Eu queria muito gostar esse livro. É o primeiro livro que eu leio no kindle, o autor é brasileiro, eu tava procurando um murder mistery legal faz um tempo, a elite carioca universitária suicida e drogada da zona sul é um grupo familiar pra mim e esse parecia ter um enredo interessante o suficiente pra ser maneiro. Enquanto lia descobri que os principais são estudantes de direito na UERJ, o autor se formou lá relativamente recentemente. Mais razões pelas quais eu realmente quis gostar desse livro.
Puta merda como eu odiei esse livro. É praticamente tudo que eu odeio em um Whodunit condensado e multiplicado por vinte. Todos os personagens são caricaturas bizarras de pessoas que você poderia ver no dia a dia se você morar no Rio, se enfiando em situações que de minimamente realista só tem o cenário (destaque pro capitulo em que o principal e seus amigos falam sobre suicídio na UERJ, com direito à umas falas tão ridículas e uns diálogos tão absurdamente artificiais que eu não consigo nem visualizar. Eu não sei se saber que o autor estudou lá deixou tudo pior ou melhor, mas eu vou com pior, porque puta que pariu).
O livro varia entre os capítulos narrados pelo principal nas suas anotações para o seu livro e os capítulos que narram uma reunião das mães dos envolvidos no suicídio coletivo com uma delegada. De alguma forma, as partes com as mães conseguiram ser ainda piores que as com os universitários. São oito? Sete mães? participando da reunião? Não importa, porque nenhuma delas tem alguma característica individual que seja o suficiente para diferencia-las das outras além de ''essa aqui é a insuportável'' e ''ser mãe de X''. Os capítulos delas são, essencialmente, um bando de brigas aleatórias, absurdamente artificiais, completamente fora de lugar no contexto que foi apresentado.
Além disso, os diálogos não fazem sentido. Depois de 70% do livro lido eu tive que ler uma mãe que acabou de ouvir relatos sobre os filhos e os amiguinhos que se drogaram, se torturaram, assassinaram, cometeram necrofilia, isso tudo antes de cometer suicídio coletivo, falando: ''Isso é um absurdo! Que mãe ajudaria um filho a matar alguém?" quando a delegada sugere a possibilidade do twist mais óbvio que eu já vi.
Falando em twists mais óbvios que eu já vi, o twist do final é ofensivo de tão absurdamente óbvio depois da metade do livro, e mesmo ele só é possível porque a história chega em um ponto que eu imagino que o autor tenha ficado cansado de torturar o leitor com descrições chatas pra caralho das cenas que aparentemente deveriam ser chocantes ou brutais e decidiu fazer com que tudo se amarrasse de forma perfeitamente conveniente para a pior trama de assassinato que já existiu parecer ''genial''. Por sinal, o livro é cheio desses momentos em que claramente se bota algum elemento na história somente por shock value e mesmo então ele é descrito da forma mais meia boca possível. Eu nunca vi cenas de estupro, tortura, assassinato, necrofilia, pedofilia, tentativas de suicídio, abuso de drogas, abuso doméstico e gore(tudo isso e muito mais nessa divertida experiência para toda a família) serem tão chatas. Eu não sou fã de torture porn, mas eu imagino que mesmo que eu fosse o maior fã do mundo eu ainda ia achar esse livro uma bosta.
O que mais me irrita no livro é que dá pra ver que o autor sabe escrever. As sentenças em si e a estrutura da história não são um problema, na verdade dá pra voar por elas sem nem perceber, o livro flui bem. Motivado pelo meu ódio pela história deu pra voar pelo livro praticamente no mesmo dia em que eu comprei. Eu talvez leia outros livros dele no futuro porque eu realmente quero gostar da obra de um ex-aluno do Direito UERJ que decidiu usar a experiência da faculdade pra escrever mistérios, mas é, esse livro, pra mim, é indefensável. Eu não pretendo fazer outras reviews sobre livros nesse site, mas eu vou deixar essa aqui para eu ter alguma forma de lembrete do ódio que eu senti lendo esse livro.