No imaginário coletivo, a figura do fotógrafo de moda vem envolta numa aura de glamour que nem sempre condiz com a realidade. Por outro lado, dizer que não há glamour nenhum e que a vida é só integridade, concentração, foco e trabalho seria tirar o verniz e o charme dessa atividade tão atraente. Cartas a um jovem fotógrafo conta um pouco dessa profissão, do ambiente que a cerca e das armadilhas, do ego e do mercado, que podem surgir na vida de qualquer um que decida usar a câmera como ofício e forma de expressão. Em uma linguagem clara e objetiva, este livro traz as dificuldades, prazeres, oportunidades, ilusões e a realidade de uma profissão que se alimenta da criatividade e da sensibilidade.
Ainda que não seja particularmente memorável em sua escrita — esta, afinal, não é a área de foco do seu autor e ele deixa isso bem claro no início do livro —, lendo mais como uma palestra ou entrevista do que uma biografia ou manual, este talvez seja um dos livros mais diretos sobre a rotina e os processos de um profissional no meio das artes.
Wolfenson explicita por várias vezes a importância das conexões e contatos, da equipe e do profissionalismo, indo de frente àquele discurso cansado do "trabalho solitário do artista", ou do tal "gênio sem pares". Erros, tentativas e acertos são o ponto central dos relatos do fotógrafo, que não esconde saber que chegou aonde está devido ao trabalho consistente, sim, mas também pelas pessoas que conheceu no caminho.
Este pode não ser o melhor livro sobre fotografia que você pode ler (nem acredito que esse era seu intuito), mas é um dos mais honestos — com o perdão do trocadilho — retratos deste meio no Brasil, feito por um de seus profissionais mais ativos e consistentes dos últimos 40 anos.