"E se alguém que assistiu a tudo pudesse, de repente, acordar a tempo de evitar a tragédia? No dia 12 de Setembro de 2001, Ayda encontrou-se com Teresa num café de Allentown e, com o jornal aberto sobre a mesa, foi implacável com os que tinham saltado das Torres Gémeas, chamando-lhes cobardes; mas não disse à amiga que, na verdade, o que sentia era outra coisa, uma grande frustração por o marido e o filho a terem abandonado e rumado a Nova Iorque num momento em que ela se recusava a tomar a medicação e lhes tornava a vida um Inferno - e de não ter coragem de fazer o que esses tinham feito. Entre os que saltaram, estavam Thea, Millard, Mark, Alice e Solomon - todos personagens fascinantes, com histórias de vida simultaneamente banais e extraordinárias -, que o acaso reuniu no 106.º piso da Torre Norte do World Trade Center naquela fatídica manhã. Se Ayda, por hipótese, conhecesse essas histórias e o drama que eles enfrentaram, decerto não os teria insultado tão levianamente. Mas poderá o destino dar-lhe uma oportunidade de rever a História? Este é um romance admirável sobre o medo e a coragem, o desespero e a lucidez, a culpa e a expiação; mas é também um livro sobre Einstein e os universos paralelos, sobre o que foi e o que podia não ter sido. No décimo aniversário do 11 de Setembro, a memória não basta, é preciso combater o esquecimento indo para junto dos heróis que viveram o horror e compreender cada um dos seus actos - se necessário, saltar com eles, conhecer aquela que foi a manhã do Mundo."
Nascido no Porto no Verão de 1969, chegou com 7 anos às mãos da professora Laura sem saber fazer contas de dividir; ela ensinou-o e ele pagou-lhe com uma fábula. Aos 11, entre rapazes de 16 e 17, empatou o primeiro lugar dos jogos florais da escola com um rapaz de 12, hoje um conhecido político. Aos 13, perdeu para o mesmo menino, mas levou o 2.º e o 3.º prémios. Aos 16, ganhou (finalmente sozinho), porque o menino político entrou na Universidade. No ano seguinte entrou ele, na de Coimbra, e andou com Torga no trólei 3, mas nunca se falaram. Profissionalmente, foi dos primeiros advogados a ganhar o Prémio Lopes Cardoso, com um artigo publicado, primeiro, na prestigiada Revista da Ordem dos Advogados e, depois, em livro. Aos 25, decidiu publicar apenas aos 40, porque queria saber, e escrever, mais. A Manhã do Mundo aparece a meio do seu «dia», sendo o primeiro romance que publica.
Uma sensível e humana homenagem «aos heróis que a falta de visão de outros confundiu», um combate ao esquecimento daqueles que foram vítimas do atentado terrorista de 11/9/2001, representados, não só mas também naqueles que saltaram e que Pedro Guilherme-Moreira nomeia como Thea, Mark, Millard, Alice, Solomon (os cinco fios do destino)
O autor parte de uma ideia muito interessante: Einstein e as Teorias do Absoluto, do Todo, do Tudo, do Campo Unificado , ou seja, tentativas para juntar numa só, as duas teorias fundamentais da Física: a Mecânica Quântica e a Teoria da Relatividade, bem como da possibilidade da existência de Universos Paralelos ou até Multiversos.
E aí pergunta: E se? E se o atentado às WTC pudesse ter sido evitado ou alterado?
Um livro que são dois: o Anverso (o que foi) e o Verso (o que poderia ter sido e não foi).
Dois 11 de Setembro de 2001, o Anverso e o Verso das vidas dos protagonistas, símbolos de dignidade e coragem.
«Grande parte dos que saltaram no primeiro 11 de Setembro fizeram-no na sequência de uma tomada de decisão lúcida e serena, apesar de estarem sob um incomensurável sofrimento. Mas aquilo que em nós, os que saltámos, esteve toldado não foi traçado por uma entidade superior. Aquilo que em nós, os que saltámos, esteve toldado foi a consciência de sermos gente, um todo com fundações, passado, futuro. Tivemos um exclusivo com a morte. A morte tem tamanho, sobrepõe-se a quase tudo, e a opção é deixar o medo enlouquecer-nos ou, em alternativa, como nós fizemos nesse dia, dizer a essa senhora imensa que nos deve deixar em paz na escolha do último trilho.»
'The Falling Man' - Richard Drew - Associated Press
11 de Setembro de 2001…
Um dia que ninguém esquecerá. Inúmeros escritores escreveram sobre esse dia; sob vários enquadramentos e perspectivas, histórias individuais ou colectivas, analisando e dissecando comportamentos e actos, gente anónima ou heróis, anónimos ou não, quase sempre relatos trágicos, dor e morte, sem justificação ou sentido, tentando, desesperadamente, encontrar explicações para o inexplicável, interrogações e mais interrogações, nenhuma resposta, a amargura e o desespero de quem viu partir entes queridos, que jamais serão “recuperados” ou esquecidos, o que ficou por dizer e o que queríamos dizer, a tristeza e a solidão, os que velaram os corpos e os que apenas conseguiram velar as almas, um luto que não tem fim, e memórias e mais memórias que queremos partilhar para combater o esquecimento…
Vários livros sobre o 11 de Setembro de 2001 foram editados em Portugal: “O Homem em Queda” de Don DeLillo, “A Torre do Desassossego” de Lawrence Wright, “O Segundo Avião” de Martin Amis, “Extremamente Alto e Incrivelmente Perto” de Jonathan Safran Foer, “102 Minutos” de Kevin Flynn e Jim Dwyer e “A Manhã do Mundo” (2011) do português Pedro Guilherme-Moreira (n. 1969).
No início há uma fotografia que viria ser conhecida como "The Falling Man", tirada pelo fotógrafo Richard Drew às nove horas, quarenta e um minutos e quinze segundos da manhã de 11 de Setembro de 2001. Um homem de meia-idade mergulhava do alto da Torre Norte. A sua posição era de rara graciosidade, de cabeça para baixo mas com o corpo muito direito e uma das pernas ligeiramente flectida. A sensação de serenidade absoluta, naquele contexto, perturbava quase tanto como o acto em si, que foi maciçamente interpretado como um suicídio… - Como é possível que este homem tenha abandonado toda a esperança de se salvar, de regressar aos que o amavam? (Pág. 21) e é com este “fragmento” que Pedro Guilherme-Moreira inicia em dois capítulos – o Anverso e o Verso – “A Manhã do Mundo”.
“A Manhã do Mundo” é um excelente relato sobre homens e mulheres que “viveram” o 11 de Setembro de 2001, em Nova Iorque, na zona do World Trade Center, na Torre Norte e na Torre Sul, no Ground Zero, história fragmentadas, cinco fios do destino: a Thea Marie, a morena de olhos verdes, a jornalista gastronómica, o Mark, o irascível cozinheiro “chef” do “Windows on the World”, situado no 107º andar da Torre Norte, o Millard, um “concierge” do “Windows on the World” casado com “Tzufit” um beija-flor, a Alice, a bela mulata, licenciada em Gestão na Harvard Business School, secretária da recepção da “Cantor Fitzerald” e por fim Solomon, um advogado judeu e reformado, que uma vez por semana mantém a sua rotina das terças-feiras, regressa ao seu escritório como se fosse trabalhar, a que se junta outras personagens - fios de uma teia ramificada e unida, por relações de amor e amargura, vidas feitas de alegria e sofrimento, de solidão e silêncios, de falsas aparências e de dores de existência, de ligações emocionais ou sociais, e que no concreto nos falam sobre o destino, a sorte e o azar, do que é explicável e do que não tem explicação.
“A Manhã do Mundo”é uma primeira obra promissora, plena de maturidade, reveladora de um escritor que sabe escrever uma história, que domina o “tempo”, o passado, o presente e o futuro, na conjugação perfeita da não ficção com a ficção, com muita emoção, comoção e muitas lágrimas derramadas. De leitura obrigatória…
"- Não se deixem devorar por falsas esperanças. Estamos no fim dos nossos tempos. Devemos estar sempre preparados para morrer." (Pág. 151)
"- Estamos a suicidar-nos, Mark? - Ninguém se pode suicidar à vista da morte. - Qualquer suicida vê a morte. - Não é verdade, Ayda. Não vê a morte. Vê a vida desmaiada. O verdadeiro suicida conquista um destino que não lhe está naturalmente reservado." (Pág. 155)
Quem não ficou marcado por aquela manhã, que para nós, no ponto mais ocidental da Europa, surgiu à hora em que o Sol está bem a pino no céu e o intervalo da hora do almoço nos dá o axacto tempo de sermos testemunhas d História e das estórias do horror?!
Pedro Guilherme-Moreira consegue algo de inesperado, mesclando de forma sábia as personagens reais que terá estudado quase com ciência, e a capacidade ímpar de as ficcionar dando uma segunda oportunidade à revelação daquilo que constitui o Género Humano... O que faz dos mesmos personagens heróis num momento e cobardes noutro? O que contribui definitivamente para a força com que a personalidade de um personagem (ainda para mais, real) pode pender para a heroicidade ou para o egoísmo?
Ao ler as palavras de Pedro Guilherme-Moreira, que menciona o documentário de 10 de Setembro de 2009 (?) "The Falling Man", compreendo num milésimo de segundo que vi, ao mesmo tempo, a mesma reportagem... Senti o transporte directo ao horror e também à admiração pela coragem... Presumo, bem ou mal, compreender o que terá levado Pedro a escrever este livro, pois que tive a mesma experiência ou uma muito semelhante ao assistir ao "Falling Man".
Agradeço ao Pedro ir buscar um tema tão difícil e recordar-nos a nossa Humanidade, com as suas imperfeições e coragens, as suas ignorâncias e determinação...
Parabéns por escrever um livro que não se consegue quase interropmer...que eu li entre 2 e 3 de Outubro!
Parti para esta leitura por causa da análise que Miguel Real fez no JL http://amanhadomundo.blogspot.com/201... e ainda bem! Gostei mesmo muito, quar da abordagem ao tema central, quer das histórias individuais de cada personagem. E também, porque sempre senti admiração pela coragem de quem saltou! Muitas são as passagens e as frases de que gostei especialmente, mas deixo uma que passou a ser a minha preferida, no momento em que a li:
"[...]de vez em quando o mundo pressente o próprio movimento de translação, e há pessoas que se perdem umas das outras para sempre."
A Manhã do Mundo, primeiro livro de Pedro Guilherme-Moreira, ficou a meio caminho daquilo que poderia ter sido, tivesse o autor apostado na sua evidente qualidade e não em escrever a história que se nota que queria escrever. Isto porque um livro é, quase sempre, uma entidade autónoma de quem o escreve, embora sujeito às variáveis que circundam o seu escritor, mas não a um percurso rígido e estanque. Ao longo das suas páginas, torna-se notória uma linguagem visual, de índole cinematográfica, concretizada frequentemente por um narrador que refere uma mudança de ângulo da câmara, qual realizador aspirante a ser omnisciente. Fica-se, contudo, pela aspiração, numa narrativa cuja voz se confunde com a das várias personagens. Para além da confusão latente, há ainda uma evitável condescendência para com o leitor, impedindo-o de apreciar o livro, ser juiz de vidas alheias, questionar-se que caminho terá seguido o autor. Se, ao longo das quase 200 páginas, os exemplos são vários, o spoiler maior está logo na capa e estraga o único clímax do livro, aquele que o leva precisamente para uma vertente Einsteiniana (de universos paralelos), que apenas é explorada na contracapa. Praticamente no final do livro, em jeito de mostrar que há mais vida para além das personagens subdesenvolvidas, Pedro Guilherme-Moreira dá a conhecer o seu verdadeiro talento: criar vidas. De A a Z, uma multiplicidade de pessoas é analisada à lupa às nove horas da manhã do dia 11 de Setembro de 2001. São esses pormenores que faltam ao livro (como o de Mr X), substituídos por frases demasiado confusas, que se perdem numa necessidade excessiva de metaforizar e adjectivar. “(…) num romance é perigoso criar uma sucessão de frases de significância forte (que funcionem como iluminações); a maior parte das frases de um romance procura uma função operativa: complementam, delimitam, etc. Só uma pequena percentagem procura a ‘profundidade’. Demasiada profundidade consecutiva provoca tonturas.” Tal como o autor discorre, demasiada profundidade consecutiva provoca tonturas, o grande problema de “A Manhã do Mundo”. Não há, ainda, necessidade de um autor se justificar no próprio livro. Numa sessão de apresentação talvez, sob a forma de posfácio é possivelmente desinteressante e nitidamente redundante. Primeiro porque abre para o espectro motivacional do escritor, cujo interesse é dúbio, e depois porque é mais do mesmo, é escrever porque se escreveu sobre o que se escreveu. De nada acrescenta elevar as pessoas que saltaram à categoria de deuses, anjos, santos ou heróis. De nada acrescenta equipará-los aos judeus chacinados nos campos de concentração alemães. Se similaridade há, resigna-se aos actos humanos que desencadearam momentos vergonhosos da História.
Embora seja um livro que se faz ler com muita rapidez, não o iniciei e terminei num e mesmo dia. Por um qualquer motivo o registo inicial (29 de novembro) falhou.
O romance parte de factos históricos relativos ao 11 de setembro, constituindo-se numa comovente homenagem não só aos heróis do "dia que mudou o mundo" mas de todos os que lutam pela verdade a partir de um "e se...". Com uma construção de personagens e seus universos particularmente interessantes, encerra em si boa parte da humanidade, essencialmente A boa parte.
"É preciso enfrentar a dor e o exemplo dos que sofreram por nós e poderão tornar-se (se os deixarem) ícones da dignidade e da coragem. É preciso olhar e baixar a cabeça reverencialmente. Mas é preciso olhar."
Isto das estrelas é um bocado injusto! este livro não merece (na minha opinião, quando comparado com outros) as 4 estrelas, mas definitivamente tb não merece só as 3! digamos que está quase nas 4 mas não chega lá! é um bom livro, lê-se rápido, versa sobre um assunto muito interessante e acho que para aqueles que não viram na época o ataque às torres, nem viu documentários, dá vontade ir procurar e tentar saber mais coisas sobre este ataque e sobre as pessoas que lá estavam e sobretudo as que se salvaram. Gostei muito de ler e ainda bem que o adquiri :)
Em jeito de preâmbulo, partilharei três memórias. A primeira vai ao encontro do escritor Pedro Guilherme-Moreira, de cujo pensamento guardava a ideia de correr à frente das palavras, o discurso confuso, quase ininteligível, o próprio a desaconselhar os presentes na derradeira mesa do Festival Literário de Ovar a lerem-no. A segunda leva-nos ao 11 de Setembro de 2001 e à perplexidade perante as imagens que a televisão ia mostrando em directo nesse início de tarde em Portugal, as ideias desencontradas a entrechocarem-se na mente; depois a incerteza, as repercussões de tão tresloucado acto a ameaçarem vidas até aí pacatas; enfim o medo tornado palpável, as histórias da História de súbito tão mais vivas. A terceira e última é a de uma estante numa livraria da baixa do Porto, a deliciosa profusão de livros de autores portugueses que se alinham, o olhar a pousar nos títulos um a um e a acabar por se deter em “A Manhã do Mundo”. Pedro Guilherme-Moreira é o autor, o 11 de Setembro de 2001 o assunto. Decido-me a pôr de parte o preconceito e concedo confrontar-me de novo com a perplexidade, a incerteza e o medo. Compro o livro e começo a lê-lo de imediato.
A primeira impressão é de espanto. Não porque o primeiro avião acabasse de embater na Torre Norte do World Trade Center, dando início à série de trágicos acontecimentos que se saldariam na perda de mais de três mil vidas humanas e numa extensa cicatriz para sempre gravada no coração da América. Mas porque a escrita de Pedro Guilherme-Moreira é límpida, as suas ideias claras, a narrativa seguindo uma lógica indestrutível, as palavras a transmitirem, paradoxalmente, conforto e segurança. Pela possibilidade que só a ficção pode conceder, o autor acompanha, de forma serena e digna, os derradeiros momentos de uma mão cheia de pessoas, não o filme da vida de cada uma delas a rebobinar-se a uma velocidade vertiginosa, antes a forma de encarar o horror e ser capaz de manter a lucidez quando o leque de opções se escoa a cada segundo que passa.
A grande força do livro está em provar que ninguém é dono do seu próprio destino e que situações há para as quais não existem planos B. São pessoas erradas, no sítio errado, à hora errada, pessoas que, por esta ou aquela razão, poderiam estar a salvo no momento da tragédia. Ou, no verso da questão, pessoas que se encontram a salvo quando tudo acontece, apenas porque sim. Pessoas que poderiam ser qualquer um de nós, como bem se perceberá. Sem se deixar enredar num estéril jogo de “ses”, Pedro Guilherme-Moreira coloca o leitor do lado de quem nem sequer se dá conta da benção que é não ter de tomar decisões em situações-limite, levando-o a abraçar cada dia como se fosse o último e a ver a vida como uma dádiva. Surpreendente, perturbador, inteligente e dum humanismo que se palpa no virar de cada página, “A Manhã do Mundo” é um dos livros mais inspiradores que li nos últimos tempos. Naquela tarde, ao olhar para aquele estante, foi este o livro certo, no sítio certo, à hora certa!
Cá o autor despacha todos com 5 😉. É sinal de uma marketing avançadíssimo. A forma superior da existência é o humor. É isto. Deu um trabalho do caraças. Este é o auto-prémio. Onanista, pá!
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Se era necessário um português escrever sobre os suicidas do 11 de a Setembro? Só era, porque desta forma. Por vezes, as partes mais delicadas é que arrasam, e não as brutais, aquela forma como o autor olha para o ser humano como se soubesse mais da sua fragilidade do que ele próprio.
“Era 11 de Setembro, e eu saltei. O meu nome é Thea e, por causa de uma improvável sucessão de eventos, fiz uma viagem diferente da esperada.” (…) A fúria mediática despreza a substância das coisas, perverte o raciocínio com nuvens de demagogia e emite delírios sem notícias dentro. “Deixo a minha alma escancarada para, no momento próprio, fazer ouvir a voz que não tive.“
E se tivesses a oportunidade de mudar o mundo? Se pudéssemos voltar atrás e mudar alguns acontecimentos, nomeadamente o 11 de Setembro? Conseguiríamos salvar mais pessoas? Conseguiríamos sair de um dos edifícios a tempo de evitar a própria morte? É o que este livros nos traz. Uma retrospectiva diferente do que pensamos sobre o 11 de Setembro e se tivéssemos a hipótese de alterar o que aconteceu neste dia. O que é que vocês fariam de diferente?
This is a story about *the* day that changed the world. What if you lived in New York and had a chance to relive it? This is a view on how courageous we are/can be, how a small change can have a magnified impact in ours' and others' lives. It was an interesting story and premise and I enjoyed reading it.
I remember clearly what I was doing when I heard about about the attack to the Twin Towers. I don't think I will ever forget that day (and I was miles and miles away).