Colônia, culto, cultura. Três palavras que se aparentam pela raiz verbal comum. Colonização diz o processo pelo qual o conquistador ocupa e explora novas terras e domina os seus naturais. Culto remete à memória dos deuses e dos antepassados que vencedores e vencidos celebram. Cultura é não só a herança de valores mas também o projeto de um convívio mais humano. A cada conceito responde uma dimensão temporal: o presente, o passado e o futuro. Em capítulos que vão de Anchieta à indústria cultural, Alfredo Bosi, o conceituado autor da clássica História concisa da literatura brasileira, persegue com sensibilidade as formas históricas que enlaçaram colonização, culto e cultura: Dialética da Colonização é o resultado deste percurso sui generis na história do pensamento brasileiro.
Uma análise simplesmente genial da história do Brasil e do pensamento contemporâneo escrita de modo impecável. Poucos conseguiriam associar a erudição filosófica à percepção antropológica por um caminho tão caro quanto a crítica de nossos principais autores. Embora produzidos já há algum tempo (os escritos mais recentes são do início da década de oitenta, e a edição conta com um post-scriptum de 1992 e um posfácio redigido em 2001), os ensaios não perdem em qualidade e clarividência.
A meu ver, leitura obrigatória para compreender como a experiência da colonização marca a história de um país e molda o fluxo de seu futuro.