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Coisas Que Acarinho E Me Morrem Entre Os Dedos

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(DN Contos Digitais #11)

Uma mulher tem um encontro marcado com um desconhecido. O desconhecido tem sempre tanto de sedutor quanto de ameaçador. Que fazer? A mulher demora-se, frente ao computador. Atrasa-se. Talvez se afunde nos abismos que um psicólogo garantiu existirem no seu interior. Talvez se perca no outro lado do mundo, em Bangladesh, onde nunca faz frio. Ou talvez, ainda, se entregue nos braços de Machina ex Deus.

14 pages, ebook

First published November 21, 2012

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About the author

Dulce Maria Cardoso

25 books601 followers
Dulce Maria Cardoso nasceu em Trás-os-Montes, em 1964, na mesma cama onde haviam nascido a mãe e a avó. Tem pena de não se lembrar da viagem no Vera Cruz para Angola. Da infância guarda a sombra generosa de uma mangueira que existia no quintal, o mar e o espaço que lhe moldou a alma. Regressou a Portugal na ponte aérea de 1975. Licenciou-se em Direito pela Faculdade de Direito de Lisboa, escreveu argumentos para cinema, gastou tempo em inutilidades. Também escreveu contos. Tem fé, uma família, um punhado de amigos, o Blui e o Clude. Continua a escrever e a prezar inutilidades. Vive em Lisboa.

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1 star
5 (4%)
Displaying 1 - 14 of 14 reviews
Profile Image for Sofia.
1,040 reviews127 followers
April 25, 2020
"Acabei por desistir das consultas. Acho que me fartei das armadilhas e das vilezas da minha mente. Ou melhor, de ter notícias delas. Ainda pensei ir a um terceiro psicólogo mas acabei por nunca o fazer. Passei a controlar os ataques de ansiedade com químicos que a médica de família me receita e tem corrido bem."
Depois de ter lido "Eliete" da autora, confesso que fiquei um pouco desiludida com este conto.
Tinha expectativas altas e, embora o conto seja bom, senti que o leitor fica num nível muito superficial da história.
35 reviews2 followers
June 30, 2022
Uma curta história sobre alguém comum e numa fase mais estável da vida que mesmo assim não a impede de se debater com a sua saúde mental nem a "consola" do vazio/solidão.

Achei mesmo brilhante e original o uso das pesquisas no Google para ir guiando a descoberta que todos fazemos uns dos outros. Por vezes há tantas respostas e tantas fontes que só saberemos a verdade entrando em contato com a realidade/ de uma forma prática.

Talvez este texto seja também um comentário sobre como o virtual e as redes sociais nos parecem aproximar de alguém, e nos permitem a falsa crença de que conhecemos essa pessoa, quando é um mero estranho...

Acho que é uma história principalmente sobre alguém comum e em como os nossos caminhos apesar de diferentes tem alguns dos mesmos obstáculos. E também de como opiniões/perspectivas diferentes são válidas e devem ser respeitadas, mas não devemos deixar que outros re-escrevam a nossa história, que invalidem os nossos sentimentos.

É um texto mesmo engraçado, porque apesar de tratar de temas do dia a dia, de ser um enxerto de uma vida "normal" dá muito ao leitor para pensar...

E UAU!! Os abismos e as vertigens são excelentes metáforas! Senti-me compreendida 🥺

O texto termina num pedido que a personagem faz a si mesma... O que mostra que a personagem ainda que reticente e exausta continuará a lutar e a ter esperança na humanidade!

Fiquei com muita curiosidade por ler mais textos da Dulce Maria Cardoso!!
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Cristina | Books, less beer & a baby Gaspar.
452 reviews119 followers
November 28, 2017
"Tinha acordado com alergia. As alergias são uma guerra que o meu corpo trava com o mundo ou com algumas coisas do mundo. Coisas indefinidas ou de difícil identificação que provocam o sistema imunitário fazendo o meu corpo reagir exageradamente. Como quando me apaixono, só ao contrário. Aí o sistema imunitário afrouxa as defesas. Se é que há sistema imunitário para os afectos."

Não sei muito bem o que escrever... foi o primeiro contacto com a escrita da autora e gostei bastante, mas o conto foi fraquinho. Entre deambulações com o psicólogo e o homem do facebook, fiquei sem perceber o objectivo do conto.
Profile Image for Maria.
1,035 reviews112 followers
January 23, 2013
De Dulce Maria Cardoso li um conto policial e Campo de Sangue, que gostei bastante. Mas este conto foi uma desilusão. Não gostei da temática, a personagem não me prendeu e achei a história aborrecida.
A autora leva-nos a conhecer uma mulher que tem um encontro marcado com um desconhecido que conheceu através do facebook. Com referências ao Bangladesh, notícia que a protagonista viu naquele dia, e a vários psicólogos que consultou, o conto fala ainda das relações modernas que se conhecem através da internet e dos medos que surgem quando se parte rumo ao desconhecido. Será que a pessoa que vai surgir ao encontro é o mesmo da fotografia que está no perfil na internet?
Depois de ter lido o conto não me ficou nada.

Mais opiniões em marcadordelivros.blogspot.com
Profile Image for Manuel Alves.
Author 30 books91 followers
January 16, 2013
Este conto pode perfeitamente ser um dia na vida de quem vive. Seja mulher ou homem. Feliz ou infeliz. Onde quer que exista nos dias de hoje. A escrita flui com uma naturalidade que deixa o leitor seguir no seu próprio ritmo. A história é uma banalidade intencional (e demonstra o que é sem pretensões), que não aborrece porque não escorrega para o tédio do exercício psicológico excessivo. Ah, e o título é uma coisa agradável de se ler; um pouco triste mas agradável, porque a tristeza também existe e, às vezes, chega a ser saudável.
Profile Image for Carolina Ramos.
111 reviews5 followers
January 23, 2026
Segunda vez que leio Dulce Maria Cardoso, desta vez apenas um conto, e gostei muito, como esperava. Mais uma vez, uma historia atual e tão real, com internet à mistura, como na Eliete. Incrível a forma como a autora descreve os processos mentais.

"Nao é difícil familiarizarmo-nos com o nome das coisas mas depois... Depois fazemos como fazemos com tudo aquilo a que chamamos família: convivemos com o desconhecido como se o conhecessemos. Fingimos tanto e tão bem que acabamos por esquecer-nos de tentar conhecê-lo. Bastamo-nos com o sensação de que aquilo nos pertence ou que lhe pertencemos. De que podemos usar aquilo. E que para não haja dúvidas sobre isso, passeamos juntos aos domingos à tarde."

"Há uns anos consultei um psicólogo que me disse que a minha curiosidade acerca de o Outro era um dos traços mais positivos do meu Eu. O psicólogo devia gostar de espeleologia porque nunca o meu Eu teve tantos abismos interiores. As minhas obsessões, traumas, medos, manias, não passavam de abismos que o psicólogo espreitava de lanterna em riste tentando romper as sombras densas que aprisionavam o meu Eu. Mas não temos todos abismos, perguntei. Que sim. Só que além dos abismos eu tinha a vertigem dos abismos e era a vertigem que me fazia mergulhar no negro. Uma pulsão destrutiva que me levaria a ficar fechada em mim, não fosse a enorme curiosidade que tenho pelo Outro, não fosse a enorme vontade de chegar ao Outro. Um Outro exterior. Não os Outros que também existiam escondidos nos meus abismos interiores. O psicólogo garantia que esses Outros só me puxavam ainda mais para dentro de mim. Por vezes enredavamo-nos de tal maneira no meu Eu e nos Outros que me era difícil percebermos do que falávamos."

"Acabei por desistir das consultas. Acho que me fartei das armadilhas e das vilezas da minha mente. Ou melhor, de ter notícias delas."

"Essa informação, saber que precisava apenas de onze minutos para lá chegar, fez atrasar-me mais. Continuei ao computador enquanto ia eliminando tarefas por falta de tempo, não fazer a cama, não secar o cabelo, não me maquilhar. Pensei em enviar uma sms surgiu um imprevisto, não posso ir, lamento muito, combinamos em breve
Invocar um imprevisto é o melhor. Se se inventa uma doença obriga-se o Outro à gentileza de desejar as melhoras. Um imprevisto é igualmente incontornável e não chega sequer a ser uma mentira, já que estão sempre a acontecer-nos coisas que não podemos prever.
Não me apetecia sair de casa porque nunca me apetece sair de casa. Uma vez na rua, também nunca me apetece sair da rua e voltar para casa. As mudanças custam-me sempre. Mas nunca me ocorreria enviar-lhe um sms a dizer a verdade. A verdade só pode ser praticada com os muitos conhecidos ou com os muito desconhecidos. Acontece que quase ninguém é tão conhecido e raramente alguém permanece tão desconhecido."

PS - primeira coisa que leio no Kobo, ao mesmo tempo que a minha mãe :)
Profile Image for André.
Author 4 books76 followers
January 4, 2013
Um conto absolutamente contemporâneo, aparentemente escrito para o leitor dos dias de hoje, que, sob o manto de referências à internet na nossa vida e à televisão, mesmo as notícias, como distracção dos nossos problemas, trabalha principalmente a nossa expectativa e a forma como reagimos a ela e ao medo da sua violação. Isto visto em relação ao Bangladesh - "When's Bangladesh going to disappear?" - à pesquisa na internet e criação de uma ideia de algo antes de o conhecer - "(...) Podia ser só uma questão de estilo. Mas quis acreditar que não e li como se fosse verdade" - à vontade de criar uma boa primeira impressão e à falta de vontade de arriscar um encontro em condições menos que perfeitas (todas?) - à insegurança em relação a mudanças, à procura de soluções fáceis ainda que superficiais e disfarçadas, à vontade de desistir. É, no fundo, um conto sobre uma pessoa e o que lhe passa pela cabeça no decorrer do seu dia a dia, num equilíbrio entre a vontade de conhecer e o medo do desconhecido, da desilusão e da possibilidade de perda. A contraposição entre os dois psicólogos é também inteligente neste contexto - um referindo-se mais ao abismo vertiginoso do auto-(des)conhecimento e o outro à dor do contraste com os outros, que, superficialmente, como quem vê de fora, nos parecem melhores e nos magoam talvez por tornarem tão claros os defeitos que vemos em nós - e é fechada com chave de ouro com a decisão de controlar os ataques de pânico com químicos que, embora não lhe resolvam a origem do problema, pelo menos não a desiludem com outra tentativa de explicação metafórica das suas emoções.
Identifiquei-me muito com a personagem e claramente gostei muito da leitura, mas continuo com a sensação que esta história tem mais para dar, com uma leitura mais atenta que a minha. Nunca li nada de Dulce Maria Cardoso. Talvez seja altura de começar.

Os meus comentários a todos os contos da colecção estão publicados no meu blog.
Profile Image for David Pimenta.
376 reviews19 followers
December 17, 2012
Foi a primeira vez que li algo da escritora Dulce Maria Cardoso apesar de já ter em mente alguns livros dela que gostava de ler – como o Campo de Sangue. No entanto surgiram sempre outras obras para “devorar”, coisas que acontecem e vamos adiando uma boa leitura. Tinha o pressentimento de a Dulce Maria Cardoso seria uma boa escritora e confirmou-se com este conto, intitulado Coisas Que Acarinho e me Morrem Entre os Dedos.

Trata-se de um título extenso e de um conto bem escrito e elaborado – tão bem elaborado que o leitor fica com a curiosidade para saber um pouco mais sobre a protagonista. É descrito um encontro com um desconhecido, uma pessoa com quem começou a falar pelo Facebook, mas não se sabem pormenores. É também dado a conhecer pormenores relevantes que descrevem a personagem, conhecemos os seus pontos fortes e os pontos fracos da personalidade e/ou estado de espírito. Coloca-se a questão da presença da Internet nos seres humanos na atualidade – o bom e o mau (apesar desta segunda opção ser pensada pelo leitor). Só tenho pena das informações que apareceram em inglês, supostamente da pesquisa no Google. Apesar de fazer sentido no conto achei um pouco escusado.

Tenho definitivamente de ler um dos livros desta escritora. Fiquei com mais curiosidade.

4/5
Profile Image for Célia | Estante de Livros.
1,189 reviews277 followers
March 10, 2013
Este conto de Dulce Maria Cardoso foi a primeira coisa que li da autora portuguesa e uma das motivações para ter lido O Retorno. A história é contada na primeira pessoa por uma mulher que se caracteriza pela dificuldade em socializar e por recorrer à Internet como forma de escape, como um sítio onde tudo se pode encontrar.

No conto, esta mulher relata um pedaço de um dia da sua vida, numa manhã em que tinha encontro marcado com um homem que contactou no Facebook, cujo blogue leu de fio a pavio e que vai finalmente conhecer. O conto aborda temas como a alienação social, a rapidez com que as relações se desenrolam nos dias que correm, facilitadas pela Internet, e a questão de muitas vezes acharmos que conhecemos as pessoas só porque lemos aquilo que escrevem e divulgam na Internet. A leitura fluiu e foi agradável, apesar de no final ter ficado a vontade de conhecer um pouco mais sobre a história da protagonista.
Profile Image for Margarida.
461 reviews44 followers
June 10, 2013
A história de uma mulher aparentemente normal, que vive preocupada com os seus "abismos" interiores e visita 2 psicólogos. Que conhece um homem no Facebook e que hesita em se encontrar com ele, mas acabou por ir.

Procura informações sobre aquilo que não conhece através da internet. Diz mesmo que:
"Não há nada a que o computador não responda. O meu cunhado diz que o computador, a internet e os motores de busca são uma invenção do diabo. O meu cunhado não é crente e não percebe nada de Deus e do diabo. Mas talvez tenha razão." - p.10.

A mulher demonstra uma dificuldade em socializar, em conhecer outros, apesar do interesse que refere ter pelo Outro. Tem dificuldade em sair do seu Eu. Vive sozinha e "socializa" através da internet. Aparentemente, nada diferente do que tantos de nós fazemos actualmente.
Profile Image for Ruthy.
220 reviews
April 10, 2013
Banalidades do dia-a-dia de uma pessoa que analisa demais o que faz e de tanto analisar duvida das suas escolhas e começa a pensar em formas de já não pôr em prática o que tinha decidido anteriormente.
Profile Image for São.
105 reviews
April 12, 2013

Uma história que nos fala sobre o conhecimento do Outro, sobre o que perdemos ao longo da vida: pessoas, bens, países, entre outras coisas. Uma escrita confusa, com demasiados recursos a informação da net, num texto desta dimensão, e que em nada contribui para a sua melhoria. Não gostei.


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