O defensor do vínculo é uma figura processual nos casos de tentativa de anulação de um casamento católico. A sua função não é representar nenhuma das partes, mas defender o vínculo, ou seja, a persistência daquele casamento. Mas é possível defender o vínculo por princípio, independentemente do caso? Que espécie de convicção é que isso supõe ou dispensa? E um casamento anulado também anula uma relação entre duas pessoas?
PEDRO MEXIA nasceu em Lisboa, a 5 de Dezembro de 1972. Licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa. Foi crítico e cronista no Diário de Notícias (1998-2007) e no Público (2007-2011). Escreve actualmente no Expresso. Assina também uma coluna mensal na revista LER.
É conselheiro cultural do Presidente de República, desde 2016. Foi subdirector e director interino da Cinemateca Portuguesa (2008-2010). Tem colaborado regularmente em projectos das Produções Fictícias (É a Cultura, Estúpido, O Eixo do Mal, O Inimigo Público, Canal Q). É um dos membros do Governo Sombra (na TSF, desde 2008, e também na TVI24, desde 2012).
Publicou seis livros de poemas: Duplo Império (1999), Em Memória (2000), Avalanche (2001), Eliot e Outras Observações (2003), Vida Oculta (2004), Senhor Fantasma (2007) e Menos por Menos - Poemas Escolhidos (2011) e Uma Vez Que Tudo se Perdeu (2015).
Editou quatro colectâneas de crónicas, Primeira Pessoa (2006), Nada de Melancolia (2008), As Vidas dos Outros (2010) e O Mundo dos Vivos (2012).
Manteve os blogues A Coluna Infame (com João Pereira Coutinho e Pedro Lomba), 2002-2003; Dicionário do Diabo, 2003-2004, Fora do Mundo (com Francisco José Viegas e Pedro Lomba), 2004-2005; Estado Civil, 2005-2009; e Lei Seca, 2009-2012. Desses blogues nasceram três volumes de diários: Fora do Mundo (2004), Prova de Vida (2007) e Estado Civil (2009).
Está representado em 366 Poemas que Falam de Amor (2003), org. Vasco Graça Moura; Antologia do Humor Português (2008), org. Nuno Artur Silva e Inês Fonseca Santos; Poemas Portugueses – Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI, org. Jorge Reis-Sá e Rui Lage (2009); Alma Minha Gentil: Antologia general de la poesía portuguesa, org. Carlos Clementson (Espanha, 2009); e Poemas com Cinema, org. Joana Matos Frias, Luís Miguel Queirós e Rosa Maria Martelo (2010).
Organizou e prefaciou o volume de ensaios de Agustina Bessa-Luís Contemplação Carinhosa da Angústia. Traduziu Notas sobre o Cinematógrafo, do cineasta francês Robert Bresson. Publicou uma versão de uma peça de Tom Stoppard (Agora a Sério, 2010).
Escreveu a letra de uma canção ("Lixo") do álbum Equilíbrio (2010), de Balla.
Colaborou com dois projectos de peças curtas: Urgências (Teatro Maria Matos, 2004 e 2006) e Panos (Culturgest, 2012). Adaptou para teatro (com Ricardo Araújo Pereira) Como Fazer Coisas com Palavras, do filósofo inglês John Austin (Teatro São Luiz, 2008). Publicou a peça Nada de Dois (2009, encenada no Brasil em 2010 e no Canadá em 2011) e escreveu Pigmalião, a partir de Ovídio (Teatro Oficina, Guimarães, 2010). Encenou Agora a Sério, de Tom Stoppard (Teatro Aberto, 2010).
Escreveu o argumento do telefilme Bloqueio (realização de Henrique Oliveira, RTP, 2012).
Este é um conto curtinho que retrata o Papel do Defensor do Vínculo no caso de divórcio. Para tal é usada todo uma terminologia de direito que torna bem mais difícil ao comum leitor de interpretar. Na faculdade tive cadeiras de direito e eram sempre daquelas que menos gostava. Por isso mesmo, também não gostei de ter encontrado toda essa terminologia aqui. Necessitaria de ler o conto novamente e com mais calma para poder absorver melhor tudo o que o autor quis transmitir. No entanto a questão levantada pelo autor tem o seu quê de interessante.
Eh pá, não percebi nada. Acho que tenho de ler de novo. Estas frases gigantes têm de ser lidas em estado de plena concentração (coisa que não estava, quando o li).
Conheço Pedro Mexia da sua participação no Governo Sombra e de alguns textos da revista Ler, mas este é o meu primeiro contacto com a sua ficção. Infelizmente, não fiquei bem impressionado. Este conto, sobre o defensor do vínculo que, num processo de pedido de anulação do casamento, tem a função de defender o casamento como instituição, explora a comparação entre o fracasso e a nulidade, no paralelo entre a verdade e a validade, ao mesmo tempo que a personagem tem uma crise de crença na sua própria função. Apesar de haver alguns pormenores engraçados e da visão ridicularizada do casamento como algo que se supõe superior à relação que representa, a prosa não é fluída, com frases longas, expressões e termos incomuns que contribuíram para alguma confusão na primeira leitura. Numa segunda tentativa o conto é melhor, ou pelo menos mais claro, mas ainda assim a prosa não me convenceu nem me deu especial prazer na leitura. Apesar de tudo gostei da ideia que é explorada e continuo com curiosidade em ler um trabalho de Pedro Mexia noutro formato.
Os meus comentários a todos os contos da colecção estão publicados no meu blog.
Pedro Mexia, outro autor que foi uma estreia para mim. Apenas o conheço do programa "Governo Sombra" e sei que publicou vários livros, mas ainda não tinha tido oportunidade de ler algo escrito por si. Devo dizer que não fiquei especialmente bem impressionada.
A personagem principal deste conto é um defensor do vínculo, uma "profissão" cuja existência desconhecia. É uma pessoa que tem como missão defender a continuidade de um casamento católico, independentemente do motivo que leva as pessoas a quererem separar-se. Rumo a uma reunião onde irá defender a sua dama, o defensor do vínculo debate-se com a validade da sua missão. Este conto não me despertou qualquer interesse, nem a nível de enredo (se é que se pode dizer que exista algum) nem a nível da narrativa, que achei por vezes demasiado verbosa. Não me convenceu.
Numa apresentação mais aproximada da realidade, o título deste conto deveria ser: “Defensor do Tédio”. Quando a leitura de uma história é interessante, com boa vontade, passa-se por cima de empecilhos de leitura, como por exemplo, mudança de pontos de vista e até de interlocutor dentro do mesmo parágrafo. Para este conto, não há qualquer boa vontade. O texto é um autêntico lodaçal, tão denso em divagações com pretensão de lições de qualquer coisa, talvez de moral, talvez de pretensão apenas e tão-só, que perde-se o fio à meada tão depressa quanto o interesse em saber o fim. O fim, diga-se de passagem, é o equivalente a águas de bacalhau.
Anulação ou não anulação de um casamento católico. O defensor do vínculo, nomeado para defender o matrimónio, é colocado numa posição complicada uma vez que terá obrigatoriamente de defender o casamento, mas que não concorde com o caso.
Este conto não me prendeu em nenhum ponto, tornando-se cada vez mais chato e sem qualquer interesse.
As frases longas não ajudaram à melhor compreensão do texto, tornando-o muito aborrecido.
Conheço algumas crónicas de Pedro Mexia e a sua permanência no programa "Governo Sombra". Nunca tinha lido ficção deste autor. Não me cativou. A história de um julgamento eclesiástico sobre a nulidade de um casamento, em que o Defensor do Vínculo, profissão que desconhecia existir, tem dúvidas sobre o que deve dizer no exercício das suas funções, não cativa de todo.
Primeiro, desagradou-me neste conto o facto de demorar a perceber o que é um "defensor do vínculo". Depois, a escrita em si não me cativou por aí além, apesar de já ter ouvido opiniões muito positivas sobre Pedro mexia. Talvez lhe dê outra oportunidade em breve!
Realmente não é das escritas mais cativantes e acabei por não perceber a ideia do autor. Acho que ele devia considerar fazer pensamentos mais curtos, para se poderem destrinçar uns dos outros.
Pedro Mexia, bom cronista, bom comentador, bom crítico, pessoa dotada de um sentido humor muito british. Tudo isso a seu favor e depois sai-me com isto? Esperava mais e melhor.