O livro concretiza uma proposta inédita no cenário brasileiro: apresentar um panorama horizontal da produção internacional dessa forma narrativa que chamamos "cinema". A aposta na dimensão diacrônica tem seus predicados. Percorrer esse livro é deparar-se constantemente com a efervescência das tradições que reivindicaram para si o estatuto de cinematográficas. O cinema das origens, o cinema clássico, o diálogo criativo do cinema com o construtivismo, o expressionismo, o surrealismo, as particularidades da vanguarda cinematográfica chamada impressionista, o cinema realista e seu coroamento no neo-realismo, a chegada da modernidade com a Nouvelle Vague, os novos cinemas, o retorno de Hollywood, os grandes autores e as grandes personalidades da história do cinema, o pós-modernismo e o cinema documentário: o cinema no século XX é o universo que esse livro se propõe a discutir - de partida, um desafio elevado. (Texto baseado na Apresentação de Fernão Pessoa Ramos).
Acaba sendo um pouco prejudicado pela falta de unidade ou padronização da metodologia na abordagem dos temas. Alguns capítulos são extremamente simples (o do Noir basicamente discute a origem do termo e se a denominação é correta ou não) e outros são extremamente acadêmicos (o da Nova Hollywood analisando o mercado estrutural do cinema norte-americano naquele momento). De mesmo modo, alguns escritores parecem mais formalistas, outros se atentam mais na temática dos filmes. Mas, sem dúvidas, mesmo com a falta de um diálogo entre eles, tem ótimas leituras (Expressionismo Alemão e Neorrealismo Italiano, entre outros) e pode ser um ótimo início de aprofundamento no cinema.
Pela quantidade de autores, tem seus altos e baixos. É uma leitura canônica do cinema excelente para quem quer pensar além dos grandes nomes, como se o cinema tivesse sido feito por um ou outro e não de maneira coletiva. Contudo, ainda é uma leitura iniciante, visto que ainda carrega os seus cânones