O relato de uma jovem com o futuro penhorado, como tantos neste país.
Neste livro, dividido por quatro capítulos, cada um num tom de cor diferente, Raquel conta-nos a história da sua vida. Não é uma vida extraordinária, nem emocionante. É uma vida comum, pontuada pela tristeza e desilusão, que a autora tão bem traduz nas suas ilustrações.
Neste novo livro, Raquel põe de lado o humor que a caracteriza, suaviza os traços da sua personagem, mas não abandona a sua faceta autobiográfica.
Adorei este livro! Trata-se da autobiografia da autora em banda desenhada, com a descrição dos acontecimentos da sua vida que culminaram precisamente na concretização deste mesmo livro. Esta Raquel tem mesmo muito interesse. Recomendo vivamente a toda gente, não se vão arrepender.
PT Aviso: É importante perceber que este livro não segue o mesmo tom do primeiro da Raquel. A sua estreia foi, essencialmente, uma coleção de tiras de banda desenhada—leve e humorística.
Aqui, não é esse o caso. Embora tenha alguns momentos divertidos, este livro é, sobretudo, uma reflexão séria sobre as dificuldades da vida.
Entrei nele à espera do mesmo humor e leveza do primeiro, e isso quase arruinou a minha experiência. Por isso, ajustem as expectativas—não sejam como eu! 😅
Dito isto, a Raquel leva-nos pela sua jornada pessoal, desde a infância até à pessoa que é hoje. É preciso uma enorme coragem para se expor assim ao público, e respeito imenso essa atitude.
O livro está repleto de momentos preciosos e também de situações decisivas que foram tratadas de forma brilhante.
A Raquel tem todos os motivos para se orgulhar. Este livro prova o seu talento, e mal posso esperar para ver o que fará a seguir.
Ah, e a arte? Absolutamente deslumbrante.
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EN Fair warning: It’s important to understand that this book doesn’t follow the same tone as Raquel’s first one. Her debut was mainly a collection of comic strips—lighthearted and humorous.
That’s not the case here. While there are some funny moments, this book is mostly a serious exploration of life’s struggles.
I went into it expecting the same fun and jokes as before, and that almost ruined my experience. So, set your expectations accordingly—don’t be me! 😅
That said, Raquel takes us through her personal journey, from childhood to the person she is today. It takes immense courage to open up like this to the public, and I have huge respect for that.
The book is filled with precious moments, as well as pivotal "make or break" situations that are handled beautifully.
Raquel should be incredibly proud. This book is a testament to her talent, and I can’t wait to see what she does next.
Nunca tinha lido nada da Raquel e este livro foi uma boa surpresa. Em modo de biografia, a autora fala da sua infância aqui perto, em Caldelas, município de Amares, da sua adolescência e idade adulta e das lutas até conseguir publicar este e outros livros. Fá-lo de um modo muito descontraído, divertido e desinibido.
Este é um trabalho com um leque de temas abordados bem diversificado. Para além de pouco explorados a nível nacional (corrijam-me se estiver enganado), os temas focam-se na realidade de muitos jovens trabalhadores portugueses que apesar de licenciados não conseguem encontrar trabalho nas suas áreas e acabam subjugados a trabalhos precários em call centers e similares para conseguir a emancipação financeira e pessoal que tanto ambicionam. Outras questões do foro profissional também presentes: desemprego na idade adulta, mau ambiente no local de trabalho, desmerecimento profissional por parte das chefias e, em última instância, burnout.
Fora as questões já referidas, não podemos esquecer que este é um trabalho autobiográfico e a vida familiar da autora e acontecimentos a ela relacionados estão também muito presentes: separação dos pais, envelhecimento e morte dos avós, férias de verão e natais em família. Aqui identifiquei-me em vários momentos.
Apesar das fortes temáticas abordadas, não consegui ficar fã dos desenhos e nem do tipo de letra usado. A própria distribuição das vinhetas, em conjunto com os restantes elementos visuais escolhidos, remetem-me para um tipo de arte visual com a qual não me identifico.
Resumidamente, esta é uma banda desenhada que não deixa de ser interessante. Os temas são envolventes mas a parte visual não me cativou.
Uma recomendação de uma amiga (obrigada M). Gostei muito - uma autobiografia gráfica, um estilo de comic strip quase mas muito expressivo ( o rosto das personagens o que é sempre sempre sempre importante para mim mas outros recursos), o percurso de vida da autora, nascida no Porto no final dos anos 80, a família, a formação, os empregos deprimentos. Muito bom - mas ficou um nadinha aquém de algo que não sei explicar. É perfeitamente compreensível que alguém ao publicar e escrever tenho pudor no que escreve e revela acerca de pessoas reais, mas há uma sensação de que ficamos um pouco à superfície (ou a autora é optimista). Mas muito bom e recomendado! Está disponível no biblioled mas li em papel e gostei muito do esforço da edição em papel - o papel ele mesmo, a impressão, as cores diferentes para cada parte, as abas da capa.
Confesso que nunca tinha ouvido falar do livro nem da Raquel. Mas foi uma surpresa fantástica! Neste livro a Raquel conta a história da sua vida (e da sua família) até ao momento actual. Gostei muito do texto e dos desenhos.
Obrigada Raquel por partilhares a tua história! Vou procurar o teu outro livro e as tuas tirinhas ‘sem interesse’ (que eu tenho interesse em ler) e boa sorte para os teus projectos!Conseguir trabalhar na área de que gostamos é valioso!
Li este livro através da BiblioLED, que é a plataforma online de empréstimo de livros das bibliotecas portuguesas.
Raquel Fernandes retrata muito bem as agruras da geração que nasceu nos anos 80. Mas felizmente, não é uma história apenas sobre tristezas. Há algumas alegrias lá pelo meio. Que bom que as editoras invistam nos autores portugueses, para que tenhamos a possibilidade de ler hiatórias em que nos conseguimos rever.
Gostei das ilustrações e da história em si também. É o retrato da vida comum e, dada a idade da autora, identifiquei-me bastante com várias situações. A primeira parte, com a descrição da infância e dos Natais e reuniões familiares levou-me também a rever as minha recordações sobre a infância. As dificuldades e as adversidades já na idade adulta penso que são transversais a muitos millennials e, de certa forma, levou-me a reflectir sobre a forma como muitos de nós enfrentam estes desafios. Foi uma boa leitura.
Adorei adorei adorei!!! O processo de identificação que tive com este livro foi bem profundo. Como pessoa que experienciou as mesmas dificuldades, andanças e mudanças, escolhe projeto, toma decisão, arrepende-se, dúvida da vida, etc… este livro ajuda toda a gente a compreender uma coisa muito simples: estamos todos a sofrer do mesmo, mas estamos todos a lutar pelo mesmo. Uma vida melhor🤍
Nunca me senti tão bem representada numa "história" como nesta.
Raquel conta-nos tudo o que passou até hoje e, a sua história podia ser a minha e a de milhares que nasceram por estes anos 80/90.
Desde a dificuldade de entrada na faculdade (quando se faziam exames a tudo e às vezes no mesmo dia a dois) e, quando íamos verificar os resultados... não tínhamos sido colocados... os empregos dos pais a danificarem um casamento de anos... a entrada na faculdade no que realmente queremos, acarretando as dificuldades de gerirmos tudo o que é novo, com o primeiro amor e a perda de familiares....
A dificuldade de múltiplos empregos para fazer com que... "chegasse ao fim do mês".... A dificuldade para encontrar a primeira casa... o viver a dois...
Tudo mas tudo tão bem representado que parecia estar a ler a minha história...
Ao mesmo tempo, os desenhos de Raquel que complementam tão bem o que ela nos quer passar. Senti as emoções de Raquel através do papel e senti a Raquel como amiga.
Uma biografia em forma de bd que aborda vários temas pesados e com os quais qualquer um de nós se consegue facilmente (e infelizmente) retratar, mas representado de uma forma mais leve.
O grafismo não funcionou comigo, senti alguma dificuldade ao longo da leitura com o tipo de letra e na ligação para ler as vinhetas e tudo junto à parte das ilustrações... acho só que não funcionou comigo.
Encontrei este livro enquanto estava à procura de uma outra BD. Li-o logo porque me apetecia mais do que a minha leitura principal (é boa mas… densa!)
O livro é divertido, mas não consigo dizer porque é que o apreciei tanto. Pouco acontece. Ela nasce, cresce, trabalha e no final atinge algum sucesso. Não há grande drama, e talvez tenha sido disto mesmo que gostei: muitos autores querem aumentar o drama das suas vidas, exagerando os seus sofrimentos e ganhando a simpatia do leitor. A Raquel fala, sim, de vários colegas mal dispostos e até (uma vez) de “abuso” mas estes transtornos aparecem como obstáculos a superar e ela nunca assume o papel de vítima. Enfim, isto é inspirador: é uma história quotidiana, mas a protagonista é trabalhadora e aberta às possibilidades da vida. Quando cai num buraco, começa de novo e melhora a situação, por mais difícil que seja.
Há elementos de sorte nisto tudo: ela é inteligente, com bons amigos, um namorado simpático e uma família apoiante, mas a vida dela não é um mar de rosas. Como toda a gente, ela joga as cartas que tem, e pessoalmente, gostei da sua maneira de lidar com os problemas.
Um salto tremendo do primeiro livro para este. São completamente diferentes, mas ambos intimistas. Este revela ainda um pouco mais da própria autora, já que ela é a protagonista. Um relato muito real da vida tal como ela é, da luta por entrar no mercado de trabalho e tentar fazer o que mais gosta: desenhar. Raquel sem Interesse tem, afinal, muito interesse e os seus livros são muito interessantes :)
Adorei a sinceridade e o realismo da história de vida da Raquel. Ela toca em assuntos como a precariedade dos empregos jovens, os problemas de mau ambiente no trabalho e mesmo a ansiedade derivada de trabalhar em muitos projetos ao mesmo tempo. Achei especialmente engraçada a forma como terminou o livro, deixa-nos muito mais próximos de todo o processo criativo das ilustrações e da história! Espero poder ler mais da Raquel e contar com a mesma honestidade e sentido de humor! 😍
Acho a lengalenga das gerações uma simplificação que não explica nada, mas como tudo tem momentos úteis, aqui é um deles. A historia de vida da Raquel não é parecida a minha, é mulher, nasceu no Porto, andou em artes. Eu sou homem, nasci numa aldeia do Alentejo e apesar de ser de letras sempre estive muito virado para as ciências. A historia da Raquel é a historia da minha geração... A história conta-nos a sua infância, em que os avós tiveram um papel fundamental, em que mesmo vindo de meios mais pobres houve crescimento e possibilidades económicas moderadas dentro da crise. E depois veio o choque de 2008. Os trabalhos precários para pagar contas, o curso que não da emprego, os trabalhos que se têm são exploradores e sem qualquer condição de dignidade. Fomos e somos pessoas sem interesse e sem grande preservativa de futuro. Sabe bem ver uma história parecida como a nossa tão bem contada, os dramas do dia a dia são por um lado muito diferentes e outros muito parecidos. Continuaremos pessoas sem interesse e claramente muito diferentes, mas em muitas coisas muito iguais. Posso dizer de experiência própria que para alguém mais afastado temporalmente isto tera menos interesse, mas merece ser lido na mesma. É um retrato de uma geração que não tendo sido rasca, esteve e muito a rasca.
TW: Referência a Violência Doméstica, Morte, Luto, Episódios de Bullying e Ansiedade
Os nossos percursos são diferentes, mas há traços desta novela gráfica que se tornam transversais, porque todos nós, em algum momento, já sentimos as angústias aqui espelhadas. Com um traço que cativa e um discurso bastante franco, também me senti representada no desnorte e na perda, no futuro penhorado de alguém que tenta manter na mesma bagagem as responsabilidades que adquire com o tempo e os sonhos que tenta não perder; senti-me representada no medo, nas desilusões e nas pequenas vitórias que nos motivam a continuar.
Dividido em quatro capítulos, cada um com uma cor própria, E Agora? é um retrato intimista de uma vida comum, que poderia muito bem ser a nossa.
Gostei bastante do desenvolvimento da história, mas não adorei o início. Também não amei o estilo de desenho das personagens, mas gostei da sensação de ler uma letra que parece ter sido escrita à mão e ver as marcas do marcador que foi usado para pintar os fundos.