É de consentimento geral que Virginia Woolf, antes de ser a escritora que conhecemos, era uma mulher à frente de seu tempo. O seu cérebro funcionava de maneira simples e direta- isso é verdade, isso não é verdade. Nos artigos contidos nesse livro, Virginia defende a nós, mulheres, com unhas e dentes, baseando-se simplesmente na verdade. Ela debate bravamente nas páginas de um jornal com alguém que questionava o intelecto feminino e se dizia estudioso. No final ele não tem o que dizer. Mas Virginia também nos conta a verdade, de mulher para mulher, ao reconhecer que nem toda luta feminina lhe cabia, porque desconhecia o mundo da maioria das mulheres.
Enquanto lia esse livro, me lembrei de Amy March, minha personagem favorita de “Mulherzinhas”. É Jo March a representante do feminismo e da luta feminina por trabalho e estudo na história, mas é Amy quem vive a posição que uma mulher era obrigada a tomar na sociedade. Apesar de no fim encontrar um amor genuíno, Amy passa a maior parte da história conformada com seu papel como mulher na sociedade, e tenta apenas viver sua vida nos termos que lhes são dados. Na adaptação cinematográfica de 2019, quando confrontada pelo homem que amava por não enxergar o amor pelo lado dos poetas, ela diz: “Não sou poetisa, sou apenas uma mulher.”.
Sempre me assusta relembrar como era ser mulher séculos atrás, mesmo que hoje ainda tenhamos desafios, que não deveriam existir, a superar, me sinto muito grata por poder estar onde estou, e isso só se dá devido ao esforço de mulheres que vieram antes de mim.