"Adília Lopes da Silva and Maria José de Oliveira Viana Fidalgo are one and the same person. They are me. As poppy is a poppy. And many other names that I don’t know. Adília Lopes is water in gaseous state, Maria José is the same water in solid form. I'm a woman, I'm Portuguese, I’m from Lisbon, I’m a poet, I'm a linguist (we all are), I'm a physicist, I'm a librarian, I'm an archivist, I'm shortsighted, I was born on 20 April 1960, I'm single, I have no children, I'm catholic, I have brown eyes, I measure 1.56 m, now I weight 80 kg, I use the short hair since 1981, the hair is dark brown with many white hairs. (...) it's clear that the poet is always the idiot of the family, the crazy one".
Isto é: «uma forma de conseguirmos expressar melhor tudo o que sentimos e o que muitas vezes não queremos sentir»
Estou maravilhada com este livro! Gostei de tudo, das associações de ideias da autora, dos versos que, presumo eu, são um pouco autobiográficos, dos apontamentos, do recontar da história de Mariana, da vida do Túlio e da Maria Andrade, enfim, gostei do bolo todo. E é um bolo excelente, em que mesmo as fatiazinhas mais pequenas são saboreadas e apreciadas como se fossem a maior iguaria à face da terra, sendo um gosto lê-las. Este foi daqueles livros que fechei, que encostei às maminhas (quem foi acompanhando as atualizações da leitura perceberá a referência, quem não acompanhou achará que sou doida, paciência) e que me fez sorrir. Esta opinião não faz jus ao que este livro é. Estou maravilhada com esta pérola!
Não é verdade que tudo é relativo. Nem a teoria da relatividade ensina isso, mas eu conheço muito mal a teoria da relatividade. Acho que para foder é preciso ser linda como a Claudia Schiffer e inteligente como Einstein. Mas vejo nas paragens dos autocarros mulheres grávidas feias e com ar de burras e não penso que tenham recorrido todas à inseminação artificial.
4.5 ⭐️ FÉRIAS “Em 1969, passei uns dias, no Verão, com os meus tios e com as minhas primas, na Costa da Caparica. Foi na altura em que os americanos foram à Lua. Eu já tinha 9 anos, mas era tão ignorante que fui para o quintal olhar para a Lua a ver se via os americanos!”
Confesso que a poesia não é um género literário que me fascine e talvez por isso não procure conhecer autores desta categoria. Tenho como referência Adília Lopes, onde nesta compilação tive oportunidade de conhecer a sua obra e, em especial, apreciar a sua prosa. Há referências que se repetem, acontecimentos do seu quotidiano contados com humor, lugares por onde passou, alguns familiares (a mãe, os avós, a tia Paulina…), os gatos, todos eles dão um toque muito pessoal ao seu trabalho literário. Foi uma experiência de leitura muito enriquecedora, a qual recomendo vivamente!
O que dizer de Adília? Passei os últimos dois terços do mês acompanhada dela e não poderia desejar companhia melhor. Foi tão intensa a entrega à sua literatura que sequer conseguia ler outra coisa. Esse misto de humor com seriedade, de simplicidade com sofisticação, o saber exato do uso das palavras somado à sua personalidade apaixonante, só posso dizer para que adquirem sua poesia completa, a melhor poeta portuguesa da virada do século.
Adília Lopes é um portento de simplicidade e genialidade. Portento contido e berrante, extravagante e solitário, misterioso e estranhamente aberto. A sua poesia é um reflexo daqui que Adília não é: desconcertante.
Dobra. Livro que reúne a poesia de Adília Lopes publicada num só volume. Poesia desconcertante, poesia com ritmo, poesia natural e em alguns momentos desconcertante. Os poemas fluem, entrelaçam o leitor, alguns chocam de tão frios que são e outros com dor.
A poesia desta poetiza maior da contemporaneidade é um exercício de solidão da escritora, assume-o no livro, assume-o com poemas. Escreve com liberdade, só assim consegue escrever e só assim a sua poesia flui. Com escárnio, com malvadez e com grande capacidade de olhar a realidade e a resumir. É um dom, a Adília Lopes (pseudónimo) possui esse dom.
Adília Lopes é um desafio, um convite a uma total imersão no seu comboio de pensamentos tornado palavras que obriga ao abandono de qualquer tipo de preconceitos literários.
Há quem adore e há quem odeie. Há quem discorde do seu estatuto. Eu adoro; mas entendo as críticas.
A Poesia Reunida permite, para além de ter na mão toda a obra da artista, acompanhar a sua evolução no tempo, desde de uma poesia mais "consensual" aos textos reflexivos dos dias de hoje. Alguns livros melhores do que outros. Mas cada um deles com o seu próprio espírito.
Acabo assim toda a obra de Adília Lopes, suspeitando vir a sentir falta da forma inocente e inócua com que nos guia pelos esconderijos, brincadeiras, traumas e memórias que arquitetam o seu ser. Uma obra sincera e impar, por vezes comovente, que estabelece rapidamente uma ligação "amigável" com o leitor, talvez devido à índole autobiográfica adjacente. Dei curiosamente por mim a ler em qualquer que fosse o tempo e modo do meu dia-a-dia, de loucos. Acompanharei certamente as futuras publicações, até já Adília.
A poesia de Adília Lopes está cheia de descobrimentos maravilhosos e, no caso concreto deste livro, ainda mais porque faz possível ler tuda sua poesia. Um livro preciso para conhecer a obra de Adília (uma das vozes mais importantes da poesia contemporânea portuguesa), que eu adorei muito e que agora entesouro. Muito recomendável. (La poesía de Adília Lopes está llena de hallazgos maravillosos y, en el caso concreto de este libro aún más porque hace posible leer toda su poesía. Un libro necesario para conocer la obra de Adília (una de las voces más importantes de la poesía contemporánea portuguesa), que adoré mucho y que ahora atesoro. Muy recomendable)