, mas acho um ótimo livro pra gente conhecer mais da nossa própria cultura.
O livro narra o retorno da protagonista Rísia de São Paulo para sua cidade natal no nordeste, ao mesmo tempo que ela nos revela sua vida e faz descobertas a respeito de si mesma. Muito bom!
Muito obrigado, Marilene, pela jornada de Risia! O trajeto até Tijucopapo é um caminho de auto descoberta lindo, que se fez mais necessário do que chegar de fato na cidade! Mesmo não tendo a mesma origem pude me identificar com muitos momentos, principalmente aqueles em que Risia tenta entender a origem de seus pais em meio a essa opressão de uma sociedade racista e patriarcal e como isso afetou sua criação... o quanto q a gente carrega isso e reproduz, mesmo não querendo, pois faz parte da gente. E entender isso ja é uma forma de começar realmente a fazer diferente.
Não tornou um favorito, mas consigo entender a importância e o diferencial de As Mulheres de Tijucopapo. A forma de narrar e a forte oralidade no texto foi uma das características que mais me chamaram atenção no texto de Marilene Felinto. A fortuna crítica presente nesta edição da Ubu engrandecem ainda mais a obra trazendo um paralelo sobre as discussões presentes ao longo da história. É uma viagem ao mundo de uma mulher negra procurando pertencimento e acolhimento no mundo permeado de violências. Rísia busca se impor naquilo que a tenta destruir.
Grande livro sobre a condição feminina, negra e periférica. A autora mostra, por dentro e com clareza, as dores, os amores, as esperanças e, sobretudo, a solidão e a raiva mais profundas de quem vive a condição feminina, negra e periférica. Vale muito a pena ler para compreender, não apenas um (enorme!) grupo social, mas também alguns traços da condição humana. A edição da Ubu é especialmente boa, pois além da parte gráfica muito bem cuidada, traz também textos interessantes (conflitantes?) sobre o livro.
Demorei um pouco para me entranhar e me desestranhar do livro a princípio, já que eu não me lembrava de ter lido algo em tamanho fluxo de consciência. Rísia não pára um segundo, um milésimo de segundo, de pensar e de falar. Acho que é por isso que em determinado momento me vi tão agarrado a esse livro: o fluxo de Rísia me aproxima de mim mesmo.
Não só o fluxo, claro. A raiva, pelo qual e pelo quê. A timidez. O gaguejar. O se sentir muito mas na hora ser nada, ser muita pouca coisa.
É um livro fascinante e me atravessou num momento muito eufórico da vida.
uma leitura cansativa mas que retrata a realidade de muitas mulheres imigrantes nordestinas nas grandes metrópoles brasileiras. é interessante ver a forma em que a identidade de risia é (re)construída à medida em que ela se reconecta com suas origens e volta para pernambuco. as mulheres de tijucupapo é um livro poético, significativo e atemporal, acredito que tenha a capacidade de se resignificar a cada década e trazer novas experiências estéticas.
É a história de Risia, uma retirante em São Paulo que volta para a cidade que sua mãe nasceu em busca de raízes. Risia não se conforma com a pobreza e sofrimento. Quer mais sempre. é um livro visceral, acima de tudo. Ela chega em Tijucopapo e encontra várias mulheres que batalham também, que não se conformam. O mais curioso é que existe Tejucopapo, é um povoado pernambucano cujas mulheres enfrentaram a invasão holandesa com água quente e pimenta. O livro é sobre isso também. Adorei.
Obra magistral que revigora o regionalismo com o grito de revolta e dor das excluídas! Uma mulher negra, pobre e evangélica, saída de Pernambuco para São Paulo, conta em forma de carta/confissão seu retorno às origens, para Tijucopapo, para as mulheres guerreiras de outrora e hoje. Livro que une Guimarães Rosa e Clarice Lispector num resultado surpreendente de muita dor e luta contra a exclusão!
Maçante, repetitivo. Muitas folhas preenchidas por repetições desnecessárias à trama. Pretensioso na escrita. A sensação de que lhe faltava ideias ou palavras vem exatamente do vício pela repetição chatíssima frases. Recomendo não!