Mas quando essas narrativas decorrem dentro de um hospital, em ambiente onde a saúde e o espírito estão mais vulneráveis, conseguirá o jornalista manter a isenção, o rigor, a imparcialidade que nos é imposta pela profissão, e não se deixar envolver, comover até, pelas vivências daqueles dias com cheiro a éter e tantas vezes pintados a lágrimas?
Cláudia Pinto, a autora deste livro, passou anos pelos corredores dos hospitais: como jornalista; como familiar; como cuidadora; como pessoa que ama. É incrível ler a forma como ela relata estes casos - uns mais próximos, outros tão próximos. Não são meras reportagens: são testemunhos que o vão fazer chorar, rir, mas acima de tudo acreditar.Porque a Cláudia é defensora de que todos estes lutadores (alguns com apenas dias de vida) são heróis; porque todos eles, de uma forma ou outra, mostram-nos, ao longo destas páginas, que vale a pena lutar para ser feliz mesmo perante o cenário mais cinzento.
Os doentes, os familiares e os amigos, relatam aqui os dias passados sem grandes planos acreditando que a própria vida já tem planos traçados e que acima de tudo vale a pena acreditar.
Eu sou das que acreditam; acredito no sentido de missão do jornalismo. Que todos nós podemos fazer a diferença na vida de alguém, na nossa própria vida, ao partilhar estes exemplos inspiradores.
Acredito que a Cláudia sentiu esta necessidade de olhar para lá da doença e trazer para livro, retratos que vão além do diagnóstico médico. As vinte histórias que vai ler passam-se no “intervalo da vida”. E prolongam-se para uma segunda parte, rumo à vitória.
Este é um livro diferente, que não procura entreter, mas sim passar uma mensagem muito importante. Existem situações dramáticas vividas por pessoas anónimas a que Cláudia Pinto dá voz nestas páginas e que são lições de vida. Tocam-me especialmente os testemunhos relacionados com crianças, que desde pequeninas demonstram uma força e uma vontade de viver que me deixa sem palavras.
Em No Intervalo da Vida, Cláudia Pinto compila 20 histórias verídicas de pessoas que, a determinada altura, viram o seu mundo desabar ao lhes ser diagnosticada -a si ou a familiares muito próximos- doenças graves e/ou raras, ou ao serem confrontadas com o problema da infertilidade, ou com o facto de esperarem tetragémeos.
São histórias de grande coragem, contadas na primeira pessoa, algumas mais comoventes que outras. A maneira como o livro está escrito permite-nos uma leitura fluída e acessível. Também gostei dos cartoons no inicio de cada história que nos permitem ter uma noção do que se avizinha.
As três estrelas que dei devem-se essencialmente ao que o livro que fez sentir- o que, como já referi anteriormente, tem grande peso na classificação que atribuo e na maneira como encaro o livro- pois, apesar de ter sido uma leitura agradável, acabou por não me fazer apaixonar[percebem o que quero dizer?]