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Abril Traído

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114 pages, Paperback

Published March 1, 1999

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Francisco Martins Rodrigues

10 books3 followers

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Profile Image for misael.
398 reviews33 followers
May 29, 2021
Francisco Martins Rodrigues, um dos mais destacados militantes da extrema-esquerda revolucionária, reúne neste livro uma série de artigos publicados na revista Política Operária onde discorre sobre a sua versão da revolução portuguesa e do que se lhe seguiu: uma revolução feita para acautelar os interesses da burguesia, que precisava de se modernizar, em que a miragem do poder popular e do socialismo não passou de uma promessa frustrada e que todos sabiam que não se materializaria. Imputa responsabilidades a todos, desde a direita reaccionária, ao PS que sempre deu a mão à burguesia, e até ao PCP, que considera o partido encarregado de manter a classe operária nos limites do sistema contando-lhe histórias sobre o socialismo .

Concordo com muito, discordo de uma boa parte. Não me revejo no desprezo entregue a tantos e tantas resistentes antifascistas durante o Estado Novo e duvido de uma tão grande e generalizada desconsideração por tudo e todos. É certo que a revolução resultou nesta democracia burguesa que não nos serve, muito pelo golpe reaccionário do 25 de Novembro e pela recuperação monopolista e capitalista promovida pelo PS e pela direita, mas não é menos certo que serviu, ainda assim, para o desmantelamento (incompleto, podemos considerar, mas ainda assim efetivo) do Estado fascista, e isso não é tarefa de somenos. A desilusão é legítima, o desprezo pelos que se opuseram à reacção cai-me mal.

O que resta de Abril? Muito pouco, quase nada.
Agora que a liberdade se traduz na liberdade da burguesia enriquecer e do proletariado vegetar, e que o
pluralismo partidário degenerou numa vulgar concorrência de camarilhas pela administração do poder, é
cada vez mais difícil encontrar quem leve a sério a genuinidade desta democracia.
Ainda se pode falar livremente, é certo. Mas que
é feito daquela bela dignidade das pessoas comuns que
há vinte e cinco anos subitamente descobriam já não
haver motivos para temer a força armada e os patrões
e se reuniam em assembleias para discutir e resolver as
questões da sua vida colectiva, ou para se manifestar espontaneamente nas ruas? Essa foi banida sem deixar
rasto, porque era a essência mesma da democracia.
Essa novidade electrizante, a que alguns chamam com
condescendência a utopia, era simplesmente a descoberta de que a democracia pode ser algo mais do que
o espectáculo das instituições, pode ser a via para questionar uma ordem social iníqua e abordar a grande
questão proibida que no entanto lateja sob a normalidade do dia a dia: é admissível a propriedade privada
de alguns contra o interesse da esmagadora maioria? Por isso e só por isso a democracia de Abril foi sufocada. Esse foi o seu crime.
Profile Image for Filps.
11 reviews1 follower
October 17, 2024
Fácil de ler, informativo, objetivo e direto. Não se devia festejar o 25 de Abril e devíamos abolir o PCP.
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